Charles Meira
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Francisco Ribeiro Filho (Dete Leão),
na Praça Rui Barbosa – Jequié – BA.
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Da Seleção de Jequié que ganhou o Campeonato Intermunicipal de Futebol da
Bahia do ano de 1969, vários jogadores fizeram parte de um dos melhores times
da Associação Desportiva Jequié (ADJ), que na época foi convidado pela
Federação Baiana de Futebol para disputar o Campeonato profissional de futebol
da Bahia do ano de 1970. Em dados momentos dos meus 62 anos de idade, tenho lembranças
de um jogo com muita confusão e com as arquibancadas de madeira completamente
lotadas no extinto estádio Aníbal Brito, que pode ter sido o primeiro jogo da
Seleção de Jequié contra a Seleção de Cachoeira de São Félix. Mesmo sem a
participação da Seleção de Jequié no Campeonato Intermunicipal de Futebol
Amador da Bahia e do time profissional da ADJ, licenciado do Campeonato da 2ª
Divisão da Bahia de 2016, vivenciamos o futebol local, quando encontramos e
dialogamos sempre com os amigos e jogadores conhecidos, que brilharam nos
campos do nosso município. Neste mês de outubro, o prazeroso encontro foi com
Dete Leão, um dos maiores jogadores de ataque do futebol da nossa terra, quando
na oportunidade, marquei uma data com o artilheiro para entrevistá-lo.
Domingo ensolarado, uma casa simples e no passeio um menino sentado. Uma
pergunta e uma resposta afirmando que Dete Leão reside naquele local. O menino
que era um dos seus sete netos chamou carinhosamente seu avô, que gentilmente
me convidou para entrar e sentar no sofá da sala, onde estava também a sua
esposa Maria Auxiliadora Silva Ribeiro e uma dos sete filhos do casal. O meu
conterrâneo Francisco Ribeiro Filho, nascido em 02/07/1942, homem de poucas
palavras e de raras lembranças do principal tema da nossa entrevista, foi
entrevistado utilizando a mesma simplicidade expressada no seu modo de pensar e
falar. O apelido de Dete foi dado pelo seu pai, que costumava chamá-lo de Deusdete,
nome do seu irmão, enquanto Leão foi colocado pelos amigos jogadores, por
considerá-lo uma “fera” dentro de campo. Começou a jogar bola com 5 anos de
idade na Rua Félix Gaspar, próximo do antigo prédio da Telebahia com amigos
como: Luiz Amaral, Nô e Paulinho que trabalhou na extinta Loja Predileta. Com
14 anos, como aconteceu com outros craques do nosso futebol, jogou no areão do
Rio das Contas, nos conhecidos babas de Zilo e do Jacaré com amigos como: Paulo
Soldado, Osmar Zagalo, Agamenon, Cheiro, Lissão, Eduardo Corró, Elia da Embasa,
Roque Bicudo e vários outros. Na mesma época, Jogou no campo do Cururu, no time
do CSA, onde também foi técnico, Cruzeiro e Canto do Rio. Com 17 anos, fazendo
sucesso nos campos da cidade, foi convidado para jogar no time do Flamengo de
Ananias, de Izidoro, onde jogou com: Pino, Lissão, Gogó, Pascoal, Tanajura,
Bara e muitos outros excelentes jogadores do futebol amador de Jequié. Dete
Leão atuou por quase 10 anos como jogador do Flamengo, seu time do coração,
onde sempre foi artilheiro, quatro vezes campeão e como prêmio foi convocado
para a Seleção de Jequié. No Vasco da Gama, time do proprietário da extinta
Casa Amaral, Dete jogou durante um pequeno período. No ano de 1969, jogando na
Seleção de Jequié foi campeão do Campeonato Intermunicipal de Futebol Amador da
Bahia, competição realizada contra a Seleção de Cachoeira de São Félix em três
jogos. A primeira em Jequié foi 0X0. Na segunda partida, Dete Leão sentiu-se
mal, vomitou verde, não atuou e o jogo foi novamente 0X0. Na terceira que
aconteceu no Campo da Graça em Salvador, Dete já recuperado, jogou e o time
venceu por 3x2.
