quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Liminar da Justiça intima representantes da gestão municipal sobre destombamento do antigo mercadão de Jequié

O Juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de Jequié, determinou que fossem intimados pessoalmente o ex-prefeito de Jequié,  Zenildo Brandão Santana, “Zé Cocá” e o atual secretário de Cultura e Turismo de Jequié, Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho, para que tomem conhecimento da decisão no Processo nº 8001075-77.2026.8.05.0141, que versa sobre o destombamento do antigo Mercado Municipal, localizado na Praça da Bandeira, em Jequié.

Na decisão, a justiça deferiu o pedido de Tutela Provisória de Urgência, determinando à prefeitura de Jequié que no prazo de 48 horas, suspenda os efeitos de todas as autorizações, licenças, alvarás ou ordens de serviço para obras, reformas, intervenções ou alterações de fachada no antigo equipamento público, até o julgamento final da ação movida pelo advogado jequieense, Dr. Abdijalili Belchote.

Na decisão liminar, o Juiz determina ainda que a prefeitura comunique aos comerciantes e ocupantes estabelecidos no local que se abstenham de realizar qualquer nova intervenção, modificação física ou alteração de fachadas na edificação, sob pena de multa diária de R$ 200,00 (duzentos reais) por infrator, limitada preliminarmente ao montante de R$ 10.000,00 (dez mil reais), teto este passível de revisão a qualquer tempo, para mais ou para menos, nos termos do art. 537, § 1º, do CPC. Jequié Repórter)

Em detalhes, Paulo Magalhães relata a trajetória de Urbano Cem Contos, o último coronel da região de Ipiaú

URBANO CEM CONTOS – último “coronel” do Médio Rio das Contas, dotado de expressiva singularidade de força, conduta e prática política.          

Trata-se de um tema, cujo texto se encontra em permanente reelaboração. Urbano de Almeida Neto, ou “Urbano Cem Contos”, deixou de ser um personagem real para tornar-se quase mítico no imaginário de minha infância e adolescência em Ipiaú, em razão dos inúmeros relatos que eu ouvia a seu respeito.

Narrativas que transitavam entre a excentricidade e a implacabilidade, o temor e a obediência, parecendo ter saído da literatura de Jorge Amado ou das telas do Cine Dren e do Cine Éden, cinemas que eu frequentava assiduamente. Eram histórias dignas, inclusive, do realismo fantástico de Gabriel García Márquez.

Entretanto, na busca por essas lembranças, sobreviveu a curiosidade que eu tinha de vê-lo pessoalmente — fosse no Restaurante Zebu, durante as exposições agropecuárias, fosse em seu armazém de cacau, na Rua Sete de Setembro.

Observador informal, assim como meu pai, Francisco de Paulo Magalhães — mascate na década de 1940, percorrendo todo o Médio Rio das Contas com suas quinquilharias no lombo de animais —, costumava comentar, em círculos de amigos, que conhecera Urbano nesse período, precisamente durante o processo de valorização das terras, impulsionado pela elevação dos preços do cacau no mercado internacional. Relatava, ainda, que Urbano, então com pouco mais de vinte anos, já era temido por desafiar as autoridades públicas e por envolver-se em conflitos de limites de terras.

Na primeira metade da década de 1970, li nas páginas do Jornal da Bahia — que chegava, de tempos em tempos, à residência de minha família — uma reportagem na qual um pistoleiro, então preso, apontava Urbano como mandante de crimes. Entre os dias 5 e 10 de julho de 2017, na Biblioteca Pública dos Barris, em Salvador, empreendi uma busca sistemática por essa matéria, examinando todas as edições do periódico publicadas entre 1973 e 1975. O esforço, contudo, revelou-se infrutífero, pois diversos exemplares apresentavam lacunas, com meses incompletos e edições desprovidas de páginas. Cumpre registrar que, anteriormente, já havia realizado pesquisas nas bibliotecas de Ipiaú e de Jequié, igualmente sem êxito. Soma-se a isso a escassez documental sobre sua atuação parlamentar, uma vez que um incêndio ocorrido em novembro de 1978 destruiu parte do acervo da Assembleia Legislativa.

Como se pode notar, localizar determinados vestígios do passado constitui uma tarefa difícil, em razão da precária preservação de documentos e de arquivos públicos. Nesse contexto, interessa-me assinalar a possibilidade de que o estudo empírico ora apresentado, em diálogo com o romance Machombongo, de Euclides Neto — as duas principais referências textuais dedicadas à trajetória de Urbano — possa suscitar o interesse de futuros pesquisadores.

Espera-se que novas investigações, amparadas por diferentes aportes teóricos, metodológicos e documentais, produzam outros discursos, recortes analíticos e problematizações, sob diversos ângulos de observação, ampliando o campo interpretativo e permitindo a reavaliação desse personagem histórico e complexo.

CULTURA CORONELÍSTICA E O IMPACTO NA VIDA POLÍTICA

“Em política não há assassinatos: há remoção de obstáculos”.

João Duque (Cel. de Carinhanha/Vale do São Francisco-BA)

Na historiografia brasileira, há diversas concepções acerca do coronelismo, cada autor(a) enfatizando aspectos distintos de sua construção teórica e discursiva, algumas das quais são imprescindíveis para a presente análise. Maria Isaura Pereira de Queiroz (1976, p. 172) assinala que “os coronéis assim são chamados devido à Guarda Nacional, criada para defender a Constituição desde a época do Império, além de contribuir para a preservação da ordem, impedindo revoltas…”. A autora destaca que a ocupação dos postos, títulos e hierarquias — sendo o de coronel o mais elevado — ocorria de acordo com o prestígio econômico dos chefes locais. Mesmo após a extinção da Guarda Nacional, com a Proclamação da República, a autoridade do “coronel” não desapareceu; ao contrário, intensificou-se e adquiriu novas formas de expressão política.

O jurista Victor Nunes Leal (1997), autor de Coronelismo, Enxada e Voto, obra publicada em 1948 e considerada uma das interpretações clássicas da formação política brasileira, ressalta que não houve vontade política para romper com o coronelismo. Segundo o autor, esse sistema foi se adaptando às novas circunstâncias históricas para garantir sua sobrevivência, “abandonando os anéis para conservar os dedos”. Para Leal, sua dissolução somente seria efetivada com a transformação da estrutura agrária brasileira.

De fato, a ausência de uma reforma agrária no país, capaz de proporcionar emprego, renda e dignidade à população do campo, além de dinamizar as economias locais, constitui um dos principais pilares de sustentação do coronelismo.

Embora tenha deixado de existir, em 1930, como sistema formal de poder e de governo, o coronelismo perpetuou-se sob formas transfiguradas e adaptadas às novas conjunturas políticas.

Ainda hoje, em muitas regiões do país, a posse da terra, associada ao poder econômico, ao prestígio social e a um certo domínio pessoal sobre a população, continua sendo suficiente para que determinados indivíduos sejam reconhecidos como “coronéis”.

Trata-se de uma legitimidade histórico-cultural fundada na capacidade de fazer-se respeitar e de mandar.

Fixado esse ponto, pode-se afirmar que a atuação do deputado fazendeiro e empresário, Urbano de Almeida Neto, iniciada na década de 1950 e estendida por mais de vinte anos, ao utilizar a política como extensão de seu poder pessoal, instrumento de obtenção de vantagens e mecanismo de manutenção da impunidade, contribui para a compreensão de uma modalidade particular de coronelismo, marcada por características próprias e expressivo poder regional.

