terça-feira, 15 de setembro de 2026

Judson Pereira de Almeida A Rádio Bahiana de Jequié Memória dos 50 anos da ZYH 472

 

Judson Pereira de Almeida


A Rádio Bahiana de Jequié

mória dos 50 anos da ZYH 472

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Índice

Introdução 9

Pressupostos teóricos metodológicos . . . . . . . . . . . . . 10

Surgimento do Rádio no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . 13

1 Implantação da Rádio Bahiana de Jequié 17

1.1 Evolução tecnológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

1.2 O radioteatro, os programas de auditório . . . . . . . . 31

1.3 Influência na vida social . . . . . . . . . . . . . . . . 36

1.3.1 Integração da cidade com a zona rural: A Hora

do Fazendeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

1.3.2 A crônica social: o Bom Dia de Luiz Cotrim . 40

2 O radiojornalismo 43

2.1 Opinião: os editoriais de Fernando Barreto e Adauto

Cidreira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

2.2 Os anos de chumbo: período pós-golpe de 1964 . . . . 51

2.3 Transmissões externas . . . . . . . . . . . . . . . . . 53

2.4 Músicas e Informações: um programa de Geraldo Teixeira 57

2.5 O esporte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

2.6 Fatos pitorescos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

2.7 Os programas religiosos . . . . . . . . . . . . . . . . 67

2.7.1 A Hora do Angelus . . . . . . . . . . . . . . . 70

3 O fim da Rádio Bahiana de Jequié 72

Considerações finais 82

Referências bibliográficas 83

Entrevistas 85

Transcrições 87

Anexos 88

Trabalho de conclusão do bacharelado em Comunicação

Social com habilitação em Jornalismo da Universidade Estadual

do Sudoeste da Bahia. Orientador: Prof. Ms. José

Carlos Silveira Duarte.

Pequena caixinha que carreguei quando em fuga

Para que suas válvulas não pifassem,

Que levei de casa para o navio e o trem

Para que os meus inimigos continuassem a falar-me

Perto de minha cama, e para a minha angústia,

As últimas palavras da noite e as primeiras da manhã

Sobre suas vitórias e sobre meus problemas

– Prometa-me não ficar muda de repente.

Bertold Brecht

Agradecimentos

A Deus, criador de todo dom perfeito, Senhor de todas as coisas.

Ao professor mestre José Duarte da Silveira, orientador, pela disposição

e encorajamento.

Ao professor doutor Marcus Lima, pelo incentivo e apoio.

Ao radialista Ari Santana, pela entrevista e disponibilização de gravações

raras, importantes para a feitura deste trabalho.

A Inaldo Sardinha pela entrevista e a disponibilização de documentos

particulares importantes na construção do trabalho.

A Raimundo Meira Magalhães, diretor do Museu Coronel João Borges

(Museu de Jequié) pela paciência e boa vontade em disponibilizar

fotos, objetos e informações importantes sobre a ZYH – 472.

A Evandro Lopes, João Mendes, Ari Moura, Edísio Santana, Cid

Teixeira, Virgílio Argolo, Helena Pereira, Nanci Dias, Wando Pereira,

Tony Silva, Gilmar Azevedo, Wilson Novaes Júnior e Aroldo Vieira

pelo carinho, disponibilidade e paciência.

Dedicatória

A minha família, pelo apoio incondicional e as orações que são a

pedra de toque de todas as conquistas, sempre.

À memória de Geraldo Teixeira, e à de todos aqueles que deixaram

sua marca na radiofonia baiana, na radiofonia da Rádio Bahiana de Jequié.

Resumo

Esta pesquisa faz um resgate histórico dos cinqüenta anos da Rádio

Bahiana de Jequié, uma das primeiras emissoras em Amplitude Modulada

do Estado da Bahia. Mostra como e em qual contexto histórico

a emissora foi implantada. Aborda as rádionovelas, o rádioteatro, programas

religiosos, de entretenimento e os programas de auditório. Descreve

como era feito o rádiojornalismo em época de parcos recursos

tecnológicos. Relata fatos históricos transmitidos pela emissora, as dificuldades

enfrentadas no período pós-golpe militar de 1964 e conta,

também, histórias pitorescas que fazem parte do anedotário dos que

trabalharam na emissora. Fala da influência exercida na sociedade de

Jequié e cidades vizinhas.Relata ainda as dificuldades financeiras, as

crises, as mudanças de proprietários, o desfazimento do acervo de discos

e documentos e o longo processo de decadência que culminou com

o fim da Rádio Bahiana de Jequié.

Abstract

This research is a historical review of fifty years of the Rádio Bahiana

Jequié, one of the first stations in Modulation Amplitude of the State

of Bahia. It shows how and in which historical context the station has

been deployed. Covers the soap operas, the radio theater, religious programs,

entertainment and talk shows. Describes how it was done radio

journalism in times of scarce technology resources. Reports historical

facts transmitted by the station, the difficulties faced in the post-1964

military coup and have also picturesque stories that are part of the anecdotes

of those who worked on the station. It speaks of influence in

Jequié’s society and surrounding towns. Also portrays the financial difficulties,

crises and changes of owners to terminate the collection of

records and documents and the long process of decline that culminated

with the end of the Rádio Bahiana Jequié.

A Rádio Bahiana de Jequié 9

Introdução

ARÁDIO Bahiana de Jequié foi uma das primeiras emissoras em

Amplitude Modulada do interior da Bahia. Fundada em 21 de

setembro de 1954, reinou absoluta no dial AM até o ano de 1986, em

que chegou a primeira emissora em Frequência Modulada de Jequié, a

Cidade Sol FM.

Como pioneira na comunicação eletrônica na microrregião de Jequié,

a Rádio Bahiana produziu radioteatro, fez transmissões externas

ao vivo, programas de auditório, musicais, jornalísticos e de serviço.

O Festival dos Brotos era realizado no auditório do Cine Jequié nas

tardes de domingo. Mesclava apresentação de novos talentos e de artistas

consagrados em âmbito regional e nacional. A Hora do Fazendeiro,

apresentado de segunda a sexta-feira das 13h00 às 14h00, dedicava-se a

enviar mensagens de pessoas da zona urbana às da zona rural de Jequié e

de outros municípios onde o sinal da rádio era captado. Numa época de

estradas ruins, em que não existia internet e telefone era coisa raríssima,

o programa foi de grande utilidade e audiência. No campo do rádiojornalismo

marcaram época programas como O Repórter Esclarece, O

Grande Jornal Falado e o Plantão Informativo. No quesito coluna social

destaque para as crônicas do professor Luiz Cotrim. Levadas ao ar

de domingo a domingo às 07h00 da manhã, relatavam os acontecimentos

considerados significativos da alta sociedade jequieense. Durante

algum tempo a Rádio Bahiana transmitiu eventos políticos como comícios,

o que, no início dos anos 1960, não era proibido pela Lei Eleitoral.

Jornalismo e entretenimento eram levados ao ar, num período de poucos

recursos técnicos e financeiros. Jornalistas e radialistas enfrentaram a

censura imposta aos meios de comunicação, a partir do Golpe de 1964

e que se agravou em 1968 com a edição do Ato Institucional no. 5.

A Rádio Bahiana de Jequié foi o principal veículo de comunicação

usado pela população da região para a obtenção de informações regionais

durante a segunda metade do Século XX. Transmitiu e esteve

presente em momentos marcantes da vida social e política de Jequié e

região.

Em 2006 a emissora encerrou um ciclo histórico na área da comunicação

em Jequié e na Bahia. Depois de uma longa crise financeira e

estrutural foi vendida para um grupo empresarial de Feira de Santana e

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10 Judson Pereira de Almeida

passou a ser chamada de Rádio Povo AM. Com a adoção de um novo

nome considera-se que houve a perda de um referencial histórico de

Jequié. Hoje os momentos de glória vividos pela ZYH – 472 estão na

memória de pessoas que nela trabalharam e em pouquíssimos documentos

escritos e sonoros.

Pressupostos teóricos metodológicos

O objetivo geral desta monografia não é contar com riqueza de detalhes

a história da Rádio Bahiana de Jequié, mesmo porque tal proposta

demandaria maior tempo de pesquisa e seria mais adequada para um

trabalho em nível de mestrado ou doutorado, mas sim, traçar um perfil

histórico da emissora. Trata-se de pesquisa descritiva, baseada em

depoimentos (entrevistas) de pessoas que trabalharam e das que foram

ouvintes da Rádio Bahiana de Jequié. Não é o propósito do presente

trabalho fazer uma análise teórica profunda.

As informações foram coletadas a partir de fontes orais, de fotografias

e recortes de jornais obtidos de pessoas que trabalharam na emissora,

e de gravações magnéticas recuperadas pelo radialista Ari Santana

em velhas fitas de rolo, gentilmente cedidas para a feitura da presente

pesquisa. Muitas fitas contendo gravações da programação da Rádio

Bahiana foram destruídas, conforme se verá, restando apenas o que foi

salvo por Ari Santana. Sem dúvida uma contribuição inestimável para

a preservação da história da Rádio Bahiana e de Jequié. Para que o

ra

Gélia Ferreira), outros já são falecidos (como Geraldo Teixeira, José

Mariano, Luiz Gonzaga Lymon). Foram escolhidos aqueles que por

mais tempo trabalharam na emissora ou que viveram momentos marcantes,

relevantes para a proposta do trabalho. Informações passadas

por Evandro Lopes (comentarista esportivo), Inaldo Sardinha (locutor

esportivo e rádiooperador), João Mendes (locutor), Ari Santana (locutor

e rádiooperador), Ari Moura (jornalista), Edísio Santana (locutor e

1Os áudios foram disponibilizados pelo autor deste trabalho no site

www.4shared.com

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A Rádio Bahiana de Jequié 11

rádiooperador), Cid Teixeira (diretor), Virgílio Argolo (rádiotécnico),

Nanci Dias (locutora e rádiooperadora), Wando Pereira (locutor, rádiooperador

e narrador esportivo), Tony Silva (locutor, rádiooperador e

narrador esportivo), Wilson Novaes Júnior (jornalista), Helena Pereira

(apresentadora de programa religioso) e Aroldo Vieira (músico e corretor),

estes dois últimos ouvintes e colaboradores ad hoc da emissora,

foram cruciais para traçar este perfil histórico. Merece destaque, também,

a colaboração de Raimundo Meira Magalhães, diretor do Museu

Coronel João Borges (museu de Jequié), que disponibilizou documentos

históricos (fotografias e objetos) e informações que fazem parte do

acervo do museu. Destaque para Ari Santana, Virgílio Argolo e Cid

Teixeira, as fontes entrevistadas que por mais tempo trabalharam na

Rádio Bahiana, sendo que Virgílio Argolo participou da inauguração da

emissora, como se verá.

A metodologia combinou as técnicas de entrevistas do jornalismo

com o apoio dos métodos da história oral. As entrevistas foram semiestruturadas,

combinando perguntas fechadas (pré estabelecidas) e abertas,

sendo possível para o entrevistado falar sobre o tema sem que o

entrevistador fixasse de antemão determinadas respostas ou condições.

Apenas as questões centrais foram estabelecidas a priori.

As principais informações obtidas, portanto, são baseadas em depoimentos

orais de pessoas que trabalharam e/ou foram ouvintes da Bahiana

de Jequié. Fontes da mais alta credibilidade, pois, segundo Henry

Rousso, “(...) a história pertence sobretudo àqueles que a viveram (...)”

(Henry Rousso in AMADO & FERREIRA, 2002.p.98) Este resgate do

passado feito a partir de informações guardadas na memória é legítimo,

conforme ensina o autor supra citado: “A memória, no sentido básico

do termo, é a presença do passado” (Idem, p.94). Depois de gravadas

as entrevistas foram transcritas e formaram um corpo de informações

que, depois de sistematizadas, tornaram-se o cerne da pesquisa. Ainda

tendo por base Henry Rousso, o presente trabalho acabou por fazer a

sistematização de uma memória coletiva até então fragmentada entre

seus principais personagens:

(...) as representações do passado observadas em determinada

época e em determinado lugar – contando que apresentem

um caráter recorrente e repetitivo, que digam respeito

a um grupo significativo e que tenham aceitação neswww.

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12 Judson Pereira de Almeida

se grupo ou fora dele – constituem a manifestação mais

clara de uma “memória coletiva” (AMADO & FERREIRA,

2002,p.94).

Com base na lição de Maurice Halbwachs estas informações constituem

o corpo de uma memória coletiva “(...) porque concordam no

essencial, apesar de algumas divergências, que podemos reconstruir

um conjunto de lembranças de modo a reconhecê-lo” (HALBWACHS,

1990, p. 25). Entretanto, ainda segundo Halbwachs, esta memória coletiva

pode ser enxergada sob dois aspectos: do ponto de vista do grupo

em relação ao qual pertence e do ponto de vista de pessoas exteriores ao

grupo. O autor classifica estas informações como sistema independente.

É porque formam um sistema independente, pelo fato de

serem as lembranças de um mesmo grupo, ligadas uma a

outra e apoiadas de certo modo uma sobre a outra; é que

esse grupo é nitidamente distinto de todos os outros (idem,

p.30).

Não é possível ocultar uma certa ligação afetiva do autor (isto pode

ser percebido nas entrelinhas do trabalho, não de forma explícita) com

o presente trabalho, na medida em que o mesmo foi ouvinte da Rádio

Bahiana de Jequié durante as décadas de 1980 e 1990. Também,

como radialista, conviveu profissionalmente com algumas pessoas que

fizeram parte da história da emissora, delas ouviu relatos de fatos que

aconteceram na Bahiana de Jequié e com algumas destas fontes possui

relação de amizade. Portanto a memória do autor também pode ser

considerada parte da memória coletiva onde o corpus do trabalho foi arregimentado,

ainda que em grau menor. De acordo com Halbwachs “A

primeira testemunha, à qual podemos sempre apelar, é a nós próprios”

(ibidem, p. 25).

A presente pesquisa não se ateve à narração cronológica dos fatos.

Objetivou, isto sim, traçar um perfil histórico baseado muito mais em

períodos e fases da emissora. Em nenhum momento foi pretensão do autor

esgotar o assunto. O desejo é que a pesquisa sirva como um memorial

de passagens importantes para a história da radiofonia e do próprio

município de Jequié, e como fonte para estudantes e historiadores, uma

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A Rádio Bahiana de Jequié 13

vez que quase nada foi produzido até o momento sobre a Rádio Bahiana.

Também é desejo que outras pesquisas possam aprofundar o tema

ou abordá-lo por outro viés.

Surgimento do Rádio no Brasil

O século XIX foi marcado pelas primeiras experiências com ondas eletromagnéticas.

Na década de 1830 o cientista inglês Michael Faraday

descobriu o princípio da indução eletromagnética e, em 1896, com base

nos estudos de Faraday, Heinrich Herts e outros pesquisadores, o italiano

Guglielmo Marconi construiu um equipamento que possibilitava

o envio de sinais a alguns metros. Era o primeiro sistema de telegrafia

sem fio da história.

Mas no Brasil, em 1893, o padre brasileiro Roberto Landell de

Moura já realizara a primeira experiência de radiotelefonia, transmitindo

sons do ponto mais alto da Avenida Paulista ao morro de Sant‘Anna,

em São Paulo, numa distância de cerca de oito quilômetros.2

No século XX Marconi se notabilizou ao transmitir a voz humana

por meio de ondas eletromagnéticas em 1914.

As primeiras transmissões radiofônicas no Brasil foram experimentais.

O rádio aportou oficialmente nas terras brasileiras no dia 07 de

setembro de 1922, por ocasião das comemorações do centenário da Independência.

Foram instalados, pela empresa Westinghouse Eletric International,

transmissores e antenas no alto do morro do Corcovado,

no Rio de Janeiro, onde hoje se encontra o Cristo Redentor. Os sinais

foram captados em Niterói, Petrópolis, na serra fluminense e até em São

Paulo. Os receptores foram importados especialmente para a ocasião.

A primeira transmissão foi o discurso do então presidente Epitácio Pessoa

numa exposição na Praia Vermelha, seguido de música lírica. Com

o fim da exposição, a estação experimental passou a transmitir nos dias

seguintes óperas, entre elas O Guarani de Carlos Gomes, diretamente

2 Segundo o Compêndio sobre a História do Rádio no Brasil esta foi “(...) a

primeira experiência de radiofonia de que se tem notícia, embora não haja documentos

que comprovem o fato. Já em 1899 e 1900, jornais citam a experiência,

dando fé do pioneirismo do brasileiro na transmissão de sinais sonoros”. Extraído

do site da Abert: http://www.abertdf.com/site/images/stories/

biblioteca/historia.pdf Acesso 08/03/2011.

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14 Judson Pereira de Almeida

do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. As primeiras transmissões não

despertaram a atenção das pessoas. A qualidade do áudio era sofrível.

Roquete Pinto comentou o desinteresse das pessoas de um modo geral

para com as primeiras experiências com transmissões de rádio no Brasil:

Na verdade é que durante a exposição do centenário da

Independência em 1922 muito pouca gente se interessou

pelas demonstrações experimentais de radiotelefonia (...).

Creio que a causa principal desse desinteresse foram os

alto falantes instalados na exposição. Ouvindo discursos

e músicas reproduzidos, no meio de um barulho infernal,

tudo roufenho, distorcido, arrombando os ouvidos, era uma

curiosidade sem maiores consequências. (PINTO, 1923)3

Apesar do desinteresse geral o médico e antropólogo Edgar Roquette

Pinto4 enxergou na nova tecnologia um eficiente canal de comunicação,

que poderia ser útil para a educação das massas. Em 20 de abril

de 1923 fundou, junto com Henry Morize, a primeira estação de rádio

brasileira, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, sem fins lucrativos, e

com o objetivo de promover a cultura e a educação. Gisela Swetlana

Ortriwano, citada por Sêmia Mauad, em artigo sobre a história do rádio

no Brasil e em Minas Gerais assevera sobre a primeira emissora

do Brasil: “Nasceu como um empreendimento de intelectuais e cientistas

e suas finalidades eram bastante culturais, educativas e altruísticas”.

(ORTRIWANO apud MAUAD. p. 02). A emissora tinha uma programação

elitista, com a veiculação de óperas, concertos, palestras, recitais

de poesia. Segundo Bertold Brecht, o rádio substituía as apresentações

ao vivo:

Isso foi a radiodifusão na sua primeira fase, na qualidade

de substituta. Substituta do teatro, da ópera, do concerto,

das conferências, do café concerto, da imprensa local etc..

(BRECHT, Bertolt. In MEDITSCH. 2005. p. 41).

3 Arquivo de áudio baixado do site http://www.microfone.jor.br/

historia.htm (acesso 16/02/2011) e também citado por Sêmia Mauad no artigo A

história do rádio no Brasil e em Minas Gerais, p. 02, publicado pela Biblioteca on line

de Ciências da Comunicação, no endereço www.bocc.ubi.pt acesso 08/03/2011.

4Edgar Roquete Pinto é considerado o pai do rádio no Brasil.

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A Rádio Bahiana de Jequié 15

A grade de programação era horizontal, ou seja, os programas não

tinham horários predefinidos, e a publicidade era proibida. A gênese

da denominação Sociedade está no fato de que, para manter a emissora

no ar era preciso a contribuição dos ouvintes com uma espécie de

mensalidade. A rádio recebia, também, doações de entidades públicas

e privadas. A denominação “clube”, adotada por emissoras país afora

também possui a mesma justificativa. Não havia como desenvolver o

novo veículo de comunicação com uma receita financeira tão inconstante.

Tanto a parte técnica quanto a de programação eram bastante

incipiente. Só nos anos 30 é que o governo de Getúlio Vargas autoriza

a publicidade no rádio, mesmo assim limitada a 10% da programação.

A partir de então as emissoras começam a se profissionalizar e a programação,

antes voltada exclusivamente para a elite, começa a ganhar

traços populares. Posteriormente o limite da publicidade passa para

20% e as emissoras investem na contratação de produtores e artistas,

surgindo assim, a concorrência entre as rádios.

A competição teve, originalmente, três facetas: desenvolvimento

técnico, status da emissora e sua popularidade. A

preocupação “educativa” foi sendo deixada de lado e, em

seu lugar, começaram a se impor os interesses mercantis.

(ORTRIWANO apud MAUAD, p. 02)

Foram introduzidas mudanças na linguagem radiofônica, tornando

a comunicação mais direta, de fácil compreensão e, consequentemente,

de maior alcance na sociedade. Abandonou-se o tom rebuscado e, de

certa forma, pedante e a comunicação no rádio tornou-se mais coloquial

e de fácil entendimento. Segundo Mário de Andrade o rádio abandona

a classe culta e assume sua real vocação, a de falar para as grandes

massas:

A geografia do rádio não alcança as montanhas elevadas

da cultura. Fica-se pelos vales, pelos platôs largos e pelos

litorais. Daí sua linguagem particular, complexa, multifária,

mixordiosa, com palavras, ditos, sintaxes de todas

as classes, grupos e comunidades. Menos da culta, pois

que desta ele apenas normalmente se utiliza daquelas cem

palavras e poucas normas em que ela coincide com todas

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16 Judson Pereira de Almeida

as outras linguagens, dentro desta abstração que é a Língua.

(ANDRADE, Mário. in MEDITSCH. 2005. p. 117)

A grade de programação passou a ter caráter vertical, com programas

e horários pré-definidos. A publicidade, como dito, possibilitou

uma receita fixa e maior desenvolvimento técnico e artístico do veículo

de comunicação. A partir da década de 30 o rádio passa, portanto, para

um período de profissionalização/mercantilização ao tempo em que entra

na chamada “Era de Ouro”. Foi o período dos programas musicais

populares e de auditório, como os da Rádio Nacional do Rio de Janeiro,

com o surgimento de ídolos como Carmem Miranda, Orlando Silva,

Cauby Peixoto, Emilinha Borba e outros, que ajudaram a fazer do rádio

um instrumento presente na vida de milhões de brasileiros. As emissoras

alcançavam todo o território nacional e transmitiam partidas de

futebol, o que despertou a paixão por times do sul/sudeste (especialmente

do Rio de Janeiro e de São Paulo) nos mais longínquos rincões

do país.

A “Era de Ouro” do rádio começa o seu declínio a partir do início

da segunda metade do Século XX com a chegada de um novo meio de

comunicação de massa ao Brasil: a televisão. No dia 18 de setembro de

1950 foi inaugurada a TV Tupi de São Paulo.

Neste período de declínio da “Era de Ouro” do rádio foi implantada

a Rádio Bahiana de Jequié, objeto de estudo nos próximos capítulos.

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A Rádio Bahiana de Jequié 17

1 Implantação da Rádio Bahiana de Jequié

O historiador Emerson Pinto de Araujo relata no livro A Nova História

de Jequié o interesse de pessoas da comunidade jequieense pelo rádio

já na segunda década do século XX. A cidade estava sob a intendência

do coronel João Carlos Borges, e em 1925, foi criada a Rádio Sociedade

de Jequié, não uma emissora de rádio, mas uma espécie de

clube de amantes da radiofonia. Assim afirma o citado historiador: “Alguns

moradores fundaram a ‘Rádio Sociedade de Jequié’, cujos estatutos

foram elaborados pelo juiz da Comarca Bertino Passos, adquirindo

um receptor para o deleite dos associados” (ARAÚJO, 1997, p. 286).

Como se pode inferir, os aparelhos de rádio eram objetos caros e raros

na época, sendo comprados por grupos de pessoas associadas. Numa

cidade onde as opções de lazer eram mínimas naquele tempo, o aparelho

de rádio despertou grande curiosidade e passou a ser objeto de

admiração de muitos. De acordo com relatos do historiador e jornalista

Raimundo Meira Magalhães: “O rádio era uma coisa raríssima.

Então reunia assim vinte pessoas, cada um dava cinco, alugava um local

para tomar uma cervejinha e ficar ouvindo rádio” (MAGALHÃES,

25/03/2011).

Segundo informações trazidas por Herzem Gusmão Pereira em trabalho

monográfico sobre a trajetória da Rádio Clube de Conquista, o

primeiro aparelho receptor de Vitória da Conquista foi adquirido em

1936 por um grupo de pessoas que fundou o Clube do Rádio.

