quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Com homenagens a Waly Salomão, ‘Felisquié’ começará nesta sexta-feira.

Filho de Jequié, Waly Salomão será cantado por Adriana Calcanhotto e Sylvia Patrícia - 

Em sua sétima edição, a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, a Felisquié, celebra os 80 anos de nascimento de um mais ilustres filhos da cidade: o poeta, compositor, ator, produtor e agitador cultural Waly Salomão. A Festa acontece entre 1 a 3 de setembro nos espaços culturais de Jequié e pelas ruas que Waly percorreu durante sua vida.

Já estão confirmadas as presenças do poeta, designer e cenógrafo Omar Salomão (filho do homenageado) e da gaúcha Manoela Sawitzki (Doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade - PUC-Rio, escritora, roteirista e jornalista), do escritor Roberto Martins e da cantora Adriana Calcanhotto, que acompanhada do músico Pedro Sá e com mediação de Omar Salomão fará um papo musical com canções, poesias e lembranças de sua vivência com Waly.

“A Felisquié surgiu de uma conversa minha com o poeta  Valdeck Almeida de Jesus em um bar de Ribeirão Preto, quando estávamos participando do Congresso da União Brasileira de Escritores”, conta Domingos Ailton, curador e Secretário de Cultura e Turismo da Prefeitura de Jequié.

“O objetivo central é fomentar a divulgação da produção literária e contribuir na formação de leitores através de um diálogo entre a literatura e outras linguagens artísticas, além de valorizar os artistas e intelectuais  de Jequié, que residem no município ou que estão radicados em outros lugares e preservar a memória daqueles que não se encontram mais entre nós”, acrescenta.

O evento promoverá palestras, mesas literárias, conversas com escritores, saraus e o cortejo literário com o Tuk Tuk Sonoro

 Haverá também a Felisquiezinha, voltada para crianças com palestra do escritor mirim Yalle Tárique e oficinas. O evento encerrará em um bate-papo musical com Adriana Calcanhotto com mediação de Omar Salomão.

“Festas literárias como a Felisquié revelam que ler é bom, e que é possível conviver o livro impresso com as mídias digitais. Esse caráter festivo que promove saraus com apresentações musicais e declamação de poesias  envolve desde professores e alunos do ensino fundamental, médio e universitário às representações das  comunidades  de áreas populares, a exemplo do Afoxé Filhos de Pena Branca. É uma maneira também de valorizar os escritores locais.  Nesta edição, teremos quatro Projetos Fala Escritor da Terra para valorizar a produção local”, conta Domingos.

O cortejo literário será puxado pelo minitrio Tuk Tuk sonoro, tendo a cantora Sylvia Patrícia à frente, fazendo as canções do poeta.

“Waly foi um multiartista de dimensão nacional e internacional: poeta, ator, produtor e agitador cultural. Ele foi um companheiro de ideias e parcerias com Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil,  Maria Bethania e Jards Macalé, que musicaram ou interpretaram letras escritas por ele que ficaram marcantes na Música Popular Brasileira”, lembra.

“Ele também  escreveu letras para João Bosco, Paralamas do Sucesso, Zeca Baleiro, Adriana Calcanhoto e outros grandes nomes da MPB. Waly Salomão foi também  o primeiro secretário do Livro e da Leitura na gestão do Ministro da Cultura Gilberto Gil, no primeiro mandato do Presidente Lula.  No curto período que ele ficou no cargo (assumiu em janeiro e faleceu em maio de 2003), ele apresentou inúmeras ideias de fomento à leitura, como a inclusão do livro na cesta básica, que nós aqui da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Jequié, terra do Waly, estamos concretizando”, conta Domingos.

A capa do ‘Expresso 2222’

O curador ainda conta que para incentivar os estudantes a conhecerem a vida e a obra do autor de Me segura que vou dar um troço, estão sendo realizadas nas escolas a Felisquié Itinerante. 

Além de ouvir informações sobre a trajetória do Waly Salomão, os alunos tem a oportunidade de realizar apresentações artísticas sobre a diversidade cultural do poeta jequieense. Trabalhos acadêmicos e artísticos dos alunos do ensino fundamental, médio e superior terão espaço de exposição na Felisquié oficial e Felisquiezinha.

“Há uma grande importância em promover eventos como o Felisquié, porque a Bahia tem uma dimensão enorme na produção literária e outras linguagens artísticas. Precisamos preservar também a memória dos artistas que já se foram, mas cuja arte  permanece viva na memória coletiva, como também temos que valorizar os artistas que estão entre nós e incentivar os novos, como estamos fazendo nas edições da Felisquié“, reivindica o curador / Secretário de Cultura. 

“Temos desde artistas de reconhecimento nacional, que fizeram história no Brasil, a exemplo do escritor Roberto  Martins, que foi preso político durante a ditadura militar, do poeta  Omar Salomão,  da escritora  Manoela Sawitzki, das cantoras Adriana Calcanhotto e Sylvia Patrícia,  aos artistas iniciantes, a exemplo do grupo musical juvenil Novíssimos Baianos, da jovem cantora Jasmin Alves e outros”, enumera Domingos.

Outro artista jequieense que será homenageado na VII edição da Felisquié é Edenízio Ribeiro, autor da emblemática capa do disco Expresso 2222 (1972), de Gilberto Gil.

O poeta e compositor Fernando de Oliveira falará da dimensão da obra de Edenizio para a cultura brasileira.

Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié – Felisquié / De 1 a 3 de setembro / Centro de Cultura ACM,  Auditório Waly Salomão da UESB – Campus de Jequié e Museu Histórico João Carlos Borges / Gratuito

* Sob a supervisão do editor Chico Castro Jr. (Jornal A Tarde)

 

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