segunda-feira, 8 de março de 2021

Jequié Líder Absoluto da Rodada - Atletas e Charanga da ADJ em ônibus especial -



Vencendo  o Atlético de Alagoinhas por dois tentos a um, a representação do Jequieense manteve-se na liderança invicta do campeonato bahiano, dando-nos consequentemente a esperança de posteriores vitórias e possível caminho para o título máximo do primeiro turno.

Estamos certos hoje de que se faz necessário de imediato a contratação de dois atletas para o equilíbrio total da engrenagem tática do time: um quarto zagueiro e um meia ponta de lança. As peças atuais merecem cuidados embora demonstrem vontade de integrar à dinâmica imposta pelo técnico Maneca aos onze componentes da A.D.J. O time está jogando em função de Maíca, que se diga de passagem é um excelente craque. No entanto, se o médio não tem uma boa atuação, todo o sistema tático do clube ressente-se e há um deus nos acuda nos contra-ataques adversários. Mobilizando dois homens para meio de campo (ponta de lança) e um quarto-zagueiro, teremos uma estabilidade tática e não seremos massacrados impiedosamente pela vanguarda inimiga, que vem dando tanto trabalho e preocupação aos homens de nossa defesa.

 Feito este ligeiro comentário, que outra intenção não tem se não o colaborar., há de se fazer outro registro de suma importância. Referimo-nos ma atuação do Delegado da Federação. Sabemos que o moço tem procurado coibir de uma forma educada os abusos de alguns, principalmente técnicos e diretores de clubes filiados à Liga de Futebol, que teimam em permanecer junto ao gramado, quando dos jogos profissionais, infringindo leis e códigos, vez que não é permitido presença de outras autoridades senão as jornalitas CREDENCIADOS e mais, para cada clube disputante, um médico, um diretor, um preparador físico, um massagista e cinco atletas. DEVEDAMENTE UNIFORMIZADOS. O que estamos vendo é uma avalanche de pessoas sem condições de autoridade para permanecerem junto ao gramado. Ainda ontem, a pedido do Delegado da Federação a parida foi atrasada em deu início por dez minutos, a fim de que se retirassem os que se dizem * donos do nosso Futebol*. Há de se determinar, antes de tudo que o jogo amador se encerre dez minutos antes do início da partida principal, e imediatamente todos os que não têm condições de permanecer, se retirem dos vestiários e bancos de reservas. É um abuso o que estamos presenciando, que poderá ter consequências desagradáveis porque com a sua autoridade, poderá o Delegado da Federação, consultando o árbitro, interromper a pugna enquanto continuar os *indesejáveis* junto ao campo.

No mais, gostamos da partida de domingo. Nosso time esteve melhor do que o adversário. A vitória foi merecida e poderia ser ampliado o marcador. Quinta feira próxima teremos o Bahia pela frente. Iremos confiantes porque poderemos ser vitoriosos. E ademais, o Fantasma do Sertão não pode e não deve ter medo do Lobo Mal do Futebol, temos bons jogadores, são onze contra onze e a sorte está do nosso lado.

 Ficha técnica.

Juiz – Jairo Câmara

Auxiliáres – Jeová Lelis e Cavalcanti Brito.

A renda – Cr$ 10. 142,00

Estamos seguramente informados que um grupo de estudantes e rapazes que compõem a Charanga da ADJ, seguirão para Salvador no próximo dia 10 em ônibus especial da Auto Viação Jequié.

Nota importante

O Sr. Antônio Torre Grossa, distribuirá com os jogadores da ADJ, o total de fretamento do ônibus que levará a seleção, ganhe ou perca o jogo com o Bahia. 

(Jornal Jequié - 10/05/1971 - fonte: Biblioteca Luiz Neves Cotrim do Museu Histórico de Jequié -  Material fornecido pelo Museólogo Antonio Varjão Matos).


NOVO PRESIDENTE DO SINDICATO RURAL DE JEQUIÉ SERÁ ELEITO DIA 19

 

A nova diretoria do Sindicato Rural de Jequié será anunciada no dia 19 de março, data escolhida para a eleição e posse do próximo presidente, diretores, assim como também do conselho fiscal e dos delegados junto ao Conselho da Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado da Bahia. O nome de Erivan Ribeiro será aclamado para presidir a entidade sindical.

O atual presidente, Coronel Ivo Silva Santos, disse que, mais uma vez, houve consenso para a escolha e que o processo eleitoral, programado para ocorrer das 8 horas às 17 horas, na sede da entidade, na Av. Rio Branco, vai transcorrer normalmente, apesar do período pandêmico. Segundo ele, não existe possibilidade de aglomerações, pois todas as medidas nesse sentido já foram adotadas. Os associados aptos a votar estão orientados a seguir as medidas sanitárias vigentes para evitar a disseminação da Covid-19. (Souza Andrade)

Coronel Ivo, reeleito em dezembro de 2017, passará o comando do SRJ no próximo dia 19. Imagem: Souza Andrade.

Bahia de Feira goleia e assume a liderança do Baianão; confira demais resultados

Bahia de Feira goleia e assume a liderança do Baianão; confira demais resultados
Foto: Reprodução / TV Touro Oficial


O Bahia de Feira é o novo líder do Campeonato Baiano. O Tremendão goleou o rival Fluminense de Feira, no clássico feirense, neste domingo (7) por 6 a 3, na Arena Cajueiro, pela quarta rodada do estadual. Deon, duas vezes, Wesley, Marcos Pelé, Dionísio e Bruninho marcaram os gols dos donos da casa, enquanto os visitantes balançaram as redes três vezes todas com Emerson Catarino.

Antes no topo da tabela, a Juazeirense conheceu sua primeira derrota no Baianão. Jogando no Estádio Adauto Moraes, o Cancão de Fogo perdeu para o Atlético de Alagoinhas por 3 a 1. Gilmar, Miler e Reninha anotaram para o Carcará e Jô fez o de honra dos anfitriões. Já UNIRB e Doce Mel ficaram no 0 a 0, no Carneirão, assim como Vitória da Conquista e Bahia, no Lomantão (leia aqui). (Bahia Notícias)

 

Confira a tabela de classificação:



Foto: Reprodução / FBF

Vagas de empregos no SineBahia


Vagas de empregos no SineBahiaVAGAS DE EMPREGOS

AUXILIAR DE COZINHA

06 meses de experiências na CTPS

OPERADOR DE CAIXA

06 meses de experiências na CTPS

EMPACOTADOR - PCD

Vaga específica para portador de necessidades especiais

AUXILIAR DE COSTURA - PCD

Vaga específica para portador de necessidades especiais

COORDENADOR DE RH

06 meses e experiência na CTPS com o processo de RH

Ter nível superior em Administração ou Psicologia

AUXILIAR DE DEPARTAMENTO DE PESSOAL

06 meses e experiência na CTPS

Ter nível superior incompleto

SUPERVISOR DE MANUTENÇÃO

Experiência na nas áreas elétricas, hidráulica, mecânica e refrigeração predial

Ter nível superior em Engenharia

VENDEDOR EXTERNO

06 meses de experiências vendas

Possui CNH B e Moto

TÉCNICO EM REFRIGERAÇÃO

06 meses de experiências Instalação e manutenção de Ar condicionado

Interessados atualizar o cadastro em enviar currículos atualizado com o numero do NIS para: sinebahia.jequie@setre.ba.gov.br (Junior Mascote)

domingo, 7 de março de 2021

NINGUÉM SEGURA O JEQUIÉ.