É interessante lembrar, que na ocasião quando jogava no futebol amador de
Jequié, Dete Leão exerceu outras profissões. Como o jogador amador na sua
maioria não tinha salários fixos, Dete trabalhava como borracheiro e mecânico,
atuando como profissional liberal no bairro da Cidade Nova. Segundo o
radialista Edísio Santana, Dete Leão em certa época também fazia e vendia
vasilhas para colocar lixo, reciclando pneus descartados no local onde trabalhava.
O nosso “Dadá Maravilha” jequieense não atuou no time profissional da ADJ,
preferindo na ocasião aceitar um convite para jogar em outra cidade da Bahia e posteriormente
em alguns estados brasileiros. Dete Leão
foi jogar inicialmente em Vitória da Conquista – BA no time amador do União. Em
seguida, jogou no time amador do Atlético de Joaíma - MG, onde teve a
oportunidade de enfrentar o Atlético de Minas Gerais em jogo amistoso. De Minas
foi para a capital paulista, jogar em um time amador formado por jogadores de
Jequié. Depois desembarcou no Rio de Janeiro na “Cidade Maravilhosa” e foi
jogador do time amador do América, local onde o goleador foi convidado para
jogar na equipe profissional do Bangu, porém a transação não foi concretizada.
Sem precisar datas, Leão falou que retornou para Jequié e foi jogar
novamente no time amador do Flamengo e que no final da década de sessenta,
época que se casou, deixou de jogar no time do coração e continuou apenas jogando
nos babas realizados no campo do cururu.
O amante do futebol da nossa terra que desejar rever o grande artilheiro Dete
Leão, homem simples, calado, aposentado e amante também dos filmes antigos de
faroeste e jogar uma partida de dominó, vai à Praça Rui Barbosa, próximo da
fonte luminosa no período da manhã.
Pelo motivo do nosso entrevistado falar muito pouco e mostrar-se muito
esquecido, não foi possível resgatar a sua história na totalidade, entretanto por
meio de conversas com pessoas amigas que conviveram com Dete Leão naquela época,
conseguimos mais detalhes importantes da sua carreira de jogador de futebol através
destes depoimentos:
Com Waldemir
Vidal o melhor comentarista de futebol do Brasil, visitamos o Alfaiate Antônio
Assis “Bria”, ex-presidente do Estudante, time de futebol amador de Jequié.
Muito alegre e solicito, Bria falou que Dete Leão era um jogador que atuava
mais parado na área adversária. Com uma pausa para atender os clientes que não
paravam de chegar ao seu ateliê, o grande desportista continuou contando também,
que o nosso goleador gostava de partir com a bola dominada em direção ao gol e
de receber as bolas cruzas da linha de fundo, pois jogava de frente para o
goleiro. Outras qualidades citadas foram de que Dete era um jogador trombador,
forte e muito bem preparado fisicamente.
Marivaldo
Costa Azevedo “Maíca”, jogador do time do Flamengo, da Seleção de Jequié e da
ADJ, deixou este depoimento em uma lanchonete próximo ao Jequié Tênis Clube. No
relato escrito num pedaço de papel pautado, o colega de time e seleção, diz
lembrar muito “O Darío Maravilha”, em referencia ao artilheiro Darío, jogador
do Atlético Mineiro e da Seleção Brasileira. Com uma letra bonita, entendível,
Maíca conta que Dete Leão tinha chute fraco, subia e driblava pouco, contudo
tinha uma presença de área fortíssima. Descreve que Barachisio (Bara), era o parceiro
predileto de Leão no time do Flamengo e na Seleção de Jequié, onde tinham um
entendimento perfeito, entretanto com o também atacante Tanajura não se
entendia dentro de campo. Segundo o escrito de Maíca, a escalação predileta de
Leão era: Edmilson, Tufú, Carlinhos, Zé Augusto e Pascoal. Maíca e Bajara. Zé
do Bife, Bara, Dete Leão e Marcos, presidente do clube o melhor foi Maneca
Sampaio.
