terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O Médico Que Amava Sua Profissão


                                                              Charles Meira
 


DR. ANTÔNIO ASTOLPHO DOS SANTOS nasceu na cidade de Salvador – BA, em 09 de abril de 1910. Filho de Justo Astôlpho dos Santos e Carolina Ribeiro de Magalhães dos Santos.
Antônio Astolpho teve uma infância tranquila. Estudou o curso primário no colégio da professora Isaura Guedes, iniciou o curso secundário no Colégio Ipiranga e terminou no Colégio Carneiro Ribeiro por ser, na época, um dos mais conceituados da capital. Com 14 anos Antônio ficou órfão de pai e a fim de ajudar a sua família composta de mãe, o irmão Orivaldo, seus tios Oscar e Clotilde e sua prima Urânia filha de Oscar fez concurso público para o Telégrafo Nacional e foi aprovado
em 8º lugar, entre os 200 candidatos escritos. Em uma viagem de trabalho para a cidade de Santa Inês conheceu a jovem Zenóbia, que tinha 14 anos de idade. A jovem era filha de José Rebouças (Juca) e Adelina. Logo ficaram noivos e em 26 de dezembro de 1934 casaram em Jequié - BA, onde seus familiares agora estavam moravam. O casal fixou residência em Salvador até fins de 1943, onde teve três filhos: Maria José (1936), Consuelo (1937) e Antônio Astolpho (1942), quando veio para Jequié a pedido do sogro Juca Rebouças, recusando uma proposta de trabalho feita pelo amigo e colega de Telégrafo e médico, Juscelino Kubitschek para morar e montar seu consultório em Diamantina - MG. Em Jequié teve outros três filhos: Iolanda (1947), Ruy (1948) e Hugo (1951). O casal ainda adotou sua prima e afilhada Islan Astolpho (1935), filha do seu primo Ivo Astolpho.


Antônio prestou vestibular para Medicina e foi aprovado, estudando durante o dia e trabalhando até a madrugada no Telégrafo Nacional. Fez residência-médica durante quatro anos nos seguintes hospitais de Salvador: Maternidade Climério de Oliveira em Obstetrícia, Hospital Santa Isabel em Clínica Geral, onde foi orientado pelos professores Armando Tavares e Salmo Silva e nesse mesmo hospital fez residência em Ginecologia sob a orientação do Dr. Aristides Maltez. Fez também um curso no Banco de Leite na Clínica Nita Costa sob a orientação do Dr. Hosanah de Oliveira no Rio Vermelho e com o professor Álvaro Bahia se aperfeiçoou em Pediatria. Em seguida, no Hospital Couto Maia fez residência em doenças endêmicas, porque se preparava para morar em Jequié - BA e ficou sabendo das doenças que assolavam a cidade na época como: Esquistossomose, Tifo, Malária, Peste bubônica, Leishmaniose além da Tuberculose e da Hanseníase (Lepra). Em 1943 fez o CPOR (Centro de Preparação de Oficiais de Reserva) como aspirante a oficial-médico de onde saiu como 1º Tenente-médico de 2ª Linha do Exército Brasileiro. Formou-se em 29 de dezembro de 1942. Inicialmente clinicou em um pequeno consultório em Plataforma, subúrbio de Salvador. Em fins de 1943 foi morar em Jequié, onde montou o seu consultório na Rua Silva Jardim. Enquanto sua casa era construída na Rua Nestor Ribeiro, fixou residência na Rua Trecchina. Devido sua competência e dedicação conseguiu logo uma vasta clientela. Era Ginecologista e Obstetra, porém, também atendia como Clínico Geral, Pediatria entre outras especialidades, inclusive fazia exames de laboratório, fato que fez o amigo e jovem patologista Novis de Jesus, casado com Aurita (Nita) Campos, mãe de Novita Rebouças, sua afilhada, convidá-lo para atuar nesta especialidade. Do amigo e colega Dr. Odorico veio o convite para trabalhar também em perícia-médica, quando havia casos de estrupo. Mesmo exercendo a medicina, permaneceu trabalhando nos correios, até o dia que foi designado pelo diretor do Telégrafo Nacional para trabalhar como médico da instituição.

