Por Charles Meira
Em Jequié
nasceu um homem – gênio
Um prêmio
para nós, nordestinos
Alguém de admirável tino
Dádiva ao nosso Brasil de mil cores.
Teus dedos brincavam sobre os botões,
Extraiam canções do fundo da tua alma!
Teu acordeom gemia e falava
O que estava no âmago do coração...
De tua inteligência nasce uma joia
Batizada de "Baião da Saudade".
Tocava este "Brincando com os dedos”
Como se fosse uma divindade!
A tua sanfona deixou lágrimas
Pela falta dos teus acordes mil.
Nem mesmo a morte pode apagar
O brilho do teu talento deixado em vinil.
Lembrem, lembrem, povo brasileiro!
Que de tua terra veio este inigualável tom
Lembrem, povo de minha terra,
Que por aqui passou Noca do acordeom!
(Por José Ferreira Batista – poeta Inhambupense)
Alguém de admirável tino
Dádiva ao nosso Brasil de mil cores.
Teus dedos brincavam sobre os botões,
Extraiam canções do fundo da tua alma!
Teu acordeom gemia e falava
O que estava no âmago do coração...
De tua inteligência nasce uma joia
Batizada de "Baião da Saudade".
Tocava este "Brincando com os dedos”
Como se fosse uma divindade!
A tua sanfona deixou lágrimas
Pela falta dos teus acordes mil.
Nem mesmo a morte pode apagar
O brilho do teu talento deixado em vinil.
Lembrem, lembrem, povo brasileiro!
Que de tua terra veio este inigualável tom
Lembrem, povo de minha terra,
Que por aqui passou Noca do acordeom!
(Por José Ferreira Batista – poeta Inhambupense)
Em uma tarde do ano de 2013, quando visualizava as postagens do Fecebook,
uma delas me chamou a atenção. Um vídeo contendo uma composição do artista Noca
do Acordeom e um texto do internauta, questionando a programação musical já
definida pela prefeitura para o São João da cidade de Jequié. No
questionamento, a pessoa protestava contra a escolha de bandas e artistas
contratados para o evento, que não cantavam no estilo musical tradicional das
festas juninas, mostrando como exemplo a composição do artista.
Não foi o questionamento do internauta protestando
contra a programação do evento que me chamou a atenção, e sim o fato de o
artista citado ser filho de Jequié, realidade desconhecida até aquele momento por
mim e vários conterrâneos. Após esta
informação, fiquei desejoso de pesquisar sobre a vida de Noca do Acordeom, com quem tinha laços familiares, pois era
irmão de Astrogildo Souza Matos (Dodoca), casado com minha prima carnal Marli.
Inicialmente pesquisei na internet,
onde encontrei informações importantes da sua vida familiar e musical, entretanto,
resolvi entrevistar também amigos e suas irmãs por parte de pai, Alaíde Rocha
Matos e Elenita Rocha Matos, que moram na cidade de Jitaúna, buscando assim tornar
a pesquisa mais rica e confiável. Minha prima Marli manteve os primeiros
contatos com elas, porém não foi possível concretizá-los pelo fato de estarem
de viagem marcada para visitar suas irmãs no Rio de Janeiro. Ficou acertado que elas iriam conversar com as irmãs residentes
na Cidade Maravilhosa sobre o assunto, e quando retornassem viriam a Jequié falar
comigo. No dia 18/10/13, na casa de Marli, recebi das mãos das irmãs de Noca um
breve relato familiar sobre a vida do músico jequieense.
Adauto Pereira de Matos nasceu em
18/11/1940 no distrito de Itaibó, que pertence ao município de Jequié-BA. Filho
de Patrício Souza Matos e Rita Pereira dos Santos, Noca concluiu apenas o curso
primário. Com oito anos de idade tocava triângulo, acompanhando o seu pai, um
veterano sanfoneiro que tocava um acordeom de 8 baixos, demostrando desde
menino grande interesse pela música. Aos doze anos de idade já sabia tocar
sanfona. Então ganhou do seu pai uma de 80 baixos, que por diversas ocasiões
tocou nos circos que passavam na localidade, oportunidade em que ganhou alguns
trocados e feliz contava para seus familiares. Ainda adolescente Noca foi morar
no povoado de Jampruca, que pertencia ao
município de Governador Valadares - MG, onde
formou um grupo musical com jovens da localidade para tocar suas composições.
Com 19 anos, o jovem jequieense se aventura na estrada rumo a Brasília, período
da construção da Capital Federal, onde se apresentou com sucesso nas primeiras
casas de espetáculo ali instaladas. O
desejo de conquistar o sucesso foi o fator determinante para Noca se mudar para
o Rio de Janeiro. Ali chegando iniciou tocando seu acordeom caipira, se
apresentando no programa “Hora Sertaneja”, apresentado pelo Coronel Narcizinho,
na Rádio Mayrink Veiga, época em que
Noca conseguiu comprar um acordeom de 120 baixos.
Na biografia de Jackson do
pandeiro, consta que Noca começou acompanhando o véio, entretanto ele, que não era nada bobo, logo percebeu o seu
talento extraordinário e o aconselhou: “Um sanfoneiro como você tem que gravar
sozinho”.
