| Charles Meira e Émerson Pinto de Araújo |
Pergunta 13 – Blog
Certeza da Vitória: Para o professor Émerson Pinto a insegurança na época dos
Coronéis e do Cangaço é comparada a vivida nos tempos de hoje?
Émerson Pinto: Quando o
Brasil foi descoberto, Portugal tinha uma população muito pequena para povoar o
imenso território, maior que a Península Ibérica, quase do tamanho da Europa,
que pertencia justamente a Portugal por força do Tratado de Tordesilhas,
tratado que estava á frente o destacado Alexandre Borja, que depois se tornou o
Papa Alexandre VI, que era espanhol, Papa este, que na parte religiosa deixou
vários filhos, foi um papão, digamos, mais que um papa. Para povoar toda essa
jurisdição, Portugal começou a oferecer vantagens. O que era público passou a
ser particular, naquele tempo de Capitanias Hereditárias, sedia terra para os
outros explorarem. Vieram as Sesmarias, os grandes latifundiários, onde cada
fazendeiro era senhor de suas terras e precisavam de jagunços para defendê-los dos
proprietários de outras terras. Existiam na época, exércitos particulares
dentro do Estado, surgindo assim o coronelismo e também os jagunços. Os
jagunços trabalhavam nas suas roças e apenas no momento de luta se reuniam
sobre a chefia do patrão, para enfrentar o inimigo comum, entretanto os
cangaceiros atacavam de qualquer maneira, queriam roubar, foi o caso de
Lampião. Lampião tem uma passagem interessante que aconteceu durante a Coluna
Prestes. O Governo de Artur Bernardes prometeu a Lampião, esquecer todos os
seus crimes praticados, oferecendo armas e dinheiro para o cangaceiro enfrentar
a Coluna Prestes. Lampião não enfrentou a Coluna Prestes e usou aquelas armas
para atacar e roubar os vizinhos. O chefe dos cangaceiros foi uma consequência
das injustiças sociais e perseguições da época. Na ocasião na capital existia
mais segurança do que hoje, mas no interior, onde estava o cangaço dominando,
era muito inseguro. Os Italianos que vieram se estabelecer em Jequié, não
traziam suas esposas, porque aqui existiam aquelas lutas de “Rabudos”, “Mocós” e
também os “Cauaçus”. Em Jequié era uma total insegurança, uma guerra, poucos Italianos
ficaram a maioria depois que fizeram o seu “pé de meia”, voltou para a Europa. Naquela
época a capital era mais segura que o interior, devido à presença do governo.
Hoje não, a insegurança generalizou-se e, está pior em todo o Estado.
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