Túnel de 780 metros em Jequié evita a
desapropriação de 500 imóveis e integra a FIOL, ferrovia de 537 km entre o
interior e o litoral baiano.
Projeto
ferroviário no sudoeste da Bahia combina engenharia subterrânea, preservação
urbana e logística de longa distância.
Estrutura integrada a um corredor até o litoral mostra como uma passagem de
poucos metros pode redefinir o traçado dos trilhos e evitar impactos sobre
centenas de imóveis.
Um túnel ferroviário de 780
metros foi projetado no bairro Mandacaru, em Jequié, no sudoeste da
Bahia, para impedir que o traçado da Ferrovia de Integração Oeste-Leste
avançasse pela superfície de uma área urbana densamente ocupada.
Segundo o Ministério dos Transportes, a passagem subterrânea foi concebida para evitar a desapropriação de
mais de 500 imóveis que seriam diretamente atingidos pelo caminho
inicialmente previsto para a instalação dos trilhos no município baiano.
Integrada à FIOL 1, a estrutura
faz parte de um trecho ferroviário com aproximadamente 537 quilômetros entre Caetité
e Ilhéus, responsável por atravessar diferentes regiões da Bahia e
conectar áreas produtivas do interior ao litoral atlântico.
Dentro desse
sistema de longa distância, o túnel representa uma intervenção localizada,
porém indispensável para manter a continuidade da rota de cargas sem abrir, na
superfície, uma faixa ferroviária sobre ruas, moradias e outros imóveis existentes.
Túnel de Jequié
preserva área urbana de Mandacaru
Em vez de manter
os trilhos no nível do terreno, o projeto direcionou a ferrovia para baixo de
parte da área urbana de Mandacaru, alterando a forma como a linha atravessaria
uma região consolidada de Jequié.
Essa escolha
concentrou a intervenção em uma estrutura subterrânea e reduziu a necessidade
de remover construções situadas no percurso, enquanto o número de mais de 500 imóveis dimensiona
o impacto que o traçado superficial poderia provocar.
De acordo com
informações oficiais do Ministério dos Transportes, o Túnel de Jequié foi
incluído em um lote específico da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, devido às
características técnicas particulares exigidas por uma passagem ferroviária
dentro da cidade.
Túnel de 780 metros em Jequié evita a
desapropriação de 500 imóveis e integra a FIOL, ferrovia de 537 km entre o
interior e o litoral baiano.
A separação em um
contrato próprio permitiu tratar de modo específico o projeto executivo e a
construção da estrutura, cuja implantação foi estimada pelo órgão federal em
cerca de R$ 50 milhões, no
interior da cidade.
Esse valor
abrangia a execução de uma passagem de 780 metros destinada exclusivamente à
circulação ferroviária, localizada justamente onde a continuidade da linha
encontrava um obstáculo urbano formado por ruas, residências, estabelecimentos
e demais imóveis do traçado.
FIOL 1 conecta o
interior da Bahia ao litoral
Embora
corresponda a uma pequena fração dos 537 quilômetros da FIOL 1, o túnel está diretamente ligado
à continuidade física do corredor ferroviário entre Caetité e Ilhéus,
atravessando uma das áreas mais sensíveis do percurso.
Ao longo desse
segmento, a ferrovia foi desenhada para cruzar 19 municípios baianos, entre
eles Brumado, Tanhaçu, Manoel Vitorino, Jequié, Itagi, Itagibá, Ubaitaba,
Uruçuca e Ilhéus, antes de alcançar a faixa litorânea do estado baiano.
A chegada a
Ilhéus coloca o trecho em direção ao Atlântico e ao sistema portuário planejado
para receber cargas transportadas desde o interior, ampliando as alternativas
logísticas disponíveis para diferentes cadeias produtivas instaladas na Bahia.
Conforme descreve
o Ministério dos Transportes, a FIOL foi estruturada como um eixo de escoamento
destinado principalmente à movimentação de minério de ferro, além de outras
cargas relacionadas à produção regional e ao transporte de longa distância.
Nesse desenho
logístico, Jequié
ocupa uma posição intermediária entre as áreas produtoras do interior e o
litoral, enquanto o túnel permite atravessar uma zona ocupada sem exigir
um corredor ferroviário superficial sobre centenas de propriedades.
