Por Carlos Eden Meira
"Dr." Albert Dupont era um "rábula"(advogado
fajuto), cujo falso diploma ficava exposto na parede do seu gabinete ostentando
o vistoso título em letras góticas: DR. ALBERT DUPONT. O título teria sido
outorgado por uma universidade chinesa que desapareceu durante um terremoto,
levando junto, a biblioteca da tal universidade, que jamais foi encontrada
entre os escombros.
Albert Dupont era um "advogado de porta de cadeia"que
defendia os pobres coitados sem condições de pagar um defensor particular,
contando apenas com a defesa de advogados públicos. Mas, também era uma espécie
de "advogado do diabo", ao defender crimes cometidos pelos chamados
"colarinhos brancos", o que lhe valeu a fama de grande profissional.
Tinha uma lábia impressionante, quando, num tribunal, fazia citações de
grandes oradores como o grande Catão da antiga Roma, e outros mais atuais.
Isso deu-lhe também, a fama de grande
erudito, filósofo, conhecedor da História e da literatura clássica. Durante uma
sessão do tribunal do júri, Albert que era francês naturalizado brasileiro,
falava o Português quase sem sotaque. O dito advogado, enquanto defendia
um criminoso "pé de chinelo", usou o termo "garricho"
, causando assim, grande rebuliço entre o juiz, o promotor e outros advogados
ali presentes. - Esse pobre "garricho" - disse Albert,- nunca
poderia ter cometido o crime pelo qual está sendo acusado! E se cometeu, foi
pela necessidade, pela fome! É um pobre miserável, sem eira nem beira, - dizia
Dupont fazendo um gesto dramático em direção aos jurados.
É um pobre "garricho", repetiu ele, causando tumulto
entre a plateia que assistia à sessão. O juiz então pediu silêncio, suspendeu a
sessão por uns instantes, convocando a promotoria e outros advogados ali
presentes, para um pequeno gabinete reservado, alí ao lado da sala do
júri.
Falando em voz baixa, abriram um enorme
dicionário procurando a palavra "garricho". Não acharam! Consultaram
enciclopédias, livros de direito penal, enfim, assuntos ligados à advocacia de
um modo geral, e nada da palavra "garricho".
Ao retornar à sala do júri, o juiz questionou Albert Dupont:
-Afinal, onde é que vossa excelência achou essa palavra
"garricho" ?Ela não consta em nenhum dicionário ou enciclopédia que
consultamos!
Dupont sorrindo olhou para o público presente: - Ora, ora, meus
senhores, como não existe a palavra? - e voltando ao juiz: - A palavra
está lá na biblioteca chinesa onde me formei. Claro que vocês nunca iriam
achá-la em nenhum dicionário. Foi citada pelo grande orador francês,
Maurice Lennard, durante o Tratado de Viena em 1847. E está no único volume do
tratado, que existia na biblioteca chinesa que desapareceu durante um grande
terremoto na cidade onde me formei. Dupont ainda conseguiu convencer a todos de
que a palavra "garricho", vinha do Latim "garrinchum". O
pobre acusado foi absolvido por unanimidade pelo corpo de jurados, Dupont ficou
famoso e rico. Já do tal Tratado de Viena de 1847 e do "grande
orador" Maurice Lennard, ninguém sabe se existiram, ou não. Nem eu.
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