quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O Ano Novo.

                                                  J. B. Pessoa.

     Nos velhos e saudosos anos, cognominada pela História de "Anos Dourados", as festas populares começavam no final do ano e início do ano novo, trazendo alegrias para a população jequieense. Eram tempos inesquecíveis, guardados na memória de quem já chegou aos 60 anos de idade; vividos numa época  em que, a televisão não havia destruído os valores conservadores dos nossos ancestrais e vivíamos sob a proteção de uma Lua Imaculada.

     O Ano-Novo era antecedido pelo Natal e fazia parte das denominadas Boas-Festas. Em ambas ocasiões havia perspectiva de vários divertimentos, a começar pela visita do magnífico presépio da Igreja Matriz e pelos desfiles de diversos Ternos de Pastorinhas, Bumbas-meu-boi, e dos Cantadores de Reis que havia na nossa cidade.

     Em Jequié, o cerne dos acontecimentos era na Praça Ruy Barbosa. A população da cidade aproveitava a festança, passeando pelo seu magestoso jardim, ou sentada em seus bancos, apreciando o vai e vem das pessoas, enquanto os boêmios enchiam os seus bares. Todos os anos, da praça à Igreja Matriz, passando pela Avenida Rio Branco, eram brilhantemente iluminadas, ostentadas com sua maravilhosa decoração natalina.

     Dificilmente, os jequieenses ficam dentro de suas casas, com tantas atrações convidando-os para sair. Para a rapaziada da cidade, a atração principal era os ternos das lindas Pastorinhas que, com suas belas cantigas,  desfilavam na noite, distribuindo charme e simpatias. Eram vários ternos, cada um representando uma rua ou paróquia da cidade.

     O pessoal na maturidade, ou com idade mais avançada, adorava os Cantadores de Reis, com suas afinadíssimas flautas de bambu e seus rítmicos tambores. Entretanto, o que mais chamava às atenções eram os Bumbas-Meu-Boi, os quais atraiam a população, fascinadas pelas encenações cômicas de seus participantes.

     A partir das 23 hs. começava o grande baile do Jequié Tênis Clube, que a tradição brasileira, por influência da cultura francesa, denominou de Réveillon. A princípio era um baile à black tie, ou seja: a rigor. Com o tempo foi sendo acatado, o chamado traje "passeio completo" escuro. Nesse baile, até a meia noite, as orquestras executavam músicas tradicionais; contudo, após às comemorações do ano novo começam um verdadeiro carnaval, com às marchinhas momescas, antigas e às do momento, popularizada nos rádios, que seriam tocadas no Carnaval do ano que começava.

     Enquanto, as pessoas elegantes participam do réveillon do Tênis Clube e os notívagos amanheciam nos bares em homéricas bebedeiras, os religiosos esperavam à "meia noite" na Praça Castro Alves, também conhecida como a Praça da Igreja, onde haveria uma grande missa campal, com um altar nas escadarias da Igreja Matriz. Era um verdadeiro encontro social-religioso, na espera das doze badaladas do relógio da igreja matriz. De repente o esperado acontece e, centenas de fogos de artifício explodem em toda a cidade, com seu espetáculo pirotécnico trazendo alegrias aos animados cidadãos jequieenses. Nesse momento, todos se congratulam desejando um feliz ano novo aos seus amigos. A missa campal tem o seu início, com todos ouvindo a bela polifonia das aves, que anunciam o amanhecer nas cidades brasileiras.

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