A história do Rádio em Vitória da Conquista tem início em

1936 quando João Oliveira Lopes, Virgínio Maciel e Leôncio

Dantas adquiriram o primeiro Rádio-receptor que ficava

à disposição da comunidade em uma casa alugada

na Praça da República (praça Tancredo Neves), onde as

pessoas pagavam uma taxa para ouvir as transmissões,

nascendo assim o Clube do Rádio, evoluindo mais tarde

(1938) para um Clube dançante. (PEREIRA, 2003. P.20)

Jequié, portanto, saiu na frente de Vitória da Conquista no interesse

pela recepção das ondas sonoras do rádio, mas, já em 1952, a cidade

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18 Judson Pereira de Almeida

teve sua primeira emissora de rádio instalada o que aconteceu em Jequié

dois anos mais tarde, como veremos.5

Na primeira metade do século XX o cinema era o principal instrumento

de entretenimento em Jequié, principalmente a partir de 1936,

quando foram instalados aparelhos sonoros que possibilitavam ouvir a

voz dos personagens e a trilha sonora durante as exibições. Mesmo

assim as condições técnicas eram precárias. No início a sala

(...) dispunha apenas de um projetor, havendo intervalos

entre as partes do filme em exibição , disso se aproveitando

os baleiros para venderem bombons, chocolates , cocadas e

outras guloseimas. Alguns expectadores aproveitavam nos

intervalos para fumar o cigarro (ARAÚJO,1997. p. 358).

As orquestras filarmônicas entravam em declínio. No mais, as opções

eram as serestas, o bate papo em frente à casa do vizinho, o mexerico

que dava conta da vida alheia e, para os boêmios, os cabarés

como o Lanterna Verde e o Bar Fascista e as casas de tolerância. Com

a chegada dos clubes sociais, em especial o Jequié Tênis Clube, a cidade

contou com uma opção de lazer. No Jequié Tênis Clube eram realizadas

festas dançantes, bailes de carnaval, banquetes, reuniões para

tratar de assuntos de interesse da comunidade e eram desenvolvidas

várias modalidades esportivas, não só o tênis.

A partir do fim da primeira metade do século XX Jequié entra em

declínio econômico, que culmina com a perda da privilegiada posição

de liderança entre os municípios da região Sudoeste da Bahia. A cidade

que outrora fora pouso de tropeiros, principal entreposto comercial da

região, fornecedora de matéria prima para vários estados do país e para

o exterior, ligação entre o alto sertão e o litoral sul do estado, sede de

empresas de grande importância e capital econômico (como as empresas

fundadas por imigrantes italianos, e que chegaram a desenvolver

5A Rádio Clube de Conquista foi inaugurada oficialmente em 17 de dezembro

de 1952 em uma reunião nas dependências da mesma, no 1o andar da então sede

da agência do Banco Econômico, localizada na praça Barão do Rio Branco, onde

ocupava 03 salas. Neste mesmo dia, às 10h, a cantora Dalva de Oliveira realizou

um show, apresentado pelo locutor Fernandes Filho, no auditório do Cine Vitória que

mais tarde passou a se chamar Cine Ritz, onde atualmente funciona a sede da Rádio

Clube (PEREIRA, 2003. P. 22).

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A Rádio Bahiana de Jequié 19

funções originalmente destinadas a bancos, até a instalação da primeira

agência bancária na cidade) viu sua importância ser diminuída gradativamente

a partir do momento em que o transporte rodoviário suplantou

o ferroviário e o marítimo, principalmente, como assevera Emerson

Pinto de Araújo, com a construção do trecho rodoviário ligando Ipiaú

a Ilhéus. “A princípio, favorecido com a ferrovia ligando-o a Vitória

da Conquista, o porto de Ilhéus, após a complementação da BR 330,

se converteu no grande escoadouro do cacau e de outros produtos da

região da mata”. (ARAÚJO, 1997. p. 395). Muitas firmas estabelecidas

em Jequié responsáveis por armazenar e beneficiar produtos oriundos

da mata fecharam suas portas. Com a diminuição do fluxo de

mercadorias a estrada de ferro Nazaré6 perdeu importância e foi posteriormente

desativada, perdendo Jequié a condição de ponta de trilhos.7

Conta Emerson Pinto de Araújo:

A firma Araújo & Filho, estabelecida à Praça Luiz Viana,

especializada em beneficiamento de fumo exportado para

a Europa através de multinacionais sediadas na capital do

Estado, encerrou suas atividades, deixando desempregados

cerca de trezentos operários. O mesmo fenômeno se

repetiu com as agências compradoras de café, mamona e

outros gêneros que até então vinham de longe para o centro

receptor de Jequié. (ARAÚJO, 1997, p. 395)

Passemos para 1954, ano de fundação da Rádio Bahiana de Jequié.

A população brasileira consternada com o suicídio do presidente

Getúlio Vargas, ocorrido no dia 24 agosto daquele ano, o Brasil mergulhado

numa crise política e financeira, o mundo ainda em recuperação

dos traumas provocados pela Segunda Grande Guerra. 1954 também

foi o ano do falecimento de Roquete Pinto, considerado o pai do rádio

no Brasil. Régis Pacheco era o governador da Bahia, eleito para

o quadriênio 1951/1954. Antônio Lomanto Júnior ocupava o cargo de

6Em 1938 foram embarcadas pela Estrada de Ferro de Nazaré 10.065 toneladas

de cacau. Em 1954, essa cifra caiu para apenas 304 toneladas (ARAÚJO, 1997. P.

395)

7“O colapso final (sic) ocorreu em setembro de 1971, quando o governo decretou

a paralisação definitiva da Estrada de Ferro de Nazaré, autorizando a retirada dos

trilhos”. (ARAÚJO, 1997. p. 305/306)

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20 Judson Pereira de Almeida

prefeito de Jequié. Eleito pelo Partido Liberal tomou posse em 1951

concluindo o mandato em 7 de abril de 1955.8 Segundo dados do censo

demográfico de 1950, Jequié contava com uma população de 20.500

habitantes9. Ainda segundo o senso de 1950, a população de Jequié era

predominantemente rural, com 23% de habitantes na cidade, 7% nas

vilas e povoados e 70% na zona rural.

Quase trinta anos depois da fundação da Rádio Sociedade de Jequié,

com os aparelhos mais populares e acessíveis, a cidade já contava

mais receptores, que sintonizavam principalmente as emissoras do eixo

sul/sudeste do país.

Em 1954 foi fundada em Jequié a Associação Jequieense de Imprensa,

que teve como seu primeiro presidente o Juiz de Direito Walter

de Vasconcelos Nogueira “(...) um entusiasta e idealizador da entidade”.

(NOVAES JÚNIOR, 2006, p. 29)

Neste contexto foi instalada a ZYN-27, Rádio Bahiana de Jequié em

1954, uma das primeiras emissoras de rádio do interior da Bahia. Foram

os esforços de Adilson Almeida, locutor do serviço de alto-falantes A

Voz da Cidade de propriedade de José Mascarenhas Oliveira, conhecido

como Zuzinha e que, posteriormente, fundou sua própria empresa, A

Voz do Sudoeste10, que possibilitaram a implantação da emissora na

8Antônio Lomanto Júnior foi um político de grande expressão na Bahia e no Brasil.

Exerceu os cargos de vereador, prefeito de Jequié por três mandatos, deputado estadual,

governador da Bahia e senador da República. Encerrou a carreira política em

janeiro de 1997, quando passou o cargo de prefeito para Roberto Pereira de Brito

eleito sob sua batuta e que, mais tarde, romperia com o veterano político.

9Em 1950, enquanto a população de Salvador se aproximava da casa dos quatrocentos

mil habitantes, nenhuma outra cidade do Estado da Bahia ultrapassava a

cifra de trinta mil habitantes. Em números redondos, Ilhéus contava com 22.600 habitantes,

passando um pouco mais de 27.000, se incluídos seus limites administrativos;

Itabuna chegou aos 23.000 habitantes; Feira de Santana a 26.500; Cachoeira – São

Félix a 17.00; Nazaré a 11.200; Alagoinhas a 21.000; Jequié a 20.500; Vitória da

Conquista a 17.500; Juazeiro a 16.000. (ARAÚJO, 1997, p. 393/394)

10Os serviços de alto-falantes e os carros de som eram os únicos meios eletrônicos

de comunicação disponíveis na época. Os alto-falantes desfrutavam de prestígio e veiculavam

música, notícias, utilidade pública e assuntos sociais (aniversários, casamentos,

batizados, falecimentos etc.). Com a implantação das emissoras de rádio os altofalantes

entraram em declínio, conforme narra o historiador Emerson Pinto de Araújo:

“Com a inauguração da emissoras locais de rádio e o surgimento do radinho de pilha

os alto-falantes começaram a perder a importância que desfrutava. Permaneceram os

carros móveis de som, fazendo propagandas comerciais e dos candidatos a cargos elewww.

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A Rádio Bahiana de Jequié 21

cidade. Adilson Almeida, então, convenceu Alceu Nunes da Fonseca11,

proprietário do grupo Rádiointerior, que agregava várias emissoras no

Brasil, entre elas a Rádio Industrial de Juiz de fora e a Rádio Carioca

do Rio de Janeiro, da viabilidade de instalação de uma emissora de rádio

em Jequié. De acordo com a narrativa do técnico Virgílio Argolo,

um dos primeiros funcionários da Rádio Bahiana, o primeiro contato

de Adilson Almeida com Alceu Nunes da Fonseca se deu em Jequié.

Na ocasião Adilson tentou demonstrar a viabilidade de uma emissora

de rádio na Cidade Sol, não tendo Alceu, inicialmente, demonstrado

interesse no empreendimento:

Adilson conversando com ele disse que aqui caberia uma

rádio, aí ele disse: e a dificuldade de técnico, dificuldade

de locutor... ele disse: não, tem locutor, eu sou locutor,

tem mais locutores. E aí começou a insistir com Fonseca,

escrevia sempre pra lá. (ARGOLO, 25/03/2011).

O locutor queria uma emissora do grupo Rádio Interior instalada em

Jequié. Depois do primeiro contato com Alceu Nunes da Fonseca e diante

da negativa do empresário em implantar uma emissora na cidade,

tivos” (ARAÚJO, 1997 p. 507). Porém alguns serviços de alto-falantes resistiram e

até hoje operam em Jequié: A Voz da Cultura do radialista João Veloso no bairro Jequiezinho,

A Voz da Cidade, no centro e a Voz América do policial militar e radialista

Valdivino Filho no bairro Joaquim Romão. Os carros de som ainda operam em grande

quantidade em Jequié. Destaque para Geraldo Teixeira, que montou um dos primeiros

carros de som da cidade, o Geteixeira Publicidade, uma “veraneio” dirigida por um

cidadão muito conhecido chamado Paraíba. O Geteixeira Publicidade marcou época,

funcionou por mais de 40 anos em Jequié.

11Nascido em Marica, RJ, em 31 de abril de 1903. Representante de produtos

farmacêuticos. E foi nessa atividade que começou seus primeiros contatos com o

rádio, já que era necessário divulgar as qualidades dos produtos que vendia nas farmácias

e drogarias. Entre 1940 e 1941, entrou no ramo publicitário, conseguindo

as primeiras representações de estações de rádio do interior do país, uma delas sob

a sua orientação: Rádio Cultura de Araraquara Ltda. SP. Foi o pioneiro nesse encontro

do rádio do interior, com o mundo publicitário, do Rio de Janeiro e de São

Paulo através do Grupo Alceu Nunes da Fonseca & Cia. Ltda – Organização “RADINTERIOR”

sediada na então Capital Federal, Rio de Janeiro, GB, à Avenida Rio

Branco, número 138, 9o andar. Inúmeras vezes tomou a iniciativa de requerer a instalação

de emissoras para cidades do interior. Foi um verdadeiro “plantador de antenas”

por este Brasil afora. Fonte: http://www.varandasbarbacena.com.br/

radialistas/alceu_nunes.html Bastidores do Rádio. Acesso: 28/03/2011

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22 Judson Pereira de Almeida

Adilson continuou seus esforços. O jornalista Nelson Galvão Rocha

Filho, em trabalho monográfico sobre a contribuição da atividade radiofônica

para o desenvolvimento de Jequié assevera:

(...) segundo Geraldo Teixeira, Adilson Almeida convenceu

o grupo a investir em Jequié por meio de fotografias da

cidade e região, da possibilidade do desenvolvimento econômico

da região, e com isso conseguiu demonstrar que

a cidade já carecia de uma emissora própria. (ROCHA

FILHO, 2009, p 20.)

Diferente de Roquete Pinto, que, segundo os historiadores, enxergava

no rádio um instrumento para a educação das massas, a visão de

Adilson Almeida era comercial, viu o veículo como um instrumento capaz

de ajudar a desenvolver Jequié economicamente. Adilson Almeida,

finalmente, convenceu Alceu Nunes da Fonseca a investir em Jequié

com a implantação da emissora mostrando ao empresário carioca a viabilidade

do empreendimento, mesmo a cidade não ocupando mais a

posição de destaque que tinha no passado. Na visão de Adilson Almeida

a viabilidade da emissora dava-se pelo potencial econômico da região ao

tempo em que poderia ajudar a esta mesma região a, de certa forma, se

recuperar do impacto provocado pelo declínio da atividade econômica.

“Depreende-se que Adilson Almeida vislumbrava as possibilidades sócio-

econômicas que a presença de uma emissora de rádio local podia

proporcionar”. (ROCHA FILHO, 2009. p. 20)

Na noite de 21 de setembro de 1954 foram ao ar as primeiras ondas

da ZYN 27, Rádio Bahiana de Jequié. O primeiro locutor a ocupar

a cabine da emissora foi Geraldo Teixeira (que já atuava no campo da

comunicação em Jequié como locutor do serviço de alto-falantes A Voz

da Cidade), tendo como operador de áudio Virgílio Argolo, também

responsável pela parte técnica da rádio. Na inauguração duas transmissões

externas foram realizadas. A primeira do Cine Jequié, a cobertura

do show com o cantor Lúcio Alves, e a segunda da Praça Rui Barbosa,

cobertura do comício do candidato a prefeito Dorival Borges. As

transmissões externas foram feitas por Maurício Costa locutor enviado

pela Rádio Industrial de Juiz de Fora, também do grupo Rádiointerior,

para a inauguração da Rádio Bahiana de Jequié. Cabe salientar que o

Cine Jequié ficava a um quarteirão do estúdio da emissora e a Praça

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A Rádio Bahiana de Jequié 23

Rui Barbosa a menos de trinta metros do mesmo. A Rádio Bahiana foi

inaugurada no terceiro andar do Edifício 02 de Julho, na rua do mesmo

nome, no centro da cidade, um prédio amplo e bem localizado, onde

permaneceu até ser vendida no ano 2000 para um grupo da Igreja do

Evangelho Quadrangular, conforme veremos no último capítulo deste

trabalho.

Além dos depoimentos colhidos ao longo da pesquisa, os detalhes

da noite de inauguração da Rádio Bahiana foram retirados de uma gravação

de áudio feita em 21 de setembro de 1969, por ocasião da festa

dos 15 anos da emissora. Transcrevemos, na íntegra, o texto lido naquela

data por Geraldo Teixeira:

Alô ouvintes amigos, quem tem o prazer de lhes falar é Geraldo

Teixeira, o modesto diretor artístico e locutor desta

emissora. Neste 21 de setembro de 1969 recordo-me com

muita satisfação aquele outro 21 de setembro de 1954

quando nos céus de Jequié e da Bahia, graças ao milagre

das ondas hertezianas, foram para o ar as transmissões da

ZYN – 27, inaugurando-se oficialmente a Rádio Bahiana

de Jequié, então componente da cadeia Rádio Interior de

Alceu N. Fonseca. Naquela época, já trabalhando como

locutor do serviço de alto-falantes A Voz da Cidade, era

convidado para fazer locução comercial na Rádio Bahiana

de Jequié através do seu incansável fundador Adilson

Almeida. E foi justamente na noite de 21 de setembro

de 1954 que este modesto locutor falou pela primeira vez

através deste microfone tendo na sonotécnica o rádiooperador

Virgílio Argolo, atual técnico da emissora. Naquela

noite duas transmissões externas foram realizadas. A primeira

do palco do Cine Teatro Jequié, a cobertura do show

de inauguração com o cantor Lúcio Alves, e a segunda da

Praça Rui Barbosa, cobertura do comício em favor da candidatura

Dorival Borges à prefeitura desta cidade que teve

como seu adversário o saudoso prefeito Adhemar Nunes

Vieira. Estas transmissões externas foram comandadas pelo

locutor Maurício Costa que veio da Rádio Industrial de

Juiz de Fora, também da cadeia Rádio Interior, para as

solenidades de inauguração da ZYN – 27. Fiz a minha

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24 Judson Pereira de Almeida

estréia ao microfone da Bahiana de Jequié naquela noite

memorável funcionando como locutor de cabine. E hoje

são decorridos 15 anos, e continuei sempre ligado à Rádio

Bahiana de Jequié, embora dela tenha me afastado por

alguns pequenos períodos por questões particulares e de

saúde. E assim assisti de perto e acompanhei o nascimento

da nossa querida Rádio Bahiana de Jequié, e com ela vejo

hoje transcorrer os seus 15 anos de bons serviços prestados

à comunidade jequieense. Nesta oportunidade quero

apresentar o meu muito obrigado a todos aqueles que têm

me tolerado através deste microfone, e fazer preces á Deus

para que, em futuro próximo, a nossa emissora possa oferecer

algo de melhor aos seus ouvintes. Parabéns a Rádio

Bahiana de Jequié, e para vocês amigos a minha saudação

e o meu bom dia. (TEIXEIRA, 1969)12

A rádio teve como seus primeiros diretores Tereza Tosta e Wilma

Sarmento. Em 1960 quando a emissora foi comprada por Antônio

Lomanto Júnior assumiram a direção Adauto Cidreira e Cid Teixeira.

Foram os diretores que por mais tempo permaneceram no cargo.

1.1 Evolução tecnológica

Convencido por Adilson Almeida da viabilidade de implantação de uma

emissora de rádio em Jequié, Alceu Nunes da Fonseca autorizou os técnicos

do grupo Rádiointerior a iniciarem os estudos para a montagem

dos equipamentos da Rádio Bahiana. Não existem relatos de como foi

o processo de outorga da concessão para o funcionamento da emissora.

Para a instalação do transmissor e da antena foi escolhido um

local próximo ao Rio Jequiezinho, na parte conhecida como Manga do

Costa, por ser um local úmido, ideal para a instalação de transmissores

em Amplitude Modulada que precisam de um bom sistema de aterramento.

Na época a Manga do Costa era desabitada, praticamente fora

do perímetro urbano da cidade, existindo, apenas, um grande matagal.

O parque de transmissão ficava nas imediações onde hoje funciona o

12 Áudio disponível em http://www.4shared.com/audio/kIMZ3Wzf/

Geraldo_Teixeira_-_Mensagem_no.html.

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A Rádio Bahiana de Jequié 25

salão de eventos de Marlene Marinho e o Hiper Cardoso, lugares muito

conhecidos na cidade. Também participou do processo de instalação

dos equipamentos técnico jequieense Virgílio Argolo, que, contatado

pela equipe de Alceu Nunes Fonseca, ficou responsável pela instalação

dos equipamentos de estúdio enquanto que a parte de transmissão estava

a cargo de um técnico chamado Murilo. Virgílio já era bastante requisitado

na região para a montagem de amplificadores, rádios de bateria e

outros equipamentos, além de rádios que operavam em baixa freqüência,

conhecidos como PX, já que, na época era difícil encontrar estes

equipamentos no mercado e, quando encontrados, os preços eram altos.

Assim narra Virgílio Argolo:

Eu me lembro que na secretaria eu montei seis transmissores,

Secretaria de Segurança Pública quando Lomanto

foi governador. Montei um aqui para Jequié, eu usava sempre

um 807 porque eles trabalhavam só em telegrafia. Então

era 600 volts por 100 mil amperes, 60 Watts de entrada.

(ARGOLO, 25/03/2011)

Fato interessante destaca Virgílio Argolo. Quando da inauguração

da Rádio Bahiana de Jequié a cidade já contava com um bom número de

aparelhos receptores e não houve um aumento significativo na demanda

por aparelhos por conta da implantação da Rádio Bahiana. A população

já estava habituada a ouvir rádio, principalmente as emissoras do sul do

país, e passou a dividir esta audiência com a emissora recém implantada

em Jequié:

O aumento de receptor, a gente esperava que crescesse

muito, mas não houve este crescimento assim por causa da

rádio. Era um crescimento normal porque as pessoas queriam

ouvir aqui e as outras emissoras também. O sucesso

naquele tempo era Record, Marink Veiga, Rádio Nacional,

era quem dominava o mercado. (ARGOLO, 25/03/2011)

O equipamento inicial da Rádio Bahiana de Jequié era incipiente.

No parque de transmissão foi montado um transmissor de Ondas Médias

valvulado fabricado pela Sociedade Técnica Paulista, com potência

de 250 Watts, um quarto de K/Watt (na linguagem comum no meio

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26 Judson Pereira de Almeida

radiofônico era uma emissora com um quarto de quilo de potência),

que operava na freqüência de 1250 KHz. Tal configuração era de uma

emissora de pequeno porte, de potência baixa, autorizada a funcionar,

apenas, até as 22 horas. Naquele tempo as válvulas apresentavam defeitos

constantes e tinham vida útil pequena, necessitando de constante

manutenção. Narra Virgílio Argolo que

A válvula tinha de ter uma manutenção maior porque o

índice de defeito era muito alto, não é como hoje como

um equipamento transistorizado, o transistor não tem problema

de enfraquecer, ele também dá problema, mas depois

de muito tempo; e a válvula tinha um limite de horas, de

vida útil. (ARGOLO, 25/03/2011)

O equipamento de estúdio também era valvulado e de fabricação da

Sociedade Técnica Paulista, composto por uma mesa de controle de áudio,

dois toca-discos, uma entrada para gravador e quatro microfones. O

conjunto do mix de áudio e dos toca-discos era chamado de “consolete”.

Os microfones eram do tipo “jacaré”. “Era um microfone longo, cheio

de linhas, que parecia um jacaré”. (SANTANA 1, 26/03/2011). A rádio

tinha, também, um microfone de fita da marca RCA, muito usado na

época por outras emissoras, considerado de boa tecnologia. O primeiro

gravador da Rádio Bahiana foi um de fita de rolo. Para a inauguração

da emissora foi emprestado pelo grupo Rádiointerior um gravador de

arame, pertencente à Rádio Sul Fluminense. A ligação do estúdio para

o transmissor era feita por meio de fios, instalados em postes, da Rua 2

de Julho até a Manga do Costa. Não havia nenhum tipo de áudio processador

ou equalizador. O som saia direto da mesa para o transmissor. O

áudio que chegava aos receptores era grave, com poucas freqüências de

agudo, característico das baixas freqüências do AM, sem nenhum tratamento

porque a tecnologia da época assim não o permitia. Era grande a

dificuldade técnica. Explica Virgílio Argolo que a perda provocada pela

distância entre o estúdio e o parque de transmissão não era significativa,

pelo uso de compensadores de linha:

O áudio não perdia porque a gente compensava, tinha compensação

de linha, principalmente na perda dos agudos.

Mas não adiantava muito porque, se botasse grave demais

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A Rádio Bahiana de Jequié 27

sobremodulava em grave era pior, então tinha de fazer o

meio termo. (ARGOLO, 25/03/2011)

Instalados em postes, um tanto precários, não raro os fios que ligavam

o estúdio ao transmissor da Rádio Bahiana se rompiam e a emissora

saia do ar. Era um veículo que batia num poste ou este caia por

outro motivo qualquer e lá estavam Virgílio Argolo, Cid Teixeira e um

auxiliar com uma escada procurando o local onde o fio se rompeu para

fazer a emenda. “À noite eu cansava de sair com Virgílio Argolo e Vavá

Eletricista e levantar poste e levantar a “fiarada” para poder funcionar”

(TEIXEIRA, 12/03/2011). Os transtornos provocados pelo rompimento

dos fios que levavam o áudio do estúdio para o transmissor findaram

quando a ligação passou a ser feita pela Companhia Telefônica de Jequié.

Foi avanço significativo na qualidade técnica. Segundo Cid Teixeira,

houve também uma melhora no nível de ruído que, de forma intermitente,

atrapalhava as transmissões da Rádio Bahiana: “Melhorou.

Só tu vendo, tinha aquele rangido terrível e com a mudança direto pela

Companhia Telefônica melhorou o som e melhorou nosso trabalho”

(TEIXEIRA, 12/03/2011).

Um sério problema naqueles tempos eram as cheias do Rio Jequiezinho.

Não raras vezes o parque de transmissões da Rádio Bahiana esteve

ameaçado pelas águas que, certa feita, chegaram a invadir o abrigo

do transmissor. Uma canoa ficava posicionada próximo ao equipamento

para o caso de as águas subirem de forma repentina. Um funcionário da

rádio que morava no local, “tomava conta” do parque de transmissão.

Era encarregado de manter técnico e direção da emissora informados

sobre a situação. Em uma noite foi preciso desmontar todo o equipamento

e transportá-lo na canoa para um local seguro, porque o nível da

água subiu muito.

A água quando chegou na porta, no piso do abrigo, como

não podia tirar o transmissor inteiro eu comecei a tirar

transformador de alta, aquele que estava embaixo pesado

para poder sair. Levamos uns 6 dias fora do ar por causa

do excesso de água, da inundação (ARGOLO, 25/03/2011).

Em outra ocasião, na década de 1960, a Rádio Bahiana ficou por

quase quinze dias fora do ar, por conta dos estragos provocados pela

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28 Judson Pereira de Almeida

cheia do Rio Jequiezinho. “Uma vez ficou quase uns 15 dias, porque

nós mandamos Geraldo em São Paulo buscar um material para poder

recuperar a emissora” (TEIXEIRA, 12/03/2011). O problema das inundações

só foi resolvido quando o parque de transmissões da Rádio

Bahiana foi transferido para o bairro São Judas Tadeu, local conhecido

com Granja Pindorama. Com a transferência foram feitas modificações

no projeto de instalação dos equipamentos, já que na Manga do Costa o

abrigo do transmissor era colado à antena, o que hoje é proibido. “Depois

que saiu de lá já foi feito dentro do padrão moderno” (ARGOLO,

25/03/2011).

A Rádio Bahiana operou com o transmissor da Sociedade Técnica

Paulista por cerca de vinte anos. Já na Granja Pindorama, na década

de 1970, o parque de transmissões ganhou um transmissor moderno,

de 1 K/Watt (um quilo de potência) e ampliou o alcance da emissora.

A Rádio Bahiana deixava de ser uma emissora local e assumia o posto

de emissora regional. Para esta ampliação foi necessário, também, mudança

na frequência e no prefixo da rádio. A ZYN-27 passou a ser ZYH

472, e deixou de operar em 1250 CPS13 passando para 1460 KHz14.

Mudanças, segundo Virgílio Argolo, necessárias para o aumento da

potência:

Pra você aumentar a potência tem que mudar de frequência.

Essa freqüência 1250 tinha uma aqui, outra em Alagoinhas,

e tinha várias no Brasil. Parece que eram 11 ou

12 emissoras na mesma freqüência. Então teve de mudar

13Ciclos por segundo.

14O hertz (símbolo Hz) é a unidade de frequência derivada do SI para frequência,

a qual é expressa em termos de ciclos por segundo a frequência de um evento

periódico, oscilações (vibrações) ou rotações por segundo (s-1 ou 1/s). Um de seus

principais usos é descrever ondas senoidais, como as de rádio ou sonoras. O hertz

é nomeado em homenagem ao físico alemão Heinrich Hertz, que fez grandes contribuições

científicas importantes ao eletromagnetismo. O nome da unidade foi estabelecido

na Comissão Eletrotécnica Internacional (International Electrotechnical

Commission) em 1930 e foi adotado na Conferencia Geral de Pesos e Medidas (Conférence

générale des poids et mesures) em 1960. Substituindo assim o nome ‘ciclos

por segundo’ (CPS), juntamente com seus múltiplos, quilocilos por segundo

(kc/s), megaciclos por segundo (Mc/s) e assim por diante. O termo ciclos por segundo

foi amplamente substituído por hertz apenas na década de 1970. Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Khz. Acesso 01/05/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 29

de freqüência para aumentar a potência, já passou a ser

uma potência regional (ARGOLO, 25/03/2011).

A mesa de controle de áudio era muito simples. Por exemplo, a escuta,

sistema de amplificação interno que possibilita ao operador colocar

o disco no ponto para que a mixagem seja feita de forma correta, não

existia. O jeito era encostar o ouvido o mais próximo possível da agulha

do toca-discos. Não era possível, também, testar o áudio das transmissões

externas antes de ir para o ar, pelo mesmo motivo, não existia

sistema de escuta na mesa de som. As inserções comerciais gravadas

vinham das agências em discos de vinil, sendo que, todos os comerciais

locais eram lidos ao vivo pelos locutores.

Tempos difíceis para os rádiooperadores. Operar os controles de

som sem que nenhum erro fosse cometido era uma arte. Necessitava de

criatividade e muita atenção. A força da mensagem transmitida ao ouvinte

não dependia só do locutor que interpretava textos ao microfone,

mas também do rádiooperador, que, com a mixagem perfeita, combinava

voz do locutor com os sons extraídos dos discos de vinil.

A mistura de tudo isso dentro de um estúdio, onde não se vê

ninguém,mas você sabe que o estão ouvindo, provoca uma

outra coisa, chamada emoção. Uma sensação difícil de

explicar mas fácil de entender, quando parte de uma coisa

chamada rádio (CÉSAR, 1996. p.12).

O estúdio aos poucos foi sendo modernizado. A “consolete” da Sociedade

Técnica Paulista foi substituída por outros equipamentos mais

avançados. A nova mesa de áudio com sistema de escuta facilitou deveras

o trabalho dos operadores. Toca-discos mais modernos foram

adquiridos, e novos microfones deram mais qualidade às vozes da Bahiana

de Jequié: “Naquela época a rádio pertencia a Lomanto, e ele

viajou até Los Angeles e trouxe aqueles microfones Shure para fazer

transmissões externas” (SANTANA 1, 26/03/2011). Gravadores com

fitas de rolo também ajudaram a modernizar a parte técnica da rádio:

“(...) gravador grande de rolo da Phillips, depois veio o da Sony e

outros que apareceram por aí” (SANTANA 1, 26/03/2011). Os tapedecks,

aparelhos que rodavam as fitas K7 também foram adquiridos.

Os comerciais, antes lidos ao vivo, passaram a ser gravados e veiculados

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30 Judson Pereira de Almeida

em cartucheiras, equipamentos com boa qualidade de áudio e de fácil

manuseio. Mesmo com os novos recursos, segundo Ari Santana, existia

uma resistência por parte do diretor da emissora em fazer o noticiário

gravado. Só depois de algum tempo Cid Teixeira se deu por vencido e

permitiu que algumas edições do noticiário fossem gravadas.

Nos primeiros anos as transmissões externas da Rádio Bahiana eram

feitas por meio de redes de fios instaladas em alguns pontos da cidade.

A Bahiana não possuía links em rádio frequência ou outro equipamento

que permitisse a transmissão de qualquer local sem o uso de fios. Foram

colocados pontos de transmissão no Cinema Jequié (de onde foi transmitido

o show de inauguração da emissora e onde era realizado o Festival

dos Brotos), no Jequié Tênis Clube, no Fórum (que funcionava

num imóvel na rua Jerônimo Sodré, em frente ao Jequié Tênis Clube),

na Câmara de Vereadores (localizada na Rua 2 de Julho, vizinho à

emissora), da Praça Rui Barbosa (vizinha à emissora) e do campo do

Aníbal Brito, no bairro Jequiezinho (local mais distante de onde se

faziam transmissões esportivas no perímetro urbano). Só depois de

firmada parceria com a Companhia Telefônica de Jequié foi possível

transmitir de outros pontos da cidade sem maiores dificuldades, através

de uma linha TX (transmissão). Para ligar os microfones os locutores

utilizavam um equipamento chamado “maleta”, uma espécie de amplificador

que poderia funcionar à bateria ou a energia elétrica, apropriado

para transmissões externas. Transmitir ao vivo de outras cidades da

região era uma aventura. Evandro Lopes, comentarista esportivo da Rádio

Bahiana, narra a dificuldade para fazer uma transmissão esportiva

de outra cidade por meio de linha telefônica. Conta o veterano radialista

que não havia como saber se a transmissão realmente estava no ar.

Marcava-se um horário, o rádioopetador abria o canal da linha e o trabalho

começava. Se ocorresse algum problema durante a transmissão a

equipe esportiva não tinha como saber, continuava o trabalho até o fim,

mesmo não estando no ar:

Me lembro bem da primeira transmissão que eu fiz fora,

foi em Valença. Primeiro jogo de Jequié em 1967 contra

Valença. Você chega lá na cidade vai lá na telefônica e

pede uma reserva de uma linha aí liga pra cá ,aí Cid pede

a reserva daqui aí você faz um interurbano. A gente marcava

um horário. Não tinha retorno. Marcava o horário

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A Rádio Bahiana de Jequié 31

e naquele horário contava 1, 2,3,4,5 e entrava no ar (LOPES,

13/03/2011).

Transmissões externas de cidades mais próximas foram feitas com

mais segurança e qualidade técnica depois que a emissora foi adquirida

pelo então governador da Bahia, o jequieense Antônio Lomanto Júnior.

Competições esportivas e outros eventos regionais passaram a ser transmitidos

por meio de um sistema de RF, um link de frequência baixa em

Amplitude Modulada, de propriedade particular do governador, conforme

assevera Virgílio Argolo:

Na época que Lomanto foi governador eu era rádio amador,

eu usava o transmissor de Lomanto, um Delta. A gente

transmitia tudo em 80 metros pra cá, então transmitia dessas

cidades aqui por perto pelo rádio amador, PX mesmo.

Nós transmitíamos de Ipiaú, Maracás, aqui por perto. Itabuna,

Ilhéus, fazíamos a transmissão direto em AM, modulação

em amplitude (ARGOLO, 25/03/2011)

No início da década de 1990 a sonotécnica da Bahiana contou com

um computador dispondo de software de poucos recursos para a veiculação

de vinhetas e comerciais. Muitos equipamentos foram utilizados

na Rádio Bahiana de Jequié, sendo que, os acima elencados, foram lembrados

pelas fontes, citados a título exemplificativo.

Além de Virgílio Argolo também trabalhou por alguns anos como

técnico na Rádio Bahiana de Jequié Juvenal Moura Pinheiro, como lembra

Ari Santana: “a gente chamava ele de cientista louco porque ele é

um técnico fora de série” (SANTANA 1, 26/03/2011).

1.2 O radioteatro, os programas de auditório

De 1954 até a segunda metade da década de 1960 a Rádio Bahiana de

Jequié levou ao ar várias radionovelas, gravadas em fitas de rolo na Rádio

Sul Fluminense, também pertencente ao grupo Rádiointerior, de Alceu

Nunes da Fonseca e enviadas para a Rádio Bahiana. As telenovelas

engatinhavam no Brasil e o rádio ainda era o veículo por meio do qual,

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32 Judson Pereira de Almeida

diariamente, as pessoas acompanhavam as histórias e os dramas levados

ao ar por meio dos folhetins15. Na Bahiana de Jequié o horário das

rádionovelas era às nove e meia da manhã, antes do programa Músicas

e Informações, sobre o qual falaremos em capítulo próprio.

Nenhuma radionovela foi produzida em Jequié, mas locutores e

redatores da Rádio Bahiana chegaram a criar peças para o rádioteatro.

Ao contrário das radionovelas que eram gravadas e editadas pelo grupo

Rádiointerior, o radioteatro da Bahiana era ao vivo, ora apresentado direto

do estúdio da emissora, ora em eventos sociais. Os textos eram

em forma de script,16 os fundos musicais retirados de LPs e os efeitos

sonoros improvisados pelos próprios locutores/atores. Segundo Ari

Santana:

Tinha um programa de terror. Interessante que, na abertura

tinha de ter uma porta rangendo, depois os passos e o

tiro. Aí Miriam Torres que era nossa colega naquela época,

irmã de Érico Torres... eu entrava dando os passos, abria

a porta, fazia o rangido, parava e... Pááá, dava o tiro e eu

fazia hahahahahah, eu dava aquela risada (SANTANA 1,

26/03/2011).

Todo esforço era feito com elementos verbais e não verbais para que

o ouvinte fosse levado a criar um cenário imaginário no qual a história

narrada se desenvolvia.

(...) a linguagem radiofônica é o conjunto de formas sonoras

e não sonoras representadas pelos sistemas expressivos

da palavra, da música, dos efeitos sonoros e do silêncio,

cuja significação vem determinada pelo conjunto dos recursos

técnicos/expressivos da reprodução sonora e o conjunto

de fatores que caracterizam o processo de percepção

sonora e imaginativo-visual dos ouvintes (BALSEBRE,

apud MEDITSCH, 2005. P. 329).

15Áudio Disponível em http://www.4shared.com/audio/hzMckGn6/

Radionovela_-_Veiculada_pela_R.html.

16Áudio disponível em http://www.4shared.com/audio/OQtc9D9w/

Radio_Teatro_-_Rdio_Bahiana_de.html.

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A Rádio Bahiana de Jequié 33

Os programas de auditório marcaram época na ZYN – 27. Alguns

de duração efêmera. Direto de um pequeno auditório da Casa Paroquial

O Tabuleiro da Bahiana foi um espaço para grupos de jovens que

cantavam e tocavam influenciados por Elvis Presley e Bill Haley & His

Comets (Bill Haley e Seus Cometas),17 a exemplo da banda cover Ari

Santana e Seus Cometas. O programa Valores da Terra era espaço para

a apresentação de artistas regionais. O jornalista Fernando Barreto e o

radialista Ulisses Factum comandaram um programa que não pode ser

considerado de auditório, mas contava com a participação do público;

era apresentado da cabine da Bahiana de Jequié. Eu Acuso era uma espécie

de júri no rádio, ao vivo: “Havia a participação de promotores,

advogados, todo mundo participava, o ouvinte etc. Discutiam um caso

daqui da região. O ouvinte participava condenando ou absolvendo”

(SANTANA 1, 26/03/2011).

O programa de auditório de maior duração e repercussão promovido

e apresentado pelo elenco da Rádio Bahiana foi o Festival dos Brotos.

A rádio não possuía auditório próprio e o programa era realizado no

Cine Teatro Jequié, com capacidade de abrigar mil e duzentas pessoas

sentadas. Era compromisso certo nas manhãs de domingo para jovens

ávidos por entretenimento e artistas locais em busca de sucesso. Animado

por Geraldo Teixeira, locutor de grande popularidade, e transmitido

ao vivo pela Bahiana de Jequié, o Festival dos Brotos revelou talentos,

como a cantora Kátia Morbeck, Zamurinha e os conjuntos Capítulo

Quinto e o Bossa Seis. Sobre este último, lembra o músico e radialista

Aroldo Vieira: “Éramos eu, Cleber de Fanor (Cléber Ferreira), Tizo, Jocely,

Melquíades e João Faustino, a gente tocava no Festival dos Brotos

17Bill Haley & His Comets foi uma banda de rock and roll que teve início nos anos

1950 e que continuou até a morte de Haley em 1981. Esta banda, também conhecida

pelos nomes Bill Haley and The Comets e Bill Haley’s Comets, foi um dos primeiros

grupos de músicos brancos a levar o rock às grandes platéias norte-americanas e ao redor

do mundo. Seu líder, Bill Haley, era um músico de country; depois de gravar uma

versão country de "Rocket 88", uma cancão de R&B considerada o primeiro Rock and

Roll gravado, ele mudou seu estilo para um novo som chamado rockabilly. Embora diversos

integrantes do Comets tenham ficado famosos, foi Bill Haley quem permaneceu

como o astro. Com sua postura energética ao palco, muitos fãs consideram-nos tão

revolucionários para sua época quanto os Beatles e os Rolling Stones foram para as

suas. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bill_Haley_%26_His_

Comets Acesso 15/04/2010.

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34 Judson Pereira de Almeida

todo domingo de manhã. Antes a gente ensaiava e domingo tocava lá.

Era muito bom” (VIEIRA, 13/03/2011). Alguns músicos que se apresentaram

no Festival dos Brotos seguiram carreira profissional. Aroldo

Vieira, por exemplo, deixou a bateria do Bossa Seis para assumir o vocal

do Embalo 4, de Gatinha, banda que marcou época em Jequié realizando

bailes memoráveis não só na Cidade Sol, como em várias partes

da Bahia e do Brasil.

No Festival dos Brotos dezenas de calouros concorriam a prêmios

e corriam o risco de serem gongados, assim como nos programas de

Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Dezenas de brindes eram sorteados

todos os domingos, oferecidos por empresas do comércio de Jequié

que viam no programa uma oportunidade para tornarem seus produtos

mais conhecidos entre os jovens. “A gente saia arrecadando brindes

no comércio, o comércio fazia valer, dava os brindes e o cinema superlotava”

(TEIXEIRA, 12/03/2011).

O locutor e apresentador do Festival dos Brotos, Geraldo Teixeira,

tornou-se um empresário de shows em Jequié. Muitos artistas se apresentaram

na cidade empresariados por Geraldo. Quase todos os shows

promovidos por ele foram transmitidos pela Rádio Bahiana. Quando

não havia transmissão, o artista era entrevistado na emissora. Lembra

Ari Santana que “se apresentaram no Cine Jequié Nelson Gonçalves,

Orlando Dias, Roberto Carlos, Emilinha Borba, Nelson Ned, Agnaldo

Timóteo, Ângela Maria, Waldick Soriano, muita gente famosa daquela

época” (SANTANA 1, 26/03/2011). Um dos artistas de maior prestígio

e que fez várias apresentações em Jequié foi Cauby Peixoto. Em

visita à Cidade Sol, depois de uma turnê pelos Estados Unidos, Cauby

se apresentou no Jequié Tênis Clube. Quem não esteve na platéia pôde

acompanhar o show em casa, pelas ondas da Rádio Bahiana.

Cauby Peixoto mesmo, eu me lembro que a primeira apresentação

dele, logo que ele chegou dos Estados Unidos

foi no Jequié Tênis Clube. A Rádio Bahiana retransmitiu,

mas foi uma festa patrocinada pelo clube (ARGOLO,

25/03/2011).

Voltemos ao Festival dos Brotos. O programa de auditório de maior

sucesso da Bahiana de Jequié teve a sua última edição no final da década

de 1960, em um domingo, coincidentemente um 21 de setembro,

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A Rádio Bahiana de Jequié 35

aniversário da Rádio Bahiana, por causa de um desentendimento entre

o diretor da rádio e o proprietário do Cine Jequié. Segundo conta Cid

Teixeira o valor arrecadado com a bilheteria do programa pertencia à

Rádio Bahiana.

Seo Altamirando, vendo o cinema cheio no dia do aniversário

da rádio, dia 21 de setembro, ele chegou e disse: olha

Cid meio dia eu vou desligar a luz. Aí eu perguntei: por que

rapaz? Eu vou desligar porque tem matinê. Eu disse: se

você vai desligar pode desligar. Eu pensei: isso vai ficar

ruim né? Aí eu disse: quanto é que você quer? Aí ele pediu

“X”, eu disse: tá bem eu lhe pago. Aí eu acabei com o

programa (TEIXEIRA, 12/03/2011).

O fim do Festival dos Brotos foi decidido de forma repentina, num

dia de comemorações, com o cinema lotado, como sempre estivera

desde a primeira edição. Ficou na lembrança de artistas e pessoas

que freqüentaram o auditório comandado por Geraldo Teixeira naquelas

jovens manhãs de domingo. “Era um programa que tinha para a época

uma conotação extraordinária” (LOPES, 13/03/2011).

Em 1989 Jequié reviveria, por um curto período, as emoções de um

programa de auditório promovido por uma emissora de rádio. Naquele

ano foi inaugurada a Estação 93 FM, tendo como proprietários o empresário

Manoel Guedes18 e o então deputado federal Leur Lomanto.

O diretor de programação era Gilmar Azevedo e o locutor mais popular

Tony Silva, um pernambucano com grande experiência no rádio e que se

tornou uma estrela nos primeiros anos da Estação 93 FM. Gilmar criou

o Show de Prêmios19, um programa de auditório nos mesmos moldes

do Festival dos Brotos, realizado nas manhãs de domingo no Cine Auditorium,

um antigo cinema que foi transformado em casa de eventos.

No Show de Prêmios eram realizadas gincanas entre alunos de escolas,

apresentação de calouros, sorteio de brindes e shows de bandas locais.

18Cerca de um ano depois de inaugurada a Estação 93 FM, Manoel Guedes vendeu

as ações da emissora para o então vereador e empresário Euclides Fernandes.

19Segundo Gilmar Azevedo o principal objetivo do Show de Prêmios “(...) foi popularizar

a rádio torná-la bem próxima do povão, aí sim tomar uma fatia do público

da Bahiana” (AZEVEDO, 02/06/2011)

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36 Judson Pereira de Almeida

O público vibrava com a apresentação de Tony Silva, as bandas, as competições,

os brindes e as dançarinas que davam mais colorido ao show.

No programa de estréia Geraldo Teixeira, apresentador do Festival dos

Brotos, foi homenageado com a entrega de uma placa. Emocionado

agradeceu à direção do programa e ao público. “Convidado para fazer

parte do júri do programa, os olhos de Geraldo brilhavam, ao reviver os

velhos tempos, os velhos tempos dos programas de auditório da Bahiana

de Jequié” (SILVA, 14/04/2011). O Cine Jequié, palco de grandes acontecimentos

para cidade e do lendário Festival dos Brotos foi fechado na

década de 1990. Atualmente funciona no prédio do antigo cinema uma

loja de tecidos e confecções.

1.3 Influência na vida social

A Rádio Bahiana de Jequié foi implantada em um período em que não

existia telefonia móvel celular e o número de aparelhos fixos era reduzido.

A Empresa Telefônica de Jequié foi inaugurada em 1920 e, em

1954, ainda dispunha de poucas linhas, instaladas geralmente nas casas

de pessoas de maior poder aquisitivo. A Rádio Bahiana de Jequié encurtou

distâncias impostas pelas dificuldades de comunicação, feita boca a

boca, por meio das pouquíssimas linhas telefônicas disponíveis e de cartas,

que muito demoravam a chegar ao destino devido às condições ruins

das estradas. A emissora de rádio passou a integrar comunidades que,

pertencentes ao mesmo município viviam distantes. Sobre este aspecto

é oportuna a lição de Marshall McLuhan:

Platão, cujas idéias tribais de estrutura política estavam

bem fora de moda, dizia que o tamanho certo de uma cidade

era indicado pelo número de pessoas ao alcance da voz

de um orador. Até o livro impresso, para não falar do rádio,

torna bem irrelevantes, para efeitos práticos, as pressuposições

políticas de Platão. Mas o rádio, dada a sua

facilidade de relações íntimas e descentralizadas, tanto ao

nível pessoal como ao de pequenas comunidades, poderia

facilmente realizar o sonho político de Platão numa escala

mundial (McLUHAN, 2001, p. 345).

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A Rádio Bahiana de Jequié 37

A Bahiana de Jequié passou, então, a transmitir acontecimentos

políticos e sociais, eventos religiosos, esportes, factuais, demandas da

comunidade etc. Tudo que era dito aos microfones da emissora alcançava

grande repercussão. Para Evandro Lopes a Rádio Bahiana “(...)

era um paradigma dessa cidade, era uma comunicadora de tudo quanto

esta cidade tinha” (LOPES, 13/03/2011). Para se ter uma idéia do prestígio

e da credibilidade da Rádio Bahiana cabe relatar um acontecimento,

segundo Emerson Pinto de Araújo, ocorrido no final da década de 1950.

