sexta-feira, 2 de outubro de 2026
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Prefeito de Jequié entrega revitalização da Lagoa do Derba, obra aguardada há décadas pelos jequieenses
A noite de quarta-feira, 30, foi marcada por grande expectativa e muita alegria entre os moradores do entorno da Lagoa do Derba, no Jequiezinho. Em solenidade organizada pela Prefeitura de Jequié, através da Secretaria de Infraestrutura, o prefeito Flávio Santana, o Flavinho, realizou a entrega oficial do espaço, agora denominado Parque Municipal Walter Santos Sampaio, em homenagem ao ex-prefeito, que possui um importante histórico de serviços prestados ao município. Estiveram presentes a primeira-dama e secretária de Saúde, Mariana Oliva; o secretário de Infraestrutura, Lucindo Menezes; o secretário de Serviços Públicos, Neildo Freitas; demais secretários municipais; o presidente da Câmara Municipal, vereador Gilvan Santana, o Soldado Gilvan; o líder do Governo na Câmara, Ladislau Bulhões, o Bui; o vereador Emanuel Campos Silva, o Tinho de Waldeck; e demais representantes do Legislativo.
O local recebeu importantes intervenções de infraestrutura, incluindo pavimentação em concreto usinado nas vias do entorno. O projeto também dotou o espaço de um píer com mais de mais de 904 metros quadrados de área construída, avançando até o meio da lagoa. Foram construídos dois quiosques, duas quadras de areia, parque infantil, academia ao ar livre, pista de cooper, ciclofaixa, paisagismo, iluminação em LED e acessibilidade. Todas as árvores existentes foram preservadas, enquanto outras, de espécies nativas, foram plantadas no local, ampliando a área verde e contribuindo para a valorização ambiental do parque.
Durante a solenidade, o prefeito Flávio Santana entregou uma placa de menção honrosa aos familiares do ex-prefeito Walter Sampaio, como forma de reconhecimento à sua trajetória e contribuição para Jequié. Também foram entregues as permissões de uso aos permissionários dos quiosques, que passam a contar com um espaço adequado para desenvolver suas atividades, comercializar seus produtos e gerar renda, movimentando a economia local e contribuindo para a ocupação do novo equipamento público.
“Estamos começando uma semana muito especial de entregas, mostrando que Jequié vive um novo momento e que o trabalho não para. Hoje, entregamos à população o novo Centro Educacional Simões Filho e agora este espaço que por muitos anos foi aguardado e sonhado pelos jequieenses. A Lagoa do Derba agora ganha vida nova, com estrutura, lazer, acessibilidade e mais qualidade de vida para as famílias. É uma obra que transforma não apenas um lugar, mas a relação das pessoas com a nossa cidade. E esse é o nosso compromisso: trabalhar todos os dias para fazer de Jequié uma cidade cada vez melhor para todos.”, destacou o prefeito Flaviho
Quedas são uma das principais ameaças à autonomia na terceira idade

No Dia Nacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, especialistas alertam para a importância de fortalecer ossos e músculos e tornar os ambientes mais seguros
Salvador, 01 de outubro de 2026 – O envelhecimento da população traz também a necessidade de ampliar os cuidados com a saúde ortopédica. No Dia Nacional do Idoso, celebrado em 1º de outubro, o Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), unidade administrada pelo Einstein Hospital Israelita, reforça a importância da prevenção de quedas, fraturas e doenças musculoesqueléticas que podem comprometer a mobilidade e a autonomia na terceira idade.
O HOEB realiza, em média, mais de 2 mil consultas ambulatoriais por mês em pacientes com mais de 60 anos. Na área de reabilitação, cerca de 1.300 pacientes passam mensalmente por sessões de fisioterapia com o objetivo de recuperar a funcionalidade e a independência para as atividades do dia a dia. De acordo com a condição clínica e as necessidades de cada paciente, o processo de reabilitação pode se estender por 4 a 6 meses, podendo chegar a até um ano de fisioterapia.
O avanço da idade está associado à perda progressiva de massa óssea e muscular, além do desgaste das articulações. Entre as consequências mais graves das quedas estão as fraturas. Fêmur, bacia, coluna lombar, punho e ombro estão entre as regiões mais frequentemente atingidas.
As fraturas de fêmur merecem atenção especial, principalmente porque podem comprometer significativamente a mobilidade e a independência do idoso. Em muitos casos, o tratamento é cirúrgico e requer um período de reabilitação para a recuperação dos movimentos e da funcionalidade.