Engenharia
ferroviária contorna obstáculos urbanos
O caso demonstra
como uma obra linear de centenas de quilômetros pode depender de uma
intervenção relativamente curta para avançar, sobretudo quando o traçado
precisa conciliar requisitos ferroviários, ocupação urbana e continuidade
operacional em área consolidada.
Ferrovias
destinadas a composições pesadas exigem curvas, inclinações e condições
compatíveis com esse tipo de circulação, o que torna ainda mais complexa a
passagem por cidades consolidadas, onde contornos, desapropriações e túneis
produzem impactos distintos.
No Túnel de
Jequié, a justificativa oficial foi evitar a desapropriação de mais de 500 imóveis na área urbana
afetada, relacionando diretamente a solução de engenharia à preservação
de moradias, comércios e serviços já existentes.
Por essa razão, a
estrutura se diferencia de túneis construídos apenas para vencer serras ou
formações rochosas, pois o principal obstáculo apresentado pelo projeto estava
associado à ocupação urbana encontrada no bairro Mandacaru de Jequié.
Incorporada ao
traçado, a passagem subterrânea permitiria que a linha seguisse por baixo de
uma área consolidada, sem abrir na superfície a faixa necessária para instalar
trilhos e manter a circulação ferroviária prevista no projeto.
Ferrovia de
Integração Oeste-Leste terá conexão nacional
O segmento de 537
quilômetros ao qual o túnel pertence liga Caetité, no interior baiano, a
Ilhéus, no litoral, formando a primeira parte da Ferrovia de Integração
Oeste-Leste e ampliando as opções nacionais de transporte de cargas.
Concebida
com 1.527
quilômetros entre Ilhéus e Figueirópolis, no Tocantins, a FIOL completa
deverá se conectar à Ferrovia Norte-Sul, enquanto o primeiro trecho estabelece
uma saída ferroviária diretamente em direção ao litoral da Bahia.
Nesse projeto
mais amplo, o Túnel de Jequié resolve um ponto específico de passagem no
interior do corredor, compatibilizando a expansão ferroviária com a ocupação já
existente em Mandacaru e evitando que centenas de imóveis fossem diretamente
atingidos.
Ao descrever a
ferrovia, o Ministério dos Transportes destacou sua função no escoamento da
produção baiana e na ampliação do acesso logístico ao litoral, enquanto o túnel
foi apresentado como a solução para atravessar a área urbana.
A escala do
empreendimento aparece no contraste entre os números, pois uma ferrovia de 537
quilômetros depende de um túnel de apenas 780 metros para atravessar uma parte
sensível de Jequié, preservando mais de 500 imóveis.
Você imaginava que uma passagem subterrânea com
menos de um quilômetro poderia definir a continuidade de uma ferrovia de
centenas de quilômetros e, ao mesmo tempo, evitar a desapropriação de mais de
500 imóveis em uma área urbana?
O que Jequié
precisa agora é de um porto seco quando essa ferrovia estiver em pleno
funcionamento. Isso mudará o patamar da cidade na questão logística e sobretudo
econômica.
A BR 116, maior do Brasil em fluxo corta Jequié que por sua vez fica próximo as
três cidades mais importantes da Bahia, Vitória da Conquista cerca de 150 km,
Feira de Santana cerca de 240 km, Salvador aproximadamente 365 km além de
Itabuna e Ilhéus que ficam a menos de 200 km onde um dos maiores e mais moderno
porto da América latina está sendo construído.
Esse projeto visa integrar o atlântico ao pacífico diminuindo a necessidade de
cruzar o canal do Panamá onde há uma disputa geopolítica entre EUA e China.
Sou morador de Jequié e torço para que essa ferrovia seja concluída o quanto
antes.
Wagner, a
construção do túnel em Jequié é um passo importante para a Ferrovia de
Integração Oeste-Leste e pode realmente impulsionar a logística da região. Um
porto seco ajudaria a integrar ainda mais o escoamento de cargas, fortalecendo
a economia local.
Essa ferrovia já
tem quase 20 anos, ou se não tiver mais, de projetada e nem se sabe quando será
concluída. Muito dinheiro público jogado aí. Quiçá, desviados também.
José, a Ferrovia
de Integração Oeste-Leste é crucial para a logística do Brasil, especialmente
para o escoamento de carga no interior da Bahia. Embora o projeto tenha
demorado, o túnel de Jequié representa uma solução pragmática para minimizar
desapropriações e impactos urbanos. (