Sua influência alcançava uma microrregião que abrangia Ipiaú, Jequié, Jitaúna, Itagi, Aiquara, Dário Meira, Itagibá, Barra do Rocha, Ubatã e Ibirataia.

Entretanto, esse domínio político não se traduziu em dedicação efetiva a esses municípios, tampouco na promoção de melhorias estruturais ou na consolidação de uma hegemonia administrativa duradoura.

FORMAÇÃO DE UMA MENTALIDADE E ATUAÇÃO NO EXERCICIO DO PODER

A verdade é que pouco se sabe sobre o passado de Urbano, cujo nascimento ocorreu em 1918, na localidade de Jitaúna (BA), que, no início do século XX, era habitada pela tribo indígena dos Cotoxós (já extinta) e constituía distrito de Jequié até 1961. Era oriundo de uma família de condição econômica remediada e exercia a atividade de agricultor de modestas posses até ganhar “100 mil cruzeiros”, quantia que o povo ainda chamava de “cem contos de réis”, embora, desde 1942, a moeda oficial já fosse o cruzeiro. A partir de então, ampliou seu patrimônio, adquirindo fazendas, armazéns de compra e venda de cacau e uma frota de caminhões, além de ingressar na vida pública.

Foi vereador em 1954; prefeito de Jequié, por cerca de seis meses, em 1958, na condição de presidente da Câmara Municipal, substituindo o prefeito falecido no exercício do mandato; e deputado estadual por três mandatos consecutivos, sem, contudo, desenvolver uma atuação parlamentar de maior destaque. Foi eleito em 1962 pelo PSD e reeleito em 1966 e 1970 pela ARENA.

Dessa forma, é razoável supor que Urbano caminhou lado a lado com a história da região, marcada pela disputa pela terra e pelo poder político, constituindo uma cultura alicerçada em normas, crenças, valores, atitudes e práticas permeadas pela coragem e pela violência. Cresceu imerso nessa atmosfera de insegurança jurídica e conflitos permanentes.

Pelo fato de Jitaúna ser um entreposto comercial, ponto de pernoite de tropeiros e de bandos de jagunços, é plausível admitir que tenha presenciado ou, ao menos, convivido com relatos sobre os sangrentos episódios envolvendo os grupos do coronel Marcionílio e de seu filho, Tranquilino Souza, de Maracás; de Arthur Duarte, de Ipiaú (então denominada Rio Novo); de Zezinho dos Laços, de Cassiano do Areião, de Anésia Cauaçu e de Silvino do Curral Novo, na região de Jequié; e de Manoel Leôncio, na região de Boa Nova, entre outros.

Igualmente, deve ter assistido aos inúmeros delitos encomendados a matadores profissionais, como Abel, Targino da Cruz e Dequinha do Gongogi — este conhecido como “o diabo em figura de gente”, em razão de sua frieza como assassino e do fato de a polícia desconhecer sua identidade e seu paradeiro —, os quais prestavam serviços a maridos ciumentos, a pais de filhas consideradas “desonradas” por terem engravidado de namorados que se recusavam a casar, a políticos interessados em eliminar adversários e em conflitos fundiários.

Aliás, a honra ofendida, a vingança e a ambição pela terra caminhavam juntas, e os pistoleiros agiam abertamente porque se sentiam respaldados pelo poder dos fazendeiros-coronéis, cuja impunidade estava assegurada. A isso somavam-se as arbitrariedades, as truculências e a precariedade do aparelho policial.

Todos esses personagens atuaram praticamente na mesma época e no mesmo cenário geográfico, onde os tiroteios corriam soltos.

Como se pode observar acima, das dezesseis cidades que compõem o Território Médio Rio de Contas, Urbano mantinha expressiva força eleitoral em dez, já mencionadas anteriormente.

Nas seis restantes — Apuarema, Boa Nova, Gongogi, Itamari, Manoel Vitorino e Nova Ibiá — sua rede política não atuava de forma estruturada, embora também obtivesse votação nesses municípios. Tal circunstância provavelmente decorria de uma opção estratégica ou de acordos políticos firmados com outros parlamentares. No dia das eleições, era comum a disponibilização de transporte e de farta alimentação aos eleitores provenientes da zona rural.

Sua influência estruturava-se sobre práticas assistencialistas, paternalistas e clientelistas, operacionalizadas por meio de cabos eleitorais remunerados, responsáveis por mobilizar o eleitorado e assegurar sua legitimação política. Eram homens de sua absoluta confiança, que atuavam diretamente nas comunidades, conquistando eleitores por intermédio da concessão de auxílios de toda natureza, em consonância com o conhecido lema atribuído a São Francisco de Assis: “É dando que se recebe.”

A propósito, os homens de confiança de Urbano mantinham com ele laços de cega submissão e lealdade, como Zé Ramos, que “tocava o terror”, foi figura chave nas investigações da polícia. Mesmo pressionado não entregou o seu chefe, mas teve uma morte estranha, de atropelamento, no Porto da Barra, em Salvador.

Sede da Fazenda Oceania

CARACTERÍSTICAS PESSOAIS DO CORONEL-DEPUTADO

Com sua figura obesa e o olhar fixo e expressivo, simpático, afável, sagaz e desconfiado, de hábitos simples, devotado às famílias que constituiu e fiel ao amor pelos filhos, Urbano tinha uma expressão tranquila que impressionava e confundia. De sorriso maroto e fala mansa, pronunciava-se quase sempre de forma paternal, transmitindo a impressão de que nunca tivera ambição pelo poder: “Pode falar, meu filho. O que você quer?”.

Acolhia, oferecia proteção e facilitava fugas, providenciando abrigos seguros; arranjava empregos, emprestava dinheiro, influenciava o Ministério Público e o Poder Judiciário e via a polícia como uma instituição subalterna, submetida ao sabor de suas conveniências. Também possuía o seu próprio “código de ética”: jamais perdoava dívidas contraídas com ele e, ao ajudar alguém, exigia em contrapartida um compromisso de lealdade pelo resto da vida. “Homem que é homem tem que cumprir a palavra dada”, dizia. Não possuía, entretanto, os atributos típicos de um chefe político ou de um profissional da política: liderança partidária, capacidade de articulação, influência sobre prefeitos e parlamentares e gosto pelos holofotes.

Comentava-se, entretanto, à época, que, embora integrasse importantes comissões da Assembleia Legislativa, entre elas as de Economia e Transportes, Finanças e Serviços Públicos e Orçamento e Fiscalização Financeira, comparecia às sessões apenas para votar, quase sempre a pedido do governo. Era notória sua paixão pela região, pela vida rural, pelo comércio de cacau e pela pecuária, atividades nas quais obteve expressivo êxito. Sentia especial satisfação em permanecer em Jitaúna, sua terra natal, onde conhecia as pessoas e suas famílias e mantinha estreitos vínculos com as comunidades de Jitaúna, Ipiaú e Jequié, sendo, inclusive, muito bem aceito.

Sua principal habilidade, aliás, era a empresarial, aliada à capacidade de administrar as relações sociais e políticas.

Promovia eventos na sede da Fazenda Oceania destinados aos mais diversos públicos: desde reuniões privadas e seletivas com políticos — incluindo importantes lideranças da capital com projeção no cenário estadual — até encontros familiares, marcados pela expressiva presença de crianças, além de grandes confraternizações populares. Em todas essas ocasiões, os participantes saíam satisfeitos com a fartura do churrasco e das bebidas servidos, e a hospitalidade de seu anfitrião.