Aos 98 anos, uma moradora de Esplanada, no interior da Bahia, teve a rotina temporariamente interrompida após sofrer uma queda enquanto varria a própria casa, e fraturar o fêmur. Viúva e aposentada, ela vive com uma sobrinha e uma irmã, de 99 anos, e mantinha uma vida ativa, independente e sem limitações. O acidente levou a paciente ao Hospital Ortopédico, onde passou por cirurgia, realizada com sucesso. Agora, inicia o período de reabilitação com a expectativa de retomar gradualmente a rotina que mantinha antes do acidente.
“Nossa expectativa é que, depois da reabilitação, ela possa retomar sua rotina. São duas idosas em casa e a gente quer muito que as duas continuem com a vida da melhor forma possível”, conta a sobrinha Marilene.
O Hospital Ortopédico recebe mensalmente cerca de 290 pacientes idosos para tratamento cirúrgico, com procedimentos realizados diariamente. Para o ortopedista Matheus Risério, referência técnica de traumas da unidade, a prevenção e a identificação precoce dos fatores de risco são fundamentais para reduzir o impacto das quedas na população idosa.
“A fragilidade óssea e a perda de massa e força muscular podem aumentar o risco e a gravidade das consequências de uma queda. Além disso, outros fatores precisam ser considerados, como alterações na visão, problemas de equilíbrio e doenças degenerativas. Por isso, o acompanhamento regular da saúde, a prática de atividade física e a adoção de medidas de segurança são importantes para preservar a mobilidade e a autonomia do idoso”, explica Matheus.
O compromisso com um atendimento cada vez mais adequado às necessidades da população idosa foi reconhecido internacionalmente este ano. Em junho, o Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB) recebeu a certificação Committed to Care Excellence, concedida pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), organização de referência mundial em qualidade e segurança em saúde. O reconhecimento integra um programa internacional voltado à excelência no cuidado à pessoa idosa e, no Brasil, apenas três instituições de saúde possuem a certificação. A avaliação considera quatro pilares: o que mais importa para a pessoa idosa, uso seguro de medicamentos, mobilidade e saúde mental.
Cuidados dentro e fora de casa
Boa parte das quedas entre idosos acontece dentro da própria residência. Tapetes soltos, pisos escorregadios, objetos deixados no caminho, móveis mal posicionados e ambientes com pouca iluminação podem aumentar o risco de acidentes. Medidas simples, como retirar obstáculos, instalar barras de apoio em áreas estratégicas, especialmente no banheiro, e manter os ambientes bem iluminados, ajudam a tornar a casa mais segura.
Fora de casa, também é importante estar atento às condições das calçadas e vias de circulação. Desníveis, buracos, pisos irregulares e dificuldades para acessar degraus de transportes públicos podem favorecer quedas. O uso de calçados firmes e adequados, aliado à atenção durante os deslocamentos, contribui para reduzir os riscos.
A prevenção também passa pela atividade física e pela alimentação adequada. No acompanhamento dos pacientes idosos, especialmente no ambulatório, os profissionais do Hospital Ortopédico orientam sobre a importância desses cuidados para a manutenção da saúde e da funcionalidade. Exercícios orientados podem contribuir para a preservação da força muscular, do equilíbrio e da mobilidade. Já uma alimentação equilibrada, com orientação de um profissional de saúde, ajuda a garantir a ingestão adequada de proteínas, cálcio, vitamina D e outros nutrientes importantes para a saúde óssea e muscular. Essas recomendações, associadas ao acompanhamento regular da saúde, fazem parte de uma abordagem voltada à manutenção da funcionalidade, da independência e da qualidade de vida ao longo do envelhecimento. ( Ari Moura)
Estiagem preocupa produtores rurais na região de Jequié.

Em vários municipios da região de Jequié a estiagem já é notada. (Foto Agência AM).
A chegada da Primavera o final do mês de setembro de 2026, mostra que vários dias e até meses em que não teve chuvas na região de Jequié já estão sendo motivos de preocupação para os pequenos e médios produtores rurais. Há 20 dias atras o jornalista Ari Moura da Agência AM de Noticias Ltda buscava informações de produtores rurais sobre a situação da falta de chuvas. A informação que obtinha era que na região da caatinga a situação já estava preocupando mas que na região da mata ainda estava normal.
Como tem feito todos os finais de meses a reportagem procura informações junto Axia Energia Nordeste sobre a situação na Usina de Pedra no municipio de Jequié. Afluência, defluência, volume útil nestes últimos 30 dias. Neste mês de setembro a redação deste blog recebeu informações de moradores e pequenos produtores que ficam localizados na Região de Lavandeira, Pombas no municipio de Manoel Vitorino que ás águas da Barragem de Pedras tinha baixado aproximadamente 10 metros o que é bastante preocupante (Foto). (Ari Moura)

Moradores e produtores rruais preocupados com a estiagem na Bacia do Rio das Contas. (Foto Produção).
A situação neste 1º de Outubro de 2026 no Boletim Informativo da Axia Energia Nordeste, é o seguinte:
Cota 24 horas (m) Afluência (m³/s) defluência (m³/s) Volume Útil
222.38 0,00 11.43 59.71%
terça-feira, 29 de setembro de 2026
domingo, 27 de setembro de 2026
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Santa Casa de Jequié cria serviço especializado para atender pacientes com fibromialgia

A Santa Casa de Jequié ampliou, nesta quarta-feira (23), a assistência oferecida à população com o lançamento do Serviço de Atendimento a Pacientes com Fibromialgia. Inicialmente, cerca de 50 pessoas serão acompanhadas pelo novo serviço.
A fibromialgia é uma doença crônica que provoca, principalmente, dor generalizada pelo corpo, além de sintomas como cansaço, alterações no sono e dificuldade de concentração. Os efeitos podem comprometer atividades do dia a dia e a qualidade de vida dos pacientes.
Com a criação do serviço, a Santa Casa passa a oferecer um atendimento direcionado às pessoas que convivem com a condição, buscando identificar as necessidades de cada paciente e proporcionar um acompanhamento mais adequado.
A iniciativa também representa um reforço na assistência especializada em Jequié, especialmente para pacientes que necessitam de acompanhamento contínuo para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Nesta primeira fase, aproximadamente 50 pacientes serão atendidos. A expectativa é que, com o funcionamento do serviço, a assistência possa ser ampliada de acordo com a demanda e a estrutura disponível.(Marcos Cangussu)
"Meu filho, teu filho", o livro de Charles Meira não editado.
Meu filho, teu filho.
Charles Meira
Apresentação
Emocionante o texto de Charles Meira sobre o relacionamento entre Pedro e Lúcia. Uma paixão digna de um romance ou uma novela. Não sei se é baseado em um caso real, ou não. No entanto, não deixa de emocionar o leitor. Charles é um escritor historiador, sempre voltado para assuntos que envolvem biografias e entrevistas sobre as lutas entre coronéis e jagunços de Jequié, no passado, ou ainda sobre músicos e atletas do nosso futebol. Dessa vez Charles relata uma história de amor com um final surpreendente. Carlos Eden Meira
A garota
Na década de
70, Pedro conheceu, na cidade de Jequié, uma garota por nome Lúcia. Era muito
atraente, principalmente por causa do seu belo corpo. Na época, Pedro era muito
namorador e não demorou em aproximar-se da bela mulata. Eles estudavam no
Instituto de Educação Régis Pacheco, na mesma sala, fato que contribuiu para,
em pouco tempo, ele conquistar a colega, mesmo com a rivalidade de outros
rapazes. Além de namorar no colégio, saíam para festas nos clubes e barzinhos,
sempre acompanhados das amigas de Lúcia e a sua turma, formada por Moisés, seu
irmão, Paulo e Roque, primos, Antônio, Alfredo e Cosme, amigos de infância.
Uma noite fazendo amor
Com o passar
do tempo, Lúcia demonstrava, pelas suas atitudes, que estava gostando de Pedro,
mas ele não correspondia aos seus sentimentos, pois não conseguia ter somente
uma namorada. Pela insistência dela, de vez em quando iam curtir a noite de
Jequié. Em uma dessas noites, depois de uma festa no clube, foi levá-la à sua
casa, que ficava na Avenida Santa Luzia, no bairro do Joaquim Romão. Como era
madrugada e não tinha ninguém na sua residência, resolveu ficar para dormir.
Passaram o restante da noite fazendo amor. Acordaram com um barulho: a perna da
cama tinha-se quebrado! Daí por diante foi que ela grudou no seu pé. Mas, ele
considerava seu relacionamento com Lúcia uma aventura como outras tantas.
