J. B. Pessoa.
Nos velhos e saudosos anos, cognominada
pela História de "Anos Dourados", as festas populares começavam no
final do ano e início do ano novo, trazendo alegrias para a população
jequieense. Eram tempos inesquecíveis, guardados na memória de quem já chegou
aos 60 anos de idade; vividos numa época
em que, a televisão não havia destruído os valores conservadores dos
nossos ancestrais e vivíamos sob a proteção de uma Lua Imaculada.
O Ano-Novo era antecedido pelo Natal e
fazia parte das denominadas Boas-Festas. Em ambas ocasiões havia perspectiva de
vários divertimentos, a começar pela visita do magnífico presépio da Igreja
Matriz e pelos desfiles de diversos Ternos de Pastorinhas, Bumbas-meu-boi, e
dos Cantadores de Reis que havia na nossa cidade.
Em
Jequié, o cerne dos acontecimentos era na Praça Ruy Barbosa. A população da
cidade aproveitava a festança, passeando pelo seu magestoso jardim, ou sentada
em seus bancos, apreciando o vai e vem das pessoas, enquanto os boêmios enchiam
os seus bares. Todos os anos, da praça à Igreja Matriz, passando pela Avenida
Rio Branco, eram brilhantemente iluminadas, ostentadas com sua maravilhosa
decoração natalina.
Dificilmente, os jequieenses ficam dentro
de suas casas, com tantas atrações convidando-os para sair. Para a rapaziada da
cidade, a atração principal era os ternos das lindas Pastorinhas que, com suas
belas cantigas, desfilavam na noite,
distribuindo charme e simpatias. Eram vários ternos, cada um representando uma
rua ou paróquia da cidade.
O pessoal na maturidade, ou com idade mais
avançada, adorava os Cantadores de Reis, com suas afinadíssimas flautas de
bambu e seus rítmicos tambores. Entretanto, o que mais chamava às atenções eram
os Bumbas-Meu-Boi, os quais atraiam a população, fascinadas pelas encenações
cômicas de seus participantes.
A partir das 23 hs. começava o grande
baile do Jequié Tênis Clube, que a tradição brasileira, por influência da
cultura francesa, denominou de Réveillon. A princípio era um baile à black tie,
ou seja: a rigor. Com o tempo foi sendo acatado, o chamado traje "passeio
completo" escuro. Nesse baile, até a meia noite, as orquestras executavam
músicas tradicionais; contudo, após às comemorações do ano novo começam um
verdadeiro carnaval, com às marchinhas momescas, antigas e às do momento,
popularizada nos rádios, que seriam tocadas no Carnaval do ano que começava.
Enquanto, as pessoas elegantes participam
do réveillon do Tênis Clube e os notívagos amanheciam nos bares em homéricas
bebedeiras, os religiosos esperavam à "meia noite" na Praça Castro
Alves, também conhecida como a Praça da Igreja, onde haveria uma grande missa
campal, com um altar nas escadarias da Igreja Matriz. Era um verdadeiro
encontro social-religioso, na espera das doze badaladas do relógio da igreja
matriz. De repente o esperado acontece e, centenas de fogos de artifício
explodem em toda a cidade, com seu espetáculo pirotécnico trazendo alegrias aos
animados cidadãos jequieenses. Nesse momento, todos se congratulam desejando um
feliz ano novo aos seus amigos. A missa campal tem o seu início, com todos
ouvindo a bela polifonia das aves, que anunciam o amanhecer nas cidades
brasileiras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário