sexta-feira, 5 de junho de 2026

As reliogidades incoerentes.

                                      J. B. Pessoa.

     O abismo existente entre os dogmas ensinados nas diversas religiões cristãs e as contradições envolvidas é alarmante. Isso é devido às incoerências praticadas no discurso e ação dos religiosos, em suas atitudes convencionais, gerando conflitos e intolerâncias ocasionais.

     O grande conflito religioso, dos últimos tempos, aconteceu na Igreja Católica, quando em 1962 foi realizado o Concílio Vaticano II, o qual revolucionou os conceitos anteriores, numa visão clara da associação ideológica do pontífice João XXIII.

    Na época, os intelectuais europeus estavam inclinados às filosofias políticas de Karl Marx e Friedrich Engels. O Cardeal Ângelo Giuseppe Roncalli, eleito Papa em 1958, comungava com os ideais da intelectualidade ocidental.

   Os concílios ocasionais da Igreja acontecem quando há conceitos ortodoxos, os quais refletem o pensamento ideológico de sua época. Foi o que aconteceu no Segundo Concílio de Constantinopla, realizado em 553AD, o qual retirou da Igreja o dogma da "reencarnação", ensinado pelos cristãos primitivos, negando a preexistência da alma.

      Com a pretensão da Igreja se atualizar com o mundo contemporâneo, as missas deixam de ser rezadas em Latin, fato que ocasionou o fim do estudo deste idioma nos colégios, passado ser celebradas na língua oficial de cada país. O altar foi virado, permitindo que o padre ficasse de frente para os fiéis.

      Segundo muitos especialistas em artimanhas ideológicas, o verdadeiro motivo do da Igreja Católica destruir a "Missa Tridentina", foi o aumento das igrejas protestantes neopentecostais, no mundo inteiro, às quais davam ênfase na "Teologia da Prosperidade", herança do calvinismo americano.

      As novas decisões da Igreja motivou separações ideologias no Brasil. A criação da CNBB, "Conferência Nacional dos Bispos do Brasil", de orientação socialista, acabou provocando as migrações do seio católico para as igrejas protestantes no país. Mais tarde, para evitar essa transmigração, a Igreja adotou algumas reformas internas, introduzindo a chamada "Igreja Carismática", de orientação calvinista.

     A clara "divisão" da Igreja católica, nos anos seguintes, coincide com proliferação das igrejas protestantes no país. O surgimento de igrejas neopentecostais aconteceu, com notoriedade, na década de 60, apesar de algumas delas terem aparecido a partir de 1953, introduzindo cultos de cura e atraindo grandes massas de crentes. Essas igrejas eram focadas em rituais de libertação e exorcismo. Enquanto às migrações aconteciam, alguns católicos, de escolaridade mais avançada, foram procurar abrigo na racional doutrina espírita.

   A fase neopentecostal, caracterizada pela forte presença da mídia, aconteceu nos anos 70/80. Com a sua "Teologia da Prosperidade", grandes templos foram surgindo nas grandes cidades, em bairros periféricos e comerciais. Essas igrejas acabam se tornando grandes empresas comerciais, às quais tornaram-se políticas em suas estruturas convencionais.

     No Brasil, qualquer pessoa pode abrir uma igreja protestante e exercer o pastorado dela. Essa condição é permitindo pela legislação brasileira, pois a Constituição garante a liberdade religiosa, como também a liberdade política. Esse fato acarreta disparates, gerando incoerências, conflitos e intolerâncias na maioria das agremiações religiosas. A ausência de estudos teológicos sempre trazem limitações práticas, que podem discernir heresias e interpretações distorcidas das escrituras sagradas, conduzindo ao nefasto fundamentalismo religioso.

      Na atualidade, há entre às igrejas, inclusive católicas, uma mistura de ideologias políticas e religiosas ao mesmo tempo, separando os devotos em Esquerda ou Direita. Esse absurdo é contrário à ordem cristã: "Dai a César, o que é de César e a Deus, o que é de Deus".

   Às diferenças políticas dos adeptos de diversas doutrinanacões religiosas chamam atenção de muitos, que ficam atordoados com suas definições de Deus. A que trouxe mais notoriedade foi doutrina espírita. Nela há uma nítida separação no contexto das definições: "Para o espiritismo, Deus tem consciência de si mesmo. Ele e definido como a INTELIGÊNCIA SUPREMA e a causa primária de todas as coisas, sendo o ser com a consciência infinita, perfeita e onisciente, o que inclui o total conhecimento de Si, do Universo e de todas as Suas leis". Contudo, alguns adeptos das narrativas esquerdistas, negam a espiritualidade divina, classificando-O aleatoriamente, como a causa primária de tudo, como se fosse um ser abstrato da própria natureza. Essa definição aproxima esses "espíritas" do ateísmo marxista.

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