Passou a receber presentes, que eram enviados por ela para a empresa em que
trabalhava. No dia do seu aniversário um bolo, de outra vez um cachorrinho, que
morreu na casa de sua tia Lindaura depois de 15 dias. Cada presente que chegava
era motivo de gozação dos colegas. Como gostava muito dele, queria engravidar,
mas, devido a problemas uterinos, não conseguia realizar o seu sonho.
Mudança de Lúcia e Pedro para Salvador
No ano de 1974, Lucia, foi morar em Salvador. Em 1975, Pedro também se mudou com sua família para a capital. Quando Pedro chegou a Salvador, Lúcia já tinha encontrado seu irmão Moisés, seu primo Roque e os amigos Cosme e Alfredo. O relacionamento entre eles continuava o mesmo vivido em Jequié. As praias e as festas de largo eram os lugares mais frequentados pela turma. A relação de Pedro com eles não era mais a mesma, pois os seus pensamentos e atividades mudaram. Estava namorando e gostando de Marina, procurava emprego e pretendia estudar novamente. Assim aconteceu. Logo estava trabalhando, estudando e pensando em casamento. Durante esse período, teve alguns contatos com Lúcia, mas, em companhia dos seus amigos. Lúcia estava residindo em um pensionato na Rua do Gravatá. Sempre passava naquele local quando ia fazer teste para trabalhar.
O pencionato na Rua do Gravatá
Numa tarde, quando retornava da parte baixa de Salvador, encontrou
Lúcia à porta do pensionato. Entraram para conversar, pois já fazia algum tempo
que não via sua amiga. Lúcia continuava com esperanças de reatar o namoro.
Neste dia conversaram bastante. Aproveitou a ocasião e falou com Lúcia que
gostava de Marina e pretendia ficar noivo em pouco tempo, inclusive mostrou as
alianças que tinha comprado. Ficaram por muitos tempos sozinhos e acabaram
tendo uma relação amorosa. Depois do ocorrido, ela ficou parada no canto da
cama, como se estivesse escondendo algo, talvez a lembrança do relacionamento
entre eles, que naquele momento estava terminando. A partir daquele dia, suas
vidas se separaram. Lúcia, logo mudou de endereço e Pedro perdeu contato com
ela.
O casamento
Em abril de
1976, casou-se com Marina e continuou morando em Salvador, na casa de sua mãe.
Passados alguns meses, Moisés e Roque estiveram com Lúcia na Rua do Gravatá,
porém em outra casa. Estava morando com uma amiga e havia-se engravidado. Novamente
Lúcia desapareceu e nem seus amigos davam notícias. Como o envolvimento que
teve com Lúcia era considerado para ele uma aventura, não se lembrava mais
dela, passou a dedicar-se à sua esposa, ao trabalho e estudar.
O nascimento do primeiro filho
Passados uns quatro anos, Pedro continuava morando em Salvador com sua mãe, e tinha um filho que nascera em 1977, um belo menino de cor branca, cabelos vermelhos, parecido com seus tios e os parentes de Catingal, distrito da cidade de Manoel Vitorino. Estava terminando o curso e havia mudado de setor no emprego, trabalhava agora na Praça da Sé, fazendo o estágio exigido pela escola. Certo dia, quando fazia um projeto na sala em que trabalhava, foi avisado por um colega que alguém queria falar com ele. Ficou um pouco apreensivo, julgando que seu filho tivesse adoecido ou outra notícia ruim. Nessa hora, só pensava em algo desagradável. Dirigiu-se rapidamente à sala de espera.
A visita inesperada
Para sua surpresa, a visita era uma pessoa que há muito tempo tinha deixado o convívio com eles. Sentada no sofá, quando Lúcia o viu, levantou-se e friamente cumprimentaram-se. Inicialmente, comentaram sobre o longo tempo sem contato. Depois, sobre assuntos relacionados com saúde, moradia, família e seus amigos. Como não podiam conversar muito, porque ele estava no horário de trabalho, Lúcia falou que era melhor acertar um encontro em outro local, a fim de que tivessem mais tempo para dialogar. Marcaram-no o final da tarde, na saída principal do edifício onde ele trabalhava. No local e horário combinado, encontraram-se e saíram conversando. Na ladeira da praça, próximo a um centro comercial, perguntou a Lúcia o que queria falar que necessitava de tanto tempo. Ela sorriu, mas não respondeu. Sentou-se na murada de proteção das lojas, e ela começou a contar o que desejava. Fez primeiro um relato do que tinha acontecido durante o período em que passou desaparecida.