Noca iniciou suas gravações na
gravadora Chanteclair, onde gravou a música “Baião da Saudade”, o ponto alto da
sua caminhada musical. No auge da sua carreira, recebeu o título de melhor
solista do Brasil, solenidade realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Nos LPs gravados ao longo da
carreira de Noca do Acordeom, as músicas “Brincando com os Dedos”, “Rita”,
“Relógio”, “Silêncio Profundo”, “Acordes que Choram”, “Coração de Artista”, “Revendo
o Norte”, “Cidade Baixa”, “De Fortaleza a Sobral”, “Tire a Mão Daí”, “Mocinho
Bonito”, que na maioria eram composições de sua autoria, e fizeram grande
sucesso em todo Brasil. Nos anos de 1970
a 1980, Noca chegou a tocar nos vagões de luxo de trens de passageiros no
Ceará. Foi provavelmente nessa época que nasceu a composição “De Fortaleza a
Sobral”.
Na ocasião do casamento de minha
prima Marli com Dodoca, em 26/09/1970, na cidade de Jequié, Noca veio com seu pai, e
num almoço realizado no dia seguinte em Jitaúna, tocou para os familiares. Noca
permaneceu na região por alguns dias e tocou num domingo em Santa Terezinha, na
casa de Edísio Peixoto, levado pelo fazendeiro Aristóteles Farias. Na
terça-feira, Aristóteles foi com Tribuna e Pedro Bronca à casa das irmãs de
Noca na cidade de Jitaúna, pois Tribuna
estava tocando em Palmeirinha, um povoado do município de Aiquara no domingo, e
gostaria de conhecer Noca. Dali foram ao jardim. Noca engraxou os sapatos e ambos foram a um
bar jogar sinuca. Enquanto jogavam, Noca recebeu um convite para tocar em
Apuarema. O Show aconteceu no Mercado
Municipal, e foi aberto pelo sanfoneiro “Tribuna da Bahia”, um fã e amigo de
Noca do Acordeom que nasceu no povoado
de Santa Terezinha no distrito de Itaibó - Jequié-BA, em 30/07/1948, e
considera Noca do Acordeom o melhor solista do Brasil daquela época, e sua
composição predileta é “Coração de Artista”. Convidado pelo artista no dia em que foi
contratado para o evento. Durante a apresentação de Noca, aconteceu um
desentendimento dele com o violonista chamado Soldado Escurinho, pelo fato de
Noca não aprovar a atuação do músico. Se não fosse a intercessão do Sargento
Carlito, que conseguiu acalmar os ânimos, o show não teria terminado bem.
No ano de 1973, Tribuna da Bahia estava
tocando num circo em Barra do Rocha e, como no dia não teve espetáculo, foi
para Ipiaú visitar a Exposição Agropecuária que estava acontecendo naquela
cidade. Chegando num local do evento onde tinha uma rinha de galo, viu no chão um
estojo de acordeom forrado de couro de onça pintada e no bar estava seu amigo
Noca do Acordeom. Logo ele se achegou, abraçou alegremente o amigo Tribuna e ficaram
durante toda a noite conversando, bebendo e apostando nos galos de briga. Neste
mesmo dia, foi contratado por um fazendeiro por uma boa quantia em dinheiro
para tocar na sua fazenda em Barra do Rocha. Noca aceitou o convite e foram de Jipe,
dirigido pelo fazendeiro no asfalto, e na estrada encascalhada por Noca, que
não confiou no motorista. Ali chegando, acompanhado
por Tribuna e Pedro Bronca, a festa foi grande. Comeram e beberam muito e foram
dormir. No final da tarde, quando acordou, Noca tocou bonito até altas horas. No
dia seguinte, voltaram para Ipiaú. Noca trocou de roupa no hotel e foram
novamente para a exposição. Logo Noca
foi reconhecido por uma fazendeira chamada Zezé, acompanhada de suas filhas, que convidou o artista para sentar-se
à mesa da barraca. A pedido dela, Noca tocou bonito para os presentes, levando
a fazendeira chorar de emoção. Na manhã seguinte Tribuna retornou à Barra do
Rocha, e a pedido da dona do circo tentou contratar Noca, porém não foi
possível, pois a fazendeira tinha-o levado para tocar na sua fazenda. Em 1976,
Tribuna foi morar no Rio de Janeiro e se encontrou com Noca numa casa de eventos
chamada Xaxadão nº 1, na Ilha do Governador, local onde tocou por algum tempo,
entretanto, nesta esta noite o seu amigo Noca não tocou. Este foi o último
contato de Tribuna com Noca do Acordeom. Em outra visita a Tribuna para confirmar dados
da vida de Noca, o artista lembrou-se de um depoimento feito pelo sanfoneiro
Dominguinhos, quando da realização do São João de Jequié, no primeiro mandato
da administração do prefeito Luiz Amaral, evento realizado no Parque de Exposições
Luiz Braga, onde elogiou o excelente acordeonista Jequieense. Contou que havia
feito uma composição para Noca do Acordeom, porém não sabia o motivo de ele não
ter gravado, e em seguida cantou a música. O músico Bené Sena, que na época era
diretor de uma secretaria da prefeitura e ajudou na coordenação do evento,
acreditou no depoimento de Tribuna e acrescentou que em outro show também
realizado em Jequié, Dominguinhos enalteceu as qualidades musicais do gênio do
acordeom.
Na época, com apenas 16 anos de
idade, estava no casamento de minha prima Marli, entretanto não me lembro de
nada relacionado à Noca do Acordeom no dia da festa. Acredito que muitos que conheceram
o artista e não tiveram a oportunidade de entrevista-lo, gostariam de também
falar do nosso conterrâneo. O importante é que mesmo tardiamente a homenagem
está sendo feita.
Noca do Acordeom morreu no auge da
sua carreira, em consequência de um enfarto na casa dos seus familiares, em
28/07/1985, na cidade de Nova Iguaçu-RJ.
* Texto editado na Revista Cotoxó de novembro de 2013.
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Já procurei demais por vídeos dele e não encontro nada , você tem alguma apresentação dele em vídeo ?
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