O então tenente Etiene Falcão comandava o policiamento militar ostensivo

em Jequié. O oficial perpetrou uma série de arbitrariedades contra

cidadãos chegando ao ponto de proibir as pessoas de cruzarem as pernas

no cinema. Mas o ápice das arbitrariedades foi quando a dupla “Cosme

e Damião” (policiais que faziam o policiamento sempre juntos), sob o

comando de Etiene, invadiu os estúdios da Rádio Bahiana, no momento

em que era veiculada uma gravação contendo denúncias deWashington

Navarro Pinto contra desmandos, arbitrariedades e violências cometidas

pelo citado oficial. O tenente desligou o equipamento do estúdio,

conforme narra Ari Santana: “ele perguntou: onde é que desliga isso?

Eu respondi: não sei não senhor. Aí perguntou a Jota Narcíso: onde é

que desliga? Narcíso disse: é ali. Ele foi lá e desligou” (SANTANA 1,

26/03/2011). A invasão da Rádio Bahiana provocou a revolta da comunidade,

que já estava cansada dos desmandos de Etiene.

Imediatamente, as forças vivas da comunidade reforçaram

os telegramas expedidos às autoridades federais e estaduais

reclamando providências, o que culminou com a destituição

do tenente arbitrário, chamado de volta à capital do

estado (ARAÚJO, 1997, p. 383).

Apesar dos baixos salários os profissionais da emissora, principalmente

os locutores, faziam muito sucesso, gozavam de prestígio na sociedade

jequieense. Eram como artistas, estrelas da comunicação local:

“Galã de novela é o termo” (SARDINHA, 11/03/2011). Eram admirados

e tietados por fãs de várias idades. “O status de radialista naquela

época era muito importante. A gente era um reizinho, todo mundo

queria conhecer” (MENDES, 12/03/2011). Muitos comunicadores passaram

a fazer parte de entidades de importância e prestígio na sociedade

como Lions Clube, Rotary Clube e Maçonaria.

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38 Judson Pereira de Almeida

Aproveitando a grande força da Bahiana AM alguns locutores ingressaram

na política e, em um primeiro momento, tiveram êxito. Roque

Oliveira e Geraldo Teixeira foram eleitos vereadores com expressiva

votação, o mesmo não ocorrendo na tentativa de se reelegerem.

Anos mais tarde, em 1992, outros radialistas também tentaram chegar

à câmara de vereadores. Toni Silva, Aloísio Rocha e Roque Legal

aproveitavam a popularidade da Estação 93 FM, inaugurada em 1989, e

se lançaram candidatos. Nenhum dos três conseguiu vaga no legislativo

municipal. O locutor José Lima, que adotou o nome artístico de Mister

Boy trabalhava na 93 FM de Jequié, mas candidatou-se a vereador em

Ubatã – Bahia, confiando na popularidade adquirida por meio da Ubatã

FM, onde atuou por vários anos com o pseudônimo de Jota Camafeu,

também não obtendo sucesso nas urnas.

1.3.1 Integração da cidade com a zona rural: A Hora do Fazendeiro

Na década de 1960 surgiu um programa que foi de grande audiência

da Rádio Bahiana de Jequié. A Hora do Fazendeiro, levado ao ar de

segunda à sexta-feira das 13h00 às 14h00, fazia a integração entre o

campo e a cidade. O programa enviava mensagens para quem morava

na roça e vice-versa. O rádio funcionava como elo entre o urbano e

o rural. Encurtou a distância entre localidades onde, antes, notícias e

recados demoravam a chegar.

As pessoas levavam até a sede da emissora, notas com recados do

tipo: “atenção Maria na Fazenda Jabuti, João avisa que chega hoje à

tarde com as crianças”. Tudo era passado a limpo e lido pelo locutor,

que intercalava blocos de notas com músicas rurais (sertanejas).

Nos primeiros anos da Rádio Bahiana de Jequié o programa levado

ao ar das 13h00 às 13h30 era o Informação Agrícola. Gravado da Rádio

Sul Fluminense do Rio de Janeiro, também pertencente ao grupo

Rádiointerior. Era dividido em: meu mundo é minha horta, conversa

com o agricultor etc. No horário o locutor da Rádio Bahiana, informava

apenas a hora certa, o restante do conteúdo era gravado. Conta

Ari Santana que, certa feita, nos idos de 1969 um fazendeiro o procurou

na emissora e disse:

Moço, a gente ouve este programa lá na região e eu quewww.

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A Rádio Bahiana de Jequié 39

ria pedir um favor ao senhor. O senhor pode ler uma nota

aí avisando pra lá que o gado chegou, já está aqui e vai

chegar lá tal hora? Eu disse: pois não meu senhor (SANTANA

1, 26/03/2011).

Nos dias que se seguiram várias pessoas levaram notas para serem

divulgadas no Informação Agrícola. O volume de recados foi crescendo

e o locutor do horário incentivou a direção da emissora a não mais veicular

o conteúdo gravado, mudando o nome do programa para A Hora

do Fazendeiro, com uma hora de duração, das 13 às 14h00. “Chegou a

um ponto que a Hora do Fazendeiro atendia por dia 280 a 300 notas. Era

a comunicação com o homem do campo” (SANTANA 1, 26/03/2011).

O locutor tocava uma sineta dentro da própria cabine como uma espécie

de sinal sonoro entre um recado e outro. Por mais de trinta anos

o programa foi um sucesso estrondoso. Segundo Cid Teixeira “tinha

fazendeiro que botava funcionário à disposição na fazenda para ouvir

os recados” (TEIXEIRA, 12/03/2011). A grande audiência de A Hora

do Fazendeiro comprovava a eficácia do programa em sua proposta de

fazer a ligação entre o campo e a cidade e da Rádio Bahiana como

veículo de comunicação de massa.

Em períodos de festas a equipe do programa recebia muitos presentes

vindos da zona rural. As pessoas expressavam gratidão e ao

mesmo tempo amizade pela prestação do serviço. Vários produtos do

campo chegavam á rádio: banana, laranja, melancia, batata, jaca, inhame,

galinhas, leite etc. a maioria endereçada ao apresentador Ari

Santana, que dividia com os colegas.

Outros locutores também apresentaram o programa, a exemplo de

Mascarenhas Filho, Geraldo Teixeira, Silva Lopes e Edísio Santana,

mas o grande sucesso do programa foi mesmo com Ari Santana: “Interessante,

esse programa informativo, apesar das tentativas, nunca deu

certo com outro apresentador” (NOVAES JÚNIOR, 2006. p. 48), o que

demonstrava a força pessoal e a credibilidade do comunicador. Até o

ano de 2007 A Hora do Fazendeiro foi apresentado na Rádio Bahiana,

sendo extinto quando o pastor Josué Augusto vendeu a emissora para o

grupo Pazzi, como se verá no último capítulo deste trabalho.

Por fim, cabe atenção para uma questão curiosa. Os programas rurais,

dedicados exclusivamente ao homem do campo, geralmente são

levados ao ar em emissoras de rádio no horário matutino. Esta é uma

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40 Judson Pereira de Almeida

idéia tão fixa que foi encomendada uma vinheta cantada com o nome

do programa e os músicos do estúdio colocaram, depois das vozes, o

canto de um galo. Nada mais impróprio para um programa levado ao

ar depois do almoço.20 A Hora do Fazendeiro teve a peculiaridade de

ser apresentado num horário sem tradição de programa rural, mas com

absoluto sucesso e audiência.

1.3.2 A crônica social: o Bom Dia de Luiz Cotrim

“Neste horário passamos a apresentar o nosso Bom Dia, uma crônica

escrita pelo professor Luiz Cotrim e levada ao seu receptor diariamente

neste horário”. Esta era a abertura de um dos quadros de grande sucesso

da Rádio Bahiana, o Bom Dia de Luiz Cotrim. Levado ao ar diariamente

às 06:55, a crônica falava da vida social de Jequié. Boêmio,

Luiz Cotrim freqüentava festas, bailes, aniversários, casamentos, missas,

cultos, eventos, o reduto da alta sociedade. Tudo era narrado nas

crônicas, sempre finalizadas com uma rosa vermelha à mulher homenageada

naquele dia. Com linguagem poética e sempre galanteador, o

Bom Dia de Cotrim foi, sem dúvida, um dos mais marcantes quadros do

rádio jequieense. O Poeta Dourado, como é carinhosamente chamado,

não falava de questões políticas polêmicas, narrava apenas fatos sociais.

“Tem participação ativa na vida mundana e cultural da cidade, sendo um

dos baluartes pela fundação da Academia de Letras de Jequié, em 1997”

(RIOS, 1997. p. 128). Quem deu vida e voz às crônicas de Cotrim foi o

locutor Ari Santana que também apresentou, ao lado de Gélia Ferreira, o

programa Hoje é Domingo, também escrito por Luiz Cotrim. A crônica

de Cotrim constituía-se em algo a ser guardado como recordação por

aqueles que eram citados pelo poeta. “O pessoal ia em minha casa com

a cópia da crônica para eu gravar para deixar em casa, para ter guardado

aquilo ali” (SANTANA 1,26/03/2011)21. Depois de mais de trinta anos

20Vinheta disponível em http://www.4shared.com/audio/cZkfTi9c/

Vinheta_-_Hora_do_Fazendeiro.html.

21Transcrição de uma crônica de Luiz Cotrim levada ao ar na primavera de 1976.

Dona Edna Silva Cruz parabéns pelo aniversário do esposo Antônio Souza

Almeida. Estando o lar em festa e o aniversariante recebendo cumprimentos. O

casal feliz neste encontro. Olhe Edna, Roberto Carlos vem cantar na festa do seu lar.

Antônio Souza Almeida, parabéns e tudo de bom.

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A Rádio Bahiana de Jequié 41

na Rádio Bahiana o Bom Dia de Luiz Cotrim passou a ser apresentado

na 95 FM, no mesmo horário, às 06h55.

Luiz Neves Cotrim é natural de Caetité – Bahia, nascido no dia 20 de

outubro de 1919. Ainda jovem mudou-se para Jequié onde construiu sua

vida. Professor de Língua Portuguesa por várias gerações no Instituto

Leda Fonseca Teixeira. Noiva e amanhã uma promoção no cenário encantado da

juventude, o chá de cozinha. Uma festa de amor, e somente festa de juventude, porque

somente quem é jovem para se ancorar com alegria num chá de cozinha o riso de

cristal de Leda. A noiva tão bonita, ela e o bem amado Pedro Alves Lima. Anfitriões

nesta festa Nair e Juvenal, meus amigos e, sobretudo, gente como Marinélia na envolvência.

Ela tão minha amiga e a amizade foi buscar tanta gente hoje cara ao meu

coração. Judite e Alfredo com os filhos Lindi, Lídia e Elizeu, com Dene, Liu, Nanai e

eu nem pensei nunca como eu iria dever tanto a Mari. A amizade destas pessoas hoje

tão profundamente ligadas a mim por laços de tanta amizade. Sim, o chá de cozinha

com o convidado Roberto Carlos cantando e encantando a noite tão jovem de Júnior

e com apenas um traço de luar no céu.

Na biblioteca do IERP onde tenho ido invariavelmente à noite num intervalo qualquer

para rever Humberto de Campos converso com Dina, a bibliotecária do horário.

Muito amável esposa do professor Raimundo. E falo do aniversário do filho Vagner

Meira Fernandes da Costa, doze anos, estudante e bom de bola. De sorte que os pais,

com Júnior, cantam a canção de parabéns. A comemoração é amanhã, dia cinco, com

os colegas reunidos no encontro de crianças e adolescentes. Dina na biblioteca do

IERP é um convite à leitura mesmo nos curtos momentos. Sua cortesia, seu silêncio,

sua bondade. Livro quer e requer carinho, aconchego. E é uma pena quando vejo

um livro estragado, maltratado por mãos tão longe de poder acariciá-lo. Parabéns

Vagner, pelo aniversário amanhã. Numa noite de festa no cenário da família com

os pais sendo anfitriões. Festa do primeiro aninho de Geraldo Júnior, filho de meus

amigos Geraldo e a professora Marilene. O nome do pai, que se alonga no cenário

da casa. Geraldo é um dos comandantes da venda de automóveis na Jordan Ford e

Peças, onde outro Geraldo tem os seus domínios. Geraldo Magela Andrade. Meus

amigos Marlene e Geraldo, parabéns pelo primeiro aninho do filhinho. E vocês e ele,

ouçam Roberto Carlos cantar. Nada melhor para que a manhã abra as cortinas do

dia e possa a noite vir encontrar o lar em festa. Geraldo sabe comandar, também, as

noites de festa na ACJ. Geraldo Júnior, no enlevo do carinho dos pais e dos amigos e

motivo para uma braminha e frios e as crianças com doces. Parabéns.

Aniversário de Maria Lúcia, muito bonita neste encontro com a primavera. Mais

um ano de vida, um marco no tempo. Eleodora e Eunice, o namorado e Lourival.

Ainda outros nomes circulando. As colegas do básico no IERP. O locutor vai

deixar o disco rodar. É assim, como uma homenagem aos aniversariantes e a quem

amanhã viverá a bela noite do chá de cozinha. Leda minha amiga, você é noiva e

bonita. Com uma rosa e o fundo musical, e um bom dia para você (COTRIM, LUIZ.

1976). Áudio disponível em http://www.4shared.com/account/audio/

o1p3HP6p/O_Bom_Dia_de_Luiz_Cotrin_-_197.html.

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42 Judson Pereira de Almeida

de Educação Régis Pacheco (IERP). É um dos membros fundadores da

Academia de Letras de Jequié, titular da cadeira no01 que tem como

patrono Lindolfo Rocha. Luiz Cotrim falou de Jequié em suas crônicas

e poesias22 com paixão. É um símbolo vivo da Cidade Sol.

22Bibliografia: Seleção De Prosas e Versos (1982), Jequié, Poesia e Prosa (Sec.

Cultura, Lazer e Esporte, 1992), A Poesia de Luiz Cotrim no Centenário de Jequié

(Editora P&A, 1997). Fonte: www.alj.com.br.

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A Rádio Bahiana de Jequié 43

2 O radiojornalismo

Muitos programas jornalísticos foram criados e apresentados em horários

diferentes na Rádio Bahiana. De hora em hora, nos primeiros tempos,

o Correspondente N-2723 levava aos ouvintes as últimas notícias.

Depois, no início da década de 1970, o noticiário passou a ser chamado

de Plantão Informativo. O Repórter Esclarece, apresentado das 18h15

às 19h00 por Gildélito Ferraz, era um noticiário local com participações

de repórteres ao vivo de pontos da cidade. Depois que a emissora ampliou

a potência e obteve autorização para funcionar até a meia-noite foi

criado O Grande Jornal Falado, das 22h00 à meia-noite, com as principais

notícias do dia. O Jornal da Manhã foi levado ao ar das 07h00 às

08h00. Não havia uma divisão muito nítida entre repórteres e locutores.

Muitos profissionais que trabalhavam na cabine da Rádio Bahiana também

faziam reportagens.

As notícias regionais eram obtidas por meio da compilação de jornais

impressos locais quase todos de vida efêmera, com exceção do

Jornal de Jequié, fundado pelo jornalista e poeta Wilson Novaes em

1945 e em circulação até os dias atuais. As reportagens giravam em

tordo de política, polícia e cotidiano. As notícias estaduais, nacionais

e internacionais eram compiladas de jornais impressos e também captadas

de outras emissoras como as Rádios Globo, Tupi e Sociedade da

Bahia, gravadas no gravador de fita de rolo e transcritas para serem lidas

pelos locutores da Rádio Bahiana. “Gravava noticiário do Rio, São

Paulo, Salvador” (TEIXEIRA, 12/03/2011). Merecem destaque redatores

como Eutímio Almeida e João Mendes, considerados de escrita

fácil e muito ágeis na máquina de datilografar.

O Eutímio Almeida que mora hoje em Feira de Santana era

redator de notícias e de esporte da Rádio Bahiana. Era

o único que batia a máquina numa velocidade com dois

dedos que eu nunca vi coisa igual. Ele botava a gravação

para tocar e transcrevia para fazer os textos do noticiário

(LOPES, 13/02/2011).

23Áudio disponível em http://www.4shared.com/audio/_TwnLN9W/

Notcia_-_Correspondente_N-27.html.

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44 Judson Pereira de Almeida

Muitas vezes, por problemas com o equipamento, gravações de entrevistas

etc., que faziam parte do noticiário tinham de ser veiculadas diretamente

ao microfone. “Quando você ligava o gravador naquela mesa

grande às vezes não saía, dava bronca. Então eu preferia fazer assim,

botava a notícia (entrevista gravada) na boca do microfone” (MENDES,

12/03/2011).

Para fins deste trabalho relataremos alguns fatos marcantes no radiojornalismo

da Bahiana de Jequié. O primeiro aconteceu no início da

década de 1980. Por volta das 19h15, horário em que todas as emissoras

de rádio do país transmitem em cadeia A Voz Do Brasil (noticiário

oficial produzido pela Rádiobrás) o repórter e radiooperador Inaldo

Sardinha estava sozinho na emissora quando percebeu que um

pequeno avião dava vôos rasantes sobre Jequié. Passados mais alguns

minutos constatou-se que o piloto da aeronave estava perdido, sem encontrar

um local para pousar a aeronave. O avião sobrevoava a cidade e

causava preocupação. Foi então que Sardinha teve a iniciativa de interromper

A Voz do Brasil e convocar motoristas para irem até o Aeroporto

Vicente Grilo iluminar a pista, para que o pouso fosse realizado.

Eu fui até a porta da cabine de locução do estúdio principal,

abri a porta, encostei uma cadeira, voltei para a técnica,

abri o microfone, fiz o mesmo itinerário novamente

e pedi à população que tivesse com veículo que se deslocasse

até o aeroporto para poder acender os faróis para

o avião pousar. Muitos carros foram e o avião pousou

(SARDINHA, 11/03/2011).

No dia seguinte soube-se que no avião estavam um americano e

um francês, diretores de uma empresa mineradora, além de piloto e

co-piloto. Uma tragédia foi evitada graças ao bom senso de Inaldo

Sardinha, e às ondas da Bahiana de Jequié. Venceu o espírito jornalístico

diante da obrigação legal de transmitir A Voz do Brasil.

Um segundo fato marcante, transmitido pela equipe da Rádio Bahiana,

que aqui abordaremos foi a queda de um avião no Aeroporto Vicente

Grilo. Um monomotor que pertencia a um pecuarista conhecido

na região como Doutor Gonzaga caiu na pista do aeroporto. O filho dele

estava pilotando. “O avião caiu de bico no início da pista e nós corremos

para o local” (MOURA, 24/05/2011). O piloto teve ferimentos

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A Rádio Bahiana de Jequié 45

graves, foi levado para Salvador, mas resistiu. Hoje é piloto de aviões

comerciais. “As nossas fontes eram a própria comunidade, o próprio

povo fazia questão da presença da gente nos bairros, nos locais para dar

as notícias” (MOURA, 24/05/2011).

Outro momento marcante para o Jornalismo da AM 472 foi uma

grande enchente do Rio das Contas no início da década de 1980. Não

teve as proporções da enchente ocorrida em 1914, que praticamente

destruiu a cidade, mas foi suficiente para causar preocupação e deixar

pessoas desabrigadas. A Barragem da Pedra teve de soltar mais de 2.500

metros cúbicos de água, uma parte baixa da cidade ficou completamente

inundada.

A gente andava naquela época em uma mobilete, depois eu

tive uma vespa. A gente andava nesses veículos fazendo

reportagem de rua. Não havia VHF, a gente falava de orelhão,

telefonando de orelhão com ficha pra chamar para

o estúdio, pra botar a gente no ar e dando estas notícias

da enchente, casas que caíram aqui em Jequié. O Rio das

Contas e o Rio Jequiezinho cheios (MOURA, 24/05/2011).

O quarto acontecimento que destacamos é a polêmica entrevista

concedida por Antônio Lomanto Júnior ao repórter Edísio Santana em

1992. O ano era de eleições municipais e Lomanto concorria com Ewerton

Almeida (Tom Legal) ao cargo de prefeito de Jequié. Foi marcado

um horário na Rádio Bahiana para que Lomanto gravasse uma

entrevista que seria levada ao ar no dia seguinte, pela manhã. Ficou

combinado de que, a entrevista seria veiculada na íntegra. O bate papo

começou em tom cordial até que uma pergunta de Edísio Santana tirou

do sério o veterano político. Queixava-se o ex-governador (PFL) de que

o prefeito de então, Luiz Amaral (PMDB), não o apoiara no intento de

eleger-se prefeito pela terceira vez, dizendo que não gostava de traição.

Foi quando o entrevistador questionou: “O senhor disse que não gosta

de traição. Então o senhor acha que Luiz Amaral deveria trair o seu

partido pra apoiar o senhor e deixar de apoiar o candidato do partido?”

(SANTANA 2, 26/03/2011). Foi então que Lomanto deu vários murros

na mesa e, falando com o dedo em riste, esbravejou: “Não me chame

de traidor eu não sou traidor! Você é um lobo em pele de cordeiro!”

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46 Judson Pereira de Almeida

(SANTANA 2, 26/03/2011). O Clima ficou tenso. Lomanto não estava

acostumado a ser questionado daquela forma na Rádio Bahiana,

emissora que lhe pertencera durante muitos anos. E o repórter indagou

mais uma vez: “Doutor, a única coisa que eu quero que você me diga é

se o senhor trairia seu partido pra apoiar candidatos de outro partido?”

(SANTANA 2, 26/03/2011). Lomanto suava em bicas e ainda mais irritado

falou alto e não respondeu ao questionamento. Aos poucos o clima

foi mudando, e, no final, o político pediu o apoio do povo à sua candidatura.

Sabendo da polêmica o diretor do Sistema Nordeste de Comunicação

(grupo do empresário Pedro Irújo que comprou a Rádio Bahiana

no fim dos anos 80) Moacir Mansur, pediu cópia da entrevista e não

fez nenhuma objeção para que a mesma fosse exibida na íntegra, como

assim foi feito no dia seguinte. Depois da veiculação Edísio Santana

encontrou na rua um velho e conhecido “puxa-saco” de políticos de Jequié,

que fez a seguinte indagação ao radialista: “Rapaz você é maluco?

como você faz aquilo com Doutor Lomanto? você pode perder seu emprego”

(SANTANA 2, 26/03/2011). Edísio deu de ombros e nada lhe

aconteceu. Lomanto Júnior foi eleito e cumpriu o mandato de prefeito

até primeiro de janeiro de 1996, quando transferiu o cargo para Roberto

Pereira de Brito.

O rádiojornalismo da Bahiana de Jequié deu visibilidade à Cidade

Sol. “Uma rádio sempre melhora uma cidade. O povo pode ser ouvido,

pode reclamar, o que antes ficava só no boca a boca ou no serviço de

alto-falante” (ARGOLO, 25/03/2011).

Segundo Ari Moura a forma de fazer radiojornalismo na Bahiana

influenciou gerações e até hoje apresenta reminiscências em Jequié,

serviu de referência para outras emissoras implantadas na cidade.

Eu tenho certeza que a Rádio Bahiana de Jequié prestou

um grande serviço. Tanto que a Rádio Bahiana, a sua programação

principalmente jornalística, era tão boa, surtia

tanto efeito que as FMs que foram chegando, a exemplo da

95 e depois a 93 e até outros que chegam agora adotam

no jornalismo um trabalho popular, um trabalho nas ruas,

nos bairros, mais ou menos daquilo que era feito na Rádio

Bahiana nos áureos tempo (MOURA, 24/05/2011).

A Rádio Bahiana foi uma reveladora de talentos, uma espécie de

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A Rádio Bahiana de Jequié 47

escola de bons profissionais que atuavam na parte de entretenimento e

no radiojornalismo. Ari Santana trabalhou por um período na Rádio

Sociedade da Bahia. Inaldo Sardinha teve passagens pelas Rádios Educadora

de Ipiaú e Difusora de Itabuna.

Tivemos locutores que saíram daqui que foram brilhar em

Feira de Santana, a família Veloso, por exemplo, que começou

na Rádio Bahiana foi para Feira de Santana, outros

foram para Salvador para a Rádio Sociedade da Bahia,

Rádio Cultura. Eutímio Almeida até pouco tempo trabalhava

na assessoria de imprensa da Prefeitura de Feira de

Santana e tantos outros nomes (MOURA, 24/05/2011).