Lúcia fala da gravidez
Disse ter sido muito difícil os meses de gravidez,
pois não estava trabalhando. Para suprir suas necessidades, teve que morar com
uma amiga, e depois que o filho nasceu, sujeitou-se a fazer tudo para dar-lhe o
sustento. Num clima ainda de suspense, Pedro esperava ansioso o desenrolar do
que Lúcia tinha mais a falar. Prosseguiu o relato, passando a recordar o último
encontro deles naquele pensionato na Rua do Gravatá. Contou-lhe ter-se
engravidado no período em que tiveram aquela relação amorosa. E, quanto a
Marivaldo, não era ele o pai, tinha falado aquilo apenas por brincadeira. E, em
seguida, declarou que de acordo com suas contas o pai do menino com certeza era
ele, Pedro. Antes de terminar, contou que o nome do filho deles era Roberto, e
tinha sido registrado como de pai ignorado. Naquele momento, Pedro ficou um
pouco tenso, mas ao mesmo tempo pensava em tudo que tinha ouvido. Depois
perguntou a Lúcia por que havia demorado tanto tempo para tomar aquela decisão.
Respondeu-lhe que, devido aos problemas que aconteceram durante esse período,
ficou com vergonha de comunicar-se com todos seus amigos, principalmente ele,
de quem escondia esse segredo. Num clima ainda tenso, terminaram a conversa,
pois ele teria de ir à escola. Despediu-se em poucas palavras. Lúcia pegou o
ônibus para Brotas e Pedro foi andando para o Tororó, com a mente cheia de
dúvidas.
O coral da Coelba
Na empresa em que Pedro trabalhava, tinha um coral formado por alguns de seus empregados, do qual também ele fazia parte, porque gostava de cantar dede os seis anos de idade. Certa ocasião, o coral foi convidado para fazer uma apresentação no Teatro Castro Alves, deixando todos muito alegres, pela possibilidade de cantar naquele importante local, considerado o melhor de Salvador. Como o evento era organizado pela Secretaria de Cultura e Lazer do Estado, foram distribuídos convites entre os participantes dos corais. Os seus, ele deu para alguns colegas de trabalho, familiares, e o último guardou para dar a Lúcia. Na semana da apresentação, encontrou-se com ela e deu-lhe o convite. Prometeu-lhe que iria ao evento.
Apresentação do coral no Teatro Castro Alves
No dia da apresentação do coral, foi ao teatro acompanhado de
sua esposa, seu filho e sua mãe. O público que compareceu foi basicamente
composto de colegas de trabalho, familiares e alguns amantes daquela arte.
Mesmo sendo um encontro de corais amadores, que pela primeira vez cantavam no
Teatro Castro Alves, tiveram um desempenho razoável que agradou ao público
presente. Como ele estava envolvido numa apresentação do coral, não teve nenhum
contato com as pessoas da plateia. Quando foram liberados pela maestrina,
somente sua família estava esperando-o.
Em casa,
quando comentava sobre a apresentação dos corais, Marina, sua esposa, falou ter
visto Lúcia no teatro e estava acompanhada de um menino que corria de um lado
para o outro brincando com José e que foi necessário segurá-lo, pois estava
dando muito trabalho. Em outro momento do comentário, Marina perguntou-lhe como
poderia Lúcia ter ficado sabendo do evento. Respondeu que o motivo teria sido
por causa da boa divulgação feita pelos organizadores. Acreditou não ter dado
uma resposta convincente para sua esposa, mas foi a que veio à sua mente de
imediato. Para evitar mais perguntas, chamou Marina para dormir, insinuando
cansaço e sono devido a uma noite bastante agitada.
Conclusão do curso de Eletrotécnica
No ano de 1981, quando concluiu o curso, Pedro foi transferido para Jequié. Com o passar do tempo, o seu entrosamento com os colegas foi aumentando, principalmente com Adélio, que se tornou seu parceiro de música. Como seu amigo era cristão, participaram de alguns festivais evangélicos. Na mesma época, passou a frequentar a igreja batista, convidado pelo pastor Juvêncio e Evanildes, que era irmã de sua esposa. Em 1985, aceitou Jesus Cristo como seu Salvador e uma grande mudança aconteceu na sua vida. Motivado por esses acontecimentos, meses depois passou a sentir a necessidade e vontade de contar à sua esposa um segredo de algo que aconteceu antes do seu casamento. Um dia passaram na casa de Evanildes, como era de costume. Ali chegando, encontraram a família dela reunida. Logo veio ao seu pensamento a lembrança da revelação que ele tinha para fazer e não teria momento melhor. Falou para os familiares dela que tinha uma história para contar e queria atenção de todos.
