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| Por Charles Meira |
No dia 22 de dezembro de 2011, viajamos para a cidade de Antas, que fica
localizada no Norte da Bahia, aproveitando o período de férias escolares.
Depois de quase três anos, retornamos à região por onde Lampião passou e deixou
as marcas do cangaço. Como sempre acontecia quando o Sr. Aurelino, mais
conhecido como Lelo da Coelba, estava vivo, foi uma festa quando chegamos à
cidade que conheci há aproximadamente trinta e oito anos, período de namoro e
depois casamento. Nas comemorações do Natal, Ano Novo e durante os dias que ali
passamos, nunca menos de vinte membros da família estavam reunidos na casa de
Dona Isabel. Como a previsão era passar mais de vinte dias na região, e
teríamos que preencher o tempo, recorremos primeiro à Ranieri, primo da esposa,
e dele solicitamos os livros que gosto e estavam relacionados com a cultura da
região. Como ele já sabia da minha preferência, não demorou em trazer dois
livros do seu primo Didiê. “Maria Bonita” e “Corisco e Dadá” de autoria de
Amaury Júnior, exemplares recentemente lançados pela Assembléia Legislativa do
Estado, que tem como presidente o Deputado Estadual Marcelo Nilo, nascido em
Antas e primo de minha esposa. No primeiro domingo do ano de 2012, cumpri
agenda cantando nas festividades de aniversário da Igreja Batista de Antas. A
rotina diária, também era preenchida com caminhada no final da tarde na pista
que foi construída e frente à casa da minha sogra, dona Isabel, local que ficou
muito bonito e tornou-se um ponto de encontro dos familiares, aproveitando os
bancos colocados em todo percurso do canteiro, raridade ultimamente praticada
mesmo no interior do estado. Numa das tardes tive o privilégio de encontrar o
prefeito da cidade, o Sr. Agnaldo, e bater um papo saudável, onde falamos de
política local e também cobrei do chefe do município, um livro contando a
história da cidade. Contei ao prefeito que havia escrito um texto para a
revista Cotoxó, que circula na cidade de Jequié, e que relatava uma história
acontecida em Antas na época do cangaço, que culminou com a presença de Lampião
e vários homens do seu bando. A história quem me contou foi o meu sogro
Aurelino Félix de Souza que na ocasião do fato tinha aproximadamente sete anos
de idade. Este relato comprova que realmente o rei do cangaço esteve naquela
região. O prefeito ouviu atentamente o meu relato e depois agradeceu pela
publicação do texto citando a cidade de Antas. O gestor me disse também já
havia tratado do assunto com pessoas que conhecem a historia do município, com
o intuito de colher dados suficientes para publicar um livro. Quanto à política
local, declarou que estava fazendo o possível para administrar com muita
responsabilidade o cargo que o povo da sua terra tinha lhe confiado. Perguntei
sobre candidaturas para as próximas eleições. Sorrindo, falou que ainda estava indefinida.
Aproveitei a oportunidade, e solicitei do prefeito a recuperação de dois
galpões que ficam em frente ao canteiro e abrigam feirantes no dia de sábado.
Para minha alegria, de D. Isabel e de todos moradores da Rua Saturnino Nilo, fiquei
sabendo por telefone que o referido espaço já foi recuperado. Mandei minha
cunhada Maria Eumar agradecer ao prefeito e parabenizá-lo pela realização
daquela obra importante para melhorar o visual daquele local. No intervalo do
lazer, não faltou o jantar na casa de Zete, uma exigência de Iramy, irmã de
minha esposa. Outra diversão, que ajudou a preencher o tempo, foi assistir aos
filmes western que levei e outros que comprei na feira do município. Como fizemos
vários amigos ao longo dos trinta e oito anos de convivência na cidade de
Antas, aproveitamos parte do tempo para visitá-los. Numa dessa visitas, unimos
o útil ao agradável. Estivemos na residência do Sr. Edvaldo Nilo, prefeito de
Antas por três legislaturas, padrinho de batismo da minha esposa. O ex-prefeito
havia chegado recentemente da capital, onde estava realizando tratamento de
saúde e naquele momento encontrava-se balançando em uma rede na sala,
acompanhado de sua namorada. Edvaldo de Carvalho Nilo é pai do deputado Marcelo
Nilo, atual presidente da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia. Tive a
oportunidade de conversar por mais de uma hora com o experiente político, que se
mostrava com feições bonitas, mesmo com a idade de noventa e um anos. Sentamos
em frente de uma estante e não tive como não enxergar vários livros que
despertaram a minha curiosidade, principalmente porque Raniere já havia me
alertado da possibilidade de ele possuir alguns livros contando a história de
lampião. Não vacilei e pedi autorização do Sr. Edvaldo para dar uma olhada nos exemplares.
No local tinha livros interessantes, mas um deles me chamou a atenção. O titulo
era “O Mundo Estranho dos Cangaceiros”, escrito por Estácio de Lima. Consultei
ao dono da casa a possibilidade de fazer a leitura do mesmo, e com um sorriso
mandou pegá-lo. Em poucos dias li o referido livro, que enriqueceu de forma
ampla e diferente do que eu conhecia da história do cangaço. Entretanto, o
bate-papo não ficou restrito ao livro. Falamos de política atual e também dos
acontecimentos da época que ele era prefeito da cidade. Falou do seu filho
Marcelo Nilo, elogiando o hábil político e visualizando a possibilidade real de
ele ser o candidato ao cargo de governador do estado da Bahia. Disse que estavam
falando também do nome do secretário Oto Alencar, porém o experiente político
apostava na indicação do seu filho. Relacionado
com seus mandatos à frente da prefeitura de Antas, contou fatos marcantes. Um
deles aconteceu nas cercanias de Antas numa disputa com o ex-prefeito Pedro Macário.
Existia naquele local uma cerca que separava duas propriedades. Quando assumia
a prefeitura ele consertava a cerca, entretanto quando Pedro Macário ganhava mandava
derrubar. Esta disputa somente terminou quando abandonaram a política. Depois
de convidar minha esposa e sua afilhada para jogar baralho, contou-nos outro
fato que aconteceu quando estava na sua farmácia que fica próximo de uma praça
que leva o seu nome no centro da cidade. Edvaldo estava sozinho naquele momento
quando chegou um homem magro e alto, solicitando um determinado medicamento. O
político foi até a prateleira pegou o remédio, quando foi entregando para o
cliente foi surpreendido com a reação do homem que estava com uma arma na mão,
dizendo para o dono da farmácia que iria matá-lo. O primeiro tiro acertou a
máquina registradora, enquanto o Sr. Edvaldo abaixou e depois correu a de um
lado para o outro, tentando livrar-se dos outros disparados. Foram cinco
tentativas, mas o homem não conseguiu acertar o farmacêutico. O atirador saiu
correndo e desapareceu. Até hoje não conseguiram descobri o autor do atentado.
Nem parecia que o Sr. Edvaldo estava doente. Acho que só deu tempo de tomar um
pouco de água, e ele já começava a contar outro fato ocorrido na localidade da
Lagoa do Badico, que hoje pertence à cidade de Novo Triunfo. Neste povoado todo
ano acontecia a esperada “Festa do Peba”. Os festejos daquele ano eram realizados
pelos “Romeiros”, denominação política do grupo situacionista que elegeu Pedro
Macário prefeito de Antas. Durante as
festividades os “Araras”, denominação dos oposicionistas resolveram participar
da festa, o que ocasionou desentendimento entre Firmininho Matos (Romeiro) e
José Guerra (Arara). A briga política ficou mais acirrada, quando Osmar Nolasco
(Romeiro) e João Félix (Arara) entraram na discussão. O desfecho deste
desentendimento político resultou nas mortes de Osmar Nolasco e José Guerra, um
fato muito triste que ficou marcado na lembrança dos moradores de Antas. Alguns
dias depois da nossa chegada em Jequié, fui informado por telefone da morte do
ex-prefeito Edvaldo Nilo.
Durante os trinta e sete dias que passamos em Antas, visitamos algumas
cidades vizinhas. Primeiro fomos à cidade de Aracaju visitar Jairo meu cunhado
e família. Na linda capital também cumpri agenda, cantando na Igreja Vida em
Jesus e Igreja Batista Shekinah e nos
dias seguintes fomos às praias, no shopping, local onde fomos ao cinema e na
livraria, momento que fiquei sabendo do cancelamento do lançamento do livro
“Lampião Mata Sete” de Pedro Moraes, atendendo uma liminar impetrada por um
juiz de Aracaju, decorrente de uma ação na justiça, movida por advogado da
filha de Lampião. Quando retornei para
Jequié, fui presenteado por meu grande amigo Antoniozinho de um exemplar do
referido livro, adquirido na Bienal do Livro realizada em Salvador. Gostei
muito. mas prefiro acreditar na história anteriormente contada. De volta para
Antas, passamos na cidade de Lagarto-SE, onde cantei em outra ocasião. Neste
percurso, passamos em vários municípios sergipanos visitados pelo Rei do Cangaço.
Novamente em terras baianas, cumpri agenda na rádio FM, sendo entrevistado pelo
locutor Tony Silva e cantei na congregação da Ig. Batista de Antas, localizada
na Lagoa do Badico. Em companhia de familiares, fomos também à cidade de Jeremoabo,
aproximadamente quarenta quilômetros de viagem, visitar familiares da minha
esposa que temos muito apreço e admiração. Bazé de Jeremoabo, que temos mais
contato tratou de fazer a comida e as sobremesas, contando com a ajuda de sua
irmã Cristina. Revemos Dona Maura e seu esposo José, um contador de histórias,
que sempre tem fatos novos para contar, do tempo de Lampião. Desta feita falou
bastante, porém repetiu “causos” contados anteriormente que todos sabemos de
cor e salteado. Aproveitando uma pausa do Sr. José, perguntei a ele qual a distância
de Jeremoabo para Santa Brígida, cidade onde Maria bonita nasceu. Balançado as
mãos, respondeu que ficava a mais ou menos uns cinqüenta quilômetros, porém ficou
somente na curiosidade, pois nesta viagem não foi possível conhecer a cidade da
famosa cangaceira. Entretanto para compensar, Bazé de Jeremoabo nos levou para
conhecer o local onde era a casa de Zé Rufino, policial perseguidor ferrenho de
Lampião e comandante do destacamento que matou Corisco e a casa mais antiga de
Jereboabo. Paulo Afonso, roteiro das lutas da época, outra cidade que ficou
para visitarmos em outra oportunidade. Na mesma semana, o destino foi Euclides
da Cunha. No roteiro turístico, passamos rapidamente em Cícero Dantas, Ribeira
do Pombal e Tucano, cidades citadas em vários livros que conta a vida de
Lampião. Na cidade que tem o nome do escritor do livro “Os Sertões”, ficamos
hospedados na casa de Dona Eurides, tia de minha esposa. Tivemos o prazer de
rever a maioria dos parentes e também o pastor e amigo Valdemar, parceiro de
cantoria e de pregação do Evangelho em locais que somente um missionário por
excelência conseguiria desbravar. Através dele cantamos no povoado do Muquém e
nas cidades de Tucano, Euclides da Cunha, Monte Santo, Valente e Santa Luz. Na
cidade, tirei fotos com o pastor Júlio de Santana junto da estátua de Euclides
da Cunha no centro da cidade. No outro dia, estivemos na casa de Dona Josefina
outra tia da esposa que sempre me hospedava, quando ia cantar na região. Foram
momentos muitos alegres que passamos com familiares amados. Conversa e comida
foram ingredientes que não faltaram na viagem. Num desses momentos, contaram
para Dona Eurides que eu estava lendo alguns livros sobre Lampião. Ela deu uma
risada, e disse que tinha um livro que falava do assunto, um presente de Oto
Alencar, casado com sua filha Marcinha. “A Última Semana de Lampião” de autoria
de Juarez Conrado, chamou a atenção do seu genro por causa do nome de um
coiteiro de Lampião chamado de Manoel Félix, muito parecido com o irmão de Dona
Eurides. Todos familiares concordaram que realmente o coiteiro era muito
parecido com Aurelino, o pai de minha esposa. Felizes e ao mesmo tempo
saudosos, retornamos no dia seguinte para Antas. Na última semana das férias,
almoçamos na fazenda de Zete, sobrinha de Sr. Aurelino, que fica próximo da
cidade, e dedicamos os restantes dos dias ao aconchego familiar.
Num domingo, dia 29 de janeiro voltamos para Jequié. Foi muito bom.

A Paz do Senhor irmão, por um acaso os seus pais, teve uma irmã com nome de ANA GUIMARÃES MEIRA... seja qual for a resposta, meu muito obrigada, Que DEUS te ABENÇOE cada vz mais, voce já é meu irmão mesmo com o sobre nome ou não!!! Beijos no coração!!!
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