Charles Meira
Depois de saírem de uma festa às duas
horas da manhã no clube Euterpe, em Feira de Santana, Osmar e mais dois amigos
entraram num restaurante em frente do local. Como estava com muita fome,
sentaram a uma mesa e pediram uma galinha ao molho pardo. O Garçom solicitado
respondeu que não tinha aquela especialidade. Então perguntaram o que era
servido. Depois de analisarem as opções, pediram bife. Antes de o garçom trazer
o bife, sentou-se à mesa vizinha, um senhor vestido de paletó branco e gravata.
O Mesmo garçom atendeu ao homem, que pediu também uma galinha ao molho pardo.
Osmar ouviu o pedido do vizinho, comentou com os colegas e falou para ficarem
calados, aguardando o que aconteceria. Primeiro o garçom serviu o bife que eles
pediram. Não demorou, trouxe a galinha pedida
pelo homem. Osmar chamou o garçom com toda “delicadeza” e perguntou: seu filho
da puta, o dinheiro deste cavalheiro é melhor do que o meu? Osmar nem esperou a
resposta do garçom. Tirou o punhal que estava na cintura e fincou no bife servido.
O prato quebrou, o bife voou longe e o punhal ficou fincado na mesa. O homem
que estava sentado à mesa levantou e aproximando-se falou: O cavaleiro faça o
favor de guardar este punhal. Osmar falou para o homem que queria saber com
quem estava falando. O homem tirou do bolso uma carteira e mostrou para Osmar. Ele
leu atentamente e certificou-se de que o homem identificado chamava-se Dival, sargento
do destacamento de Feira de Santana. Então Osmar respondeu: sargento, o senhor
é muito educado, por isso vou guardar o punhal. Ao mesmo tempo em que falava,
retirou o punhal que estava fincado na mesa, porém continuou com ele na mão. O
sargento chegou perto dele e falou baixinho: guarda logo o punhal ou então vou
tomá-lo. Ironizando a atitude da autoridade voltou a responder: sargento, o senhor
está criando muito caso, por isso não vou guardar o punhal, e tem mais, consiga
mais uns quatro meganhas, porque sozinho o senhor não toma. Cumprindo o que
havia falado, o sargento segurou na mão de Osmar na tentativa de retirar a
arma. Rapidamente Osmar levantou e virou a mesa, derrubando tudo em cima do
policial. Seus amigos, o garçom, o dono do restaurante e presentes intervieram
e conseguiram separar os brigões. Quando tudo estava aparentemente calmo, falaram
para o sargento que Osmar era uma pessoa direita, não gostava de brigas,
arruaças e nem de desrespeitar as autoridades. Depois os amigos levaram Osmar para
a república onde morava. Como precaução o deixou trancado, com a promessa de
soltá-lo no outro dia. Depois que os amigos saíram, Osmar consegui abrir uma
janela do quarto que os amigos não viram e retornou para o restaurante,
deixando o punhal e levando um revólver Colt “Cavalinho”, calibre 38. Chegando ao
recinto, sentou-se à uma mesa que ficava próxima a do sargento. Pediu uma
cerveja e depois se dirigiu para o policial e falou: sargento, quando eu falei
que o senhor não tomava o punhal estava com os colegas, agora eu estou só, não
mais com o punhal e sim com um revólver. Se o senhor não foi homem para tomar o
punhal, não será também para tomar o revólver. Osmar ainda propôs ao sargento que
fossem resolver a questão fora do recinto, mas não teve resposta. A nova discussão foi ficando muito acirrada
com ofensas dos dois lados. Naquele instante houve uma nova intervenção dos
presentes e depois de muita conversa os ânimos foram acalmados e conseguiram novamente
levar Osmar para a república. Desta vez ele deu-se por vencido e foi dormir.

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