Segredo revelado
Iniciou contando sobre o
namoro que teve com Lúcia na época do colégio, e todo o desenrolar dos
acontecimentos em Jequié e Salvador, os momentos no pensionato no Gravatá, até
o dia em que Lúcia falou que Roberto era seu filho. Marina não deixou ninguém
falar, começou a chorar e ao mesmo tempo condenava Pedro, achando que a relação
que ele teve com Lúcia havia acontecido depois do casamento deles. O pastor
Juvêncio e as irmãs de Marina deram suas opiniões, orientando sua esposa para
agir com calma e analisar o que ele tinha dito, para não tomar atitudes
precipitadas. Depois de várias horas reunidas, os ânimos de Marina foram
diminuindo devido aos muitos apelos feitos pelos seus familiares. Por algum tempo,
teve que ouvir de Marina a mesma conversa acusando-o daquele ato praticado no
passado. Feliz ideia que teve de fazer aquela declaração na casa do pastor.
Mesmo com a desconfiança de Marina das declarações feitas por Pedro, referente
à data em que teve uma relação com Lúcia, nada mudou no ambiente familiar.
Apenas evitava contactar com Lúcia e Roberto.
O curso fornecido pela Coelba em Salvador
Numa segunda-feira, enquanto trabalhava, foi informado pelo seu chefe imediato que teria que ir a Salvador para tomar um curso de aperfeiçoamento na área comercial. O hotel escolhido foi o Palace, situado na Rua Chile. Na mesma noite que chegou a Salvador, telefonou para Lúcia, mas ela não estava. Pela manhã, conseguiu falar com ela e saber notícias de seu filho. A única novidade era que queria conhecê-lo. Achou mais que justo e então marcaram o encontro para sábado no Shopping Iguatemi, local onde ela trabalhava. Durante a semana, ficou pensando como deveria agir no momento em que estivesse frente a frente com seu filho. No dia combinado, foi grande a sua expectativa. Às 9 horas, pegou o coletivo na Praça da Sé que ia para a rodoviária. Saltou no ponto em frente ao Iguatemi e andou até o local sugerido por Lúcia, que ficava próximo a uma agência do Bradesco. Esperou em pé, encostado numa pilastra junto do banco.
O encontro com o filho
Não
demorou muito, avistou Lúcia, toda de vermelho e os sapatos de saltos bem
altos. Ao seu lado um adolescente mais alto que ela, cabelos compridos, magro e
com um sorriso bonito nos lábios. Cumprimentou Lúcia e depois apertou a mão de
Roberto, que falou com ele deixando transparecer o nervosismo que estava
sentindo. Da sua boca saiu algumas palavras que com certeza há muito tempo
tinha desejado falar. Perguntou-lhe se estava bem, chamando-o de pai.
Conversaram ali o suficiente para uma apresentação e foram à parte internas do
shopping onde passaram todo o dia conhecendo-se melhor. Em cada gesto, um
sorriso, um olhar, percebia a alegria de Roberto. Procurou agir de maneira que
ele pudesse ficar bastante à vontade, mesmo sendo para Pedro uma experiência
nova e difícil de ser enfrentada. No final da tarde, ao despedir-se de seu
filho, percebeu o quanto aquele encontro tinha sido importante.
A reação dos filhos de Pedro
Desde o
início, o relacionamento de Pedro com Roberto era muito formal. O sentimento
que ele nutria foi sempre de amizade, nunca do amor que um pai sente pelo
filho. Outra dificuldade encontrada foi à reação dos seus filhos José, João e
Sara, quando souberam que tinham outro irmão. José, o mais velho, foi radical.
Fez ameaças, prometendo fugir se Roberto entrasse em sua casa. João, o mais
novo dos homens, levava na esportiva, mas não era simpático à ideia de ter uma
amizade maior com seu outro irmão. Sara foi quem aceitou Roberto como seu
irmão. Falava que gostava dele porque não brigava com ela. Pedro e sua esposa
sempre procuravam mostrar aos seus filhos que Roberto não tinha nenhuma culpa
no que aconteceu, sendo assim, deveriam aceitar a realidade do fato.