A Associação Desportiva Jequié, realizando mais uma campanha pelo certame baiano de futebol, venceu na tarde do último domingo, no Estádio Waldomiro Borges, o Esporte Clube Itabuna pelo escore de dois tentos a um.

Na verdade, o Jequié não teve na em sua exibição de domingo uma atuação convincente. Venceu pela sorte, porque inegavelmente, o Itabuna lhe era superior dentro de campo. Mas, há de se louvar a garra, o entusiasmo e sobretudo a vontade de vencer dos onze rapazes da ADJ. Quando a torcida começava a se desanimar, quando a charanga emudecia seus tambores, justamente na hora que as bandeiras deixavam de tremular, Dilermando marca o tento de empate. A esperança renasceu. Vibrava a torcida e Marco aos 43 minutos da etapa derradeira assinalava o gol que viria nos oferecer a Vitória e em consequência a permanência na liderança invicta deste campeonato.

É preciso que se diga conscientemente que não vamos bem. Estamos vencendo, mas não convencendo. Há qualquer coisa de errado no time e haveremos de solucionar o problema, porque receamos que a sorte deixe de nos proteger e então poderemos descer do pedestal onde nos colocamos.

ADJ é um time de raça, de guerra, mas falta-lhe algo que o técnico deve saber e vai solucionar. Ai então, poderemos tranquilizar a torcida, porque aliado a nossa sorte, seremos uma equipe imbatível e poderemos dizer. NINGUÉM SEGURA O JEQUIÉ.

ADJ formou com: Vaduca, Caculé, Carlinhos , José Augusto, e Edson Porto; Maíca e Jorge Lima (Roberto), Lió, Dilermando, Preto (Cipó) e Marcos.

Itabuna formou com: Paulo, Reizinho, Americano, Valença e Aílton; Aleir e Alberto (Batisnho), Netinho, Breno ( Alcir) e Bel.

Arbitragem: Garibaldo Matos que funcionou a contento, auxiliado por Ademário Bastos e Carlos Bandeira.

Renda da Partida: 8. 133, 00 cruzeiros.

Renda da Partida: 8. 133, 00 cruzeiros. (Jornal Jequié 03/05/1971 -  fonte Biblioteca Luiz Neves Cotrim do Museu Histórico de Jequié Material fornecido pelo Museólogo Antonio Varjão Matos).

8 de Março Dia Internacional da Mulher


 

Tempestade.

                                                                     J. B. Pessoa.


Lá fora a chuva pungente!

Aqui dentro, gélidos ventos da insensatez.

O teu corpo, quente e macio,

Aquece o meu em volúpias mil!

Tu me amas como uma criança,

Que sorve guloseimas!

Eu te tenho como um lobo,

Que devora a sua presa!

Sou para ti alguém que se fica,

E nem fica, o que modifica!...

Tu és para mim, um sonho adorado.

Lá fora a chuva continua...

Penso em tudo e em ti também!

Que me importa os que sofrem,

Se tu és o prazer que me faz penar?!

Partirás pela manhã,

Fria, como a chuva da noite!

O teu ardor é forma aparente

Da tua alma fútil e vazia!

Tu não amas, só te relacionas.

O amor é para ti coisas do passado!

De fantasias antiquadas e piegas

Exaltas a pós-modernidade,

E eu vivo na obscuridade,

Do eterno glamour das coisas passadas.

2006.

 

Cadela espera pelo dono que faleceu na UPA de Jequié há quase dois anos

Uma cadela que chegou acompanhando seu dono que faleceu há quase dois anos na UPA de Jequié, é o retrato da fidelidade do animal. Segundo relatos de funcionários ouvidos pelo Jequié News, a cadela acompanhava seu dono que chegou em estado delicado de saúde e que horas depois do atendimento evoluiu a óbito, tendo seu corpo sido retirado do local por uma funerária pela passagem reservada para ambulâncias. Porém o animal não viu.

A cadela que é alimentada por usuários do serviço e alguns funcionários da unidade de saúde, se recusa a sair do lugar. Um paciente chegou a levá-la para sua residência e até parecia que ela ficaria em seu novo lar, porém tempos depois ela voltou e continua a esperar pelo dono, que infelizmente não vai voltar mais.

Agora parece que a cadela estar esperando filhotes, estado que merece uma atenção especial.

A história é emocionante e revela a necessidade de um canil municipal, além é claro do efetivo uso do castra móvel, medida de controle da população de cães e gatos em situação de rua, e políticas públicas para a implantação do tão sonhado [ e necessário] centro de zoonoses de Jequié. (Jequié News)

CDL DE JEQUIÉ VOLTA A SE MANIFESTAR CONTRÁRIO AO LOCKDOWN

Pode ser uma imagem de texto que diz "IMPORTANTE A CDL de Jequié é contra lookdown e a favor de medidas alternativas para enfrentar Pandemia. Acesse jequie.cdls.org.br Palla CDL Jequié Comércio forte, CDL atuante."

Em publicações nas redes sociais, a CDL de Jequié voltou a reagir às ações mais severas adotadas pelos poderes públicos da Bahia, como o lockdown, e cobra medidas alternativas para o enfrentamento à pandemia do novo Coronavírus e defende rígida punição para quem promove aglomerações irresponsáveis.  

Esta não é a primeira manifestação da entidade. No fim de fevereiro/21, em ofício endereçado ao prefeito Zé Cocá, a CDL, juntamente com a ACIJ e o SICOMERCIO, solicitou a manutenção das atividades econômicas. (Souza Andrade)


A festa de Natal.

                                            J. B. Pessoa


Capítulo - 67 do livro " Guris e Gibis".

O Natal daquele ano foi maravilhoso. O centro da cidade ficou completamente ornamentado com motivos natalinos, obedecendo aos conceitos, que observava a tradição católica. A decoração foi feita pela prefeitura da cidade, que iluminou toda a Avenida Rio Branco. Da Praça Castro Alves, onde estava localizada a igreja matriz, passando pela Rua Dois de Julho, até a Praça Ruy Barbosa, era tudo luzes e festas. Para apoiar o excesso de energia, desprendido nessas “Boas Festas”, foi necessária a cooperação dos dois cinemas, os quais contavam com geradores próprios em suas empresas.

Johnny estava particularmente feliz. Tinha recebido um cartão de Natal, acompanhado de uma longa e carinhosa missiva de sua amada Berenice. A carta estava decorada com os lábios impressos da menina, em um rubro batom, simbolizando muitos beijos. A garota agradecia o gesto do namorado, que havia lhe enviado um cartão romântico, desenhado por ele mesmo, com vários desenhos cômicos e diversas frases brejeiras, que brincavam com o amor deles. Johnny enviou antecipadamente o cartão pelo correio, logo no início do mês, temendo não ser recebido pela garota no seu devido tempo. Ela agradeceu o seu gesto, elogiando os seus dotes artísticos, e o congratulou pelo seu sucesso no exame de admissão. Prometeu ao garoto, que no próximo natal, os dois estariam juntos, novamente.