 
Decorrente do seu excelente trabalho profissional praticado na cidade de Jequié, exerceu a medicina, atendendo clientes nas cidades de Ipiaú, Jitaúna, Itagi, Itiruçu, Jaguaquara, Lafaiete Coutinho, Feira de Santana, Brejões, Manoel Vitorino, Gonguji, Itagibá, Itabuna e Ilhéus, Santo Antonio de Jesus, Milagres e Amargosa. Dr. Antônio Também atendia os artistas de circos, de teatro que apareciam em Jequié, como aconteceu com o ator Procópio Ferreira. É importante ressaltar também ele que nunca deixou de atender ninguém, mesmo que fosse a pé, a cavalo ou no seu próprio Jeep e sem hora marcada para chegar a casa. Na epidemia de varíola que aconteceu no Brasil, Dr. Astolpho saia para vacinar em todos os cantos, inclusive nas roças e nada ganhou pelo trabalho realizado. Este competente médico fundou em Jequié a Associação Regional de Medicina, localizada na época na Rua 15 de Novembro e o seu grande sonho era fazer naquele local as reuniões médicas, congressos e seminários. Devido à grande influencia e amizade com a classe médica de Jequié e região, conseguiu organizou o 1º Congresso Regional de Medicina em Jequié. Sua amizade se estendeu entre os religiosos, principalmente da Igreja Católica. Junto com os cunhados Jonas e Antônio Rebouças ajudou a construir o Convento dos Padres Passionistas no bairro do Jequiezinho e na construção da Capela da Imaculada Conceição, anexa ao Ginásio de Jequié.


O sempre ocupado profissional, quando sobrava um tempo, adorava frequentar o cinema, o circo, colecionar selos, veraneava em Itapoã com a família, onde gostava de nadar, pescar garoupinhas e de descansar no sítio Santo Antônio no Cajueiro e na fazenda no Rio do Peixe que possuía. Não era político atuante ou militante, entretanto apreciava a política e teve amigos políticos que respeitava como: Dr. Antônio Lomanto Junior, Dr. Waldomiro Borges, Dourival Borges, Dr. Edvaldo Brandão Correia, Landulfo Caribé e Walter Sampaio, entretanto não recebeu dos políticos o merecido título de cidadão jequieense, visto que amava a cidade de Jequié, onde morou por 43 anos até o dia da sua morte, após ficar doente esquecido e sem condições de trabalhar.
 

Dr. Antônio Astolpho realizou alguns trabalhos que tiveram destaque e contribuiu positivamente para a comunidade. Ensaio sobre o tratamento e cura da Schistosoma mansoni, publicado pelo Laboratório Labofarm em 1961. Pesquisava sobre a cura da Leishmaniose Visceral e Tegumentar e sobre o tratamento da Tuberculose, que não terminou as pesquisas devido à falta de apoio e incentivo do governo. Implantação no seu consultório do tratamento com Ondas-Curtas e Ultravioleta, Infravermelho, o exame para gravidez Galimanini. Primeiro médico a usar o bisturi elétrico em Jequié.


Este médico era um homem simples, bom, educado e gentil. Culto, sério, honesto em todas as suas atitudes, atencioso, sem grandes ambições de enriquecimento. Vivia exclusivamente para sua família e seu trabalho que amava. Estudava com obstinação em casa, o que fez do seu gabinete uma biblioteca médica, contendo mais de 60 volumes, que varava a noite lendo, e, para não dormir, fumava madrugada adentro quando queria encontrar o diagnóstico certo e o tratamento adequado de cada caso para solucionar problemas graves de alguns de seus pacientes. Estes livros em sua maioria foram doados pela família à Biblioteca da UESB em Jequié.
         Dr. Antônio Astolpho dos Santos morreu em 25 de novembro de 1980, causado pelo cigarro que fumava desde os nove anos de idade, chegando a quatro maços por dia, acendendo um no outro, atitude que acabou por finalizar sua vida precocemente com um AVC, infarto do miocárdio e por fim enfisema e edema pulmonar aos 70 anos de idade. (Informações fornecidas por sua filha Iõ Rebouças)

5 comentários:

  1. Tio Astolpho foi um grande homem em todos os sentidos. Profundamente íntegro e ético

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  2. Tio Astolpho foi um grande homem em todos os sentidos. Profundamente íntegro e ético

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  3. Um histórico de vida invejável!parabens ,Io!Seu pai foi merecedor de todos os aplausos!

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  4. Dr.Astolfo foi um grande na medicina e altruísta! Era o médico da nossa família.
    Gratidão!!👏👏👏👏👏👏👏

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  5. Sinto muito nao ter tido a honra de conhecer um ser humano tao completo!

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