Registro de Roberto
Algumas vezes,
Pedro foi questionado por que nunca tinha sido pressionado por Lúcia para
assumir a paternidade ou oferecer qualquer tipo de ajuda financeira a Roberto.
Respondia que devia ser para não ferir o sentimento das pessoas que realmente
assumiram na época todas as necessidades suas e do seu filho. Mas, aproveitando
que o relacionamento afetivo entre a família de Pedro e Roberto estava cada vez
melhor, Lúcia, começou a falar sobre o registro do nosso filho. Contou-lhe que
ele ultimamente tinha estado muito revoltado porque no seu registro de
nascimento constava que o seu pai era ignorado e que por causa disso tinha
passado alguns constrangimentos quando precisava utilizar o referido documento.
Pedro, depois de ouvir o relato dela, ficou bastante comovido. Depois de
refletir no que escutara, falou para Lúcia que era justa a revolta de Roberto,
mas mesmo assim não iria registrá-lo porque sua esposa não aceitava e temia que
este ato causasse conflitos no seu lar. Terminou a conversa sugerindo a Lúcia
que desse um pouco mais de tempo.
A visita de Roberto
Como Pedro
esperava, o tempo foi determinante nas decisões tomadas pela sua família. Aos
poucos, seus filhos José e João foram aceitando a possibilidade de terem outro
irmão. Confirmando as suas previsões, eles comungaram com a ideia de Roberto
poder visitá-los no período de férias do colégio. Tudo aconteceu com a
aprovação de sua esposa, que demonstrava ter concordado com a atitude por eles
tomada. No dia da visita de Roberto, a mais alegre era Sara. João brincava com
José, dizendo que Robertinho logo chegaria para jogar bola com ele na garagem.
José, muito sério, não gostou das gaiatices de seu irmão. Quando Lúcia e
Roberto chegaram, foram recebidos por Pedro e discretamente cumprimentados pela
família. Depois das apresentações, conversaram um pouco sentados no sofá da
sala. Sara ficou quieta, olhando desconfiada para Roberto, que por sua vez
contemplava com sorrisos a beleza de sua irmã. O silêncio foi quebrado quando
os vizinhos Dida e Marlon chamaram os meninos para jogar vôlei. Logo ficaram
sabendo da presença de Roberto, que foi também convidado. Ainda muito
envergonhado, aceitou participar das brincadeiras. Enquanto Pedro mostrava a
casa a Lúcia, sua esposa foi para a cozinha fazer uma merenda. Sara, que tinha
ido ajudar sua mãe, foi quem anunciou que o lanche estava pronto. Com muitos
elogios ao pão de forno feito por sua esposa, retornaram para a sala onde
dialogaram por mais alguns minutos. Pouco antes de se despedir, Roberto
pediu-lhe permissão para seus irmãos passarem as férias de junho com ele em
Salvador. Respondeu-lhe que somente dependia de eles aceitarem. Num clima diferente
do ocorrido na chegada, eles despediram-se de José, João, Sara e sua esposa. Em
seguida foi levá-los no seu carro à casa do pai de Lúcia. Quando manobrava o
carro para retornar, contemplou a alegria deles estampada nos seus rostos,
manifestando os momentos de felicidade vividos naquele dia.
A possibilidade de registrar Roberto
Em virtude do
fortalecimento das relações entre a família de Pedro e Roberto, foram quebradas
as barreiras existentes que impediam o registro do seu filho. Consequentemente
passou a pensar com mais frequência nesta real possibilidade. Uma campanha
realizada pelo governo com o mesmo intuito foi outro fato que contribuiu para
aumentar a sua motivação de concretizar aquele ato de reconhecimento e amor.
O telefonema
Mas, através de um telefonema que deu para Lúcia pedindo informações sobre o pagamento das contas de água e luz do seu apartamento, que gentilmente algumas vezes ela efetuava, teve uma notícia surpreendente. Contou-lhe que seu companheiro, com quem há pouco tempo estava namorando, tinha tomado a decisão de registrar Roberto como seu filho. Ficou por alguns segundos somente pensando o que iria falar. Ainda confuso, perguntou como Roberto havia reagido. Falou que estava muito alegre e satisfeito, pois era um sonho que há muito tempo desejava realizar. Falou com Lúcia que esperava ter sido uma atitude tomada por amor. Ela não deu resposta. Terminaram o diálogo, tratando sobre o assunto do apartamento.