Naquela noite especial, o Senhor Miguel Viana Pereira presenteou a sua família com um belo rádio, adaptado a uma bateria de carro, pois a energia elétrica, ainda não havia chegado naquele modesto subúrbio. Dona Nonnita agradeceu a generosidade do marido com um delicioso jantar. Em lugar do tradicional peru, ela preparou um capão à moda sertaneja, cujo tempero desprendeu odores peculiares, motivando a curiosidade da vizinhança para tão saboroso banquete. Ela se sentia especialmente afortunada com a vitória do seu filho no exame de admissão, o qual foi aprovado no terceiro lugar entre os concorrentes. Após o jantar, o Senhor Miguel sintonizou o aparelho na Rádio Bahiana de Jequié, no momento em que a emissora apresentava um programa com músicas natalinas. Maria de Fátima estava radiante com aquele presente. Ela ficou com a família ouvindo aquelas suaves cantigas e foi dormir mais tarde, não se esquecendo de deixar seus sapatos juntos, à espera de certa visita. Tinha escrito ao Papai Noel, pedindo o livro “Histórias de Tia Anastácia” de Monteiro Lobato. Pediu para Dona Nonnita colocar a carta no correio e o Senhor Miguel lhe assegurou a visita do bom velhinho.

Johnny avisou aos seus pais, que só voltaria para casa depois da meia noite, após a “missa do galo”. Dona Nonnita e o marido não quiseram sair naquela noite especial. Eles ficaram esperando a visita de dois ternos de reis, do tipo pastorinhas. Eram as portuguesas e as espanholas, compostas por garotas dos doze aos dezoito anos que, todos os anos, saíam pelo bairro à noite, festejando o nascimento de Jesus. Do Natal até Dia de Reis, muito bumbas,

ternos, e cantadores de reis saíam pelas ruas até a madrugada, cultivando uma tradição nordestina, trazida pelos portugueses nos tempos coloniais. O garoto despediu-se deles prometendo acompanha-los na missa das nove horas do dia seguinte. Depois de encontrar seus amigos Géo e Nêgo, Johnny saiu na companhia deles, os quais ficaram de encontrar Mipai e Tõe Porcino no jardim, perto da pista de patins, onde haveria um encontro de “cantadores de reis”. Os três amigos seguiram pela rua em destino ao centro da cidade. Géo tagarelava bastante, animado em passar suas férias na praia. Seu pai tinha sido contratado por um fazendeiro local, para erguer uma casa de veraneio na cidade de Itacaré, perto do estuário do Rio das Contas e ia levar o filho para trabalhar consigo, como o seu ajudante de pedreiro. Enquanto Johnny se aprazia da alegria de Géo, Nêgo andava acabrunhado, sem dizer nada, parecendo distante, não acompanhando o entusiasmo do amigo. Johnny estranhando aquela atitude, perguntou ao garoto:

- O quê que há com você rapaz!... O gato comeu a sua língua?

Nêgo balançou a cabeça e, contrariado, desabafou:

- Primeiro foi Edgar e depois Pé de Pata! Agora que Géo vai para Itacaré, o nosso clube vai ficar às moscas!

- Arranje uma namorada também e leve para o clube! Afinal, menina entra no nosso! - Disse Johnny, pilheriando com o garoto.

Géo esfregou as mãos, demonstrando voracidade:

- Por falar em meninas, as praias de Itacaré andam cheias delas!

- Eu nunca estive numa praia! – Disse Nêgo com tristeza.

Géo assegurou com ironia:

- Nem eu!... Por que você acha que estou alegre em acompanhar meu pai? Detesto ser ajudante de pedreiro!

Johnny sorriu do deboche de Géo e confessou a sua aspiração, completando a mesma com um provérbio popular:

- Eu também não conheço uma praia e gostaria de tomar banho de mar! Porém, tudo tem o seu tempo certo e não se esqueçam de que: “Toda araruta tem o seu dia de mingau”!

No momento em que os garotos passavam pela pequena praça, onde desembocavam outras ruas, situada no meio da Rua Siqueira Campos, apareceu de uma delas, o terno de reis denominado de “as espanholas” cantando a sua cantiga tema:

Espanholas douradinhas são do cordão de amor!...

Nêgo ficou animado com a repentina aparição. A porta-bandeira do terno era uma linda moreninha, que o deixou encantado. Os garotos seguiram o terno até a casa do velho Pedro, o qual tinha um estabelecimento que alugava bicicletas para a garotada. Chegando a casa, na qual a visita era esperada, as garotas cantaram:

Ioiô, dono da casa,

Sua chave é de ouro!

Queira-nos abrir a porta

Queremos ver o seu tesouro!

A família abriu a sua porta e recebeu as meninas com muita alegria. Johnny, Nêgo e Géo aproveitaram a ocasião e, juntamente com outros vizinhos, adentraram àquele lar, na busca das guloseimas oferecidas, tradicionalmente, nas Boas Festas. As meninas entoaram outra cantiga:

Dono da casa ele é bom, ele dá.

Garrafa de vinho e docinho de araçá!...

Nêgo e Géo resolveram acompanhar o terno das meninas. Ficaram animados com a possibilidade de namoro com duas delas, enquanto tomavam seus cálices de vinho, servidos pela dona da casa. Johnny despediu-se dos dois garotos, ficando de encontrá-los mais tarde, na missa do galo. O garoto seguiu sozinho, relembrando com melancolia a sua bela Berenice. Quando entrou no Largo do Maringá, avistou Tõe Porcino e Mipai subindo a Rua Rio de Contas. Esperou pelos meninos, e seguiram juntos para o centro da cidade.

A avenida e a praça estavam bastante movimentadas naquele momento, com muita gente passeando pelas ruas. Os garotos passaram pela porta dos dois cinemas, os quais apresentavam filmes reprisados dos dias anteriores. Nesse momento a banda filarmônica apareceu, tocando seus dobrados e seguiu para a praça, arrastando consigo uma multidão de pessoas. Johnny e seus amigos acompanharam a feliz meninada até a pista de patins. A banda continuou o seu desfile circulando pelo jardim, parando, às vezes, defronte da Confeitaria Cristal e do Bar Joli.

Os garotos sentaram em um banco do jardim, em frente da pista de patins, observando a meninada patinando e rindo com os tombos deles. Johnny, que nunca dantes havia tentado patinar, ficou admirado com o desempenho de alguns, que eram exímios patinadores. Confessou aos amigos a sua vontade, em tentar andar neles e ouviu a jocosa opinião de Mipai:

- Se você quiser quebrar a bunda, vá firme que nós lhe aplaudiremos!

- É tão perigoso assim?! – Perguntou o garoto, admirado com aquele comentário.

Tõe Porcino esclareceu para o amigo, dizendo:

- Para quem é treinado, não. A maioria tem seus próprios patins e treinam nos pátios de suas casas. Esses que a gente está vendo cair são os que estão tentando aprender. Eu, da minha parte, não tenho a menor vocação para isso, pois já levei bons tombos!

- Eu também! - Confessou Mipai.

Johnny desistiu da ideia. Ficou conversando com os garotos a respeito das brincadeiras infantis e acabou admitindo para os amigos, que não tinha o menor talento para muitas coisas. Confessava os seus fracassos, fazendo graça de si mesmo. Dizia para eles que era ruim de triângulo, gude e pião. Não sabia empinar pipas e papagaios e era um péssimo jogador de futebol. Mipai olhou para o garoto e, admirado com a sua franqueza, tocou em seu ombro, dizendo com sinceridade:

- Mas é bom de estilingue, bom nadador e bom de briga!

- Na nossa turma é o que tem a melhor pontaria em espingarda! – Concluiu Tõe Porcino.

Johnny ficou contente com os elogios dos amigos. Principalmente vindos de Mipai que era o maior zombador que ele conhecia. Agradeceu aos meninos as suas considerações, sem a falsa modéstia, muito comum entre a meninada, e os convidou para tomar um caldo de cana, numa barraca situada atrás do “Colarinho de Sabak”, perto do parque itinerante, que era armado na cidade todos os anos para as Boas Festas.

A noite estava maravilhosa, com uma temperatura agradável, sendo assessorada por uma lua minguante, em um céu de poucas nuvens e muitas estrelas. Os garotos ficaram por algum tempo, saboreando seus caldos de cana, enquanto olhava a meninada brincando nos artefatos proporcionados pelo parque. De repente começaram a ouvir melodias vindas do início da Rua Lélis Piedade. Eram cantigas folclóricas, cantadas por vozes juvenis, acompanhadas por um acordeom, alguns instrumentos de percussão e dois instrumentos de cordas. Todos que estavam no parque pararam para ver “As Baianinhas”; terno da Paróquia De Santo Antônio, cujas participantes eram consideradas as garotas mais bonitas da cidade. Elas entraram na praça entoando a sua principal canção:

As baianinhas com alegria,

Pisando em flores, na mocidade.

São jovens brasileiras!

Vem com prazer,

Cantar seu canto na cidade.

Somos todas as baianinhas,

Que vieram visitar a Jesus

E ver o Deus-Menino

Em seu presépio de Natal!

As garotas estavam fantasiadas com o traje tradicional das baianas. Levavam a tiracolo, pequenos recipientes cheios de água perfumada, com pétalas de flores dentro deles. O terno entrou na praça, contornando todo o jardim, com as garotas jogando gotas de água perfumada, nos rapazes que as saudavam.

Os garotos seguiram as belas moças até a Confeitaria Cristal, onde encontraram Edgar e Neide, que os saudaram com alegria. Eles estavam na companhia de Eduardo e Luísa, os quais cumprimentaram os meninos com jovialidade e, desejando-lhes um feliz Natal, convidaram-nos à suas mesas. Johnny aceitou de imediato aquele convite, enquanto Mipai e Porcino preferiram acompanhar o terno das Baianinhas, em seu passeio pelas ruas do centro.

Naquele momento o local estava repleto da brilhante juventude jequéense. A confeitaria Cristal era um estabelecimento que primava pelo comportamento convencional da sociedade, numa época em que os conceitos obedeciam a regras mais apuradas. O consumo de álcool era proibido, mas,

mesmo assim, alguns marotos levavam escondida alguma garrafa de vinho. Johnny notou alguns jovens embriagados, que falavam alto e faziam baderna naquele momento, incomodando outros, os quais protestavam pela falta de compostura dos bêbados, que perturbavam o ambiente. Logo depois, quando apareceram Bill Elliott e Eva Marli, todo o grupo resolveu sair do local e ir para a igreja, ficando à espera da missa do galo.

Acompanhando uma tradição brasileira, a Paróquia de Santo Antônio realizava, todos os anos, uma missa campal na Praça Castro Alves, nas saudosas noites de Natal e Ano Novo. Nesse peculiar ano, foi erguido um palco em frente à igreja, no espaço entre as duas escadarias, no qual foi montado um majestoso altar, à espera dos fieis para a tradicional missa. Depois de visitarem os presépios nas casas dos amigos, a maioria dos católicos comparecia àquela missa, a qual funcionava como um verdadeiro encontro social. Pobres, ricos e remediados se confraternizavam à meia noite, obedecendo aos preceitos cristãos. Embora nostálgico, sentindo a falta do seu amor, Johnny estava feliz na companhia dos seus amigos, ficando com os casais de namorados até o final da missa. Quando todos se congratulavam pelo feliz Natal, apareceram Géo e Nêgo e logo após, Mipai com Tõe Porcino. A boa nova veio por parte de Pé de Pata, que na companhia de Gina, comunicou os amigos, que tinham ouvido em um programa da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, no qual Orlando cantava, com o nome artístico de Orlando Santos. A grande surpresa foi que ele mandou um abraço para os amigos de Jequié. Ouvindo a noticia, Nêgo protestou zangado:

- Não acredito nisso! Como vocês sabem que era ele mesmo?

- Ora essa! Ele falou no rádio, o nosso nome! – retrucou Pé de Pata.

- E, além disso, cantou a música “Sertão de Jequié” – Completou Gina.

Eva Marli olhou para Johnny e apertou sua mão, dizendo:

- Esta é a canção predileta de Berenice!

- Eu sei disso! - Disse o garoto com os olhos lacrimejados.

Mipai e Tõe Porcino ficaram satisfeitos com as notícias, enquanto Géo e Nêgo se roíam de inveja de um sujeito que eles detestavam. Eduardo sorriu e proclamou ironicamente:

- Pelos menos ele vai ter condições de pagar o meu conto de réis!

Os garotos riram bastante do comentário de Eduardo, relembrando a inusitada aposta. Nesse momento o relógio da matriz anunciava a primeira hora da manhã de Natal e todos foram para as suas casas.

 

sábado, 6 de março de 2021

Jequié 3 X 2 Feira

 

Mesmo sem jogar bem, o Jequié conseguiu vencer a representação do Feira Esporte Clube por três tentos a dois, em peleja realizada na tarde de ontem no Estádio Waldomiro Borges de Souza. Na primeira etapa, o Jequié ainda chegou a mostrar um pouco do seu bom futebol, mas na fase derradeira o time foi completamente apático, possibilitando alguns lances de real perigo forjados pelos homens de meio campo do Feira. A abertura do placar, através de Haroldo, num lance de rara infelicidade do goleiro Edmilson. Ainda na etapa inicial o Jequié conseguiu empatar com um gol de Dilermando e passar a frente com um outro marcado por Paím, depois de receber um lançamento espetacular de Dilermando. Na fase derradeira, Sabará, cobrando falta empatou novamente o jogo, que daí pra frente tomou um caráter nervoso, com a torcida Jequieense que a igualdade de marcador fosse o resultado final. Coube a Lió, que entrara no lugar de Maneca, marcar o terceiro gol do Jequié, garantindo a vitória do time local.

