quarta-feira, 26 de abril de 2017

Que gol, Maíca. Você acabou com o Feira.

Charles Meira e Maíca.

Tribuna da Bahia – Salvador – BA, 06 de abril de 1970.
                                                            Jailson Farias (Fotos de Mário Bomfim)

O Jequié não estava jogando muito bem. Meio de campo cansado e o ataque sem chances de chutar a gol. Veio Maíca e, de falta, fez 2 X 0. Aí o Feira perdeu todo entusiasmo e Tanajura aproveitou para fazer o terceiro gol. Foi uma bonita vitória.
Jequié vencia o jogo por 1 X 0 e as coisas estavam se tornando difíceis para o líder, porque o Feira não se conformava com a derrota e foi todo à frente para tentar o empate. Pois bem, o Jequié aguentava como podia. Foi então que Tanajura sofreu uma falta perto da área e chamaram Maíca para bater. Para que fizeram aquilo? Maíca cobrou e fez um “senhor” gol. Eram 43 minutos do segundo tempo e isto acabava com o Feira.
Mas eu tenho que falar mais um pouco da falta que Maíca cobrou. Foi de uma maneira que ninguém podia imaginar, especialmente levando em consideração que o Jequié passava por uma fase ruim, e o Feira tentava empatar o jogo, porém nada disso influenciou o médio do Jequié. Ele correu com calma, chutou devagar e colocado. A bola foi pelo alto e o goleiro Valdir não podia pegar aquela. Em fim, foi aquele gol que todo mundo tem vontade de fazer um dia. Maíca saiu alegre de campo e com seu jeito simples de fala, agradecia os cumprimentos. Quem assistiu ao jogo saiu de campo satisfeito. Se muita coisa não prestou o gol de Maíca o dinheiro pago pelo ingresso.
Bem, o gol de Maíca foi bonito, mas não foi tudo que aconteceu em Feira de Santana. Vamos contar o resto agora.
Pouca gente gostou do primeiro tempo. O Jequié entrou prevenido em campo, como não poderia deixar de ser, o Feira não tem time para vencer uma defesa fechada, apesar de o técnico Beto Menezes haver tentado melhor as coisas lá no banco de reservas.
O ataque do Jequié não funcionava direito, pois o meio de campo, muito recuado, não dava aquela ajuda que o time precisava. De certa forma, este recuo era compreensivo, pois de maneiro que o Feira começou a partida, com aquela correria toda, era preciso colocar Maíca mais atrás e Chinezinho ajudando sempre fosse possível. Nos primeiros 20 minutos o Feira poderia ter feito um gol, se utilizasse a maior falha da defesa do Jequié. O gol poderia sair da seguinte forma: Esquerdinha marcava muito mal a Manoel Porto, deixando na maioria das vezes, que o ponta levasse a melhor. Ora, se Manoel conseguisse levar a bola até a linha de fundo, e cruzar rasteira ou pelo alto dava condições a que Lúcio Alves ou Júlio Porto chutassem para o gol. Mas parece que Manoel Porto não viu isto. Somente uma vez ele conseguiu entende que ali era o caminho mais certo e o resultado, foi que Luis Carlos quase que marca de cabeça. Isto aconteceu aos 42 minutos do primeiro tempo e o Feira já perdia por 1 X 0. Assim Manoel Porto era o único que poderia melhorar a situação do ataque do Feira. Se não fez o azar foi dele.
Ainda nesse primeiro tempo,  o Jequié conseguiu fazer um gol. Foi um lance muito discutido.
A bola saiu pela lateral e Flori foi cobrar. Pegou a bola e deu para Maíca, que devolveu. Aí a gente para um pouco. Aconteceu que justamente aí, na devolução de Maíca para o ponta direita o bandeirinha Domenico Gargiullo marcou impedimento. Arivaldo não marcou e a jogada prosseguiu com flori cruzando para a área, Tanajura deixando passar para Dilermando, que chutou rasteiro. Waldir podia pegar, mas caiu mal e a bola passou por baixo do seu corpo. Eram 32 minutos e saía o primeiro gol do Jequié.
Você deve estar perguntando pelo impedimento. Pois, bem eu não vi. Para mim, o lance foi legal e Arivaldo não marcou o impedimento muito acertadamente. Mas muita gente saiu discutindo a verdade ou não do gol, entre eles estava Marco Aurélio, da Rádio Execelsior, que achava o gol ilegal. Marco disse:
“Para mim Flori recebeu a bola na mesma linha de zagueiros, o que significa impedimento. Não estou criticando Arivaldo, mas acho que o bandeirinha marcou certo”.
Por aí você tira como a jogada foi discutida. De qualquer forma valeu o que Arivaldo marcou. Eu só queria chamar atenção para um fato: Domenico marcou o impedimento, mas só deixou a bandeira levanta por questão de segundos. Logo que a bola foi lançada para Tanajura, ele abaixou a bandeira. Por isso os jogadores do Feira não reclamaram do Juiz. Quase ninguém notou o bandeirinha. Agora Dilermando estava em posição legal de fazer o gol, portanto não reclame.
O gol de Dilermando, a jogada perdida por Manoel Porto e um chute errado de Flori, foram os únicos destaques deste primeiro tempo. Ele não foi bom, mas não dava para dormir.
Quase que o Jequié não vence aquele jogo de ontem. No segundo tempo, o Feira esteve para empatar a qualquer momento e, em certo instante, deu azar, porque Caculé tirou duas vezes a bola da Lina do gol. Esta pressão do Feira se deu porque Chinezinho não tinha condições para jogar mais 40 minutos.
Vou explicar: antes do jogo, Geraldo Pereira tinha dito que era possível haver uma substituição no meio de campo do Jequié, pois Chinezinho estava contundido e ainda não se sabia se ele teria condições de jogo. Maneca era o substituto. Antes do Jequié entra em campo, Geraldo informou que o lugar era de Chinezinho. Já que o exame médico, nos vestiários, tinha dado o jogador em condições. A ordem do técnico a Chinezino era a seguinte:
“Se você sentir qualquer coisa me fale, que eu coloco Maneca”.
Mas Chinezinho é teimoso. No segundo tempo, teve que faze um esforço muito grande para continuar em pé e não deu uma palavra para o campo de reservas,. Não sei se é certo chamá-lo de herói. Ele complicou o campo muitas vezes e Maíca foi quem mais sofreu. Além disso, a defesa ficou prejudicada, já que agüentava sozinha os ataques do Feira. No fim deu certo, mas Chinezinho arriscou muito não pedindo substituição.
O Feira errou muito no ataque e só por isso não empatou. Zé Jorge deveria ter entrado logo de saída na ponta esquerda, pois Luis Carlos não jogou nada. Os demais foram razoáveis, Júlio Porto fez uma partida ruim, pois não teve preparo físico para cumprir as ordens do técnico Beto, que era de apanhar a bola no meio de campo e distribuir no ataque.  O meio de campo fez tudo que era possível para levar o time à frente, mas poucas vezes conseguiu. A defesa jogou direitinho pelo alto, mas com a bola no chão, não ganharam uma. Principalmente Alves. Só tem tamanho. O goleiro Waldir tomou dois gols fáceis.
 O time do Jequié mostrou mais uma vez que é bom de verdade. Tem uma defesa muito boa pelo meio, com Carlinhos e Zé Augusto. As laterais precisam melhorar um pouco, principalmente Esquerdinha, que deve aprender a marcar mais de perto. O meio de campo tem um Maíca, que é bom jogador e a experiência de Chinezinho. No ataque, você encontra dois artilheiros Dilermando e Tanajura. Geraldo precisa providenciar um ponta direito, pois Flori está meio deslocado. Marcos é o bom jogador de sempre. Por tudo isso é que o Jequié é líder.

FICHA:
JEQUIÉ 3 X 0 FEIRA
Local – Jóia da Princesa, em Feira de Santana.
Juiz – Arivaldo Magalhães.
Auxiliares – Domenico Gargiullo e Wilson Lopes.
Renda – NCr$ 10. 181 mil.
Gols – Dilermando, Maíca e Tanajura.
Times: Jequié: Edmilson, Caculé, Carlinhos, Zé Augusto e Esquerdinha. Maíca e Chinezinho. Flori Dilermando, Tanajura e Marcos.
Feira: Waldir, Gilson, Juarez, Alves e Mona. Santana e Sabará. Manoel Porto, Lúcio Silva, Júlio Porto e Luiz Carlos (Zé Jorge).

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