O poeta, escritor e artista jequieense Waly Salomão, falecido aos 60 anos de idade, em 2003, é o personagem principal do livro “Eu e Waly”, de autoria do escritor Rogério Menezes, nascido na cidade de Mutuípe, no qual cita o homenageado como “um dos maiores poetas-pop-ou-não da língua portuguesa”. Rogério narra passagens sobre sua convivência estudando em Jequié, época em que não se encontrou com Waly que no final dos anos 1950 já havia se mudado para Salvador para dar continuidade aos estudos, onde o jequieense concluiu o curso de Direito na Universidade Federal da Bahia-UFBA. […] “No último dia de 1973, em mesa de barraca da Praça Ruy Barbosa, no coração da urbe jequieense, amigo me convida para papo a três. Com quem? Com quem? Com ele mesmo, caro leitor, com o ‘brimo’ Waly Salomão. No dia seguinte a nossa conversa, ele partiria para Nova York, onde estudaria inglês por um ano na Columbia University. Pensei em não ir mil vezes. Tímido, tabaréu, inseguro, que diacho iria conversar com aquela antena da nossa raça? Fui e, parece, não fiz feio. Conversamos por horas, e, como sempre acontece nessas situações, os meus neurônios apagam tudo, como se aquele fosse encontro secreto que não poderia nunca ser divulgado em público.Percebi talvez tardiamente: Waly Salomão se lembraria mais desse encontro a três na Praça Ruy Barbosa, em Jequiébahia, do que eu. Cerca de 20 anos depois, em 1994, quando lancei em restaurante do Pelourinho o livro-reportagem O Povo a Mais de Mil – Os Frenéticos Carnavais de Baianos e Caetanos, veja, caro leitor, quem chegou de repente: abrindo caminho a cotoveladas no meio da multidão de circunstantes, suando em bicas, com aquela boca escancarada e cheia de dentes que Deus lhe deu, trovejou: – Rogério, meu lindo. Eu não podia deixar de vir pra te dar um beijo. [Ele ganhou o livro. Eu, o beijo. Fiz ótimo negócio]”, narra Rogério Menezes. (Jequié Repórter)
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