A TARDE – Quinta-
feira, 15 de janeiro de 1970.
Jequié vem com força
total no campeonato.
Depois de esperar por alguns anos, afinal, o futebol Jequieense irá
participar do campeonato baiano profissional, estreando no próximo domingo
(18/01) contra o São Cristovão, no estádio Municipal Valdomiro Borges, nessa
cidade sobre a mais intensa expectativa dos desportistas locais e das
cercanias.
Antes do primeiro ponta-pé no certame estadual, muito trabalho foi
desenvolvido pelos abnegados da cidade-sol para colocar Jequié em plano de
destaque no cenário esportivo da Bahia. Assim é que logo após confirmada a
presença de Jequié no “Baianão”, foi eleita uma diretoria provisória e, em
seguida, criado, eleito e empossado o Conselho Deliberativo da Associação
Desportiva Jequié, sendo como presidente o Dr. Milton de Almeida Rabelo e
integrado de 54 membros e 50 suplentes. Daí surgiu à diretoria definitiva da
ADJ, sendo eleito o Dr. Nelson Moraes da Silva seu primeiro presidente e os
seguintes membros: vices – Dr. Valdomiro Borges Filho e Marialvo Alves Meira;
secretário – Gildélito Ferraz; Tesoureiro – Josué Fonseca; relações públicas –
Jornalista Laerson Soares e Deodato Astrê; Departamento de profissionais Manoel
Sampaio e Evandro Lopes; Departamento de amadores – Tibúrcio Freitas;
Departamento Médico – Dr. José Mário Benevides; Departamento social – Alcindo
Procópio Ferreira; Departamento de Publicidade – Eutímio Almeida; O ex-atleta
do Fluminense Maneca deixará o setor amadorista para dirigir a equipe de
profissionais da ADJ, não tendo fixado luvas ou ordenado. O popular “Foca” será
o Massagista. Um técnico profissional foi contratado. Boquinha, ex-craque, será
o responsável pelo quadro do Jequié no campeonato.
SEDE
Ouvido pela reportagem o Sr, Nelson Moraes informou que a ADJ, terá como
sede provisória o prédio na Rua João Goulart, no Jequiezinho, onde funcionava o
Butantã que através da maioria dos seus dirigentes cedeu aquelas instalações.
Aquele local satisfaz plenamente aos objetivos de um clube profissional. Quanto
à renda de manutenção da nova agremiação Jequieense, existe um consorcio que
foi criado para tal fim e que já vem funcionando há muito tempo e deverá se
prolongar por vários anos. Além disso, informa-nos o Dr. Milton Rabelo que os
conselheiros pagarão mensalmente uma cota de trinta cruzeiros novos, já tendo à
maioria pago a taxa de jóia, o que uma soma bem razoável. Complementando a
renda, alguns milhares de sócios deixarão nos cofres da entidade o suficiente
para manter mais que modestamente o clube. As rendas do campeonato serão o
complemento necessário para satisfazer os planos deste ano.
A Turma da Bola
A quase totalidade dos jogadores participantes do torneio Intermunicipal
de Futebol – quase campeões – foram aproveitados pelo novo time profissional.
Somando-se a eles, outros jogadores de Jequié e de outras cidades foram e serão
contratados, oferecendo uma média de 23 anos de idade. Essa rapaziada se compõe
de: Edmilson e Besouro (Goleiros); Tufu, Carlinhos, Jurandir, Hugo e Zé Augusto
(Zagueiros); Maíca, Chinezinho, Eduardo e Maneca (Armadores); Sérgio
Florisvaldo, Esquerdinha, Tanajura, Marcos, Dilermando, Valmir, Betinho, Zé
Roberto e Caculé. Outros azes do futebol estão sendo conversados e em breve
dias poderão ser filiados a ADJ, não se mencionarão nome por preocupações
obvias. Garante a direção do departamento profissional que, com certeza, Jequié
terá um comportamento de acordo com a expectativa dos desportistas locais,
surpreendendo aos cobrões e veteranos do “Baianão”.
Os contratos dos atletas, foram assinados na última segunda-feira, quando
o Presidente Nelson Moraes esteve na concentração dos atletas e, após uma breve
preleção passou os trabalhos ao chefe do departamento de futebol o Sr. Manoel
Sampaio que, sem comover, mereceu dos jogadores assinatura dos contratos em
branco. O primeiro a assinar foi o zagueiro Carlinhos, um dos cobras da ADJ.
Quanto ao estádio para a realização dos prélios oficiais do certame a cidade
ganhou em outubro do ano passado um estádio novo, com excelentes acomodações
para jogadores e público, possuindo inclusive melhores que a velha Graça.
Jequié está na primeira lista do futebol da Bahia. “A questão é só esperar”,
dizem os dirigentes.

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