Charles Meira
DR. ANTÔNIO ASTOLPHO DOS SANTOS nasceu na cidade de Salvador – BA, em
09 de abril de 1910. Filho de Justo Astôlpho dos Santos e Carolina Ribeiro de
Magalhães dos Santos.
Antônio Astolpho teve uma infância tranquila. Estudou o curso primário
no colégio da professora Isaura Guedes, iniciou o curso secundário no Colégio
Ipiranga e terminou no Colégio Carneiro Ribeiro por ser, na época, um dos mais
conceituados da capital. Com 14 anos Antônio ficou órfão de pai e a fim de
ajudar a sua família composta de mãe, o irmão Orivaldo, seus tios Oscar e
Clotilde e sua prima Urânia filha de Oscar fez concurso público para o
Telégrafo Nacional e foi aprovado
em 8º lugar, entre
os 200 candidatos escritos. Em uma viagem de trabalho para a cidade de Santa
Inês conheceu a jovem Zenóbia, que tinha 14 anos de idade. A jovem era filha de
José Rebouças (Juca) e Adelina. Logo ficaram noivos e em 26 de dezembro de 1934
casaram em Jequié - BA, onde seus familiares agora estavam moravam. O casal fixou
residência em Salvador até fins de 1943, onde teve três filhos: Maria José
(1936), Consuelo (1937) e Antônio Astolpho (1942), quando veio para Jequié a
pedido do sogro Juca Rebouças, recusando uma proposta de trabalho feita pelo
amigo e colega de Telégrafo e médico, Juscelino Kubitschek para morar e montar
seu consultório em Diamantina - MG. Em Jequié teve outros três filhos: Iolanda
(1947), Ruy (1948) e Hugo (1951). O casal ainda adotou sua prima e afilhada
Islan Astolpho (1935), filha do seu primo Ivo Astolpho.
Antônio prestou vestibular para Medicina e foi aprovado, estudando
durante o dia e trabalhando até a madrugada no Telégrafo Nacional. Fez
residência-médica durante quatro anos nos seguintes hospitais de Salvador:
Maternidade Climério de Oliveira em Obstetrícia, Hospital Santa Isabel em
Clínica Geral, onde foi orientado pelos professores Armando Tavares e Salmo
Silva e nesse mesmo hospital fez residência em Ginecologia sob a orientação do
Dr. Aristides Maltez. Fez também um curso no Banco de Leite na Clínica Nita
Costa sob a orientação do Dr. Hosanah de Oliveira no Rio Vermelho e com o
professor Álvaro Bahia se aperfeiçoou em Pediatria. Em seguida, no Hospital
Couto Maia fez residência em doenças endêmicas, porque se preparava para morar
em Jequié - BA e ficou sabendo das doenças que assolavam a cidade na época como:
Esquistossomose, Tifo, Malária, Peste bubônica, Leishmaniose além da
Tuberculose e da Hanseníase (Lepra). Em 1943 fez o CPOR (Centro de Preparação
de Oficiais de Reserva) como aspirante a oficial-médico de onde saiu como 1º
Tenente-médico de 2ª Linha do Exército Brasileiro. Formou-se em 29 de dezembro
de 1942. Inicialmente clinicou em um pequeno consultório em Plataforma,
subúrbio de Salvador. Em fins de 1943 foi morar em Jequié, onde montou o seu
consultório na Rua Silva Jardim. Enquanto sua casa era construída na Rua Nestor
Ribeiro, fixou residência na Rua Trecchina. Devido sua competência e dedicação
conseguiu logo uma vasta clientela. Era Ginecologista e Obstetra, porém, também
atendia como Clínico Geral, Pediatria entre outras especialidades, inclusive
fazia exames de laboratório, fato que fez o amigo e jovem patologista Novis de
Jesus, casado com Aurita (Nita) Campos, mãe de Novita Rebouças, sua afilhada,
convidá-lo para atuar nesta especialidade. Do amigo e colega Dr. Odorico veio o
convite para trabalhar também em perícia-médica, quando havia casos de estrupo.
Mesmo exercendo a medicina, permaneceu trabalhando nos correios, até o dia que foi
designado pelo diretor do Telégrafo Nacional para trabalhar como médico da
instituição.
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Decorrente do seu excelente
trabalho profissional praticado na cidade de Jequié, exerceu a medicina,
atendendo clientes nas cidades de Ipiaú, Jitaúna, Itagi, Itiruçu, Jaguaquara,
Lafaiete Coutinho, Feira de Santana, Brejões, Manoel Vitorino, Gonguji,
Itagibá, Itabuna e Ilhéus, Santo Antonio de Jesus, Milagres e Amargosa. Dr.
