As Velas Culturais tinham como principal
propósito democratizar o acesso à informática. O objetivo norteador era
atender, sobretudo, as comunidades mais carentes, disponibilizando cursos
técnicos e o acesso gratuito a internet para toda comunidade. Quando foram
inauguradas, ainda no primeiro mandato do prefeito Roberto Brito, elas
representaram, além de uma reconfiguração simbólica da imagem da cidade, uma
alternativa de capacitação profissional para jovens e adultos desempregados.
Contudo, antes mesmo de completarem um
ano de funcionamento, as Velas Culturais já apresentavam uma série de
problemas: os computadores não recebiam manutenção, os funcionários não
demonstravam preparo para atuarem no setor e os próprios prédios, recém-construídos,
já exibiam as primeiras rachaduras. Aos poucos, o horário de atendimento ao
público foi sendo reduzido e o espaço, antes destinado para promover a
capacitação profissional, foi se transformando em abrigo de usuários de drogas.
As sucessivas omissões dos prefeitos que
sucederam levaram as Velas Culturais à precariedade que se encontram.
Considerando que o abandono de projetos que privilegiam a qualidade dos espaços
públicos é uma característica marcante desse atual governo e que os transtornos
que a inutilização dessas edificações causam à sociedade jequieense vão além da
poluição visual, chegamos à conclusão que a população civil organizada precisa
se mobilizar e exigir do próximo prefeito, bem como dos vereadores eleitos no
último pleito, o compromisso com a resolução imediata desse grave problema.
Sabemos que a administração dos bens
públicos é muitas vezes regida pela insuficiência ou má gerência de
recursos. Existindo entraves em diferentes níveis - burocrático, legal,
econômico, de corpo técnico disponível etc. Entretanto, cabe dizer que enquanto
importantes equipamentos públicos de nossa cidade forem 'mantidos' sem
manutenção, refletindo o descaso e falta de respeito com o erário público, não
teremos usuários bens servidos e estaremos comprometendo o futuro dos nossos
cidadãos. Por Lucas Ribeiro Novaes – psicólogo, professor e produtor cultural (Gicult)
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