Além disso, apadrinhava batizados e casamentos, contribuía financeiramente para festas populares e solenidades de formatura e, por vezes, era escolhido como paraninfo de turmas de formandos, ocasiões em que também demonstrava seus dotes de dançarino nos bailes comemorativos.

Praticava a caridade cristã, mantendo permanentemente auxílio às igrejas locais, por meio de doações de reses para leilões realizados durante as festas paroquiais e outras festividades.

Apaixonado por futebol, colaborava com os clubes de Jequié e era torcedor do Ipiaú Esporte Clube. Isso, contudo, não o impediu de ser padrinho de Neuza Linhares, rainha do clube rival, o Independente Esporte e Cultura, na Micareta de 1965.

Recorda o ex-jogador de futebol Nego Dio que, na histórica partida decisiva do Campeonato Intermunicipal de 1969 entre as seleções de Ipiaú e de Jequié, disputada no Estádio Waldomiro Borges, em Jequié, os portões do estádio foram fechados após o início de uma briga generalizada envolvendo jogadores em campo e torcedores nas arquibancadas.

Segundo seu relato, a situação poderia ter resultado em um verdadeiro massacre da torcida de Ipiaú, numericamente inferior. Foi então que o deputado Urbano impôs sua autoridade e determinou a abertura dos portões, permitindo que o público deixasse o estádio em segurança.

Uma observação contundente é que, apesar de exercer forte autoridade no âmbito familiar, reunindo em torno de si suas mulheres, os filhos, os afilhados, a parentela, os agregados, os compadres e os correligionários, não cumpria o ritual de dissimulação moral cristã característico dos chefes patriarcais diante dos padrões sociais vigentes. Ao contrário, com naturalidade e comportamento incomum, transgredia abertamente as normas sociais, sem se preocupar com o desgaste de sua imagem pública, embora fosse uma figura atuante nas sociedades ipiauense, jequieense e jitaunense, como já salientado.

O fiscal de rendas aposentado Antônio Guanabara relata que ele e mais nove famílias ipiauenses, inspirados no Clube dos 10, de Feira de Santana, fundaram, em Ipiaú, o seleto e restrito Clube Náutico. Conta ainda que, em certa ocasião, o deputado Urbano, provavelmente contrariado por não ter sido convidado a integrar o grupo, adentrou o recinto após empurrar o porteiro, que recebera ordens expressas para permitir apenas a entrada das dez famílias associadas.

Como consequência desse ato impetuoso do deputado, o clube viu-se obrigado a ampliar seu quadro de sócios, admitindo novas famílias.

Sabe-se que o deputado era impiedoso com os desafetos, mas também tinha atitudes que surpreendiam. Em janeiro ou fevereiro de 1972, seu filho Orlando foi morto por Tony Calumby, motivado pela disputa pelo amor e pela proteção à jovem ipiauense Consuelo Jaqueira. Urbano, que sofreu profundamente com a morte do filho, não promoveu uma vingança, em razão de Tony possuir apenas 14 anos de idade e de as famílias serem amigas.

Outro aspecto a ressaltar é que, embora fosse popular, não se envolvia diretamente nas campanhas de rua, no corpo a corpo com o eleitorado. Isso, entretanto, não o impedia de se empenhar para vencer as eleições, valendo-se da máxima segundo a qual “em política, a única vergonha é perder” e da aura mítica que o cercava. Usufruía, assim, da fama construída ao longo dos anos, que exercia fascínio sobre parcelas da população, as quais o viam, simultaneamente, com temor e admiração.

NO CENTRO DOS RUMORES, DAS SUSPEITAS E DOS DESAFIOS AO CÓDIGO PENAL

Há de se mencionar, todavia, que, no exercício do poder político, recaíram sobre o deputado Urbano diversas suspeitas de ser mandante de graves delitos e homicídios, alimentadas por indícios e rumores que circulavam à época.

O que se supõe, entretanto, é que tais crimes jamais foram devidamente elucidados, e nenhuma responsabilização chegou a ser atribuída a ele.

Nesse contexto, destacam-se o homicídio de um cigano, de quem Urbano teria tomado a companheira, e o do fazendeiro jequieense Lincoln Martins, motivado por uma disputa envolvendo limites de terras no município de Jitaúna. Consta que, na ocasião, parte da iluminação pública de Jequié foi apagada para evitar que houvesse testemunhas no momento da execução. Contudo, um dos pistoleiros teria sido reconhecido pela filha de Lincoln, que estava ao lado do pai quando este foi abatido no passeio de sua residência. Descobriu-se, ainda, que esse matador, ou “mequetrefe”, como era chamado pelas classes populares, era “gente de Urbano” e morava em uma das fazendas do deputado-coronel.

A professora aposentada Laiz Barreto lembra que, durante a campanha eleitoral de 1957, em Jitaúna, onde morava com a família, seu pai, Waldomiro Barreto, resolveu apoiar o candidato a prefeito de Jequié, partidário de Albino Cajahyba, outro “coronel” da região e adversário político de Urbano. Inconformado com a atitude, Urbano teria determinado que um homem de sua confiança tirasse a vida de Waldomiro. Ocorreu, porém, que o encarregado de executar a ordem tinha dívidas de gratidão para com Waldomiro e, em vez de cumprir a missão, alertou-o sobre a intenção de Urbano e deixou a região. Ao mesmo tempo, a família Barreto mudou-se para Ipiaú.

Armazém e residência de Urbano em Jitaúna. Década de 1950

Duas observações valem ser destacadas. A primeira é que Urbano, por precaução, mantinha o hábito de andar rodeado por homens de sua confiança, fortemente armados, que lhe ofereciam proteção diante das inimizades acumuladas ao longo dos anos. A segunda diz respeito ao fato de que a polícia fazia vista grossa aos seus delitos e respeitava a inviolabilidade de suas propriedades.

Uma única vez, a polícia entrou em seu reduto, a Fazenda Oceania, no município de Itagibá, para resgatar um trabalhador do fazendeiro Otávio Machado, cunhado de Lincoln Martins. Conforme salientou o capitão da Polícia Militar Milton Pinheiro, foi necessária coragem, senso de dever e experiência para evitar “o tiroteio que ia se fechar”. Disse:

“Para não criar hostilidades, fui apenas com o cabo Zezito e ao chegar a capangagem logo se colocou em posição de combate, mas rapidamente gritei: ‘Deputado, vim aqui buscar o homem sequestrado’. Ficou surpreso ao ver-me! Disse-lhe ainda que havia solicitado reforços de Jequié e se eu ali demorasse a tropa baixaria em sua fazenda. Acatou o meu pedido e com o passar dos anos foi acirrando um ódio contra a minha pessoa

Rubens Ribeiro e sua esposa, Estela Ribeiro.

O CASO RUBENS RIBEIRO, SÍMBOLO DE IMPUNIDADE

Rubens Lima Ribeiro era um habitante de Ipiaú, de personalidade marcante: alegre, comunicativo, festeiro, bem-humorado, galante, carismático e destemido. Gostava de música, de circo e de cinema, da convivência familiar e dos muitos amigos que o cercavam, além de ser um próspero comerciante de gado e cavalo de raça. Constantemente, viajava para Minas Gerais, onde comprava reses e conduzia a boiada até a Bahia, a cavalo, juntamente com outros tropeiros. Dessa forma, foi acumulando um patrimônio constituído por uma grande fazenda, imóveis, veículos automotores, um numeroso rebanho no pasto e significativo capital depositado em bancos.