Merece referência a fundação do Sindicato dos Radialistas de Jequié

comandada pelo rádioperador Tadeu Antônio, hoje servidor da Universidade

Estadual do Sudoeste da Bahia, campus de Vitória da Conquista.

“Trouxe para Jequié Pedro Ferreira, ele fez algumas palestras conosco,

os funcionários da Rádio Bahiana que quiseram” (SARDINHA, 11/03/

2011). Além de Tadeu Antônio militaram no sindicato pessoas como

Inaldo Sardinha, Humberto Oliveira (rádioperador e depois locutor da

Estação 93 FM), Narcíso Veloso (locutor da Bahiana) Aloísio Rocha

e Mister Boy (locutores da Estação 93 FM) até que foi dissolvido no

final da década de 1990 e Jequié passou a contar com uma delegacia

do Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, Televisão e Publicidade do

Estado da Bahia, SINTERP.

2.1 Opinião: os editoriais de Fernando Barreto e Adauto

Cidreira

Um dos jornalistas mais brilhantes de Jequié foi Fernando Barreto. Nascido

na Cidade Sol trabalhou na imprensa do Sudeste do país, com

destaque para a atuação no jornal Tribuna da Imprensa ao lado de Carlos

Lacerda.24 De volta à cidade mãe, Fernando foi cronista da Rádio Bahiana

de Jequié, onde escreveu muitas crônicas que falavam da cidade.

24Inimigo político de Getúlio Vargas, Carlos Lacerda foi o grande coordenador da

oposição à campanha de Getúlio à presidência em 1950, e durante todo o mandato

constitucional do presidente, até agosto de 1954. Uniu-se a militares golpistas e

aos partidos oposicionistas (principalmente a UDN) num esforço conjunto para derwww.

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48 Judson Pereira de Almeida

Marcou época o programa escrito por Fernando Barreto chamado O

Cronista e o Mundo:

Era um dos programas mais ouvidos de Jequié, porque ele

fazia crônicas românticas. Eu me lembro de uma que li, era

eu e Fernando Biondi, que o título era “nunca mais fitarei

aquela estrela” (SANTANA 1, 26/03/2011).

Muitas cartas de ouvintes chegavam à emissora comentando os textos

e dando sugestões de temas para o jornalista. Fernando Barreto era

um literato. Em 1960 lançou um livro denominado Roteiro Histórico-

Sentimental de Jequié Cinqüentenária, com versos e informações históricas

sobre a cidade querida.25

Outro destaque de Fernando Barreto na Rádio Bahiana de Jequié era

o editorial Nossa Opinião, levado ao ar a partir de 1963, de segunda a

sábado às 13h00. Com texto primoroso o jornalista falava de assuntos

do cotidiano, principalmente de política. Analisava fatos de relevância

rubar o presidente Vargas, através de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna

da Imprensa. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Lacerda

Acesso. 24/04/2010.

25Trecho do livro Roteiro Histórico-Sentimental de Jequié Cinqüentenária, disponível

no site da Academia de Letras de Jequié: “Vem, forasteiro, vem conhecer a

cidade. Desçamos as suas colinas, contornemos o vale e ganhemos a estrada. Vamos

vê-la no seu louro de sol batido, na pele queimada das suas mulheres e nos ombros

fortes dos seus homens de fé; vamos nos misturar com o povo e ouvir as suas lendas

– aquelas que fazem a história verdadeira. A poesia da sua vida é uma aurora de

esperança; a juventude da sua luta, uma promessa de ventura; a dedicação dos que a

construíram, raiz da sua vontade.

Vamos, vamos conhecê-la. É a nossa Cidade. Em cada canto, existe um halo de

otimismo, um sorriso de amizade, um olhar de ternura. Não tem, decerto, encrustado

no seu passado, nenhum deus mitológico, mas homens simples que a amaram de

amor verdadeiro – amor que é abnegação, amor que é renúncia, amor que é sacrifício.

Amante sublime, ela também os amou e os ama ainda, dividindo o seu coração

generoso entre nativos e gringos, homens da sua terra e de terras outras, homens de

vários portos, de várias línguas, homens do mundo.

Entra forasteiro, vem conhecê-la. Vem sentir o perfume das suas flores, a alegria

dos pássaros que voltaram do inverno, a vida que palpita no seio farto. Vem.” Fonte:

http://www.alj.com.br/index.php?s=fernando+barreto Acesso

24/04/2011. Texto gravado por Judson Almeida para fins de ilustração deste trabalho,

disponível em http://www.4shared.com/audio/BLM6Q1ds/Texto_de_

Fernando_Barreto_do_l.html.

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A Rádio Bahiana de Jequié 49

nacional e contextualizava-os com a realidade regional. “Eu ficava abismado

com a capacidade dele” (SANTANA 1, 26/03/2011). Fernando

Barreto em muito influenciou a política com seus editoriais na Rádio

Bahiana. Conta-nos Virgílio Argolo e Ary Santana que o jornalista foi

um dos responsáveis pela candidatura de Lomanto Júnior ao governo do

estado da Bahia na década de 1960. “Lomanto era da União dos Municípios”

(ARGOLO, 25/03/2011), e com a bandeira do municipalismo

lançou-se candidato. Fernando Barreto engajou-se na campanha e criou

aquele slogan: “Atenção Bahia, o interior caminha para o governo, feijão

na lapela” (SANTANA 1, 26/03/2011). Além de cronista Fernando

Barreto também foi diretor da emissora. É patrono da Cadeira número

23 da Academia de Letras de Jequié. Uma escola municipal no bairro

Jequiezinho leva o seu nome.

Outro articulista de grande destaque na Rádio Bahiana de Jequié foi

Adauto Cidreira. Nascido em Camamu – Bahia em 1o de agosto de

1909, chegou em Jequié em 1930. Adauto se apaixonou pelo jornalismo

bem cedo. Entrou pela primeira vez em uma redação de jornal

aos nove anos de idade. Viu que aquele era o seu destino. Colaborador

de quase todos os jornais impressos de Jequié Adauto chegou à Rádio

Bahiana no início da década de 1960, ao lado de Cid Teixeira, com a

missão de reestruturar a emissora, quando a mesma foi vendida por Alceu

Nunes da Fonseca para Antônio Lomanto Júnior. Junto com Cid

Teixeira conseguiu recuperar o crédito da emissora na praça e assinar a

carteira de trabalho de todos os funcionários que, até então, não tinham

os direitos trabalhistas garantidos. “Aí eu cheguei, convoquei todos eles

juntamente com Adauto Cidreira e procuramos legalizar. Em março nós

legalizamos todos eles, março de 1960” (TEIXEIRA, 12/03/2011). Autodidata,

Adauto Cidreira participou da fundação da República Estado

de Sítio, um pensionato localizado na Praça da Bandeira de tendência

anarquista, do qual saíram libertários que fundaram a Associação

dos Empregados no Comércio de Jequié, hoje sindicato da categoria.

De tendência libertária, Adauto Cidreira é definido por Evandro Lopes

como anarquista: “O Adauto, a filosofia política dele era de anarquista.

Adauto era anarquista por excelência” (LOPES, 13/03/2011) Leitor voraz,

falou sobre muitos assuntos em seus editoriais na Rádio Bahiana:

política, atualidades, economia, aspectos históricos de Jequié, coisas

relacionadas à terra que escolheu para viver: “(...) comentava em cima

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50 Judson Pereira de Almeida

de um aspecto político, enfim, ele abordava de todas as maneiras de uma

forma bastante versátil” (LOPES, 13/03/2011). Segundo texto do perfil

de Deodato Astrê, membro da Academia de Letras de Jequié e ocupante

da cadeira 19, da qual Adauto Cidreira é o patrono, o articulista “(...)

possuía uma visão extraordinária. Era como se fosse dotado da faculdade

de ver claramente o que os outros não percebiam senão sob esforço

mental”.26 Em As Velhas Caminhadas “(...) narrava os fatos por onde

ele passou na política, envolvendo políticos com os quais ele conviveu”

(NOVAES JÚNIOR, 26/03/2011).

A atuação de Adauto Cidreira na imprensa baiana, tanto no rádio

quanto no jornal impresso, influenciou a carreira de vários jornalistas.

Relata Wilson Novaes Júnior:

“Eu conhecia poucas pessoas que tinham a facilidade de

escrever como seo Adauto Cidreira. Eu tentava imitar os

termos que ele utilizava porque ele era muito bom, tinha

uma facilidade de redigir que era uma coisa impressionante

(NOVAES JÚNIOR, 26/03/2011).

Os editoriais de Adauto causavam grande repercussão na sociedade

jequieense. Boêmio27,tinha muitos amigos, adquiriu prestígio e respeito,

ingressou em entidades como Maçonaria e Rotary Clube. Elegeu-se

26Texto disponível em

http://www.alj.com.br/cadeiras/cadeira-19/#respond.

27Texto de Adauto Cidreira extraído do livro Cem Anos de Poesia e Prosa, editado

pela Academia de Letras de Jequié. Narra o fim dois pontos a boemia jequieense, na

primeira metade do século XX. A citada obra não traz a da em que o texto foi escrito.

Bar Fascista e Lanterna Verde – Caiu afinal, cedendo às exigências do progresso, o

prédio onde era a Supermania; ali, segundo se conta, vai ser edificada a sede local

de importante banco. Vale a pena relembrar alguns dados sobre o prédio que por

mais de 60 anos era esquina da Rua João Mangabeira com a Avenida Alves Pereira.

Aliás, já existia o prédio, quando aquelas artérias receberam nome. Construído por

Salvador Colavolpe, que por algum tempo teve ali uma padaria, passou a ser loja

A Indiana, de Nicolau Giudice; depois, armazém de compras com Maimone & Cia.,

voltando a ser loja Ameritália, de Grisi & Cia., cujo chefe era Ângelo Grisi, mais

poeta que comerciante, hoje ainda forte e bem humorado nos encontros com os velhos

amigos, desfrutando o ócio dos setenta e tantos de velhice; de Ameritália passou

a Bar Fascista, onde as quintas-feiras à tarde reunia-se a juventude para um chá

animado onde não faltavam chopp e tertúlias literárias com números de canto, música

e declamação. Um pianista permanente alegrava o ambiente do Bar Fascista, já que

não tínhamos então o conforto do rádio, tevê e energia.

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A Rádio Bahiana de Jequié 51

vereador, presidiu o legislativo. Era um homem de idéias renovadoras,

as expôs por meio de veículos de comunicação (rádio e jornais) por

onde passou.

Com a sua morte, em 15 de outubro de 1995, ficou uma lacuna na

imprensa baiana, em especial nos jornais e na radiofonia de Jequié.

2.2 Os anos de chumbo: período pós-golpe de 1964

Os anos que se seguiram ao 31 de março de 1964 foram de relativa tranquilidade

na Rádio Bahiana de Jequié. A emissora não enfrentou problemas

relevantes por conta do controle dos veículos de comunicação e

da censura imposta pelos militares, principalmente depois do Ato Institucional

no 05 de 13 de dezembro de 1968. No período pós-golpe a

emissora já pertencia a Antônio Lomanto Júnior, então governador da

Bahia. Lomanto elaborou um manifesto em apoio ao Presidente João

Goulart, que não chegou a ser divulgado, face à rapidez com que o golpe

foi desenvolvido. Conforme Emerson Pinto de Araújo: “João Goulart

foi deposto e o Palácio do Governo do Estado da Bahia, mesmo sem

a divulgação do manifesto, amanheceu cercado pelas tropas e canhões

da 6a Região Militar” (ARAÚJO, 1997. p. 421). Por pouco Lomanto

Júnior não foi deposto. O único jeito de garantir a continuidade do

mandato foi apoiar o golpe e contar com o apoio de pessoas que tinham

ligações com os militares:

Salvou-o uma série de fatores, como o apoio incondicional

do arcebispo Dom Álvaro Augusto da Silva, em nome do

clero baiano, e a interferência do coronel Cabral, secretário

de segurança pública, junto a Jarbas Passarinho, de

Ao lado do Bar Fascista, um salão de bilhares, no mesmo prédio e da mesma

empresa que o sublocava, onde Gutemberg Ribeiro era o número de mais destaque,

campeoníssimo estadual do taco. Em seguida, o Salão de Marcolino, um mulato alto

e elegante, sempre de branco e gravata borboleta, camisa de palha de seda, árbitro de

elegância, que tinha no salão um modelo de ordem e asseio e servia para os viajantes

confrontarem-no com os da capital.

O local das velhas paredes vai continuar sem os ruídos dos velhos tempos, as confidências

dos boêmios tresnoitados, a impaciência e o stress dos manipuladores de

ases e curingas, no salão ao fundo, onde está a Mobiluz até a Damião Vieira e era então

o Lanterna Verde. É o destino das coisas e pessoas, a renovação que o progresso

e a fatalidade biológica determinam (apud RIOS, 2007, P. 13).

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52 Judson Pereira de Almeida

quem fora colega de turma. Pesou ainda a favor da manutenção

do mandato de Lomanto Júnior a sua aproximação

com o general Justino Alves, quando fez realizar um congresso

de âmbito nacional no sul do país, na condição de

presidente da Associação Brasileira de Municípios (ARAÚJO,

1997. p. 422).

Com Lomanto (proprietário da rádio) apoiando os militares e o medo

geral que caracterizou os anos mais sombrios da ditadura, não houve

na Rádio Bahiana quem aventurasse posicionamento público contrário

ao estado de exceção. Os diretores Cid Teixeira e Adauto Cidreira

chegaram a ser convocados a prestar esclarecimentos no quartel. Lá

viram várias pessoas contrárias ao golpe presas, como o advogado Rui

Alberto de Assis Espinheira. Cid e Adauto foram interrogados sobre

várias questões: “Aí me fez um bocado de pergunta e liberou a gente,

não teve nada” (TEIXEIRA, 12/03/2011). Não há registro de prisões

de radialistas e jornalistas ligados ao quadro da Bahiana. O ato arbitrário

de invasão do estúdio da emissora pelo tenente Etiene, conforme

já narrado, deu-se antes do movimento de 1964.

Mesmo sem falas públicas contrárias ao golpe, profissionais da Rádio

Bahiana sofriam uma pressão velada sobre o que deveriam falar aos

microfones da emissora. O radialista João Mendes assevera:

Não podia falar sobre quase nada. Era limitado a notícias

de futebol, notícias de morte, de acidente essas coisas assim.

Quando era política tinha: cuidado, olha você cuidado.

Sempre recebia apontamentos de cuidado. A polícia tá

aí, o exercito tá aí. (MENDES, 12/03/2011)

O locutor Ari Santana revela que viveu um momento difícil no período

dos anos de chumbo por conta de uma palavra lida ao vivo de

forma equivocada: “Naquela época eu fiz um noticiário às nove da

manhã e falei: ‘O presidente da república Costa e Silva esteve em uma

reunião de cópula28 hoje’, e coisa e tal” (SANTANA 1, 26/03/2011).

Percebendo a gafe Adauto Cidreira, cronista e um dos diretores da Rádio

Bahiana, chamou Ari Santana e pediu que ele gravasse o mesmo

28Cópula: O ato sexual; coito (sinôn. copulação). (FERREIRA, 1987)

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A Rádio Bahiana de Jequié 53

noticiário lido ao vivo às nove da manhã. “Eu disse: o que houve?

Nada! Grava esse noticiário como ele está aí. Aí eu gravei: ‘O presidente

Costa e Silva esteve em uma reunião de cúpula hoje... ’” (SANTANA

1, 26/03/2011). Logo em seguida um representante do exército

procurou Adauto Cidreira para pedir explicações sobre o que ouvira no

ar. O cronista, então, mostrou a gravação e argumentou que o militar

ouviu mal, entendeu errado. “Ele passou a gravação e o tenente disse:

‘mas não é possível, eu ouvi cópula’” (SANTANA 1, 26/03/2011). Adauto

Cidreira pensou rápido e livrou Ari Santana de um possível problema

com os militares. “Ele usou a cabeça, só que não me falou nada

porque eu iria ficar nervoso se ele falasse não é?” (SANTANA 1, 26/03/

2011).

A Rádio Bahiana não chegou a ter a presença de censores em seu

estúdio e redação, mas todo o noticiário era gravado e arquivado.

Tudo que dizia a respeito do governo, principalmente Federal,

era um zelo naquilo que ia ser divulgado. No programa

jornalístico tinha que passar pela censura de gravação

e todos eles datilografados, e arquivados com a assinatura

de punho pelo locutor (SANTANA 2, 26/03/2011).

Os grilhões invisíveis da censura na Rádio Bahiana foram se afrouxando

a partir do início da década de 1980 e se romperam em definitivo

com a abertura democrática em 1985. “Foi um período péssimo. Quem

viveu não deve ter saudade. É melhor uma democracia ruim do que uma

boa ditadura, pode ter certeza” (MENDES, 12/03/2011).

2.3 Transmissões externas

Muitos eventos considerados importantes para Jequié e para a Bahia

foram transmitidos pela Rádio Bahiana. Posses de governadores, prefeitos;

visitas de personalidades da política, da música, da ciência; competições

esportivas; sessões na câmara de vereadores, inaugurações de

logradouros públicos e de empreendimentos particulares; bailes de carnaval.

As festas carnavalescas eram transmitidas do Jequié Tênis Clube,

da Associação Cultural Jequieense, ACJ, do Clube do Jequiezinho e das

ruas da cidade. As apurações das eleições municipais (de Jequié e municípios

vizinhos), estaduais e federais também foram transmitidas do

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54 Judson Pereira de Almeida

Jequié Tênis Clube, do Centro Social Urbano (CSU) e do Ginásio de

Esportes Aníbal Brito. Como o voto era registrado em cédulas de papel

a apuração era lenta, a equipe da Rádio Bahiana passava vários dias

informando ao ouvinte os boletins.

Uma curiosidade é que, durante muito tempo não existia horário

eleitoral gratuito, e as emissoras de rádio não eram proibidas de transmitir

comícios. Cabe salientar que só eram transmitidos os comícios

de candidatos ligados ao grupo político do proprietário da emissora,

a saber, Lomanto Júnior: “De Clóvis Barreto, de Lomanto, todos da

situação, só os de Lomanto” (TEIXEIRA, 12/03/2011). O jornalista

Wilson Novaes Júnior também relata: “Lá em casa o rádio ficava ligado

ouvindo os comícios. Só transmitia o lado que bem interessasse, é

bem verdade, que era o lado do doutor Lomanto” (NOVAES JÚNIOR,

26/03/2011). Era a tentativa do veículo de comunicação em moldar a

opinião pública, estratégia que muitas vezes se mostrava ineficaz. Por

certo outros fatores influenciavam na decisão dos eleitores, não era o

fato de a rádio apoiar de forma aberta determinado candidato que a

eleição deste estaria garantida. Tanto é que, nas eleições municiais de

1962, vários comícios do candidato Clóvis de Souza Barreto29, apoiado

por Lomanto Júnior proprietário da emissora na época, foram levados

ao ar pela Rádio Bahiana, mas as urnas deram vitória ao médico Daniel

Andrade. Assim narra Emerson Pinto de Araújo:

Além da popularidade que desfrutava como médico nas camadas

populares, vários outros fatores contribuíram para a

vitória do novo titular da prefeitura, contando com o apoio

dos desafetos de Lomanto Júnior, dos partidários do candidato

Waldir Pires, vencido no pleito para governador, e

de grande parte dos evangélicos. Na eleição municipal,

o eleitorado de Lomanto Júnior se dividiu entre Milton de

Almeida Rabelo e Clóvis de Souza Barreto (ARAÚJO,1997.

p. 423).

Destacaremos, aqui, duas transmissões históricas para Jequié, feitas

pela Rádio Bahiana. A primeira em 1985. O então prefeito Landufo

29Trecho da transmissão de um comício de Clóvis Barreto disponível em

http://www.4shared.com/audio/AOCRfICy/Transmisso_do_com

cio_de_Clvis_.html.

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A Rádio Bahiana de Jequié 55

Caribé, que tomara posse em 1983 para um mandato de seis anos, enfrentava

sérias dificuldades de relacionamento com o legislativo municipal;

a oposição era ampla maioria e o prefeito argumentava que não

poderia continuar refém dos vereadores, que lhe negavam créditos suplementares,

deixando a administração refém do parco orçamento do

município. “Acuado, vendo sua popularidade cada vez mais em baixa,

Landufo Caribé escolheu o caminho errado, passando a agir autoritariamente,

voltando as costas para a Câmara de Vereadores” (ARAÚJO,

p. 454). O município mergulhara em uma crise política que teve o seu

ápice em 19 de novembro de 1985, quando a Câmara cassou Landufo

Caribé:

O agravamento do conflito envolvendo o Executivo e o Legislativo

atingiu seu clímax em novembro de 1985, quando

a Câmara de Vereadores, em Decreto Legislativo no6, datado

do dia 19, cassou o mandato de Landufo Caribé, acusado

de não cumprir as determinações legais, assegurando

a posse do vice-prefeito José Simões de Carvalho (ARAÚ-

JO, 1997, p. 455).30

Relata o radialista João Mendes, um dos profissionais que trabalharam

na transmissão do impeachment de Caribé31, que a sessão foi

longa: “Transmiti até duas horas da manhã, de oito da noite até as

duas da manhã” (MENDES, 12/03/2011). O plenário da Câmara estava

lotado, os discursos inflamados contra o prefeito sucediam-se. Depois

do resultado e do encerramento da sessão seguiram-se entrevistas com

autoridades e pessoas presentes. Uma noite histórica e de muita audiência

para a Bahiana, já que, pela primeira vez um prefeito de Jequié foi

submetido a tal processo. “Para mim foi uma grande experiência, eu

nunca tinha assistido a uma ação deste tipo, a cassação de um prefeito”

30Houve, meses depois, um breve retorno de Landufo Caribe ao exercício do cargo

de prefeito, para novo afastamento, que perdurou até 22 de janeiro de 1987, quando

por decisão da Justiça reassumiu a chefia da Comuna, cumprindo o restante do

mandato, que perdurou até 31 de dezembro de 1988 (ARAÚJO, p. 455).

31Com base nos depoimentos colhidos constatamos que também participaram da

transmissão o radialista Inaldo Sardinha e o jornalista Wilson Novaes Júnior, este

como colaborador, já que não fazia parte do quadro de funcionários da emissora. Já o

senhor Cid Teixeira, diretor da rádio na época, não forneceu informações sobre o fato.

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56 Judson Pereira de Almeida

(MOURA, 24/05/2011). A movimentação política daquela noite teve

grande repercussão no cenário político regional e estadual. Interessante

é que, em 1985, a Rádio Bahiana ainda pertencia ao grupo Leur e Lomanto

Júnior, e este apoiara Landufo Caribé no processo eleitoral.

Outro fato histórico, transmitido pela Rádio Bahiana e que nos propomos

a relatar neste capítulo, foi a queda do Edifício Grilo. Depois

da enchente que devastou a cidade nos primeiros dias de 1914 a empresa

Grilo Marota, do imigrante italiano Vicente Grilo ergueu, num

mangueiro pertencente à empresa, um sobrado que se tornaria motivo de

admiração para moradores e forasteiros. Talvez o Edifício Grilo tenha

sido o símbolo maior do soerguimento da cidade passada a fúria das

águas. O historiador Emerson Pinto de Araújo narra detalhes da construção

do pomposo prédio.

O cimento vem da Inglaterra, em barricões de 180 quilos.

Vem de navio, vem de trem até onde chegam os trilhos da

Estrada de Ferro Nazaré. Daí em diante, pesados demais

para lombos de burros, os barricões, por ínvios caminhos,

são transportados em carros de bois (ARAÚJO, 2007. p.

253).

Além de cartão postal da cidade o Edifício Grilo serviu de centro

de decisões, abrigou famílias quando jagunços sitiaram Jequié, sediou o

primeiro estabelecimento de ensino médio, a primeira agência bancária,

abrigou casas comerciais, uma agência da Coelba, lanchonetes, a sede

do serviço de alto-falantes de Zuzinha (onde trabalhara Geraldo Teixeira)

etc.

Eis que no dia seis de junho de 1989 um fato selaria o destino da

histórica construção. O rompimento de uma peça do madeiramento do

telhado chamada tesoura, no primeiro andar, fez uma das paredes do

Grilo ruir. Os destroços caíram em cima de veículos estacionados na

Rua 2 de Julho e um lavador de carros morreu embaixo dos escombros.