Ficha Técnica:

Jogo: Jequié 3 X 2 Feira

Local: Estádio Waldomiro Borges de Souza

Renda: 7.215,00

Juiz: Saul Mendes, Auxiliado ´pr Camilo Nascimento  e Ismael Martins.

Quadros: Jequié – Edmilson (Vanduca), Caculé, Carlinhos, José Augusto e Páiva; Maíca e Maneca (Lió); Jorge Lima, Clóvis, Dilermando e Paím.

Feira – Valter, Ivan (Misael), Coquita, Alves e Pedrinho; Santana e Sabará; Jorge (Erivaldo), Haroldo, Júlio Pôrto e Zé Francisco.

(Jornal Jequié 19/04/1971 - Fonte: Biblioteca Luiz Neves Cotrim do Museu Histórico de Jequié Material fornecido pelo Museólogo Antonio Varjão Matos).

OSBA fará sarau virtual com participação do público recitando poesias

OSBA fará sarau virtual com participação do público recitando poesias
Foto: Divulgação

A Orquestra Sinfônica da Bahia realiza em março  o “Sarau Virtual da OSBA: #Capinam80Anos", que marca o encerramento da temporada 2020, após um ano realizando uma programação completamente digital.  O sarau, que homenageia o músico e poeta baiano Capinam, que completou 80 anos no mês de fevereiro,  tem como objetivo levar ao público manifestações de música e poesia neste momento de pandemia. O momento poético-musical terá a mediação do maestro Carlos Prazeres e contará com vídeos dos músicos da orquestra e participação do público,  que será convidado a enviar vídeos recitando poesias entre os dias 10 e 16 de março através das redes sociais. O Sarau Virtual vai ao ar no dia 28 de março, às 17h,  no canal de YouTube da Sinfônica da Bahia.

Além disso, neste mês de março, Carlos Prazeres completa 10 anos enquanto regente titular e diretor artístico da Sinfônica da Bahia. O maestro, que idealizou alguns dos projetos da orquestra que é sucesso de público como “CineConcerto”, “Baile Concerto”, “Verão da OSBA” e “OSBA no MAM”,  vai comemorar a data com uma live “Viagens Sinfônicas” no dia 11, às 19h, no Instagram (@orquestrasinfonicadabahia). Prazeres também faz aniversário no dia 20 de março e vai celebrar a data com o público em uma Live Especial de Aniversário, às 19h, também no Instagram da OSBA, com vários convidados que fazem parte de sua trajetória artística. (Bahia Notícias)


Em recuperação da Covid-19, prefeito de Conquista retorna para a UTI do Hospital Sírio Libanês

Em processo de recuperação da Covid-19, o prefeito de Vitória da Conquista, Herzem Gusmão, retornou neste sábado (6) para a UTI do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde está internado desde o fim de dezembro de 2020.

Em postagem nas redes sociais, Herzem Gusmão, que tem 72 anos, disse que a equipe médica indicou o retorno para a a UTI, porque ele precisa de mais oxigênio. ”Tive esse imprevisto, mas continuo firme, crendo na minha recuperação e que muito em breve estarei na nossa cidade. Conto com as orações de todos!”, escreveu.

Na mesma postagem, mensagem em áudio dele foi compartilhada, detalhando que, na UTI, ele usará o cateter de alto fluxo. (Marcos Frahm)

UNIVERSIDADES ESTADUAIS ALINHAM AÇÕES PARA O ENSINO REMOTO


A Secretaria da Educação do Estado (SEC) se reuniu, na sexta-feira (05mar21), com reitores, pró-reitores, professores, gestores acadêmicos e outros integrantes das quatro instituições estaduais e públicas de Ensino Superior: Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).

O encontro virtual visou promover um diálogo e alinhar as contribuições das Universidades Estaduais Baianas (Uebas) sobre o ensino remoto na rede estadual de ensino, que começa no dia 15 de março, a partir das experiências de formação de professores e de desenvolvimento de projetos de ensino de graduação e pós-graduação, extensão universitária e pesquisa. A reunião foi conduzida pelo secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues. (Souza Andrade)

Edmilson para o Vitória e Carlinhos para o E. C. Recife.

O vice - presidente da Associação Desportiva Jequié, Dr. Gileno Cerqueira, informou a nossa reportagem, que logo após a partida entre Jequié e Vitória, na Fonte Nova juntamente com o presidente Jonas Almeida, foram procurados pelos Srs. Raimundo Rocha Pires e Alex Portela, diretores do rubro-negro da Capital, para saber das possibilidades de empréstimo  do arqueiro Edmilson, para fortalecer o Vitória na Excursão que fará pelo Velho Mundo. Os diretores do E, C. Recife enviaram emissários a esta cidade no sentido de propor a nossa equipe também por empréstimo, o zagueiro Carlinhos, para a disputa do Campeonato Nacional. (Jornal Jequié - 02/08/1971 - fonte; Biblioteca Luiz Neves Cotrim do Museu Histórico de Jequié Material fornecido pelo Museólogo Antonio Varjão Matos).


Arte feita com cartão pelo artesão Charles Meira.






VIVA A IMPRENSA LIVRE!

                                                    Por Carlos Éden Meira

Um velho jornalista jequieense queixava-se de que seu jornal não era prestigiado pela sociedade local, porque “não falava das calçolas de ninguém”, referindo-se desta forma “sui generis”, à inexistência de uma coluna social em seu jornal. Na sua concepção, as pessoas só valorizavam as publicações em que havia uma coluna social onde podiam ser citadas, incluindo comentários sobre suas roupas ou aparência, e também ver suas fotos impressas. Obviamente, qualquer cidadão sente-se valorizado ao ver uma matéria publicada num jornal, tecendo elogios sobre sua pessoa. E há ainda, aqueles que têm dinheiro suficiente para pagar matérias enormes, com fotos coloridas suas e dos parentes, citados como verdadeiras “celebridades”. Entretanto, as pessoas mais esclarecidas não deixam de valorizar uma boa revista ou um bom jornal, só pelo fato de não ser citadas por eles.

Nota-se, porém, que quando um órgão de imprensa se propõe a fazer críticas e denúncias, quando seus colunistas usam de ironia e humor para criticar as hipocrisias da sociedade, aqueles que direta ou indiretamente sentem-se atingidos, reagem procurando menosprezar a imagem do jornal, seus representantes ou colaboradores.

“Só sabem criticar! Falam, falam, mas não fazem nada.” É o que dizem eles, como se as criticas e denúncias da imprensa não fossem de enorme importância para o esclarecimento das pessoas, o que com certeza, incomoda aqueles que preferem ler ou ouvir falar das “calçolas” de alguém, do que das verdades que levam o leitor ou ouvinte a se indignar, tomar uma posição e reagir.