Pertencia a uma tradicional família de Ipiaú, oriunda de Ubaíra, ligada ao comércio, que chegou à cidade em 1930. Seus pais, Lotavino e D. Amelita Ribeiro, tiveram sete filhos, participaram do movimento integralista e fundaram o tradicional Armarinho Violeta, que fez história e marcou época pela inovação de suas estratégias de venda. No mês de dezembro, por exemplo, o cliente comprava um presente e, na manhã do dia 25, o Papai Noel o entregava na residência do comprador, em um carro enfeitado e ao som de músicas natalinas. Lotavino foi, ainda, vereador da primeira Câmara Municipal de Ipiaú e integrou a Sociedade Filarmônica Alberto Pinto. A família Ribeiro, portanto, que chamava a atenção pela união, postura e cordialidade, desfrutava de prestígio social, mantinha amplas relações de amizade e exercia significativa influência na comunidade.

Assim, no início de fevereiro de 1965, ao retornar de uma farra, nas proximidades do antigo Ginásio Rio Novo, onde hoje funciona o Bodegão, Rubens foi alvejado pelas costas, à queima-roupa, por disparos de arma de fogo. Socorrido e levado à Casa de Saúde São José, foi posteriormente encaminhado para Salvador, onde faleceu dias depois, aos 48 anos de idade, deixando a esposa, D. Estela Ribeiro, e quatro filhos pequenos — Roberto, Niltinho, Nelsinho e Isabel — aos quais era muito apegado, justamente no auge de sua estabilidade econômica. Abalados emocionalmente, os familiares tiveram de deixar a cidade, retornando anos depois.

Segundo a equipe médica que o atendeu, os projéteis haviam estraçalhado a medula espinhal de Rubens, o que o deixaria paraplégico caso sobrevivesse. Importante frisar que sua morte causou grande repercussão política e comoção em Ipiaú e em toda a região, a ponto de o governador do Estado, Lomanto Júnior, amigo dos Ribeiros, exigir da polícia total dedicação na apuração do caso.

Imediatamente, foram realizadas diligências que resultaram na prisão de conhecidos pistoleiros de extensa carreira criminosa, como Emídio Mãozinha e Oliúde, ambos de Gandu. As suspeitas também recaíram sobre integrantes do grupo de confiança de Urbano, entre eles Pedrão, que foi conduzido à autoridade policial para averiguações. A Cadeia Pública de Ipiaú, situada na Rua Castro Alves, foi reformada às pressas para receber os novos detentos. Instaurou-se o inquérito, diversas pessoas foram interrogadas e a autoridade policial local encaminhou o relatório final ao Ministério Público, que não ofereceu denúncia, por considerá-lo inconsistente.

O que se sabe, por meio dos boatos que circulavam à época, é que a motivação do crime teria sido vingança. Estaria relacionada à apreensão, pela fiscalização, de muitas cabeças de gado pertencentes a dois fazendeiros da região, ‘’gente de Urbano’’, que vinham sendo transportadas sem a documentação sanitária exigida para a prevenção, o controle e a erradicação de doenças animais. Rubens teria comentado com algumas pessoas de Ipiaú sobre a frequência dessas irregularidades e que o gado era transportado durante a noite para burlar a legislação sanitária. Essas informações teriam chegado ao conhecimento dos fiscais.

A questão que se coloca é que, antes dessa apreensão de gado, Rubens já havia sofrido um atentado, do qual saiu levemente ferido. Além disso, embora, nessa segunda ocasião, ficassem explícitas as evidências do planejamento da execução e existisse uma plêiade de indícios acerca da autoria intelectual e material do crime, não se conseguiram produzir, ou não se quiseram produzir, provas suficientes para demonstrar a responsabilidade penal dos envolvidos, razão pela qual todos permaneceram impunes.

O caso não passou de mais um crime sem solução, evidenciando a ineficiência do sistema de justiça criminal. Basta dizer que o delegado era um membro da comunidade de Ipiaú, nomeado pelo prefeito, mas não possuía formação em Direito nem a capacitação técnica necessária para conduzir um inquérito policial e aprofundar uma investigação criminal. Além disso, sofria pressões de todos os lados. Há quem sustente que Urbano teria sido enfático ao exigir a interrupção das investigações, valendo-se dos advogados por ele contratados e da influência decorrente de seu mandato de deputado.

ATORES SOCIAIS NA ARENA PÚBLICA DE IPIAÚ

Porém, faz-se necessário esclarecer que Urbano, embora tenha se fortalecido com a atmosfera política criada pelo golpe de 1964, que negou a existência da sociedade civil e sob a qual o Estado praticava violência aberta contra os opositores, jamais cultivou o ideário patriótico então difundido pelo regime, tampouco o discurso de exaltação religiosa. Ao contrário, evitava tanto os ambientes militares quanto os religiosos.

Pode-se dizer que foi um político autônomo, individualista e hermético, sem se destacar pelo debate de ideias, pela apresentação de programas ou pela formulação de projetos políticos. Da mesma forma, não possuía desenvoltura na tribuna da Assembleia Legislativa, diferentemente de seu contemporâneo, o deputado Agostinho Pinheiro, representante de Ipiaú, reconhecido por sua habilidade oratória, mas que não possuía a popularidade de Urbano, que recebia das camadas pobres e despossuídas uma verdadeira enxurrada de votos.

A partir das eleições de 1972, com a vitória acachapante do MDB em Ipiaú, que elegeu o prefeito e cinco vereadores, iniciou-se, gradativamente, o declínio político do deputado Urbano de Almeida Neto. Ele começou a perder força, desgastado pelos efeitos negativos da confissão de um matador de aluguel que, preso em Salvador, revelou ter executado assassinatos encomendados por ele, conforme já assinalado na abertura deste texto. Como consequência, suas redes de relações, suas bases de poder e sua influência foram sendo desmanteladas, provocando o enfraquecimento de seu prestígio e de sua posição política. Aos poucos, Urbano tornou-se cada vez mais debilitado e de aspecto melancólico, consumido pela doença que o corroía.

Ao mesmo tempo em que assistia, sem reação e de forma dramática, à publicização de suas práticas pela imprensa e ao afastamento dos amigos políticos, que sempre fecharam os olhos para suas infrações, observava a ascensão do populismo no município de Ipiaú, representado pelo hildebrandismo, ou “garranchismo”, movimento espontâneo das massas urbanas e rurais, que depositavam sua confiança e esperança no carismático Hildebrando, o qual personificava as múltiplas demandas das diferentes classes sociais.

Não deixa de ser revelador que Urbano tenha utilizado essa eleição municipal como um ajuste de contas com o então candidato a prefeito, Capitão Milton Pinheiro, por este, no passado, ter “interferido em seus assuntos pessoais”. Somente veio a apoiá-lo — e de forma particularmente incômoda, por pertencerem à mesma agremiação partidária — dias antes do pleito, limitando-se à divulgação de cartazes com a própria imagem.