Depois de acertar a venda do seu apartamento pelo telefone, teve de ir a Salvador para assinar a escritura. Ali chegando, ligou para Lúcia, cobrando o documento do I.P.T.U que tinha deixado para ela pagar. Acertou para encontrá-la no shopping Piedade, na parte da tarde, depois que assinasse a escritura num cartório em frente ao relógio São Pedro.
O encontro com Lúcia
Às 16h, chegou ao local combinado. No início da conversa, Pedro falou com Lúcia que sua aparência estava bastante mudada. Sorriu e disse ter sido o corte diferente do seu cabelo. Procurou saber como estava Roberto e o seu companheiro. Enquanto dava notícias de Roberto, pegaram na sua bolsa alguns retratos para que ele conhecesse o seu companheiro. Olhou todas as fotos e achou ele muito parecido com Roberto, mas não comentou nada com Lúcia. Colocou o álbum no balcão e ficou aguardando ela atender um telefonema. Depois que ela guardou as fotografias, saíram procurando um local para sentar, pois ela queria falar com ele. Como não encontraram, ficaram conversando em pé junto de uma lanchonete. Aproveitou e pediu dois cafezinhos. No momento em que a moça da lanchonete colocava as xícaras no balcão, Lúcia começou a falar.
A notícia surpreedente
Contou que tudo se tinha iniciado no pensionato na Rua do Gravatá. Na mesma época do relacionamento amoroso deles, ela havia conhecido o seu atual companheiro, com quem teve um longo caso de amor, e que perdera contato com ele depois que viajou para São Paulo. Com pouco tempo, percebeu que estava grávida e também em dúvida de quem era a criança. Assim mesmo, quando o menino tinha quase quatro anos, resolveu dizer que o filho era seu, preferindo acreditar no instinto de mãe. No seu relato, declarou ter ficado sabendo de amigos que o seu atual companheiro esteve em Salvador noutra ocasião à sua procura, mas não conseguiu encontrá-la. Depois de terminar de tomar o cafezinho, continuou a conversa contando que há dois meses, quando estava no seu trabalho atendendo um cliente, alguém pronunciou o seu nome de uma forma diferente, levantou a cabeça e quando viu quem era ficou parada por alguns segundos não acreditando que era verdade. Conta Lúcia que o silêncio foi quebrado por Felipe, aquele com quem teve um caso de amor no pensionato na Rua do Gravatá, que depois de cumprimentá-la disse ter encontrado muita dificuldade para encontrá-la, mas que dessa vez estava preparado para enfrentar todas as barreiras.
Felipe diz que é o pai de Roberto
Disse ter vindo à Bahia com duas finalidades: uma era encontrá-la e a outra era conhecer o seu filho, pois teria de provar para amigos paulistas ter feito um menino em Salvador. Logicamente, ela teve de contar para Felipe toda a história relatada até aqui. Felipe ouviu atentamente e depois disse a Lúcia que o filho era dele e queria conhecê-lo imediatamente. Ela prometeu que iria conversar com Roberto quando chegasse a casa. Naquele dia voltou para sua residência muito nervosa e aflita, pensando como iria contar para Roberto. Tentou esconder dele o máximo que pôde, mas foi pressionada, colocada na parede devido a seu comportamento ter despertado a curiosidade de Roberto. Foi vencida pela insistência dele e acabou contando. Roberto confessou para sua mãe ter percebido desde o início que Pedro não era seu pai por causa das suas diferenças físicas e a falta de amor no relacionamento deles. No outro dia, quando Lúcia chegou ao trabalho, encontrou Felipe que estava esperando-a. Falou com ele que tinha marcado o encontro para o final da tarde. Na continuação do relato, Lúcia disse a Pedro que foi um momento marcado de muita emoção, e os dois se abraçaram e comentaram o quanto eram parecidos. Depois que concluiu aquela história de definição, declarou que estava novamente apaixonada. Quando ela terminou de falar, Pedro levantou, pagou a despesa e foram até o local do trabalho dela. Despediu-se de Lúcia e foi procurar uma loja de material esportivo para comprar uma camisa do time que era torcedor o Vitória.