Era por volta de uma e meia da tarde. O senhor Cid Teixeira

fazia o cruzamento da Avenida Rio Branco com a Rua 2 de Julho de

onde viu o desabamento, João Mendes estacionava a velha brasília na

Praça Rui Barbosa quando ouviu o estrondo. Seguiram imediatamente

para a sede da emissora. Neste dia Edísio Santana apresentava A Hora

do Fazendeiro, tendo na sonotécnica Inaldo Sardinha. No momento do

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A Rádio Bahiana de Jequié 57

desabamento a rede elétrica foi danificada, a Rádio Bahiana saiu do ar.

O barulho foi ensurdecedor e uma nuvem de poeira cobriu o local. Edísio

e Sardinha correram para a sacada da rádio (a Rádio Bahiana ficava

no segundo andar do Edifício 2 de Julho, em frente ao Edifício Grilo)

e viram o cenário da tragédia. Como o transmissor da emissora ficava

na Granja Pindorama, no bairro São Judas Tadeu, o sinal da rádio permaneceu

no ar. Foi então que Inaldo Sardinha e Edísio Santana fizeram

uma ligação direta de uma maleta (equipamento de transmissão externa)

que funcionava a pilhas com a linha que levava o áudio da emissora

ao transmissor e passaram a narrar os momentos seguintes à queda de

parte do Edifício Grilo. Aos poucos outros profissionais da rádio foram

chegando e se juntaram na busca e transmissão de informações sobre o

acontecimento.

Numa prova inequívoca de falta de sensibilidade e compromisso

com a preservação do patrimônio histórico e cultural de Jequié o Edifício

Grilo foi demolido. O desabamento foi em uma parede do primeiro

andar, mas todo o prédio foi colocado abaixo sem nenhuma necessidade.

Derrubaram um capítulo da história de Jequié. O prédio não

era tombado pelo Patrimônio Histórico. A administração municipal

nada fez para evitar a demolição: “Ali foi um erro da administração

Luiz Amaral. Era só recompor o prédio, o mais bonito e antigo de Jequié”

(MENDES, 12/03/2011). “O Sobrado dos Grilos foi um marco na

vida da cidade que ajudou a crescer. Hoje, pela incúria dos homens, existe

apenas nas fotografias, existe na lembrança dos que o viram de pé”

(ARAÚJO, 1997 p. 254). O desaparecimento de um dos mais importantes

patrimônios históricos de Jequié foi transmitido e acompanhado

pela Rádio Bahiana que, algum tempo depois, teria o mesmo destino,

como se verá no derradeiro capítulo deste trabalho.

2.4 Músicas e Informações: um programa de Geraldo

Teixeira

No horário nobre das 10h00 às 12h00 na Bahiana de Jequié, Geraldo

Teixeira levava ao ar de segunda a sábado o programa Músicas e Informações.

Uma revista no rádio, que mesclava jornalismo, entretenimento

e utilidade pública. Era uma tradição ouvir a voz grave de Geraldo

anunciar: “Alô amigos está no ar Músicas e Informações, um programa

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58 Judson Pereira de Almeida

de Geraldo Teixeira”, tendo como fundo musical Herb Alpert & the

Tijuana Bra - El Presidente.32

Produzido e apresentado por Geraldo, coordenador de programação

da emissora, o programa foi líder de audiência nas manhãs de Jequié,

até mesmo por algum tempo depois da chegada da primeira emissora

em freqüência modulada da cidade. Eclético, Música e Informações

abria espaços para artistas locais e de outras plagas que aportavam em

terras jequieenses. Apresentava quadros como: aniversariantes do dia,

queixas e reclamações, não está certo (comentário sobre algum problema

enfrentado pela comunidade), participações do ouvinte por telefone

etc., as propriedades nutritivas e medicinais dos alimentos. No

Músicas e Informações, além do Plantão Informativo de hora em hora,

eram veiculadas notícias locais e nacionais, além de notícias do esporte.

Os repórteres da Bahiana de Jequié participavam com flashs ao vivo

de qualquer ponto da cidade. O programa abria espaço, também, para

apelos de pessoas necessitadas. Gente que precisava de objetos como

muletas, cadeiras de rodas, passagens de ônibus recorriam ao programa

e muitas vezes conseguiam aquilo de que tanto precisavam. Conta-nos

Edísio Santana que muitas vezes o próprio Geraldo Teixeira fazia contato

com instituições para que ouvintes do programa fossem ajudados:

“Ele tinha uma influência muito grande dentro das lojas maçônicas, dentro

do Rotary, do Lions Clube. Ele conseguia por meio da amizade,

fornecia cadeiras de rodas, enxovais para gestantes...” (SANTANA 2,

26/03/2011).

Geraldo encerrava o programa com Um Minuto de Sabedoria, mensagens

de Torres Pastorino,33 do livro clássico Minutos de Sabedoria,

32Disponível em http://www.4shared.com/audio/lgsCrZ8R/Herb_

Alpert__the_Tijuana_Bra_-.html.

33Carlos Juliano Torres Pastorino foi um ex-padre que se dedicou ao estudo

da Doutrina Espírita e da fenomenologia mediúnica. Senhor de grande inteligência,

publicou extensa bibliografia de mais de 50 obras, muitas delas ainda inéditas.

Poliglota, traduziu obras de diversos idiomas. Foi também radialista, sendo a sua

obra magna - "Minutos de Sabedoria- uma coleção de suas mensagens propaladas no

rádio. Compôs 31 peças musicais para piano, orquestra, quarteto de cordas e polifonia,

a três e quatro vozes. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/

Carlos_Torres_Pastorino. Acesso 26/04/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 59

ao som de Exodus, de Ernest Gold34. Depois o fundo musical El Presidente

era tocado mais uma vez, e Geraldo se despedia de sua audiência.

Retornava sempre às 18h00, para apresentar a tão querida Ave Maria.

Músicas e Informações era a síntese de tudo que era levado ao ar pela

Bahiana: notícia, esporte, serviço, entretenimento, utilidade pública.

Uma revista apresentada por um comunicador carismático e marcante

que, devido sua popularidade, elegeu-se vereador de Jequié. Entretanto

não obteve sucesso na segunda candidatura ao legislativo municipal.

O programa Músicas e Informações saiu do ar no início da década

de 1990. A mudança fez parte de uma reestruturação na grade de programação

da Rádio Bahiana promovida pelo Sistema Nordeste de Comunicação.

O jornalista Ari Moura, coordenador de programação na

época, relata:

Acabei com o programa e coloquei outro no horário. Resultado:

um ano depois a gente ainda recebia cartas para

o Músicas e Informações. Esse foi um grande erro que eu

cometi na época (MOURA, 24/05/2011).

Geraldo Teixeira era um curinga na Rádio Bahiana. Profissional

versátil, sempre que preciso fazia outros horários e desempenhava as

mais variadas funções na emissora. Aposentou-se em meados da década

de 1990, depois de mais de 40 anos de atuação no rádio jequieense.

“Geraldo Teixeira foi um exemplo de profissional, uma pessoa íntegra,

correta, maravilhosa” (MOURA, 24/05/2011). Faleceu, aos 82 anos de

idade, no dia 16 de agosto de 2010 em Salvador – Bahia.

2.5 O esporte

O esporte amador e profissional de Jequié teve ampla cobertura da Rádio

Bahiana. Programas de estúdio e transmissões esportivas marcaram

a história da emissora. Segundo Virgílio Argolo o primeiro narrador

esportivo foi um cidadão chamado Ubirajara: “Ele foi locutor da rádio

aqui durante muito tempo. Ele veio de lá da Rádiointerior, ele trabalhava

na rádio de Barramansa” (ARGOLO, 25/03/2011). Outros profissionais

fizeram parte da equipe e as transmissões esportivas das disputas

34Disponível em http://www.4shared.com/audio/hQ6fpjxl/Hen

ry_Mancini_-_Exodus__Theme_.html.

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60 Judson Pereira de Almeida

do campeonato amador e do intermunicipal ainda estão na memória de

muitas pessoas. Os narradores Wilson Senhorinho e José Mariano, os

repórteres de pista Nilton Torres e Péricles Edmundo e os comentaristas

Eutímio Almeida, Evandro Lopes e Laerson Soares por muito tempo

fizeram parte do time de esportes da Bahiana. “Posteriormente veio o

futebol profissional e a essa equipe somaram-se Luiz “Laymon” Gonzaga,

Innaldo Sardinha, que considero um dos melhores repórteres de

pista da Bahia, e Edísio Santana” (NOVAES JÚNIOR. 2006. p. 48).

Ari Moura e João Mendes também deram contribuições importantes em

coberturas esportivas feitas pela Rádio Bahiana.

Evandro Lopes chegou à emissora em 1965, quando Laerson Soares

era o chefe da equipe de esportes. “De repente eu fui convidado por

Perinho, que também fazia parte da equipe, para fazer reportagem de

campo, no velho estádio Aníbal Brito” (LOPES, 13/03/2011). Tempos

depois, com a ida de Laerson Soares para Salvador, Evandro Lopes

tornou-se o chefe da equipe de esportes e comentarista: “Passou-se (sic)

as eleições, Laerson era candidato a vereador, não se elegeu, ficou meio

chateado e foi embora para Salvador” (LOPES, 13/03/2011). O esporte

em Jequié teve grande impulso com a equipe da Rádio Bahiana. Com

a divulgação e o incentivo ao campeonato realizado no bairro Jequiezinho,

no velho estádio Aníbal Brito, foi que surgiu a Associação Desportiva

Jequié, como narra Evandro Lopes:

No ano de 1966 já para 1967 apareceram alguns craques

na época e nós montamos uma grande seleção de 1967.

Pelo desempenho dessa seleção veio a ser implantada,

criada a Associação Desportiva Jequié (LOPES, 13/03/

2011).

Na construção do Estádio Municipal a equipe da Bahiana de Jequié

também deixou marcas. O então prefeito Waldomiro Borges35 quis a

opinião dos integrantes da equipe sobra a construção do equipamento

esportivo:

35“Dentre os vários trabalhos levados a efeito pela Comuna merece destaque a edificação

do novo prédio da prefeitura, a construção do Estádio Municipal, o Belvedere e a

modernização da Praça Rui Barbosa, a melhoria da praça Luiz Viana (...)” (ARAÚJO,

1997. p. 428.429)

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A Rádio Bahiana de Jequié 61

Em 1966, quando seo Waldomiro foi eleito, ele nos convidou

no prédio velho da prefeitura e disse uma expressão interessante:

“olha, eu chamei vocês aqui para falar do futebol,

porque de futebol eu só entendo que a bola é redonda

e eu queria discutir com vocês aonde é melhor construir o

estádio. (LOPES, 13/03/2011).

E a equipe transmitiu a partida de inauguração do estádioWaldomiro

Borges, no dia 25 de outubro de 1970 entre Associação Desportiva

Jequié – ADJ e São Cristovão de Salvador. O placar foi de 0 X 0.

Segundo relatos de Ari Moura em junho de 1974 a equipe do Flamengo

disputou um amistoso com a seleção de Jequié no Estádio Waldomiro

Borges. Além da Rádio Bahiana, também esteve presente no estádio

a Rádio Globo do Rio de Janeiro, com os locutores Antônio Porto

e Áurio Amino. “A Rádio Globo teve dificuldades no equipamento e

não pôde fazer a transmissão como deveria e recorreu à Rádio Bahiana,

que emprestou um equipamento” (MOURA, 24/05/2011). A equipe

do Flamengo venceu a partida pelo placar de um a zero. Na semana

seguinte foi realizado um Fla Flu no Rio de Janeiro. Durante a partida

um torcedor do Fluminense teria invadido o Maracanã, ocasião em que

Antônio Porto fez o seguinte comentário: “(...) pior foi em Jequié, que

o prefeito entrou com um cavalo em campo pra dar o ponta pé inicial”

(MOURA, 24/05/2011). Ari Moura, que na época era proprietário de

um escritório de contabilidade rural, tentou por dias seguidos desmentir,

por telefone o fato. Conseguiu às cinco da manhã no programa de

Luciano Alves.

Eu contestei, o Luciano achou graça e me convidou para

que todos os sábados eu passasse matérias daqui de Jequié

e da Bahia para o programa dele. E assim foi feito. Levei

cinco anos como correspondente da Rádio Globo aqui em

Jequié (MOURA, 24/05/2011).

Posteriormente, convidado por Mascarenhas Filho para fazer flashes

no Clube da Juventude, Ari Moura ingressou na Rádio Bahiana e se

tornou um dos radialistas mais conhecidos da cidade, inclusive pela atuação

na equipe de esportes.

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62 Judson Pereira de Almeida

José Mariano Ferreira, uma figura saudosa do esporte e

que foi locutor-narrador, eu e Sardinha fomos para o Rio

de Janeiro transmitir um jogo de futebol de salão do Jequié

contra o Bradesco. Saímos daqui em uma caravana e a

Rádio Bahiana foi transmitir esse jogo (MOURA, 24/05/

2011).

Outro radialista que fez história da Rádio Bahiana foi Inaldo Sardinha.

Chegou à emissora no final da década de 1970 e se tornou uma

das figuras mais conhecidas na região de Jequié. Conhecedor profundo

do assunto, Sardinha comandou um programa esportivo que ia ao ar

do meio dia a uma da tarde. Nas transmissões esportivas atuava como

repórter de campo, fato lembrado por Wilson Novaes Júnior no livro

Garimpando a Imprensa numa Cidade Só, acima referido. Lembra o

radialista que, no ano de 1984, em uma partida entre a Seleção de Jequié

e a Seleção de Ubatã deu-se uma tremenda confusão e ele, que foi

à cidade junto com Edísio Santana para transmitir a partida, acabou envolvido.

O mando de campo era de Ubatã, mas o jogo foi realizado na

vizinha cidade de Gongogi.

Na hora do jogo o árbitro foi mandado pelo prefeito de

Ubatã para Salvador, porque o árbitro reserva era irmão

do prefeito, que por sua vez era presidente da liga de Ubatã.

Ele imaginou que o irmão indo para o apito a seleção

dele ganharia fácil (SARDINHA, 11/03/2011).

Só que houve um pênalti a favor da seleção de Ubatã e o árbitro deu

um deslance dentro da pequena área do Jequié. Quando o prefeito viu

que a cobrança feita não resultou em gol começou a confusão:

Saiu dando porrada em todo mundo, quebrou a prancheta

que tava em minha mão, quebrou gravador (...) pra sairmos

da cidade tivemos que ter o apoio de duas ou três viaturas

da polícia militar (SARDINHA, 11/03/2011).

Narra Edísio Santana: “(...) nós saímos e tivemos que mudar o percurso.

Chegamos em Jequié quase a uma hora da manhã, porque o

pessoal de Ubatã queria pegar toda a delegação de Jequié e quebrar no

pau” (SANTANA 2, 26/03/2011).

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A Rádio Bahiana de Jequié 63

Outro acontecimento histórico para Jequié e que teve a contribuição

da equipe de esportes da Rádio Bahiana foi a transformação do velho

campo do Aníbal Brito em um moderno Ginásio de Esportes. O assunto

foi exaustivamente debatido na emissora e cobrado das autoridades a

construção do ginásio, inaugurado no início da década de 1980 com

grande festa, e com transmissão ao vivo da ZYH 472.

Tinha no programa esportivo a participação do público, as

ligas dos bairros participavam. Era um trabalho essencial

para a existência do esporte na cidade, que culminou com

a inauguração do Ginásio de Esportes Aníbal Brito. Foi

uma luta que saiu praticamente de dentro da Rádio Bahiana

(MOURA, 24/05/2011).

Merece registro a chegada do locutor Tony Silva à Rádio Bahiana

de Jequié para narrar futebol. No início da década de 1990 o veterano

José Mariano já não narrava os jogos com a mesma freqüência. Foi

então que Tony, locutor de grande sucesso na Estação 93 FM, passou

a narrar futebol aos domingos, sem, contudo, se desligar da 93 FM.

Posteriormente, em meados de 1991 Tony Silva montou a equipe de

esportes da 93 FM, deixando a Rádio Bahiana de Jequié.

2.6 Fatos pitorescos

Neste capítulo serão narrados alguns fatos curiosos que aconteceram

na Rádio Bahiana de Jequié. Histórias que fazem parte do anedotário

daqueles que trabalharam na emissora.

Começaremos pelo locutor que se recusava a anunciar nomes de

certas músicas, como “Tô com o diabo no corpo” com Nara Leão e

“Meu homem” com Fafá de Belém, conforme lembra Inaldo Sardinha:

Ele sempre anunciava uma dose tríplice: “nós vamos ouvir

agora Jessé com Porto Solidão, Vanderlea com Prova de

Fogo, mas essa aí eu não anuncio não, pode rodar, mas

eu não anuncio”. Era a música de Fafá de Belém, Meu

Homem (SARDINHA, 11/03/2011).

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64 Judson Pereira de Almeida

Quando a música “Chão de Estrelas”, composta por Orestes Barbosa

e Sílvio Caldas e originalmente interpretada por este, foi gravada

pelos Mutantes, deu-se a revolta dos românticos e fãs de Sílvio Caldas.

A releitura dos Mutantes foi uma sátira, um deboche mesmo à canção

que tanto embalou juras de amor.36 Inconformado, Geraldo Teixeira,

coordenador de programação da Rádio Bahiana proibiu a veiculação

da música na emissora, por entender ser a regravação uma blasfêmia à

Música Popular Brasileira. Conta Aroldo Vieira que, para ter certeza de

que a música não seria tocada em nenhum horário na emissora, Geraldo

“(...) riscou com um prego o disco, e riscou mesmo a faixa, para que

ninguém tocasse a música” (VIEIRA, 13/03/2011). Da mesma forma a

música “Cálice” de Chico Buarque e Gilberto Gil, composta no período

da repressão militar, foi riscada. A composição é um exemplo de jogo

lingüístico feito para driblar a censura e transmitir mensagens contra o

regime de exceção. Em um primeiro momento Geraldo não compreendeu

a mensagem e baniu a música da programação da Rádio Bahiana:

“(...) ele falou para mim, pessoalmente: ‘isso é uma falta de respeito

com a Igreja’” (MENDES, 12/03/2011).

Quando Daniel Andrade assumiu a prefeitura de Jequié nomeou

como seu assessor um cidadão chamado Roque Sampaio, apelidado

de Roque Preto, alcunha detestada pelo dono. Certa feita, quando o

Tenente Lima era o responsável pelo departamento de notícias da Rádio

Bahiana, o assessor foi até a emissora para falar com o tenente: “Seo

tenente, eu perdi meus documentos e gostaria que o senhor anunciasse

na rádio” (SANTANA 2, 26/03/2011). O anúncio foi feito no Grande

Jornal Falado das 22h00. No dia seguinte o dito Roque Preto foi à

rádio dizer uns desaforos ao tenente, por conta do anúncio da noite anterior:

“Eu quero que você me respeite, meu nome não é Roque Preto”

(SANTANA 2, 26/03/2011). Ficou prometido ao assessor que seria divulgada

uma nota retificando o equívoco, redigida e lida ao microfone

da seguinte maneira: “Senhoras e senhores, ontem nós anunciamos que

Roque Preto perdeu os documentos. Não é Roque Preto é Roque Sampaio.

É que o senhor Roque Sampaio é conhecido como Roque Preto”

(SANTANA 2, 26/03/2011). Mais uma vez Roque Preto foi à rádio e

deu-se uma grande confusão.

36Chão de Estrelas, com Os Mutantes, disponível em http://www.youtube.

com/watch?v=bIPEj_ZMAyo.

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A Rádio Bahiana de Jequié 65

Em meados da década de 1980, no início do movimento musical

denominado Axé Music, a música “Chupa Toda” estava no topo das

paradas de grande parte das rádios da Bahia. Era carnaval em Jequié

e a música mais executada pelas bandas nos clubes e na festa de rua

era “Chupa Toda”, com letra de duplo sentido, de causar arrepios nos

mais conservadores e moralistas. Na cobertura da festa de Momo, João

Mendes avistou o capitão Ranulfo, comandante do policiamento na

cidade e resolveu entrevistá-lo ao vivo. Primeiro o repórter pediu ao

militar que fizesse um balanço das ocorrências até o momento. Feliz

com a pergunta o capitão respondeu com desenvoltura. Terminado o

balanço foi surpreendido com o seguinte questionamento: “Capitão, e

essa música aí, ‘Chupa Toda’?” (MENDES, 12/03/2011) Desnorteado,

olhou furioso para João Mendes e limitou-se a dizer: “Prefiro não falar.

Sem comentários” (MENDES, 12/03/2011).

Um fato triste, mas que não deixa de ser curioso, aconteceu na

sacada do prédio da Rádio Bahiana. De vez em quando um radiooperador,

em estado etílico, cismava em jogar discos velhos de vinil em

cima do telhado do Edifício Grilo, em frente à emissora. Gostava de ver

o brilho do vinil pairando no ar até cair no prédio vizinho. Certa feita,

a bebida foi ingerida mais que o de costume, o radioperador resolveu

“lançar” mais um disco. Foi quando perdeu o equilíbrio e despencou da

sacada da rádio, do segundo andar: “Foi jogar e desceu, bateu a nuca

no meio fio e morreu” (TEIXEIRA, 12/03/2011). Quando o Edifício

Grilo foi demolido foram encontrados alguns discos “lançados” pelo

rádiooperador.

No programa A Hora do Fazendeiro, como já dito, dezenas de recados

eram lidos todos os dias. Todas as notas que chegavam manuscritas

eram passadas a limpo para que fossem lidas no ar, sem erros. Ler

os recados sem passar a limpo era um perigo, significava erro certo.

Certa feita o locutor (não foi Ari Santana, neste dia o titular do programa

não estava em serviço) assumiu o risco de decifrar a letra de

quem escreveu a nota, e assim o recado foi para o ar: “Atenção fulana

de tal na fazenda de seo Altamirando. Sua mãe avisa que já está

morando na rua com o Nego Jacinto”. Achando o recado um tanto

estranho, leu mais uma vez a nota, só então conseguindo compreender

o que estava escrito: “Perdão ouvintes, na Rua Cônego Jacinto”.

Este mesmo locutor, quando do lançamento do primeiro LP da banda

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66 Judson Pereira de Almeida

Os Paralamas do Sucesso no final da década de 1970 anunciou efusivamente

na Rádio Bahiana: “Nós acabamos de ouvir Os Palerrrrmas

do Sucesso” (SARDINHA, 11/03/2011). Foi quando Inaldo Sardinha

chamou a atenção do locutor, e a correção veio de imediato: “O garoto

Sardinha está aqui me informando que o cantor é Os Paralamas do

Sucesso” (SARDINHA, 11/03/2011). Errou da mesma forma. Tratase

de uma banda...

Na lembrança dos que trabalharam na Rádio Bahiana de Jequié está

viva a figura de “Antena”, pseudônimo usado por alguém que escrevia

semanalmente no Jornal de Jequié sobre os bastidores da rádio, erros

e gafes porventura cometidos pelos locutores no ar. “Você errava e

ele mandava brasa no jornal”. (SANTANA 1, 26/03/2011) “Antena”

opinava sobre quase tudo, quase sempre em tom irônico. “Ele Sabia de

muita coisa” (ARGOLO, 25/03/2011). Lembra Virgílio Argolo:

Geraldo Teixeira, por exemplo, comprou um livro pelo reembolso

postal de inglês, para aprender inglês. Então “Antena”

publicou isso, e ninguém sabia na rádio. Geraldo ficou

intrigado com aquilo: “como é que esse cara soube, eu

fui receber no Correio e não disse a ninguém (ARGOLO,

25/03/2011).

Outra polêmica protagonizada por “Antena” deu-se após uma crítica

virulenta feita por ele no Jornal de Jequié a um narrador de futebol

da Rádio Bahiana. Depois de uma transmissão de futebol em Ilhéus,

“Antena” não mediu palavras e criticou veementemente o que havia sido

dito pelo narrador e pelo comentarista da equipe de esportes. No dia

seguinte à publicação o narrador esportivo achou por bem responder

a “Antena” no ar, no programa de esportes, conforme narra Virgílio

Argolo:

(...) ele disse: “Olha Antena, eu sou homem viu? Aqui eu

falo com meu nome, a responsabilidade é minha, e você

a gente não sabe quem é porque se esconde atrás de um

pseudônimo, de Antena. Eu sou homem! (ARGOLO, 25/

03/2011).

