quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pergunta 1 - Blog Certeza da Vitória, entrevista o professor Émerson Pinto de Araújo.

Charles Meira e Émerson Pinto de Araújo

Pergunta 1 - Blog Certeza da Vitória: Quando, como e porque o professor Émerson Pinto de Araújo resolveu escrever sobre a história de Jequié?

Émerson Pinto: Quando comecei a ensinar História, notei logo de início que os alunos sabiam quase tudo sobre a Grécia, sabiam quase tudo sobre Napoleão Bonaparte, sobre os Imperadores Romanos, mas quando perguntava: vocês sabem qual foi o primeiro prefeito de Jequié? Não sabiam. Vocês sabem alguma coisa sobre o banditismo em Jequié? Não sabiam. Vocês sabem onde nasce o rio das Contas? Também não sabiam. