Por
Carlos Eden Meira
Lembro-me de que quando eu era
criança, havia carnaval de rua em Jequié, mesmo que, até pouco tempo, não havia
mais os carros alegóricos enfeitados. Esses carros transportavam garotas
fantasiadas, algumas mascaradas que jogavam beijos para a multidão que enchia a
praça Ruy Barbosa. Estes carros aqui eram chamados de "prancha"
e arrodeavam o antigo e belo jardim da praça. Cada clube da cidade apresentava
sua rainha que desfilava sozinha usando um luxuoso vestido, numa
"prancha" especialmente enfeitada. As rainhas desfilavam no último
dia de carnaval.
Durante esses dias citados, os
vendedores de máscaras, pistolas, d'água, lança perfume, apitos, pandeiros e
balões de gás ou de assoprar, faziam a alegria da meninada. Os tubos de
lança perfume, só eram vendidos aos maiores de idade. A cidade toda ficava
perfumada, pois os rapazes jogavam perfume nas garotas. Havia, inclusive,
uns óculos especiais para proteger os olhos contra o ardor do lança perfume.
As marchinhas carnavalescas
eram cantadas pelas pessoas que desfilavam na "prancha" dirigida em
marcha lenta. Eram músicas do momento, lançadas para o carnaval daquele
ano.
À noite, cada clube contratava
uma orquestra e as tais músicas eram cantadas nos bailes, quando os
foliões dançavam freneticamente com suas namoradas, ou não. Sinto saudades
daquele tempo quando foliões avulsos saiam a pé pela manhã, mascarados,
assustando as pessoas. Até pouco tempo havia a micareta, substituindo o
carnaval, mas aí já não existiam mais as "pranchas" enfeitadas como
no nosso tempo e o lança perfume foi proibido definitivamente.
A "batucada" de Tertuliano Santos era a mais famosa, porém quando Tertuliano morreu, nenhum de seus descendentes deu continuidade à tradição da "batucada". Havia também um grupo de "Índios" conhecido como "os filhos de pena branca" que durou até pouco tempo.
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