quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Um episódio do folclórico jequieense

                                                                     J. B. Pessoa

     Nos velhos tempos da nossa cidade, um acontecimento bizarro aconteceu em Jequié. Foi em uma época em que, a maioria da população era católica e viam às outras religiões com desdém e preconceitos; principalmente, a doutrina religiosa espírita.

     Nesses austeros tempos, os terreiros de candomblé eram proibidos e criminalizados. A polícia invadia os locais, prendiam os líderes religiosos e confiscava objetos sagrados sob a acusação de curandeirismo e feitiçaria.

     Havia na cidade um valente investigador da polícia, respeitado pelos malandros e ladrões locais, e que era bastante temido pelos candomblecistas, chamado de Quixadá.

     Certa ocasião, uma distinta senhora da sociedade local foi acometida de um estranho mal, que deixou perplexo, o médico da família. Sem poder dar um diagnóstico preciso, ele receitou um chá de ervas medicinais. Uma afrodescendente, que era a empregada doméstica, sugeriu que a família a levasse ao terreiro de um afamado "pai de santo".

     Depois dos prós e contras, suas filhas acataram o conselho e, acompanhadas da empregada, foram a um terreiro, situado na periferia da cidade.

     Chegando ao terreiro, a distinta senhora foi acometida em uma convulsão, assustando as suas filhas. Uma delas, entrando em pânico, gritou em alto e bom som: "Que chá dá?!"... De repente, apavorados com o grito, os candomblezeiros fugiram do terreiro, deixando a empregada e as filhas da senhora, já recuperadas, bastante perplexas.

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