terça-feira, 11 de novembro de 2025

A Chicago baiana.

                                                  J. B. Pessoa.

Esse foi o título que a cidade de Jequié ganhou, após a grande enchente acontecida em 1914. Enquanto a cidade americana foi sucumbida pelo fogo em 1871, em seguida reconstruída, Jequié foi devastada pelas tenebrosas águas do Rio das Contas em uma grande enchente, escapando de suas fúrias, apenas uma pequena área em terras mais altas. 

Como todos os rios de planalto, o Rio das Contas, durante o período das chuvas de verão no oeste sertanejo, tem o seu nível de águas aumentado, gradativamente, todos os anos, causando estragos em suas margens.

Jequié surgiu como consequência do povoamento da Fazenda Borda do Rio Jequié. O povoado situava-se entre a confluência desse pequeno rio com as Contas e cresceu, vertiginosamente, em pouco tempo, transformando-se em uma progressista cidade. 

A enchente começou nos primeiros dias janeiro de 1914 e depois de oito dias de chuvas torrenciais veio à catástrofe, destruindo quase toda a cidade.

O Rio das Contas corre por um estreito vale ao longo do seu curso; porém, por receber as águas do Rio Jequié, seu pequeno afluente na margem esquerda, as terras da cidade enlarguecem, surgindo uma modesta planície, a qual foi alagada, sobremaneiramente, em função dos dois rios e de pequenos córregos da região. Na citada enchente, a água do Rio das Contas penetrou em um pequeno córrego, atualmente canalizado, que existia em uma estrada de boiadas, onde fica, atualmente, a Avenida Santa Luzia, se espalhando pelas partes baixas, para encontrar às águas do Rio Jequié, represadas pelas do Rio das Contas. Resultado: a cidade de Jequié ficou, totalmente, ilhada durante a grande enchente.

As terras mais baixas, perto do nível do rio em suas duas margens, foram as mais atingidas; assim como às das margens do Rio Jequié. No valejo, que era a via das boiadas, havia duas estradas em íngremes ladeiras, que terminavam uma no alto do atual Largo do Maringá e a outra no atual Viaduto Daniel Andrade, as quais as águas da enchente chegaram à metade de uma delas. Segundo o historiador Emerson Pinto de Araújo, a atual Praça Luís Viana foi navegada por canoas e a primeira igreja da cidade, que situava na praça, foi totalmente destruída.

Finalmente, depois de oito dias de chuvas diluvianas e o nível do rio subindo, as águas começaram a baixar, observada nas ladeiras, que começavam no caminho das boiadas. Segundo o jornalista Adauto Cidreira, no dia 27 de janeiro, a população aliviada, notou às águas da ladeira baixando, Justamente, por isso, uma das ruas, que surgiu mais tarde, foi cognominada de Rua 27 de Janeiro. Atualmente, essa rua faz parte da Avenida Rio Branco, na parte oeste da cidade.

Assim como, a reconstrução de Chicago estimulou um grande desenvolvimento econômico e um rápido aumento populacional, o mesmo aconteceu a Jequié. Depois daquela tormenta, a população não se deixou abater e colocaram mãos a obra, no sentido de reconstruir a sua cidade. Duas propostas foram apresentadas e discutidas, atendendo a interesses pessoais. Uma que, a nova cidade se erguesse no local onde, atualmente, é situado o bairro do Jequiezinho, por apresentar uma topografia menos acidentada. Contudo, prevaleceu a opinião da colônia italiana, bastante poderosa e dominava o comércio local. 

Liderada por Vicente Grillo, a reconstrução da cidade foi projetada pelo engenheiro Alberto Leal. Vicente Grillo doou terrenos para obras públicas e algumas privadas. Jequié passou por um renovamento urbano radical, com a construção de grandes praças, ruas largas e longas avenidas. Novos prédios foram erguidos e construídos novas residências em áreas mais altas, entrando Jequié no rol das cidades planejadas do Brasil.

 

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