A propósito, se o Capitão Milton Pinheiro (ARENA) tornou-se um herói na cidade por ter salvado a vida do trabalhador que Urbano imaginara ser um pistoleiro enviado para assassiná-lo, Hildebrando Rezende (MDB), vitorioso naquela eleição e de perfil independente, também ocupava lugar de destaque no imaginário popular pelo gesto heroico e de grande repercussão de resgatar a imagem de São Roque entre os escombros da igreja desabada. Além disso, era um político experiente, que aprendera as manobras do ofício desde o exercício do mandato de vereador.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Urbano faleceu no final de abril de 1975, aos 57 anos de idade, isolado da vida pública. Os jornais da capital não publicaram sequer uma nota sobre sua morte. Euclides Neto, pensador crítico e importante intérprete da cultura regional, dedicou-se à pesquisa e à escrita, inspirando-se em Urbano para compor o romance Machombongo. De forma bem-humorada, a obra destaca o lado mulherengo do personagem, sua vaidade e seu ciúme, o apego às riquezas, o temor das reclamações trabalhistas e o receio da infiltração de comunistas em suas fazendas, que defendia com unhas e dentes.

Na verdade, Euclides vale-se da ficção para traçar um rico panorama da realidade social do município, tendo como pano de fundo o contexto histórico e político e incorporando episódios e aspectos reais da trajetória do coronel-deputado. Por essa razão, sua obra pode ser encarada como uma inestimável fonte de informações para a compreensão daquele período.

Em Jequié, funciona a Fundação Urbano de Almeida Neto (FUAN), que desenvolve um admirável trabalho social em benefício das camadas mais desassistidas.

Importa sublinhar, por fim, que o conjunto de práticas coronelísticas, moldadas aos interesses particulares de Urbano, os quais se impunham a qualquer custo e deveriam ser acatados sem contestação, decorreu, fundamentalmente, da debilidade dos poderes públicos. Esse sistema simbolizou uma época de mandonismo regional, que desapareceu com sua morte, mas também com o fortalecimento das instituições do Estado Democrático de Direito e o avanço das demandas da sociedade contemporânea.

O fato é que sua forte personalidade, aliada a ações excêntricas, tanto na conduta quanto nas atitudes políticas e nas práticas de violência, ocupa lugar de destaque na historiografia do Território do Médio Rio das Contas. Aliás, é muito mais do que isso: sua trajetória permanece viva na memória coletiva, suscitando narrativas e lendas que, no imaginário popular, se confundem com a realidade e de difícil separação.

REFERÊNCIAS

GUANABARA Antônio Magalhães. In O Independente de Ipiaú. Organizado por Paulo Andrade Magalhães. Ibicaraí: Editora Via Litterarum; Ipiaú: Nós e Vós Editora. 2025.

LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, Enxada e Voto – o município e o regime representativo no Brasil. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976.

MAGALHÃES, Paulo Andrade Magalhães. Urbano Cem Contos – trajetória e práticas do coronelismo agrário/político. Revista Nós e Vós. Ipiaú, 2002.

NETO, Euclides Neto. Machombongo. 1986

QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. O mandonismo local na vida política brasileira. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976.

SANTANA, Edísio Paulo de (Nego Diu) in O Independente de Ipiaú. Org. Paulo Magalhaes, 2025

Entrevistas:

BARRETO, Laiz. Entrevista realizada em 12.09.2024 (Itagibá)

PINHEIRO, Milton (Capitão). Entrevista realizada em 1°. 05.2002 (Ipiaú)

SANTOS, Paulo Evilásio dos. Entrevista realizada em

SILVA, Juvenal Ferreira da (Mestre Jovem). Entrevista realizada em 12.09.2002 (Ipiaú)

Diálogos com habitantes da comunidade de Ipiaú, Jitaúna e Jequié sem o caráter formal de entrevistas: Zito Lacerda, Zeca Galvão, Tadeu Ribeiro, Isabel Ribeiro, Vânia Fagundes Ribeiro e Sérgio Augusto Ferreira, todos de Ipiaú. José Francisco Cardoso (Jequié), Maria Rita Gonçalves (Jitaúna), Jan Carlos Barbosa (advogado de Jitaúna), José dos Santos (‘’Zé Gazo’’, Pré-Assentamento Carlos Marighella, Ipiaú), entre tantos outros. A essas vozes somam-se, ainda, minhas próprias lembranças e experiências, construídas no ambiente social em que vivi e que também constitui parte da memória sobre o tema.

Este texto, ainda inconcluso, integra o livro em construção CORONELISMO E BANDITISMO NO MÉDIO RIO DAS CONTAS, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2027. (Paulo Andrade Magalhães é advogado e escritor ipiauense) (Ipiaú Online)

terça-feira, 11 de agosto de 2026

ROTARY CLUB DE JEQUIÉ NORTE LANÇA PROJETO SEGUNDO USO

Pode ser uma imagem de aquecedor de água e texto que diz "-ាក20.0 2iso USO ROTARY DE JEQUIÉ NORTE APRESENTA Rotary Club de Jequié Norte PROJETO SEGUNDO USO Dar novo destino ao que ainda pode ser útil. o Segundo Uso uma iniciativa que incentiva reaproveitamento solidariedade por meio da arrecadação roupas, calçados, brinquedos, livros, móveis, utensílios domésticos outros itens em bom estado. QUE ACEITAMOS Roupas Calçados Brinquedos Livros Móveis +ក2. 2Uso USO Utensillos domésticos Eletroportáteis Outrosi itens estado Período mobilização 10 15 de agosto Plantão recebimento Sábado, 15 de agosto Condomínio Bela Vista Uma ação de solidariedade, reaproveitamento e impacto social."

O Rotary Club de Jequié Norte inicia, entre esta segunda-feira (10.ago.2026) e o próximo dia 15, a primeira ação do projeto Segundo Uso, iniciativa visando estimular o reaproveitamento de objetos em bom estado, unindo solidariedade, sustentabilidade e impacto social.

A ação, segundo o presidente do Club de Jequié, Júnior Lisboa, será realizada, inicialmente, no Condomínio Bela Vista, onde os moradores serão mobilizados durante toda a semana para separar itens que já não utilizam e que ainda podem ganhar um novo destino.

Serão arrecadados roupas, calçados, brinquedos, livros, móveis, utensílios domésticos, eletroportáteis e outros objetos em boas condições de uso, como sofás, colchões, cadeiras, cafeteiras, liquidificadores, air fryers, panelas e louças.

No sábado, 15 de agosto, uma equipe do Rotary Club de Jequié Norte realizará um plantão no condomínio para o recebimento e organização das doações.

“Mais do que uma campanha de arrecadação, o Segundo Uso busca estimular uma mudança de olhar sobre aquilo que muitas vezes permanece sem utilização dentro de casa. Um objeto que perdeu a função para uma pessoa pode continuar sendo útil e gerar impacto positivo na vida de outra”, enfatiza Júnior Lisboa.

A iniciativa integra o conjunto de projetos desenvolvidos pelo Rotary Club de Jequié Norte com o propósito de ampliar sua atuação junto à comunidade e criar impactos duradouros. (Souza Andrade)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Tempero de Mainha.


Maria José Felix Meira - Rua Filó Galrão 241 - Jequiézinho.
Contato - 73 991521924.
Valor - 17,00 reais.

Natural de Jequié, Perolla Sales é convocada para a Seleção Brasileira de Levantamento de Pesos

A atleta baiana Perolla Sales, natural de Jequié, na região sudoeste do estado, foi convocada pela primeira vez, com apenas 14 anos, para integrar a Seleção Brasileira de Levantamento de Pesos.