Antônio Também atendia os artistas de circos, de teatro que apareciam em Jequié,
como aconteceu com o ator Procópio Ferreira. É importante ressaltar também ele
que nunca deixou de atender ninguém, mesmo que fosse a pé, a cavalo ou no seu
próprio Jeep e sem hora marcada para chegar a casa. Na epidemia de varíola que
aconteceu no Brasil, Dr. Astolpho saia para vacinar em todos os cantos,
inclusive nas roças e nada ganhou pelo trabalho realizado. Este competente médico
fundou em Jequié a Associação Regional de Medicina, localizada na época na Rua
15 de Novembro e o seu grande sonho era fazer naquele local as reuniões
médicas, congressos e seminários. Devido à grande influencia e amizade com a
classe médica de Jequié e região, conseguiu organizou o 1º Congresso Regional
de Medicina em Jequié. Sua amizade se estendeu entre os religiosos,
principalmente da Igreja Católica. Junto com os cunhados Jonas e Antônio
Rebouças ajudou a construir o Convento dos Padres Passionistas no bairro do
Jequiezinho e na construção da Capela da Imaculada Conceição, anexa ao Ginásio
de Jequié.
O sempre ocupado profissional, quando sobrava um tempo, adorava
frequentar o cinema, o circo, colecionar selos, veraneava em Itapoã com a
família, onde gostava de nadar, pescar garoupinhas e de descansar no sítio
Santo Antônio no Cajueiro e na fazenda no Rio do Peixe que possuía. Não era
político atuante ou militante, entretanto apreciava a política e teve amigos
políticos que respeitava como: Dr. Antônio Lomanto Junior, Dr. Waldomiro Borges,
Dourival Borges, Dr. Edvaldo Brandão Correia, Landulfo Caribé e Walter Sampaio,
entretanto não recebeu dos políticos o merecido título de cidadão jequieense,
visto que amava a cidade de Jequié, onde morou por 43 anos até o dia da sua
morte, após ficar doente esquecido e sem condições de trabalhar.
Dr. Antônio Astolpho realizou alguns trabalhos que tiveram destaque e
contribuiu positivamente para a comunidade. Ensaio sobre o tratamento e cura da
Schistosoma mansoni, publicado pelo Laboratório Labofarm em 1961. Pesquisava
sobre a cura da Leishmaniose Visceral e Tegumentar e sobre o tratamento da
Tuberculose, que não terminou as pesquisas devido à falta de apoio e incentivo
do governo. Implantação no seu consultório do tratamento com Ondas-Curtas e
Ultravioleta, Infravermelho, o exame para gravidez Galimanini. Primeiro médico a
usar o bisturi elétrico em Jequié.
Este médico era um homem simples, bom, educado e gentil. Culto, sério,
honesto em todas as suas atitudes, atencioso, sem grandes ambições de
enriquecimento. Vivia exclusivamente para sua família e seu trabalho que
amava. Estudava com obstinação em casa, o que fez do seu gabinete uma
biblioteca médica, contendo mais de 60 volumes, que varava a noite lendo, e,
para não dormir, fumava madrugada adentro quando queria encontrar o diagnóstico
certo e o tratamento adequado de cada caso para solucionar problemas graves de
alguns de seus pacientes. Estes
livros em sua maioria foram doados pela família à Biblioteca da UESB em Jequié.
Dr. Antônio Astolpho dos
Santos morreu em 25 de novembro de 1980, causado pelo cigarro que fumava
desde os nove anos de idade, chegando a quatro maços por dia, acendendo um no
outro, atitude que acabou por finalizar sua vida precocemente com um AVC,
infarto do miocárdio e por fim enfisema e edema pulmonar aos 70 anos de idade. (Informações fornecidas por sua filha Iõ Rebouças)







Tio Astolpho foi um grande homem em todos os sentidos. Profundamente íntegro e ético
ResponderExcluirTio Astolpho foi um grande homem em todos os sentidos. Profundamente íntegro e ético
ResponderExcluirUm histórico de vida invejável!parabens ,Io!Seu pai foi merecedor de todos os aplausos!
ResponderExcluirDr.Astolfo foi um grande na medicina e altruísta! Era o médico da nossa família.
ResponderExcluirGratidão!!👏👏👏👏👏👏👏
Sinto muito nao ter tido a honra de conhecer um ser humano tao completo!
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