É claro que existem aqueles órgãos de imprensa, claramente comprometidos com grupos políticos, cujas matérias visam apenas enaltecer seus correligionários e atacar seus adversários. A esses, faltam a credibilidade e a seriedade necessárias, para que mereçam o respeito dos leitores ou ouvintes. São meros órgãos de propaganda política, onde a mentira e a verdade se confundem, prestando enorme desserviço àqueles que buscam informação confiável. É preciso aprender a perceber o que é um jornalismo sério, descomprometido com interesses político-partidários, para que se possa ter confiança na informação veiculada.

Em que pesem tais diferenças no compromisso com a verdade, é preciso preservar a liberdade de expressão, acima de tudo. Cabe aos leitores e ouvintes, analisar e julgar o que lhes é transmitido através da imprensa, buscando a observação individual dos fatos, discutindo entre si, para se chegar democraticamente, a uma conclusão comum. Viva e imprensa livre! Censura, nunca mais!

JOSÉ SILVÉRIO, DIRETOR DO CPM DE JEQUIÉ, FALECE POR COMPLICAÇÕES DE AVC

 

José Silvério de Almeida Neto, Coronel da Polícia Militar e diretor-geral do Colégio da Polícia Militar Professor Luiz Neves Cotrim, faleceu neste sábado (06mar21), em um hospital em Salvador, onde estava internada vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). (Souza Andrade)

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Mulheres vassoureiras sustentam famílias com atividade que ainda não é reconhecida

 

Vassouras fabricadas em Jequié por mulheres. (Foto Produção).

Para as moradoras da comunidade do Km 04, na cidade de Jequié, a produção de vassouras artesanais de Ouricuri é mais do que fonte de renda. Tecer a palha natural da palmeira encontrada na região e transformá-la no artefato é também uma forma de manter viva a tradição, que vem sendo passada de geração para geração. A cultura das chamadas “vassoureiras” chamou a atenção de Isis Chabi, que finalizou a graduação em Pedagogia na Uesb com um trabalho de conclusão do curso (TCC) sobre os impactos dessa tradição na construção da identidade dessas mulheres. “Esse desafio assume faces duramente cruéis que as fazem ter escolhas que irão refletir ao longo de toda sua vida, de toda sua história, bem como na história de suas famílias”. A partir da análise de processos sociais que envolvem a construção da identidade da mulher na sociedade capitalista, a pedagoga pesquisou sobre essas mulheres, que são de camadas populares, enfatizando as relações entre família, trabalho e escolarização. O estudo pressupõe que essa identidade está em constante transformação, como resultado da interação entre os indivíduos e a sociedade.

Trabalho de mulher – Foi possível perceber, na análise, que a complexidade que envolve esse fenômeno está além do condicionamento social e da instauração de funções e papéis. Nas relações entre homens e mulheres, por exemplo, a pesquisadora constatou que trabalhos inferiorizados e tidos como “obrigação” são direcionados às mulheres. Já funções e representações de maior poder e destaque são atribuídos diretamente aos homens, mesmo quando eles não participam da força produtiva de trabalho, como no caso da produção de vassouras, realizada em sua totalidade pelas mulheres. “Devido à expansão da atividade e a procura pelas vassouras, o bairro ficou conhecido na cidade como produtor de vassouras e a área que mantinha maior produção recebeu o nome popular de ‘rua das palhas’”, comenta a pesquisadora. Mesmo diante desse crescimento e sendo as vassoureiras, em sua maioria, as responsáveis pelo sustento do lar,  a atividade ainda não é reconhecida socialmente. Segundo Isis, a essência da pesquisa é mostrar essas mulheres que são invisibilizadas. “Trazer suas vozes à tona e oportunizar suas falas, respeitando suas especificidades e valorizando suas histórias de vida, reflete diretamente em suas existências e resistências”, defendeu. A partir dessas percepções preliminares, a pesquisadora pretende aprofundar a pesquisa no Mestrado. “Desde outrora e ainda hoje, a atividade de confecção de vassouras tem sido uma válvula de escape social na luta pela sobrevivência destas famílias. A pesquisa possibilita a reflexão sobre a importância dessa atividade para cada uma dessas famílias bem como para a comunidade”, reflete. Para a orientadora da pesquisa, professora Cláudia Barbosa, do Departamento de Ciências Humanas e Letras, essa contrução de identidade se dá não só pela desvalorização do trabalho das mulheres, mas também devido à cultura machista da atuação delas nos espaços públicos. “Trata-se de uma constatação de que as mulheres vivem em um mundo ainda dos homens e suas ações ainda são invisibilizadas e imbricadas em relações de poder mais profundas”, pontua. (Ari Moura)

ADJ pode não disputar o Campeonato Baiano Série B 2021

O Campeonato Baiano Série B tem previsão de estreia a partir do dia 6 de junho e a expectativa que ao menos 10 equipes participem. Rebaixada para a série B do Campeonato Baiano no ano de 2019, a Associação Desportiva Jequié (ADJ), que disputou a competição no ano passado, pode ficar de fora da disputa para o retorno a elite do estadual. O assunto foi tema de debate no programa Papo de Boleiro que contou com a presença do radialista Waldemir Vidal. A informação é que a diretoria da equipe estuda não participar da competição devido a não concordar com o regulamento, incluindo a questão de subir apenas uma equipe para a série A do Baianão. Confira o trecho retirado do programa para entender melhor a situação:

(Matéria por Ronny Brayner – Jornalista - Jequi´r Repórter)

Processo Seletivo 2021 - SESC.



sexta-feira, 5 de março de 2021

Campanha Quarentena Solidária

O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, através do 8° GBM, iniciou nesta quinta-feira (04), a Campanha de arrecadação de alimentos para serem distribuídos aos mais necessitados. As doações para a Campanha Quarentena Solidária serão recepcionadas no quartéis dos Corpos de Bombeiros de toda a Bahia.  Em Jequié, o 8° GBM receberá os donativos pelo sistema drive thru, para manter a segurança e proteção dos parceiros solidários. Contamos com a colaboração de toda a população e empresas, que sempre forma solidários com as causas sociais da nossa região. (Ari Moura)

Dê 1 Cruzeiro e salve o nosso Futebol

 

Todo cidadão jequieense, está convidado a participar desta campanha que visa salvar o nosso querido Jequié. Com apenas 1 Cruzeiro você está colaborando com a Associação Desportiva Jequié, que espera este ano da muitas alegrias a sua grande torcida. ( Jornal Jequié - 25/01/1971 - fonte: Biblioteca Luiz Neves Cotrim do Museu Histórico de Jequié Material fornecido pelo Museólogo Antonio Varjão Matos)

Participe da Campanha de um Cruzeiro


quinta-feira, 4 de março de 2021

As provas de admissão ao ginásio.

                                              J. B. Pessoa


Capítulo - 66 do livro " Guris e Gibis".