A resposta de “Antena” não tardou. Na publicação seguinte, para desespero

do locutor esportivo “Antena” sentenciou: “Fulano de tal, repita

sempre que é homem, senão ninguém sabe” (ARGOLO, 25/03/2011).

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A Rádio Bahiana de Jequié 67

“Antena” nunca foi descoberto. Até os mais antigos da Rádio Bahiana

não sabem de quem se tratava. Pairam dúvidas e especulações, mas

não se sabe ao certo quem conseguiu mexer tanto com os bastidores do

mundo radiofônico de Jequié.

Desconfiavam que era Virgílio Argolo, mas ninguém descobriu.

Wilson Novaes não era porque era menino, o pai

dele não frequentava a rádio e quase não ligava para essas

coisas. Adauto Cideira também não foi (SANTANA 1,

26/03/2011).

“Até hoje ninguém sabe quem é “Antena”, circulam boatos, mas

ninguém sabe ao certo” (ARGOLO, 25/03/2011). Wilson Novaes Júnior,

filho do jornalista e poeta Wilson Novaes, que desde menino conviveu

na redação do Jornal de Jequié afirma que nunca descobriu quem

era “Antena”: “Eu já li, mas não sei quem era, era alguém que estava

lá dentro, mas nunca descobri” (NOVAES JÚNIOR, 26/03/2011). Certamente

o segredo da identidade de “Antena” partiu com o jornalista

Wilson Novaes, editor do Jornal de Jequié.

2.7 Os programas religiosos

Desde os primeiros anos a Rádio Bahiana de Jequié abriu espaço para

programas religiosos. Transmissões de missas e de festividades ligadas

à Igreja Católica eram comuns. As missas de Santo Antônio, padroeiro

da cidade, eram levadas ao ar durante o trezenário no mês de junho,

conforme nos informa Cid Teixeira: “A gente transmitia todo trezenário,

hoje você não vê nem o dia da missa transmitir. Transmitia a missa e a

quermesse. Também eram feitos flashes da festa em frente à catedral”

(TEIXEIRA, 12/03/2011). Ainda segundo Cid Teixeira, os donos da

emissora, Lomanto Júnior e seu filho Leur Lomanto, muito religiosos e

devotos de Santo Antônio, participavam ativamente da festa em louvor

ao santo e, ao final da missa, faziam questão de levar a sua mensagem

aos jequieenses, aproveitando o ensejo religioso:

A gente transmitia a missa, logo em seguida ele dava entrevista

lá na sacristia mesmo. Leur também a mesma coisa.

Terminava a missa eles mandavam as mensagens deles

(TEIXEIRA, 12/03/2011).

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68 Judson Pereira de Almeida

Na sexta-feira da paixão a Rádio Bahiana apresentava uma programação

religiosa especial. Conta o jornalista Wilson Novaes Júnior:

Sexta-feira santa tinha o cineminha que passava a Paixão

de Cristo. Em seguida a gente sentava à mesa para almoçar

e ali a Rádio Bahiana só ficava com música instrumental,

religiosa. Não passava nada na programação, era

só música instrumental (NOVAES JÚNIOR, 26/03/2011).

Durante um período, nas tardes de sábado, a Bahiana de Jequié

levou ao ar o programa A Voz da Diocese, dirigido por integrantes da

Igreja Católica.

As igrejas protestantes também tiveram espaços na Rádio Bahiana.

Aos domingos, às 07h00 da manhã ia ao ar o Voz Batista de Jequié, programa

da Primeira Igreja Batista. Destaque para os pastores Natanael

Quadros, Flordenísio Sampaio e Jess Carlos Monteiro na apresentação

do programa. Em seguida, às 07h30 era a vez de A Voz da Profecia, da

Igreja Adventista do Sétimo Dia, apresentado pelos membros da igreja

local, a exemplo de Sílvio Cardoso e Amastorzinho Cidreira (sobrinho

de Adauto Cidreira) tendo como pregador o pastor Roberto Rabelo, em

mensagens gravadas, enviadas do Rio de Janeiro. Às 08h00 o último

programa evangélico da manhã era o Marchando com Cristo, da Igreja

Batista de Jequiezinho (Segunda Igreja Batista de Jequié). A partir da

segunda metade da década de 1980, a Igreja Batista Sião passou a dirigir

um programa, também com duração de trinta minutos, que ia ao ar

nos finais das tardes de domingo.

O programa Marchando com Cristo estreou na ZYN – 27 no dia 03

de junho de 1963. Era apresentado geralmente por membros da igreja.

O pastor pregava a mensagem do Evangelho por cerca de oito minutos.

O programa quase sempre tocava três músicas e, além da mensagem

Bíblica, trazia os aniversariantes da semana e o calendário de atividades

da igreja. Na abertura do programa ouvia-se a voz do locutor Edísio

Santana anunciar ao som da Aleluia de Händel:

A Igreja Batista de Jequiezinho patrocina e a Rádio Bahiana

de Jequié apresenta agora, Marchando com Cristo.

Marchando com Cristo é um programa de fé e oração que

glorifica ao Senhor. E para a apresentação de Marchando

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A Rádio Bahiana de Jequié 69

com Cristo aqui estão o pastor Júlio de Santana e a jovem

Gersonete Fernandes (SANTANA 2,26/03/2011).

Muitas pessoas passaram pela direção e apresentação do Marchando

com Cristo, a exemplo dos irmãos Heleno e Helena Pereira, de Raimundo

Matos e Jalon Leal, Gersonete Fernandes e Irineu Oliveira. Os pastores

que por mais tempo falaram do Evangelho no Marchando com

Cristo foram Antônio Abílio de Carvalho e Júlio de Santana. Pregadores

leigos como Jaime Antônio, Jalon Leal e Aristóteles Matos

também tiveram passagem pelo programa. O pastor Antônio Abílio

de Carvalho, em suas mensagens no rádio, não poupava criticas às outras

religiões, inclusive a Católica, mesmo sendo os donos da emissora

devotos fervorosos do padroeiro da cidade, como narra Helena Pereira:

Não contava história. Ele falava e repercutia muito na

cidade, o povo católico não gostava. Ele mostrava na Bíblia

que não podia conduzir imagem de escultura em procissão.

O povo comentava que o pastor falava, até muitos

crentes achavam que ele não deveria falar, mas ele falava,

não tinha medo não (PEREIRA1, 26/03/2011).

Não há relatos de que a direção da Rádio Bahiana tenha notificado

ou repreendido o pastor Antônio Abílio por tais declarações.

Segundo Cid Teixeira todos os programas religiosos da Rádio Bahiana

de Jequié eram pagos. A emissora abria espaço para as igrejas que

ele denomina como oficiais, não acolhendo programas daquelas de linha

neopentencostal: “A gente só não aceitava programa da igreja de Edir

Macedo, da Universal, só da Batista que é oficial e a Católica” (TEIXEIRA,

12/03/2011).

Narra Cid Teixeira que pessoas ligadas a igrejas evangélicas que não

tinham programas na rádio recorriam ao proprietário Lomanto Júnior no

intuito de obter espaço na emissora na confiança de que a recomendação

do político e dono da rádio seria suficiente para conseguirem um espaço

em horário nobre: “Tinha uns dessas religiões que eu chamo da sacolinha,

chegava para arranjar um horário, aí Lomanto dizia: Cid, arranja

um horário aí para fulano de tal” (TEIXEIRA, 12/03/2011).

Mas o diretor Cid Teixeira não baixava a guarda, e oferecia espaços

pouco atrativos, como de 5h00 às 6h00 da manhã, o que não era aceito:

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70 Judson Pereira de Almeida

“Aí ele saia, ia lá para Lomanto. Lomanto dizia: se ele disse que não

tem... Lomanto era um cara que não dava opinião nenhuma” (TEIXEIRA,

12/03/2011).

Mas outras igrejas, além da Batista e da Católica, também tiveram

espaços na Rádio Bahiana de Jequié, como a Igreja do Evangelho Quadrangular.

Desde que foi implantada na cidade a igreja comprou um

pequeno horário diário nas manhãs da emissora.

Nos anos 80 estreou na Bahiana de Jequié do meio dia às duas da

tarde de domingo o programa “gospel” As Mais e Mais Evangélicas,

dirigido e apresentado por Luciano Gonçalves. Era um programa com

uma linguagem jovem, com maior variedade musical que os demais e

que abria espaço para toda comunidade evangélica. Com o fim do programa

surgiu o Paz Pra Cidade que ocupou o mesmo horário de As Mais

e Mais Evangélicas, e pertencia a ASSEJ, Associação dos Evangélicos

de Jequié. O Paz Pra Cidade marcou época na Rádio Bahiana. Contou

com a apresentação de Edgar Júnior, Juscelino Guimarães e Paulo

César Valverde (radioperador da Bahiana recém convertido). No Paz

Pra Cidade foi feita a campanha para a compra do sítio onde foi instalado

o centro de recuperação de dependentes de álcool e drogas, o

SERLIVRE, mantido pelos evangélicos e em funcionamento até os dias

atuais. Em 1991 saiu da Bahiana de Jequié e estreou na 93 FM, passando

depois pela 95 FM até ser extinto nos idos de 1998.

Os programas religiosos da Rádio Bahiana foram extintos no início

da década de 1990, quando a emissora passou por uma reformulação,

promovida pelo Sistema Nordeste de Comunicação, pertencente

ao grupo de Pedro Irújo. A emissora elevou o preço dos contratos de

maneira tal que as igrejas não manifestassem interesse em renová-los.

2.7.1 A Hora do Angelus

O programa apontado como o de maior audiência entre os de cunho

religioso e um dos de maior audiência na grade de programação da Rádio

Bahiana era a Ave Maria, ou a Hora do Ângelus, apresentado por

Geraldo Teixeira. De segunda a sábado às 18h00 era tradição ouvir

Geraldo ler pedidos de oração e mensagens sacras, culminava com a

leitura da oração Ave Maria, de forma solene e dolente. Em seguida era

veiculada a Ave Maria, na voz de vários cantores, com destaque para

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A Rádio Bahiana de Jequié 71

a Ave Maria de Franz Schubert interpretada por Stevie Wonder. A voz

grave e marcante de Geraldo era “a cara“ da Hora do Angelus da Rádio

Bahiana. Segundo Cid Teixeira “(...) na hora da Ave Maria se Geraldo

não fizesse aquele horário ele ficava doente” (TEIXEIRA, 12/03/2011).

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72 Judson Pereira de Almeida

3 O fim da Rádio Bahiana de Jequié

Neste capítulo cabe um retorno ao ano de 1960, quando a Rádio Bahiana

foi vendida pelo grupo Rádiointerior para Antônio Lomanto Júnior,

então prefeito de Jequié, eleito pela segunda vez. A emissora passava

por dificuldades financeiras e Alceu N. Fonseca tentava convencer Lomanto

a investir no negócio: “O Alceu, eu soube que foi a Lomanto,

na época, que era para Lomanto ajudar. Lomanto não queria” (TEIXEIRA,

12/03/2011). O grupo Rádiointerior chegou a enviar para Jequié

uma gravação informando o fechamento da Bahiana: “um disco da Rádio

Sul Fluminense gravado no Rio de Janeiro, de Alceu Fonseca, despedindo

e agradecendo, quando a família Lomanto comprou a rádio”

(SANTANA 1, 26/03/2011).

Cid Teixeira e Adauto Cidreira, a convite de Lelivaldo Brito, cunhado

de Antônio Lomanto Júnior, assumiram a direção da Rádio Bahiana.

Encontraram a emissora com sérios problemas financeiros. A receita

advinda dos anúncios publicitários era pequena, a emissora tinha

dívidas e estava sem crédito para fazer compras no comércio local.

A primeira coisa que encontrei lá foi para trocar um fio

elétrico. Eu mandei ver na casa comercial de Deusdete

Amaral. Deusdete disse que para a rádio não vendia, mas

para mim vendia. A rádio estava sem crédito (TEIXEIRA,

12/03/2011).

Além de recuperar o crédito na praça outra medida foi a regularização

de todos os funcionários da emissora junto ao Ministério do

Trabalho, já que, até então nenhum tinha a Carteira de Trabalho e Previdência

Social assinada. “Convoquei todos eles juntamente com Adauto

Cidreira e procuramos legalizar. Em março nós legalizamos todos

eles, março de 1960” (TEIXEIRA, 12/03/2011).

Contrariando a previsão extremamente otimista de Adilson Almeida,

a resposta do comércio local/regional não foi satisfatória para a

manutenção da Rádio Bahiana. Segundo Cid Teixeira “A rádio não

dava lucro. Não é como hoje, o comércio hoje contribui bastante” (TEIXEIRA,

12/03/2011). A receita maior vinha de programas oficias como

os da Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores, dos programas das

igrejas evangélicas e de programas de grande audiência produzidos pela

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A Rádio Bahiana de Jequié 73

própria emissora, como A Hora do Fazendeiro e Músicas e Informações.

Dos demais a receita era ínfima. “Tinha os comerciais de fora também,

por exemplo: Kolynos37, Malzebier... de fora eram vários, mas da

cidade mesmo, poucos” (TEIXEIRA, 12/03/2011). A empresa vivia no

limite da receita, suficiente para pagar as despesas.

Com a chegada da primeira emissora em freqüência modulada de

Jequié, no dia 13 de junho de 198638, as dificuldades financeiras da

Rádio Bahiana se agravaram. Tanto é que os funcionários chegaram a

tirar a emissora do ar em protesto pelo atraso do pagamento do décimo

terceiro salário. Lembra Inaldo Sardinha:

Quando deu 18h00 Geraldo Teixeira estava se preparando

para fazer a Ave Maria e nós tiramos a rádio do ar. Seo Cid

perguntou o que foi e todos assumiram o ato. Foi a primeira

vez que eu vi um ato de coragem do grupo de funcionários

da rádio (SARDINHA, 11/03/2011).

A Cidade Sol FM era uma novidade, o FM trouxe uma qualidade

de som muito superior ao do AM; audiência e anunciantes, principalmente

estes, aos poucos, começaram a migrar para a nova emissora. “O

impacto foi na parte comercial. Se já era ruim, aí agora piorou” (TEIXEIRA,

12/03/2011). Aroldo Vieira, então gerente comercial da Cidade

Sol FM, lembra-se da facilidade em comercializar espaços publicitários

na emissora. “Era muito fácil porque era novidade, tudo era novidade,

tudo que tentasse vender vendia” (VIEIRA, 13/03/2011), apesar de,

naquela época, ainda segundo Aroldo Vieira, a venda de publicidade

37Música e Alegria Kolynos. Programa gravado em um LP que, depois de veiculado,

era sorteado entre os ouvintes. “Foi na época o lançamento dos Beatles, tinha

muita coisa”. (VIEIRA,13/03/2011)

38No dia 13 de junho de 1987, acabava de assistir à missa festiva de encerramento

dos festejos em louvor a Santo Antônio, padroeiro da cidade de Jequié, quando tomei

conhecimento de que na Rua Padre Altino Freire, a poucos metros da Catedral, estava

sendo inaugurada a Rádio Cidade Sol LTDA – 94,9, a primeira emissora em Frequência

Modulada da região. Aguçada a curiosidade, dirigi-me ao local em companhia

de outras pessoas. Lá chegando, estúdio lotado, muitos convidados, observei Manoel

Almeida Sampaio “Maneca”, primeiro gerente da nova emissora, de microfone em

punho, apoiado na bancada dos pick-ups, no papel de mestre de cerimônias, conduzindo

a inauguração, apresentando a equipe de comunicadores e abrindo espaço

para depoimento dos presentes (NOVAES JÚNIOR, 2006, P. 50).

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74 Judson Pereira de Almeida

em Jequié ser feita “(...) amadoristicamente, porque não se tinha aquela

coisa de profissionalismo que o momento pedia” (VIEIRA, Aroldo).

E assim, em um processo lento, a Bahiana de Jequié enfrentava cada

vez mais dificuldades para cobrir suas despesas. “Acredito que a Rádio

Bahiana deve ter sentido muito” (VIEIRA, 13/03/2011).

No final da década de 1980 a família Lomanto decidiu vender a

Rádio Bahiana, coincidindo com a implantação, pelo então deputado

federal Leur Lomanto (filho de Lomanto Júnior), da Estação 93 FM,

segunda emissora em freqüência modulada da cidade, inaugurada em

setembro de 1989. O veterano radialista Gilmar Azevedo, trazido para

Jequié por Leur com a missão de implantar a nova emissora relata a

impressão que teve da Rádio Bahiana:

Que ela já fazia parte do passado, completamente abandonada

pelos seus proprietários, não tinha agressividade,

não procurava inovar, me parecia viver do passado. O

próprio prédio onde a rádio estava instalada dava essa impressão

(AZEVEDO, 02/06/2011).

Segundo Ari Moura a falta de investimentos que culminou com a

venda da BahianaAMpela família Lomanto pode ter sido desencadeada

porque a emissora não rendia dividendos políticos para o grupo:

Eu não acredito que ela tenha influenciado tanto, por exemplo,

na eleição de Lomanto Júnior para governador do

Estado, ela deu uma contribuição muito local, mas em nível

estadual não dava porque ela não era ouvida em todos os

municípios da Bahia. A própria eleição do Leur Lomanto

por um, dois ou três mandatos no início da carreira dele

também não deve ter tido muita influência. Então eles resolveram

vender a rádio (MOURA, 24/05/2011).

Primeiro a emissora foi adquirida pelo grupo do então deputado

Marcos Medrado, um empresário da capital baiana. Pouquíssimo tempo

depois foi vendida para Pedro Irújo, proprietário do Sistema Nordeste

de Comunicação (detentor de emissoras de rádio em Salvador e cidades

do interior e da TV Itapoan, na época afiliada do Sistema Brasileiro de

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A Rádio Bahiana de Jequié 75

Televisão), e também deputado. O grupo chegou com a proposta de reformular

a Rádio Bahiana, implantar equipamentos modernos, adequála

aos novos tempos. Foram instalados alguns equipamentos mais modernos,

inclusive um computador para a veiculação de vinhetas e comerciais.

A grade de programação da emissora sofreu alterações. Com

o fim do programa Músicas e Informações, Geraldo Teixeira assumiu

o posto de noticiarista. Mascarenhas Filho, que comandava das 14h00

às 17h00 o Clube da Juventude, passou a apresentar o Show da Manhã.

Por algum tempo, no horário da tarde foi veiculado A Tarde é Nossa,

um programa produzido pelo Sistema Nordeste, gravado em fitas K7

e apresentado por Beto Moreno. Edísio Santana também apresentou A

Tarde é Nossa. A Rádio Bahiana fez transmissões em cadeia com outras

emissoras do grupo, como partidas de futebol da Copa do Mundo

de 1990 e o programa Balanço Geral, da Rádio Sociedade da Bahia, apresentado,

na época, por Raimundo Varela e Djalma Costa Lino. Neste

período a emissora já amargava uma queda sem precedentes em sua audiência

e credibilidade junto ao público e aos anunciantes. Não havia

mais o interesse de antes pelos programas musicais e de serviço. A

cidade vivia o auge da Estação 93 FM (que também superou a Cidade

Sol FM em audiência), com sua ótima qualidade de áudio e uma programação

popular, com o locutor Tony Silva e sua grande audiência nas

manhãs de segunda a sábado. Só o jornalismo conseguiu ter fôlego em

meio à crise. “Pelo menos no jornalismo a gente conseguia uma boa

audiência de manhã, ao meio-dia, e ainda tinha um programa no final

da tarde que trazia informações também” (MOURA, 24/05/2011).

As mudanças que prometiam resgatar os tempos áureos da Rádio

Bahiana de Jequié acabaram por dar início a um longo processo de

decadência. “Aí a rádio foi entrando em descrédito (...). Trouxeram de

Ipiaú uma coordenadora, essa coordenadora se perdeu” (SARDINHA,

11/03/2011). Uma providência foi enxugar o quadro de funcionários.

Vários locutores/operadores que por muito tempo fizeram parte da equipe

foram desligados da empresa. Um dos primeiros foi Inaldo Sardinha,

que passou a apresentar um programa de esportes na 95 FM. Depois

mais demissões:

João Mendes, Mascarenhas Filho, Tadeu Antônio, Edísio

Santana e tantos outros profissionais que trabalhavam na

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76 Judson Pereira de Almeida

rádio, eles quiseram enxugar, achavam que tinha um número

grande de profissionais e foram tirando gradativamente

o pessoal, que culminou também com a minha saída

(MOURA, 24/05/2011).

O patrimônio físico da rádio também começou a ser desfeito. Equipamentos

obsoletos, mas ainda importantes foram retirados, levados

para outras emissoras, e substituídos por outros em condições ruins.

“Eles começaram a sucatear, tirar parte dos equipamentos da emissora

daqui, equipamentos bons e deixar aqui praticamente a pelanca” (SANTANA

2, 26/03/2011). “Pedro Irújo mandou colocar um transmissor

novinho aqui, com potência de 10 KW, mas um gerente de Feira de

Santana, Moacir Mansur, disse que não valia à pena, que não tinha retorno”

(SANTANA 1, 26/03/2011).

Uma verdadeira tragédia não só para o patrimônio da Rádio Bahiana,

mas para o patrimônio histórico e cultural de Jequié foi o desfazimento

de documentos importantes acumulados por mais de quatro

décadas, como as Crônicas de Luiz Cotrim, Fernando Barreto, Adauto

Cidreira. “Na rádio tinha tudo isso aí arquivado, a mulher jogou tudo

fora” (TEIXEIRA, 12/03/2011). A discoteca com milhares de discos

foi desmantelada. Também por ordem da coordenadora enviada pelo

Sistema Nordeste de Comunicação milhares de discos foram jogados

fora. “Foi o maior crime da história! A Rádio Bahiana tinha um acervo

fora de série. Discos de 78 rotações, LPs, compactos” (SANTANA 1,

26/03/2011).

Todas as estratégias empregadas pelo Sistema Nordeste de Comunicação

não deram certo. A rádio estava ainda mais decadente e o grupo

perdeu o interesse pela emissora. Segundo relata Ari Moura esta perda

de interesse também se deu por fatores de ordem política:

Eles adquiriram rádio aqui em Jequié, em Ipiaú, Feira de

Santana e outras cidades da Bahia e formaram uma rede,

porque tinham uma finalidade política. Pedro Irújo queria

ser governador da Bahia e não conseguiu (MOURA,

24/05/2011).

Na segunda metade da década de 1990 a Rádio Bahiana foi vendida

mais uma vez. Passou ao controle do Sistema Jequié de Comunicação,

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A Rádio Bahiana de Jequié 77

do então vereador Euclides Nunes Fernandes. Nenhum investimento

significativo foi feito. Foi desfeita a sonotécnica e toda a aparelhagem

colocada dentro da cabine de locução, funcionando o operador também

como locutor. A emissora continuava com uma péssima qualidade de

som, o estúdio completamente sucateado, o prédio sede da emissora

degradado. Tudo tinha um aspecto lúgubre, de abandono, conforme

relata Nancy Dias, locutora da 93 FM deslocada para cumprir horário

na Rádio Bahiana:

O prédio estava muito desgastado, o banheiro já não existia

mais, muito morcego, muitas cadeiras jogadas. Equipamento

velho, tudo muito antigo, tudo muito desgastado pelo

tempo. (...) Era tudo escuro, parecia uma casa do terror.

As salas foram ficando vazias. A sala de redação, a sala

do diretor foram ficando abandonadas, uma máquina de

escrever ficou muito tempo lá jogada (DIAS, 13/03/2011).

O horário de funcionamento da rádio foi reduzido. Antes a programação

era levada ao ar das 05h00 às 00h00. Passou a ser transmitida

das 05h00 às 20h00. Ligação de ouvintes ou cartas se tornaram raras.

As pessoas não ligavam, tocavam música direto, a tarde

inteira. Era só um CD, terminava um CD botava outro,

ninguém falava mais nada, já não tinha hora, já não tinha

mais nada (DIAS, 13/03/2011).