A adolescente se destaca no CrossFit e no Levantamento de Peso Olímpico (LPO) e agora irá representar o Brasil na categoria Sub-17 durante o Campeonato Sul-Americano Adulto, Sub-20 e Sub-17, que será realizado entre os dias 24 e 31 de agosto de 2026, em Guayaquil, no Equador.

O campeonato reúne atletas de diferentes faixas etárias, desde jovens promessas até competidores seniores, em uma competição continental unificada. A categoria em que Perolla irá concorrer é focada na base e na descoberta de novos valores esportivos, reunindo atletas de até 17 anos. (Marcos Cangussu)

JEQUIÉ TERÁ CURSO DE DIREITO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL SUL DA BAHIA.

UFSB e o Novo PAC: campus de Jequié e melhorias no campus de Porto entram  em fase de licitaçãoImagem ilustrativa das futuras instalações do campus da UFSB em Jequié

Jequié ganha o primeiro curso público de Direito da sua história. A graduação acaba de ser aprovada pelo Ministério da Educação para ser implantada pela Universidade Federal do Sul da Bahia – UFSB Campus Maria Filipa em Jequié. o anúncio foi feito nesta quarta-feira (5.ago.2026).

Trata-se da um antigo pleito da cidade e da região e representará um importante avanço para o ensino superior, pois evitará que muitos estudantes desistam de seus sonhos ou precisem se deslocar para municípios como Vitória da Conquista e Itabuna em busca da formação na Uesc e na Uesb.

O curso de Direito faz parte do pacote de 11 novas graduações aprovadas para a UFSB dentro do programa Universidades Transformadoras destinada à modernização das universidades federais. A implantação ocorrerá de forma gradual.

Conforme o cronograma da UFSB, o curso de Direito será implantado em 2027, com ingresso da primeira turma previsto para o processo seletivo de 2028. (Souza Andrade)

domingo, 2 de agosto de 2026

Dia do Evangélico 2026 terá quatro noites de shows na Praça da Bíblia em Jequié

Thalles Roberto, a cantora Julliany Souza, a consagrada Aline Barros e o cantor Samuel Eleotério serão as atrações do Dia do Evangélico em Jequié, evento que acontecerá entre os dias 19 e 22 de agosto, na Praça da Bíblia. A programação deve reunir milhares de pessoas em quatro noites de louvor, adoração e apresentações musicais.

Além dos artistas de destaque no cenário gospel nacional, o evento também abrirá espaço para cantores, bandas e ministérios de louvor de Jequié, valorizando os talentos locais e fortalecendo a participação das igrejas evangélicas da cidade.

O Dia do Evangélico é realizado pela Prefeitura de Jequié em parceria com a Ordem dos Pastores Evangélicos de Jequié (OPEJE) e integra o calendário oficial do município. A expectativa é de grande público durante os quatro dias de programação, o que também deve impulsionar o comércio, a rede hoteleira, bares, restaurantes e outros setores da economia local.

A programação terá início na quarta-feira (19), com show de Samuel Eleotério. Na quinta-feira (20), quem sobe ao palco é a cantora Julliany Souza. Na sexta-feira (21), será a vez de Thalles Roberto comandar a noite de louvor. Encerrando a programação, no sábado (22), a cantora Aline Barros fará a apresentação de fechamento do evento. (Marcus Cangussu)

Jovens do interior da Bahia ganham espaço em grandes clubes e mostram como o futebol pode transformar vidas.

  • Projeto social apoiado pela Appian / Atlantic Nickel revela talentos para Ceará, Bahia e academia de base paulista, unindo formação esportiva, educação e combate à evasão escolar
  • Cerca de 60% dos participantes do projeto foram submetidos a avaliações em clubes brasileiros
  • Iniciativa estimula a educação e o desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos, por meio do esporte.
  • Desde a sua implantação no Sul da Bahia, o programa já impactou positivamente a vida de cerca de 50 jovens da região.

No distrito de Tapirama, na zona rural de Gongogi, no Sul da Bahia, o futebol tem sido muito mais do que um jogo. Em um campo simples, cercado por sonhos grandes, meninos que começaram chutando bola entre amigos agora vestem as cores de tradicionais centros de formação do país. O avanço de três jovens atletas para categorias de base de clubes do Nordeste e de São Paulo é o reflexo mais visível de um trabalho que vai além das quatro linhas: usar o esporte como ferramenta concreta de transformação social.

A história nasce na Associação e Escolinha Esportiva Tapirama, projeto social apoiado pela Appian / Atlantic Nickel desde 2021, com a missão de desenvolver crianças e adolescentes por meio do futebol e tem como missão contribuir com a formação pessoal de crianças e adolescentes, desenvolvendo competências socioemocionais a partir da integração entre a educação e o esporte. Desde sua implantação, a iniciativa já impactou 49 jovens da região no entorno dos municípios de Itagibá, Ipiaú e Gongogi, no Sul da Bahia.

“Tenho um sentimento de dever cumprido, pois o futebol tem sido um agente de transformação para a nossa comunidade, algo que eu não sonhava. O esporte é de grande importância aqui e é uma satisfação enorme fazer parte disso tudo! Penso que estamos no caminho certo, estamos fazendo a diferença na vida desses garotos e o apoio da Atlantic Nickel tem sido essencial para viabilidade do projeto”, emociona-se Gil Santos, professor e coordenador da Associação e Escolinha Esportiva Tapirama.

Histórias mais genuínas do futebol brasileiro: fábrica de talentos

No entanto, agora, o projeto comemora uma safra especial de talentos — cada um com perfil próprio, trajetórias distintas e um mesmo ponto de partida: o campo de Tapirama. Os números ajudam a dimensionar o impacto: dos 37 alunos atualmente atendidos, 22 já passaram por avaliações em clubes brasileiros — cerca de 60% dos participantes.

“Mas deixo claro que formar atletas nunca foi o meu único objetivo. Aqui em Tapirama, cada contrato assinado representa uma conquista coletiva. Mais do que revelar promessas para o futebol brasileiro, o projeto mostra que, quando aliado à educação e ao compromisso social, o esporte tem potência real para mudar destinos. É ali, longe dos holofotes, que começam algumas das histórias mais genuínas do futebol brasileiro”, pondera Santos.

Do interior da Bahia para a categoria sub-15 do Ceará Sporting Club

O caso mais recente é o do goleiro Neymar Castro, de 15 anos. Com impressionantes dois metros de altura e presença marcante debaixo das traves, ele chamou atenção pela maturidade e segurança incomuns para a idade. O jovem passou a integrar neste ano a categoria sub-15 do Ceará Sporting Club, com contrato até 2028, e já se prepara para disputar a próxima Copa do Brasil Sub-15. Aposta para o futuro do clube cearense, ele representa a força de uma formação construída com disciplina e constância.

Prata da Casa: direto para categoria sub-13 do Esporte Clube Bahia

No Esporte Clube Bahia, quem desponta é Levy Brito, de apenas 12 anos. Dono de velocidade, leitura de jogo e personalidade competitiva, o atleta assinou contrato de formação com o clube até 2027 e passou a integrar a equipe sub-13. Sua ascensão reforça o olhar atento de um dos principais clubes formadores do país para talentos que surgem longe dos grandes centros.