Johnny acordou bem disposto naquela manhã. Por insistência de sua mãe, ele dormiu cedo na noite anterior, após tomar um copo de chá de erva-cidreira, que Dona Nonnita lhe preparou, após ouvir os conselhos de Dona Timí, sua vizinha e amiga. Ela havia lhe dito que, nas noites anteriores às provas escolares, as crianças deveriam se recolher mais cedo, para descansar a mente das atividades do dia. Dona Nonnita acatou essa norma, pois estava convencida de que isso traria melhor rendimento para o filho, nos exames que ele iria prestar no dia seguinte. Naquela segunda-feira, uma avaliação muito difícil esperava a garotada. Era a prova escrita de Português, a qual eliminava a maioria dos concorrentes ao exame de admissão no Colégio Estadual de Jequié. Naquele ano foram inscritos, um elevado número de estudantes, para as poucas vagas existentes. Eram provenientes de diversas escolas da cidade, inclusive das sofisticadas escolas particulares, cujos alunos tentariam, também, serem admitidos no Ginásio de Jequié. Os mais preparados acabavam vencendo os dois concursos, fazendo com que, as famílias abastadas optassem para o colégio público, evitando gastos com o particular. Esse casuísmo acarretava certa disparidade social, pois um colégio, que fora construído para dar oportunidades aos menos favorecidos, viesse a ter, em seu corpo discente, um número maior de estudantes ricos do que pobres.

Às sete horas da manhã, Johnny já estava em prontidão, seguindo sozinho pela longa Siqueira Campos. Estava confiante de que teria êxito em seu propósito. Ao chegar àquele educandário, o garoto ficou impressionado com o número de meninas bonitas, que tentariam serem admitidas no curso ginasial. O Colégio Estadual de Jequié estava situado no final da Rua das Pedrinhas, numa área pouco povoada, conhecida com Campo do América. Ficava próximo ao Rio Jequiézinho, assim como era conhecido o Rio Jequié naquele trecho. Tinha oito salas de aulas, distribuídas em dois pavimentos térreos, com um enorme pátio e um grande recinto, divididos em salas, que eram usadas em sua administração. Nos fundos do colégio, próximo ao pequeno rio, existia um campo de futebol, único local recreativo da escola. O colégio foi planejado e construído num grande espaço vazio, visando sua ampliação com o passar dos anos, conforme as necessidades básicas do município, e estava localizado em uma periferia, destinada a se tornar um bairro elegante em seu futuro.

Alguns minutos após a sua chegada, Johnny encontrou Eduardo e Luísa, acomodados em uma das mesas da cantina do colégio. Naquele momento o local estava cheio de estudantes, sendo a maioria do Castro Alves. Próximo à sua mesa se encontrava Ricardo Macêdo de Almeida e sua turma do quarto ano primário, os quais, também, tentariam o difícil concurso. Estavam todos alegres e animados, fazendo uma pequena merenda antes das provas. Johnny sentou-se em uma das cadeiras e pediu um mingau de tapioca. O garoto ficou saboreando

aquele petisco, enquanto observava a jovialidade da meninada. Luísa, notando todo aquele contentamento, comentou consternada:

- É uma pena que amanhã, muitos desses jovens estarão eliminados!

Eduardo ficou pensativo, lembrando que não conseguiu terminar a última prova do ano anterior, quando ele tentou ser admitido naquele colégio, ainda cursando o quarto ano primário. Irritado com o fato, protestou indignado:

- Os que escaparem da prova de Português, terão pela frente, a terrível prova de Matemática, na qual a solução dos quesitos é demorada demais e nunca dá tempo para a maioria dos concorrentes, terminarem no horário previsto!

- Isso é verdade! – Afirmou um garoto ao lado.

Ricardo sorriu e disse com deboche:

- Pois é meu compadre! “Sobe nas paredes quem tem as unhas maiores!”

- Com certeza as suas são grandes! – Disse Johnny sorrindo, ironizando a arrogância do garoto.

Ricardo balançou a sua vasta cabeleira e, fazendo um gesto significativo com as mãos, exibindo os seus dedos, como se fossem verdadeiras garras, disse com presunção:

- São verdadeiras garras de um leão!

- Eu soube que são de um frango! – Disse o rapaz que trabalhava na cantina, aludindo ao apelido de Ricardo.

Outro garoto ao lado, que escutava toda a conversa, completou:

- Um frango d’água!

Toda a meninada caiu na gargalhada, enquanto Eduardo caçoava do garoto:

- Não se avexe com isso Coração de Frango!... Nem todos os ricardos da vida são Ricardo Coração de Leão.

Ricardo Coração de Frango sorriu com desdém e disse para a meninada:

- “Ri melhor quem ri por último”!

Nesse momento bate o sino da escola, convidando os estudantes para as provas. A garotada sai apressada e se dirigindo às suas respectivas salas, as quais ficaram lotadas com o grande número de estudantes, que pretendiam ingressar no famoso colégio.

O exame de admissão consistia de quatro provas escritas e quatro orais, que duravam três dias. A primeira era a prova escrita de Português, a qual eliminavam muitos dos concorrentes. No segundo dia pela manhã eram feitas, em conjunto, as provas de História e Geografia, e pela tarde a prova de Matemática. O último dia era dedicado às provas orais. A avaliação era de zero a dez, sendo necessário que cada concorrente atingissem quatro pontos nas provas escritas e na soma total das duas provas dez pontos. Para muitos parecia fácil; mas não era. A prova escrita de Português consistia na dissertação de um fato qualquer; na redação de uma carta, onde o tratamento correto era primordial, e em um ditado de um trecho clássico da literatura brasileira, no qual o concorrente só podia errar dez vezes. O simples esquecimento de um

acento em uma palavra acarretava um ponto a menos no ditado. Por várias vezes, houve comentários entre os garotos, de concorrentes que haviam tirado zero na prova eliminatória. A prova de Matemática era pior ainda. Dez quesitos de complicados problemas, que muitas vezes não se encontrava praticidade alguma em resolvê-los; de expressões numéricas com frações ordinárias e decimais, as quais a garotada apelidou de “carroções”. Eram provas que dificilmente um aluno conseguia resolver no tempo exigido pelos examinadores.

Johnny entregou a sua prova às onze horas, depois de repassar e certificar de possíveis erros cometidos. Verificando que Eduardo e Luísa ainda continuavam em suas salas, foi até a cantina para tomar uma limonada e esperar o casal de amigos, conforme o combinado. O garoto estava satisfeito com a sua atuação e achava que, dificilmente ele teria uma nota inferior a oito. O pátio escolar estava vazio, pois a meninada ainda estava em suas salas. Johnny ficou conversando com o rapaz de dezoito amos que atendia na cantina, que já o conhecia das portas dos cinemas. De onde o garoto estava sentado, podia divisar o campo de futebol e ver vários garotos jogando bola, entre os quais estava Ricardo Coração de Frango. Com isso ele concluiu que aquela garotada tinha feito uma ótima prova. Comentando o fato com o cantineiro, o rapaz, que se chamava Valdomiro, explicou sorrindo:

- Que nada! O único que deve ter feito uma boa prova é Coração de Frango! Os outros entregaram as provas rapidamente, porque não sabiam nada! Valdomiro, notando a ingenuidade do garoto, completou:

- A maioria deles já fez o exame de admissão diversas vezes! Muitos estão tomando banho no rio Jequiézinho, perto da ponte ferroviária.

