quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

OS CARNAVAIS DE OUTROS TEMPOS

                                              Por Carlos Eden Meira

Lembro-me de que quando eu era criança, havia carnaval de rua em Jequié, mesmo que, até pouco tempo, não havia mais os carros alegóricos enfeitados. Esses carros transportavam garotas fantasiadas, algumas mascaradas que jogavam beijos para a multidão que enchia a praça Ruy Barbosa. Estes carros aqui  eram chamados de "prancha" e arrodeavam o antigo e belo jardim da praça. Cada clube da cidade apresentava sua rainha que desfilava sozinha usando um luxuoso vestido, numa  "prancha" especialmente enfeitada. As rainhas desfilavam no último dia de carnaval.

Durante esses dias citados, os vendedores de máscaras, pistolas, d'água, lança perfume, apitos, pandeiros e balões de gás ou de assoprar,  faziam a alegria da meninada. Os tubos de lança perfume, só eram vendidos aos maiores de idade. A cidade toda ficava perfumada, pois os rapazes  jogavam perfume nas garotas. Havia, inclusive, uns óculos especiais para proteger os olhos contra o ardor do lança perfume.

As marchinhas carnavalescas eram cantadas pelas pessoas que desfilavam na "prancha" dirigida em marcha lenta. Eram músicas do momento, lançadas para o carnaval daquele ano. 

À noite, cada clube contratava uma orquestra e as tais músicas eram cantadas nos  bailes, quando os foliões dançavam freneticamente com suas namoradas, ou não. Sinto saudades daquele tempo quando foliões avulsos saiam a pé pela manhã, mascarados, assustando as pessoas. Até pouco tempo havia a micareta, substituindo o carnaval, mas aí já não existiam mais as "pranchas" enfeitadas como no nosso  tempo e o lança perfume foi proibido definitivamente.

A "batucada" de Tertuliano Santos era a mais famosa, porém quando Tertuliano morreu, nenhum de seus descendentes deu continuidade à tradição da "batucada". Havia também um grupo de   "Índios" conhecido como "os filhos de  pena branca" que durou até pouco tempo.

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