Desbravando novos territórios (região Sudeste): atleta da categoria sub-14 do time I9 Academy, de Ribeirão Preto – interior de São Paulo

Já Samuel Rocha, de 13 anos, trilha um caminho que evidencia persistência e adaptação. Após passagem pelo Bahia, o jovem hoje integra a categoria sub-14 da I9 Academy, de Ribeirão Preto (SP), com contrato até 2028. Reconhecido pela versatilidade e dedicação, Samuel segue sua trajetória em um ambiente voltado ao desenvolvimento técnico de atletas com potencial para o futebol profissional.

Muito além dos resultados:  compromisso com o desempenho escolar

Em Tapirama, a permanência no programa está diretamente ligada ao desempenho escolar. Atualmente o programa atende 37 crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos, com a realização de mais 40 horas de atividades esportivas no contraturno escolar com cerca de 9 horas treinos de futebol.

Nas categorias Sub-9 a Sub-12, voltada aos garotos maiores, os treinos são realizados 3 vezes por semana, já na categoria Sub-6, direcionada aos meninos menores, eles acontecem 2 vezes. As aulas ocorrem sob a orientação de profissionais. O método alia o desenvolvimento esportivo e socioemocional, por isso, durante os treinos os alunos-atletas aprendem a ganhar, a perder e a dar sempre o seu melhor. Isso tem contribuído inclusive com a evolução acadêmica dos alunos.

Na rotina dos treinos, os alunos aprendem fundamentos técnicos, mas também valores essenciais como disciplina, respeito, trabalho coletivo e resiliência. “O futebol funciona como incentivo para que crianças e adolescentes permaneçam na escola, desenvolvam responsabilidade e construam perspectivas de futuro. Há, inclusive, casos de jovens que deixaram de avançar para avaliações em clubes devido ao rendimento escolar, uma demonstração prática de que a educação vem antes da bola”, ressata o professor e coordenador do projeto.

Compromisso com a transformação social no entorno das operações

O apoio da Appian Capital Brazil, fundo de investimentos privados especializado em mineração, proprietária da Atlantic Nickel, ativo do grupo produtor de níckel sulfetado, no entorno dos municípios de Itagibá, Ipiaú e Gongogi, no Sul da Bahia, já soma cerca de R$ 70 mil investidos até 2025 e integra a estratégia da companhia de fortalecer o desenvolvimento social nas comunidades do entorno de suas operações.

“O cuidado com as comunidades que recebem nossas operações é uma das nossas principais missões, principalmente no que tange ao fomento da educação. As iniciativas realizadas na localidade poderão transformar positivamente a vida destes jovens, independentemente de seguirem ou não carreira no esporte”, destaca Gilcimar Oliveira, diretor de ESG e Pessoas da Appian Capital Brazil. (Ari Moura)

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Arte feita com cartão telefônico pelo artesão Charles Meira.




NA CASA VELHA.

Por Carlos Eden Meira

É uma velha casa centenária. Por aqui vi passar muita tristeza e muita alegria. Aqui, vi morrer pessoas muito amadas e nascer pessoas também muito queridas, e em cada canto existe a doce lembrança daqueles que aqui viveram, sonharam, dançaram, cantaram e cumpriram sua missão de existir. Ainda hoje, aqui sorriem e brincam crianças, jovens se encontram e se enamoram. O futuro ainda lhes é cheio de esperanças e a vida lhes passa plena de alegrias juvenis. Nesta velha e amada casa viveram pessoas que acreditaram, e as que vivem e acreditam no amor e na vida como ela é: cheia de tristezas e alegrias. Muitos de nossos amigos aqui se encontraram para tocar e ouvir músicas, além daquele alegre bate-papo, regado a uma boa cachacinha!

Aqui sempre há música nos momentos tristes e nos momentos alegres, porque a música é a voz de Deus. É a expressão pura e sublime de nossas pobres almas, em busca de uma verdade que está dentro de nós. Aqui, nesta velha centenária casa, dançamos, tocamos e cantamos a canção angelical da vida, que nos encaminha para a almejada serenidade de jamais perder a esperança, porque esta é imortal.

Parece que essas antigas casas centenárias têm o poder de reter em suas paredes, além das marcas do tempo, a beleza de representar a História. Ainda que sejam simples construções sem requinte arquitetônico ou artístico nenhum, ainda que sejam simples pobres moradias, retratam a vida em seus aspectos individuais. Por isso, é triste quando vemos alguma delas desaparecerem em nome do progresso e do desenvolvimento, ainda que algumas, abandonadas e mal localizadas, representem perigo de desabamento, e que nunca foram algum dia, o lar de uma família.

No entanto, por uma ironia do destino, nessa mesma velha casa em que moro, ocorreu em março deste ano, um fato desesperador. Numa noite chuvosa, minhas duas netas mais novas, Helena e Isadora, estavam como de costume, na sala do meio, brincando com seus celulares. Eram umas sete e meia da noite, mais ou menos, quando Helena ouviu um ruído de telhas caindo num cantinho do forro. Eu falei com as duas que saíssem dali e fossem para uma outra sala na parte da frente da casa. Chamei meu filho Elias e avisei que alguma coisa havia caído no forro. Graças a Deus, temos em casa uma escada de alumínio que dá para verificar o que estava havendo. Elias subiu, e iluminou com a lanterna do celular o local onde as meninas ouviram o ruído. Uma enorme e pesada peça de madeira, que sustentava toda aquela parte do telhado, estava começando a ruir.

Elias chamou meu sobrinho Ricardo, filho de Raymundo Meira, e que trabalha como projetista. Ele subiu na escada e ficou apavorado, com o que viu. Mandou que todos da velha casa saíssem imediatamente do local, pois, com a chuva, a madeira podre começou a ceder. Uns cinco minutos depois o teto veio abaixo!!! Poderia acontecer uma tragédia ali, mas como todos estavam avisados, nada de grave aconteceu, GRAÇAS A DEUS!!! Essa velha casa tem mais de cem anos, passou por várias reformas, mas, dessa vez, ficamos dois meses em casas de parentes, até modificar a estrutura do teto. Agora, nada de madeira para sustentar o telhado, pois enormes peças foram devoradas por cupins. Tudo agora é metal e telhas de fibra parafusadas. Inclusive a rede elétrica é agora, embutida nas paredes. Perdemos uns dois armários, e foi só. Preservar casas antigas é importante, mas é preciso cuidar da segurança de seus moradores.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Um túnel de 780 metros em Jequié foi projetado para evitar a desapropriação de mais de 500 imóveis e abrir caminho a uma ferrovia de 537 quilômetros rumo ao Atlântico

Túnel de 780 metros em Jequié evita a desapropriação de 500 imóveis e integra a FIOL, ferrovia de 537 km entre o interior e o litoral baiano.

Projeto ferroviário no sudoeste da Bahia combina engenharia subterrânea, preservação urbana e logística de longa distância.
Estrutura integrada a um corredor até o litoral mostra como uma passagem de poucos metros pode redefinir o traçado dos trilhos e evitar impactos sobre centenas de imóveis.

Um túnel ferroviário de 780 metros foi projetado no bairro Mandacaru, em Jequié, no sudoeste da Bahia, para impedir que o traçado da Ferrovia de Integração Oeste-Leste avançasse pela superfície de uma área urbana densamente ocupada.

Segundo o Ministério dos Transportes, a passagem subterrânea foi concebida para evitar a desapropriação de mais de 500 imóveis que seriam diretamente atingidos pelo caminho inicialmente previsto para a instalação dos trilhos no município baiano.