- Eu sei onde fica! É no poço chamado Raiz! – Disse Johnny sorrindo.

Nesse momento chegam Eduardo e Luísa com expressões de contentamento em seus rostos. Tinham feito ótimas provas. Luísa declarou animada:

- Se depender da prova de Português, eu já estou admitida nesse colégio!

- Eu também! – Concluiu Eduardo!

Os três jovens se despediram de Valdomiro e foram para suas casas, bastantes felizes com o rumo dos acontecimentos.

Naquela tarde, Johnny estudou bastante, revisando todo o conteúdo de Matemática, que havia aprendido durante todo o ano letivo. Depois do almoço, ele dormiu um pouco e quando acordou pelas duas horas da tarde, debruçou nos livros só largando quando escutou o ângelus no alto falante da Voz da Cidade, que ficava no inicio da longa rua. Logo após o jantar foi dormir, depois de tomar o chá de Dona Nonnita.

Na manhã de terça feira, toda a garotada que prestava o exame de admissão estava de prontidão no colégio, à espera das boas ou más novas. O nervosismo era notado em alguns garotos, enquanto outros esperavam o resultado com otimismo. Às oito horas em ponto foi lida a lista dos aprovados, diante da alegria de muitos e da tristeza de outros A novidade foi à aprovação da maioria na prova de Português. Johnny, Eduardo e Luísa passaram nas provas e

estavam felizes com o acontecimento. Ricardo Coração de Frango também foi aprovado. Da sua classe do quarto ano, só oito colegas escaparam da eliminação. Congratulou Johnny, Eduardo e Luísa pela sorte e antes de entrar em sua sala, disse com deboche para os meninos:

- O pior está por vir! Eu soube que a prova de Matemática desse ano, vai ferrar com muita gente! É só esperar para ver.

Eduardo coçou a cabeça com nervosismo, em seguida disse para os amigos:

- O pior de tudo é que ele tem razão!

Em seguida começaram as provas de Geografia e História, com as salas menos cheias, do que no dia anterior. A garotada que foi eliminada seguiu para suas casas, enquanto alguns garotos foram tomar banho no poço do rio, para esquecer suas mágoas.

As provas de Geografia e História foram bastante difíceis na visão geral da garotada. As questões foram elaboradas, a partir de fatos poucos focalizados durante o ano letivo nas escolas públicas, como também nos cursos particulares; surpreendendo a maioria dos estudantes, que prestaram àquele exame de admissão. Mesmo assim, os mais estudiosos afirmavam que tiveram êxitos em suas provas.

Johnny, Eduardo e Luísa estiveram entre aqueles, que se sentiam bem sucedidos até aquele momento. Foram para casa bastante contentes e, após o almoço voltaram para o colégio para enfrentar a terrível prova de Matemática. Johnny pouco descansou depois de suas refeições, pois morava longe e teria que atravessar toda a cidade, de uma periferia a outra, ficando com receio de chegar atrasado à escola. A última prova escrita teve o seu início às duas horas da tarde, com o nervosismo atrapalhando a atuação da garotada. Johnny usou de uma estratégia, aconselhado por Eduardo. Ele resolveu primeiro as questões mais fáceis, deixando as difíceis por último. A tática deu certo. Quando soou o sino da escola, finalizando aquela atividade, ele já tinha saído da sala de aula, na certeza de que havia feito uma boa prova e foi encontrar na cantina com Eduardo e Luísa, comemorando a possível vitória. Logo depois apareceram outros garotos, com Coração de Frango entre eles. O garoto estava radiante com a sua atuação, porém um pouco temeroso com as provas orais do dia seguinte. Johnny quis saber o motivo do seu receio e ele explicou:

- Amanhã a gente irá ficar diante de uma banca examinadora, composta por vários professores. Dependendo da sorte, a gente pode pegar um que seja tirânico!

- É verdade! – Disse Eduardo, que se sentia como um verdadeiro veterano, nos exames de admissão. Luísa, querendo amenizar aquele pessimismo, declarou:

- Eu soube que a maioria dos professores é justa e simpática com os alunos!

- Um garoto do Castro Alves, que tentava o exame de admissão pela terceira vez, contestou:

- É porque você não conhece certa professora de Matemática. Ela é o diabo em pessoa!

- Amanhã é outro dia. Para que sofrer com antecedência? Vamos dar um passeio pelo jardim, que deve está uma maravilha nesta tarde – Disse Johnny para a garotada.

Os garotos seguiram juntos pela Rua das Pedrinhas, a qual terminava na Praça da Bandeira, onde funcionava a feira livre da cidade. Eles ficaram encantados com o gigantesco mercado municipal, recentemente inaugurado, parando em um de seus bares, que funcionava na parte de fora, o qual já estava ficando famoso com os sorvetes e picolés que produziam e vendiam a garotada. A meninada comprou seus picolés e saiu em direção a Praça Ruy Barbosa, passando pela Avenida Alves Pereira e foram sentar em um dos bancos do jardim.

Na Praça Ruy Barbosa a cidade acontecia. Desde as festas de quermesses ao carnaval, passando pelos comícios políticos e parques de diversões itinerantes. Essa bela praça era o ponto de encontros de políticos, fazendeiros, comerciantes, jornalistas e intelectuais, os quais encontravam guaridas no famoso Bar Joly ou na magnifica Confeitaria Cristal. Em suas calçadas, a bela mocidade jequiéense desfilava com os últimos ditames da moda em voga. No seu majestoso jardim, com árvores frondosas e belas flores, encontros eram marcados e, em seus bancos, a juventude namorava nas encantadas noites de luar.

A praça estava bastante movimentada naquela tarde brejeira. O sol declinava no horizonte, sumindo nos morros, aliviando os transeuntes do calor que começava a aparecer naquele final de ano. Todos os estudantes que fizeram o exame de admissão no colégio estadual dirigiram-se para aquela praça na intenção de trocar ideias sobre os estudos e flertarem com as garotas, que apareciam sem os uniformes escolares, adornadas dos seus elegantes vestidos.

Johnny ficou na companhia da meninada até o alto falante da Voz da Cidade anunciar a hora do ângelus. Em seguida despediu-se de todos, indo embora sozinho, deixando Eduardo junto de Ricardo Coração de Frango, o qual era vizinho de Luísa. Os dois garotos estavam se tornando amigos e acompanhariam a garota até sua casa.

O último dia dos exames foi maravilhoso. Apesar do pessimismo de alguns, a banca examinadora foi composta pelos mais simpáticos professores daquele estabelecimento escolar. As provas foram relativamente fáceis, para muitos dos estudantes, que participaram daquele concurso. Cumprida a última etapa do exame, a maioria da garotada já previa seus resultados. Johnny ficou aliviado com o final das provas. Ele, Eduardo e Luísa estavam bastante otimistas no sucesso daquela empreitada. Coração de Frango era o mais alegre. Tinha certeza absoluta que estariam entre os dez primeiros aprovados. Animados com o rumo dos acontecimentos, só restava para os garotos esperar o resultado, o qual seria conhecido na próxima segunda-feira.