Outro que fez questão de dar seu depoimento foi Antônio
Alberto Gomes Costa “Pascoal”, Jogador do Flamengo e da Seleção de Jequié. Escreveu
que falar sobre Dete Leão é muito bom, pois foi adversário e seu parceiro,
quando jogaram no Flamengo e na Seleção de Jequié. Nas devidas proporções, achava
Leão parecido com “Dadá Maravilha”, devido sua humildade e na maneira como
fazia gols feios, bonito, de qualquer jeito, o importante era a bola entrar. Pascoal
um dia assistiu uma entrevista com Darío, onde o jogador falou que só aprendeu
a fazer duas coisas na vida: filhos e gols. Pascoal só conhece um filho de
Dete, porém gol viu fazer muitos. Contou também que no último Jogo que fizeram
juntos no estádio Aníbal Pires (Cururu), jogo entre veteranos, jogou no meio de
campo e Dete centroavante, ganharam de 7X1, fez 3 gols e Dete 2. Contou com
alegria, que hoje sempre encontra com o esta pessoa humana na Catedral de Santo
Antônio, onde acontece no período da manhã o momento de orações. Encerra
dizendo que foi seu admirador como jogador goleador, um “matador”.
Com seu
palavreado simples, Barachisio Ferreira “Bara”, jogador do Flamengo, Seleção de
Jequié e da ADJ, falou do divertido amigo, do jogador que não era craque, jogava
normalmente mordendo a língua, porém piorava o gesto quando estava zangado, do
atacante que recebia a bola de Bara e o procurava para devolvê-la, entendimento
que era sempre citado por Dete. Contou que Leão nunca se zangou em campo com ele,
entretanto ficava furioso quando recebia uma bola errada dos outros jogadores. Depois
de uma risada, relatou que na concentração aqui em Jequié para o primeiro jogo
contra a Seleção de Cachoeira na final de 1969, quando estavam todos na sala
jogando baralho, dominó, Dete Leão entrou gritando: “furei o tipo, furei o
tipo, coloquei um palito no ouvido e furei o tipo”. Começaram a sorrir,
entretanto chamaram o médico do clube para atendê-lo. Com referencia a este
fato, sua esposa acrescentou na entrevista, que Dete hoje usa aparelho no
ouvido para surdes, que na opinião da junta médica pode ter sido causada,
devido à perfuração do tímpano naquela época.
O último e muito aguardado depoimento foi o de Dilermando Martins
Neves “Dilermando”, Jogador do Flamengo, Seleção de Jequié e ADJ, enviado
através de um bate-papo no facebook. Nesta mensagem o centroavante considera
Dete Leão uma figura importante no futebol amador de Jequié e um atacante de
muita força física, que enfrentava as defesas fazendo seus gols. Conta que Dete
reclamava dizendo que tínhamos medo de enfrentar os beques adversários. Respondia
pedindo que ele trombasse na área, para a bola sobrar e fazermos os gols. Ficava
louco de raiva! Fala também que Dete Leão era como Darío, chutava de bico, de
canela e a bola entrava. Relata que o goleador não era de muita conversa com
ele, Tanajura, Edmilson, Maica, Zé Augusto, Tufú. Um fato que Dilermando não esquece,
aconteceu em um almoço na concentração, quando Dete Leão após almoçar bem,
pegou vários bifes enrolou num jornal, colocou debaixo da cama, dizendo que era
para comer mais tarde. Dilermando encerra o seu depoimento dizendo que Dete
Leão foi realmente uma figura pitoresca.
* Matéria editada na Revista Cotoxó de dezembro de 2016.
Errata. Segundo Dilermando, os resultados de dois dos jogos contra a Seleção de Cachoeira estão incorretos na matéria. Os resultados corretos foram: primeiro jogo 1X0 para a Seleção de Jequié e no segundo 2X0 para a Seleção de Cachoeira.
Errata. Segundo Dilermando, os resultados de dois dos jogos contra a Seleção de Cachoeira estão incorretos na matéria. Os resultados corretos foram: primeiro jogo 1X0 para a Seleção de Jequié e no segundo 2X0 para a Seleção de Cachoeira.

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