Integrada à FIOL 1, a estrutura faz parte de um trecho ferroviário com aproximadamente 537 quilômetros entre Caetité e Ilhéus, responsável por atravessar diferentes regiões da Bahia e conectar áreas produtivas do interior ao litoral atlântico. 

Dentro desse sistema de longa distância, o túnel representa uma intervenção localizada, porém indispensável para manter a continuidade da rota de cargas sem abrir, na superfície, uma faixa ferroviária sobre ruas, moradias e outros imóveis existentes.

Túnel de Jequié preserva área urbana de Mandacaru

Em vez de manter os trilhos no nível do terreno, o projeto direcionou a ferrovia para baixo de parte da área urbana de Mandacaru, alterando a forma como a linha atravessaria uma região consolidada de Jequié.

Essa escolha concentrou a intervenção em uma estrutura subterrânea e reduziu a necessidade de remover construções situadas no percurso, enquanto o número de mais de 500 imóveis dimensiona o impacto que o traçado superficial poderia provocar.

De acordo com informações oficiais do Ministério dos Transportes, o Túnel de Jequié foi incluído em um lote específico da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, devido às características técnicas particulares exigidas por uma passagem ferroviária dentro da cidade.

Túnel de 780 metros em Jequié evita a desapropriação de 500 imóveis e integra a FIOL, ferrovia de 537 km entre o interior e o litoral baiano.

A separação em um contrato próprio permitiu tratar de modo específico o projeto executivo e a construção da estrutura, cuja implantação foi estimada pelo órgão federal em cerca de R$ 50 milhões, no interior da cidade.

Esse valor abrangia a execução de uma passagem de 780 metros destinada exclusivamente à circulação ferroviária, localizada justamente onde a continuidade da linha encontrava um obstáculo urbano formado por ruas, residências, estabelecimentos e demais imóveis do traçado.

FIOL 1 conecta o interior da Bahia ao litoral

Embora corresponda a uma pequena fração dos 537 quilômetros da FIOL 1, o túnel está diretamente ligado à continuidade física do corredor ferroviário entre Caetité e Ilhéus, atravessando uma das áreas mais sensíveis do percurso.

Ao longo desse segmento, a ferrovia foi desenhada para cruzar 19 municípios baianos, entre eles Brumado, Tanhaçu, Manoel Vitorino, Jequié, Itagi, Itagibá, Ubaitaba, Uruçuca e Ilhéus, antes de alcançar a faixa litorânea do estado baiano.

A chegada a Ilhéus coloca o trecho em direção ao Atlântico e ao sistema portuário planejado para receber cargas transportadas desde o interior, ampliando as alternativas logísticas disponíveis para diferentes cadeias produtivas instaladas na Bahia.

Conforme descreve o Ministério dos Transportes, a FIOL foi estruturada como um eixo de escoamento destinado principalmente à movimentação de minério de ferro, além de outras cargas relacionadas à produção regional e ao transporte de longa distância.

Nesse desenho logístico, Jequié ocupa uma posição intermediária entre as áreas produtoras do interior e o litoral, enquanto o túnel permite atravessar uma zona ocupada sem exigir um corredor ferroviário superficial sobre centenas de propriedades.

Engenharia ferroviária contorna obstáculos urbanos

O caso demonstra como uma obra linear de centenas de quilômetros pode depender de uma intervenção relativamente curta para avançar, sobretudo quando o traçado precisa conciliar requisitos ferroviários, ocupação urbana e continuidade operacional em área consolidada.

Ferrovias destinadas a composições pesadas exigem curvas, inclinações e condições compatíveis com esse tipo de circulação, o que torna ainda mais complexa a passagem por cidades consolidadas, onde contornos, desapropriações e túneis produzem impactos distintos.

No Túnel de Jequié, a justificativa oficial foi evitar a desapropriação de mais de 500 imóveis na área urbana afetada, relacionando diretamente a solução de engenharia à preservação de moradias, comércios e serviços já existentes.

Por essa razão, a estrutura se diferencia de túneis construídos apenas para vencer serras ou formações rochosas, pois o principal obstáculo apresentado pelo projeto estava associado à ocupação urbana encontrada no bairro Mandacaru de Jequié.

Incorporada ao traçado, a passagem subterrânea permitiria que a linha seguisse por baixo de uma área consolidada, sem abrir na superfície a faixa necessária para instalar trilhos e manter a circulação ferroviária prevista no projeto.

Ferrovia de Integração Oeste-Leste terá conexão nacional

O segmento de 537 quilômetros ao qual o túnel pertence liga Caetité, no interior baiano, a Ilhéus, no litoral, formando a primeira parte da Ferrovia de Integração Oeste-Leste e ampliando as opções nacionais de transporte de cargas.

Concebida com 1.527 quilômetros entre Ilhéus e Figueirópolis, no Tocantins, a FIOL completa deverá se conectar à Ferrovia Norte-Sul, enquanto o primeiro trecho estabelece uma saída ferroviária diretamente em direção ao litoral da Bahia.



Nesse projeto mais amplo, o Túnel de Jequié resolve um ponto específico de passagem no interior do corredor, compatibilizando a expansão ferroviária com a ocupação já existente em Mandacaru e evitando que centenas de imóveis fossem diretamente atingidos.

Ao descrever a ferrovia, o Ministério dos Transportes destacou sua função no escoamento da produção baiana e na ampliação do acesso logístico ao litoral, enquanto o túnel foi apresentado como a solução para atravessar a área urbana.

A escala do empreendimento aparece no contraste entre os números, pois uma ferrovia de 537 quilômetros depende de um túnel de apenas 780 metros para atravessar uma parte sensível de Jequié, preservando mais de 500 imóveis.

Você imaginava que uma passagem subterrânea com menos de um quilômetro poderia definir a continuidade de uma ferrovia de centenas de quilômetros e, ao mesmo tempo, evitar a desapropriação de mais de 500 imóveis em uma área urbana?

O que Jequié precisa agora é de um porto seco quando essa ferrovia estiver em pleno funcionamento. Isso mudará o patamar da cidade na questão logística e sobretudo econômica.
A BR 116, maior do Brasil em fluxo corta Jequié que por sua vez fica próximo as três cidades mais importantes da Bahia, Vitória da Conquista cerca de 150 km, Feira de Santana cerca de 240 km, Salvador aproximadamente 365 km além de Itabuna e Ilhéus que ficam a menos de 200 km onde um dos maiores e mais moderno porto da América latina está sendo construído.
Esse projeto visa integrar o atlântico ao pacífico diminuindo a necessidade de cruzar o canal do Panamá onde há uma disputa geopolítica entre EUA e China.
Sou morador de Jequié e torço para que essa ferrovia seja concluída o quanto antes.

Wagner, a construção do túnel em Jequié é um passo importante para a Ferrovia de Integração Oeste-Leste e pode realmente impulsionar a logística da região. Um porto seco ajudaria a integrar ainda mais o escoamento de cargas, fortalecendo a economia local.

Essa ferrovia já tem quase 20 anos, ou se não tiver mais, de projetada e nem se sabe quando será concluída. Muito dinheiro público jogado aí. Quiçá, desviados também.

José, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste é crucial para a logística do Brasil, especialmente para o escoamento de carga no interior da Bahia. Embora o projeto tenha demorado, o túnel de Jequié representa uma solução pragmática para minimizar desapropriações e impactos urbanos. (Escrito por Alisson Ficher)