Em uma emissora em que no passado cartas chegavam a centenas,

as poucas recebidas eram motivo de alegria: “Eu tinha uma audiência

razoável de receber, por semana, até quatro cartas. Era o ápice conseguir

receber quatro cartas naquele finalzinho. Era muito bom” (DIAS,

13/03/2011).

Também não havia mais publicidade na rádio. Só músicas e algumas

vinhetas.

Teve um tempo que já não se veiculava mais nada. Algumas

coisas que tinha eram em um cartucho, mas com o tempo

o cartucho já não foi mais dando certo, já não foi mais

servindo. Como a 93 FM tinha um estúdio de gravação

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78 Judson Pereira de Almeida

então pegavam algumas coisas deles. Trouxeram um aparelho

de MD (mini disc), aí a gente tocava muita coisa no

MD (DIAS, 13/03/2011).

A Hora do Fazendeiro foi o único programa que na fase aguda de

decadência da Rádio Bahiana ainda era apresentado, por João Vasconcelos.

Os poucos patrocinadores do programa (espaços publicitários

vendidos por valores muito baixos) eram lidos pelo próprio locutor, ao

vivo.

Jornalismo local não tinha mais. Algumas informações, às

vezes. Lia notícia de jornal, sempre do Jornal A Tarde e de

outros jornais que a gente pegava. Jornais da cidade, mas

a maioria era se Salvador (DIAS, 13/03/2011).

No ano 2000 Euclides Fernandes vendeu a Rádio Bahiana de Jequié

para a Igreja do Evangelho Quadrangular. Assumiu a direção geral

o pastor Josué Augusto. Uma das primeiras providências foi mudar a

sede da emissora. Depois de quarenta e seis anos a Bahiana saiu da

Rua 2 de Julho, no centro da cidade e passou a funcionar na Avenida

Franz Gedeon no 882, ao lado do templo da Igreja Quadrangular. Alguns

equipamentos foram trocados. Dois técnicos foram contratados

para melhorar a qualidade de áudio da Rádio Bahiana. Algumas peças

do transmissor foram substituídas, e o ruído no sinal diminuído. Irineu

Oliveira, que assumiu a coordenação da rádio, foi até Governador Valadares

– MG buscar uma mesa de áudio usada, adquirida da Rádio

Novo Tempo (emissora ligada aos Adventistas do Sétimo Dia) daquela

cidade. A mesa antiga da Bahiana já não tinha mais condições de uso.

A Rádio Bahiana de Jequié passou a ser chamada de Nova Bahiana

AM, um marco para a nova fase. Alguns locutores foram trazidos de

volta, como Jota Narciso, Edísio Santana e Inaldo Sardinha (que passou

a trabalhar na Bahiana concomitante com a 95 FM). “Ary Santana foi

recontratado nesta fase, e reassumiu A Hora do Fazendeiro” (DIAS,

13/03/2011). Outros profissionais mais jovens também foram trazidos,

como Danúbio Alves. Também assumiu um programa matutino Tony

Silva, que, nesta época, estava na 95 FM e trabalhou concomitantemente

na Bahiana. Foi montada uma nova grade de programação e mantido o

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A Rádio Bahiana de Jequié 79

sucesso A Hora do Fazendeiro. “Resgataram algumas vinhetas, criaram

novas vinhetas” (DIAS, 13/03/2011).

Houve uma melhora na audiência da emissora. Mas com o passar do

tempo uma nova crise se abateu. Em 2004Wando Pereira foi convidado

para assumir a coordenação. Foi feita uma tentativa de transformar a

programação em Gospel.

Nós passamos um período fazendo a programação secular.

Depois pensamos juntamente com a direção em tentar

o segmento Gospel. Passamos um período com o segmento

Gospel, também não foi aceito, tendo em vista as rádios

piratas evangélicas e católicas, então o comércio não

abraçava esse segmento (PEREIRA 2, 28/05/2011).

A direção da Igreja do Evangelho Quadrangular não teve interesse

em bancar a emissora financeiramente.

Nós tivemos muita dificuldade porque não entrava comerciais,

eram poucas agências do governo que anunciavam

com a gente, fomos conseguindo algumas. Depois o tempo

melhorou quando nós conseguimos fechar uma programação

com a Igreja Universal. A entrada de dinheiro aumentou

um pouquinho, mas as dificuldades continuavam

(PEREIRA 2, 28/05/2011).

O dinheiro que entrava por meio de comerciais e do horário arrendado

à IURD não era suficiente para cobrir as despesas, inclusive pagar

a folha de salários.

Às vezes, chegava o final do mês e nós tínhamos que juntar:

tem quanto? Tem X. Então vamos dar um pouquinho para

fulano, um pouquinho para sicrano pra ninguém ficar sem

nada. Não era nem um salário. Vamos dar 300 reais para

um, 200 reais pra outro e assim a gente ia dividindo o pão

(PEREIRA 2, 28/05/2011).

Na tentativa de conseguir algum dinheiro que pudesse ajudar a sanar

dívidas o pastor Josué Augusto desfez por completo do que restara da

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80 Judson Pereira de Almeida

discoteca. LPs foram vendidos por 2, 1 real. Alguns foram doados.

Outros jogados fora.

Depois de seis anos de tentativas o pastor Josué Augusto também

desistiu da Rádio Bahiana de Jequié. O objetivo era, pelo menos, vender

a concessão. “Por muitas vezes o pastor Josué falou: ‘vamos fechar

isso, vamos fechar, eu vou tentar vender a concessão’. E nada. E a

gente segurando” (PEREIRA 2, 28/05/2011).

Em um dia do ano de 2006, um empresário de Feira de Santana

chegou à Rádio Bahiana disposto a comprar a emissora. Foi feita uma

reunião entre Roberto Pazzi e o pastor José Augusto, e a venda foi selada.

A Rádio Bahiana de Jequié foi transferida para um prédio construído

especialmente para ela no semi-anel rodoviário de Jequié. Todo

o equipamento foi substituído, inclusive o transmissor, transferido da

Granja Pindorama para o anexo do novo prédio. Durante um curto

período a rádio foi chamada de Bahiana AM Rádio Povo, depois apenas

Rádio Povo, como permanece até os dias atuais. Foi o fim de uma das

mais antigas marcas na comunicação da Bahia. A Rádio Bahiana de Jequié

deixou de existir. Ficou a referência do meio de comunicação mais

importante para Jequié na segunda metade do século XX. Nas palavras

de Gilmar Azevedo:

Foi sem dúvida alguma a referência do rádio em Jequié

nas últimas décadas do século XX, isso não se pode negar.

Até a chegada das FMs a Bahiana comandava. Tanto que

conseguiu fazer Geraldo Teixeira vereador, fato que as FMs

não conseguiram (AZEVEDO, 02/06/2011).

É de se lamentar a falta de zelo e o desfazimento de todo um acervo

histórico de uma empresa que, na verdade, já se constituía um

patrimônio histórico/cultural de Jequié. Segundo Ary Santana o doutor

Milton de Almeida Rabelo39 dizia: “(...) olha, sou vereador, vou propor

à Câmara votar, para a rádio ser reconhecida como patrimônio de Jequié

para não ser vendida, mas os vereadores não votaram” (SANTANA 1,

26/03/2011).

39Cirurgião dentista, pessoa de grande influência na sociedade jequeense, professorfundador

da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, ex-vereador, cunhado do

ex-prefeito e empresário Waldomiro Borges de Souza.

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A Rádio Bahiana de Jequié 81

Eu fui a um encontro de radiodifusão em Minas Gerais e

vi a história da Rádio Itatiaia desde que começou. Eles

guardam a primeira maleta de transmissão, o primeiro

transmissor, e têm o maior orgulho de expor isso (NOVAES

JÚNIOR, 26/03/2011).

Por derradeiro o fim da marca Bahiana de Jequié também se constitui

a perda de uma referência histórica para a Cidade Sol.

Eu senti muito a perda da Rádio Bahiana. Em Ilhéus, por

exemplo, a Rádio Bahiana ficou anos e anos fora do ar, mas

quando reestruturaram ela mais recentemente ela continuou

com o nome de Rádio Bahiana de Ilhéus. Eu gostaria

que em Jequié tivesse acontecido a mesma coisa. Infelizmente

não foi possível (MOURA, 24/05/2011).

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82 Judson Pereira de Almeida

Considerações finais

Nessas considerações finais é pertinente ressaltar que todos os entrevistados

foram unânimes em afirmar que a Rádio Bahiana de Jequié teve

importância indelével para a região na segunda metade do século XX.

A Rádio Bahiana de Jequié foi implantada em um momento de esperança

de crescimento para Jequié. Na visão de Adilson Almeida

a emissora poderia contribuir para o desenvolvimento econômico da

região, ao tempo em que poderia ser mantida por meio dos anúncios

publicitários do comércio local. Ficou constatado, entretanto, que ao

longo de sua trajetória foram muitas dificuldades financeiras enfrentadas.

A emissora reinou absoluta na comunicação radiofônica jequieense

durante 32 anos. A concorrência era travada com as rádios do eixo

sul/sudeste do país, o que não chegava a comprometer a audiência da

Rádio Bahiana, porque as pessoas se interessavam pelos assuntos locais

e regionais, ademais, as emissoras do sul e do sudeste só tinham boa

recepção no período da noite.

Nos primeiros anos a tecnologia era incipiente, equipamentos com

pouquíssimos recursos. Aos poucos a rádio foi se modernizando, conseguiu

um aumento de potência no início da década de 1970, e se tornou

uma emissora regional, passou a abranger vários municípios vizinhos a

Jequié.

Enfrentou o período da Ditadura Militar e sofreu com a censura imposta

pelo Golpe. Fez radioteatro, radiojornalismo, veiculou radionovelas,

revelou talentos, transmitiu fatos marcantes.

Teve o seu acervo de documentos desfeito, informações importantes

sobre Jequié e região foram perdidas. Mesmo assim emissora se tornou

parte da própria história de Jequié. Por meio daqueles que trabalharam

e viveram a Rádio Bahiana, foi possível arregimentar uma memória coletiva,

sistematizá-la e resgatar parte desta história.

O assunto não se esgota. A Rádio Bahiana de Jequié pode ser estudada

em aspectos mais particulares tendo em vista a amplitude de sua

importância para a região. Que este trabalho de memória seja um encorajamento

para outras pessoas que possam ter interesse sobre o tema e

um registro para as gerações vindouras.

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A Rádio Bahiana de Jequié 83

Referências bibliográficas

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GSH Editora, 1997.

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IBRASA, 1996.

COMPÊNDIO. História do Rádio no Brasil. Publicado no site da

ABERT - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão.

http://www.abertdf.com/site/images/stories

/biblioteca/historia.pdf. Acesso 8/03/2011

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Léon Schaffter. São Paulo. Edições Vértice, 1990.

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jornalística. Rio de Janeiro: Record, 2001.

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Disponível na BOCC – Biblioteca on-line de Ciências da Comunicação.

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brasil_minas.pdf Acesso: 08/03/2011.

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Homem. 11a ed. São Paulo: Cultrix, 2001.

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Florianópolis – SC. Insular, 2005.

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Jequié, 2006.

PEREIRA, Herzem Gusmão. A Trajetória da Rádio Clube de Conquista.

UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia,

2003. Trabalho inédito.

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84 Judson Pereira de Almeida

RIOS, Dermeval. (org). Cem Anos de Poesia e Prosa. Jequié: Academia

de Letras de Jequié. 1997.

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paralelo entre o desenvolvimento da cidade e a expansão da atividade

radiofônica. Jequié/BA. IMES/FTC – Faculdade de Tecnologia

e Ciências, 2009. Trabalho inédito.

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A Rádio Bahiana de Jequié 85

Entrevistas

ARGOLO, Virgílio. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 25/03/

2011 em Jequié – Bahia.

AZEVEDO, Gilmar – Entrevista cedida a Judson Almeida via Internet

no dia 02/06/2011.

DIAS, Nanci. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 13/03/2011

em Jequié – Bahia.

LOPES, Evandro – Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 13/03/

2011 em Jequié – Bahia.

MENDES, João. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 12/03/

2011 em Jequié – Bahia.

MEIRA, Raimundo. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 25/03/

2011 em Jequié – Bahia.

MOURA, Ari. Entrevista cedida a Judson Almeida via telefone no dia

24/05/2011.

NOVAES JÚNIOR, Wilson. Entrevista cedida a Judson Almeida no

dia 26/03/2011 em Jequié – Bahia.

PEREIRA (1), Wando. Entrevista cedida a Judson Almeida via telefone

no dia 28/05/2011.

PEREIRA (2) Helena. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia

26/03/2011 em Jequié – Bahia.

SANTANA (1) Ari. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 26/03/

2011 em Jequié – Bahia.

SANTANA (2), Edísio. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia

26/03/2011 em Jequié – Bahia.

SARDINHA, Inaldo. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 11/

03/2011 em Jequié – Bahia.

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86 Judson Pereira de Almeida

SILVA, Tony. Entrevista cedida a Judson Almeida via internet no dia

14/04/2011.

TEIXEIRA, Cid. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 12/03/

2011 em Jequié – Bahia.

VIEIRA, Aroldo. Entrevista cedida a Judson Almeida no dia 13/03/

2011 em Jequié – Bahia.

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A Rádio Bahiana de Jequié 87

Transcrições

TEIXEIRA, Geraldo. Transcrição de gravação feita por Geraldo Teixeira

no dia 21 de setembro de 1969. Gravação recuperada e cedida

por Ary Santana.

PINTO, Roquete. Transcrição de gravação de 1923, disponível no site

http://www.microfone.jor.br/historia.htm Acesso

16/02/2011.

COTRIM, Luiz. Transcrição da crônica lida por Ary Santana e levada

ao ar na primavera de 1976. Gravação recuperada e cedida por

Ary Santana.

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88 Judson Pereira de Almeida

Anexos

Cid Teixeira – Assumiu a direção da Rádio Bahiana de Jequié em 1960.

Ocupou o cargo até meados da década de 1990. Foto: Judson Almeida em

12/03/2011

Escadaria que dava acesso à sede da Rádio Bahiana de Jequié no segundo

andar do Edifício 2 de Julho. Foto: Judson Almeida em 12/03/2011

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A Rádio Bahiana de Jequié 89

Flâmuda comemorativa dos 8 anos do Programa Marchando Com Cristo da

Igreja Batista de Jequiezinho na Rádio Bahiana de Jequié. Cedida por Helena

Pereira.

Antigo gravador com fita de rôlo da Rádio Bahiana de Jequié. Peça em

Exposição no Museu Cel. João Carlos Borges. Foto: Judson Almeida em

25/03/2011

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90 Judson Pereira de Almeida

Solenidade de posse do prefeito Waldomiro Borges de Souza, em 1966. Em

destaque o então governador Antônio Lomanto Júnior. Ao lado, com o

Microfone em punho o radialista Geraldo Teixeira transmitindo a solenidade

Pela Rádio Bahiana de Jequié.Fotografia disponível em painel do Museu

Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

Evento comemorativo aos 12 anos da Rádio Bahiana de Jequié em 1966. Ao

microfone o jornalista e também diretor da emissora, Adauto Cidreira. Ao

lado os radialistas Geraldo Teixeira e Ari Santana. Fotografia disponível em

painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 91

Adilson Almeida considerado o responsável pela implantação da Rádio

Bahiana de Jequié. Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João

Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

Auditório do Cine Teatro Jequié, durante a realzação do Festival dos

Brotos.Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João Borges. Foto:

Judson Almeida em 25/03/2011.

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92 Judson Pereira de Almeida

Palco do Cine Teatro Jequié, durante a realização do Festival dos Brotos.

Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson

Almeida em 25/03/2011.

O repórter esportivo da Rádio Bahiana de Jequié, Nilton Torres, entrevistando

o jogador Mané Garrincha em 1970. Fotografia disponível em painel do

Museu Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 93

Um dos primeiros aparelhos de rádio que chegaram a Jequié, ainda na

primeira metade do século XX. Peça em exposição no Museu Cel. João

Carlos Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

Abrigo do transmissor da Rádio Bahiana de Jequié na Granja Pindorama.

Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson

Almeida em 25/03/2011.

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94 Judson Pereira de Almeida

Vista parcial da discoteca da Rádio Bahiana de Jequié. Fotografia disponível

em painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em

25/03/2011.

O locutor João Mendes e Abelardo Barbosa, o Chacrinha em Jequié no início

da década de 1980. Fotografia disponível em painel do Museu.Coronel João

Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 95

O técnico Virgílio Argolo participou da montagem dos primeiros

quipamentos da Rádio Bahiana de Jequié e da inauguração da emissora na

noite de 21 de setembro de 1954. Foto: Judson Almeida em: 25/03/2011.

Inaldo Sardinha na transmissão do carnaval de 1989. No Palco do Jequié

Tênis Clube a Banda Sinal dos tempos do Rio de Janeiro. Foto: acervo

particular de Inaldo Sardinha.

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96 Judson Pereira de Almeida

Propaganda da Sociedade Técnica Paulista, a STP. Equipamento semelhante

foi utilizado na Rádio Bahiana de Jequié por muitos anos. Disponível em

http://sites.audiolist.org/edu/

historia-do-audio-no-brasil/

anuncios-antigos-nacionais/ Acesso 22/04/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 97

Show de Prêmios, realizado no Cine Auditorium pela Estação 93 FM, reviveu

o lendário Festival dos Brotos.Foto: acervo particular de Tony Silva.

Prédio da Rádio Bahiana de Jequié na Rua 2 de Julho. Foto tirada durante o

carnaval de 1988. Foto: acervo particular de Inaldo Sardinha.

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98 Judson Pereira de Almeida

Atual aspecto do prédio onde funcionou a Rádio Bahiana de Jequié,

transformado em apartamento residencial. Foto : Judson Almeida em

12/03/2011.

Geraldo Teixeira, um dos mais populares locutores da Rádio Bahiana de

Jequié. Participou da inauguração da emissora. Foto: acervo particular de

Judson Almeida.

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A Rádio Bahiana de Jequié 99

Recorte do Jornal Sudoeste dava conta dos rumores da venda da Rádio

Bahiana de Jequié. Acervo particular de Inaldo Sardinha.

Recorte do Jornal do Sudoeste do final da década de 1980. Documento do

acervo particular de Inaldo Sardinha.

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100 Judson Pereira de Almeida

O Correio da Bahia noticiou a confusão em Gongogi. O jornal errou o nome

do repórter Inaldo Sardinha (Inaldo de Jesus). Documento do acervo

particular de Inaldo Sardinha.

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A Rádio Bahiana de Jequié 101

Edifício Grilo. Foto: Museu Coronel João Borges.

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A Rádio Bahiana de Jequié 87

Transcrições

TEIXEIRA, Geraldo. Transcrição de gravação feita por Geraldo Teixeira

no dia 21 de setembro de 1969. Gravação recuperada e cedida

por Ary Santana.

PINTO, Roquete. Transcrição de gravação de 1923, disponível no site

http://www.microfone.jor.br/historia.htm Acesso

16/02/2011.

COTRIM, Luiz. Transcrição da crônica lida por Ary Santana e levada

ao ar na primavera de 1976. Gravação recuperada e cedida por

Ary Santana.

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88 Judson Pereira de Almeida

Anexos

Cid Teixeira – Assumiu a direção da Rádio Bahiana de Jequié em 1960.

Ocupou o cargo até meados da década de 1990. Foto: Judson Almeida em

12/03/2011

Escadaria que dava acesso à sede da Rádio Bahiana de Jequié no segundo

andar do Edifício 2 de Julho. Foto: Judson Almeida em 12/03/2011

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A Rádio Bahiana de Jequié 89

Flâmuda comemorativa dos 8 anos do Programa Marchando Com Cristo da

Igreja Batista de Jequiezinho na Rádio Bahiana de Jequié. Cedida por Helena

Pereira.

Antigo gravador com fita de rôlo da Rádio Bahiana de Jequié. Peça em

Exposição no Museu Cel. João Carlos Borges. Foto: Judson Almeida em

25/03/2011

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90 Judson Pereira de Almeida

Solenidade de posse do prefeito Waldomiro Borges de Souza, em 1966. Em

destaque o então governador Antônio Lomanto Júnior. Ao lado, com o

Microfone em punho o radialista Geraldo Teixeira transmitindo a solenidade

Pela Rádio Bahiana de Jequié.Fotografia disponível em painel do Museu

Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

Evento comemorativo aos 12 anos da Rádio Bahiana de Jequié em 1966. Ao

microfone o jornalista e também diretor da emissora, Adauto Cidreira. Ao

lado os radialistas Geraldo Teixeira e Ari Santana. Fotografia disponível em

painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 91

Adilson Almeida considerado o responsável pela implantação da Rádio

Bahiana de Jequié. Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João

Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

Auditório do Cine Teatro Jequié, durante a realzação do Festival dos

Brotos.Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João Borges. Foto:

Judson Almeida em 25/03/2011.

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92 Judson Pereira de Almeida

Palco do Cine Teatro Jequié, durante a realização do Festival dos Brotos.

Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson

Almeida em 25/03/2011.

O repórter esportivo da Rádio Bahiana de Jequié, Nilton Torres, entrevistando

o jogador Mané Garrincha em 1970. Fotografia disponível em painel do

Museu Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 93

Um dos primeiros aparelhos de rádio que chegaram a Jequié, ainda na

primeira metade do século XX. Peça em exposição no Museu Cel. João

Carlos Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

Abrigo do transmissor da Rádio Bahiana de Jequié na Granja Pindorama.

Fotografia disponível em painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson

Almeida em 25/03/2011.

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94 Judson Pereira de Almeida

Vista parcial da discoteca da Rádio Bahiana de Jequié. Fotografia disponível

em painel do Museu Coronel João Borges. Foto: Judson Almeida em

25/03/2011.

O locutor João Mendes e Abelardo Barbosa, o Chacrinha em Jequié no início

da década de 1980. Fotografia disponível em painel do Museu.Coronel João

Borges. Foto: Judson Almeida em 25/03/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 95

O técnico Virgílio Argolo participou da montagem dos primeiros

quipamentos da Rádio Bahiana de Jequié e da inauguração da emissora na

noite de 21 de setembro de 1954. Foto: Judson Almeida em: 25/03/2011.

Inaldo Sardinha na transmissão do carnaval de 1989. No Palco do Jequié

Tênis Clube a Banda Sinal dos tempos do Rio de Janeiro. Foto: acervo

particular de Inaldo Sardinha.

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96 Judson Pereira de Almeida

Propaganda da Sociedade Técnica Paulista, a STP. Equipamento semelhante

foi utilizado na Rádio Bahiana de Jequié por muitos anos. Disponível em

http://sites.audiolist.org/edu/

historia-do-audio-no-brasil/

anuncios-antigos-nacionais/ Acesso 22/04/2011.

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A Rádio Bahiana de Jequié 97

Show de Prêmios, realizado no Cine Auditorium pela Estação 93 FM, reviveu

o lendário Festival dos Brotos.Foto: acervo particular de Tony Silva.

Prédio da Rádio Bahiana de Jequié na Rua 2 de Julho. Foto tirada durante o

carnaval de 1988. Foto: acervo particular de Inaldo Sardinha.

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98 Judson Pereira de Almeida

Atual aspecto do prédio onde funcionou a Rádio Bahiana de Jequié,

transformado em apartamento residencial. Foto : Judson Almeida em

12/03/2011.

Geraldo Teixeira, um dos mais populares locutores da Rádio Bahiana de

Jequié. Participou da inauguração da emissora. Foto: acervo particular de

Judson Almeida.

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A Rádio Bahiana de Jequié 99

Recorte do Jornal Sudoeste dava conta dos rumores da venda da Rádio

Bahiana de Jequié. Acervo particular de Inaldo Sardinha.

Recorte do Jornal do Sudoeste do final da década de 1980. Documento do

acervo particular de Inaldo Sardinha.

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100 Judson Pereira de Almeida

O Correio da Bahia noticiou a confusão em Gongogi. O jornal errou o nome

do repórter Inaldo Sardinha (Inaldo de Jesus). Documento do acervo

particular de Inaldo Sardinha.

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A Rádio Bahiana de Jequié 101

Edifício Grilo. Foto: Museu Coronel João Borges.

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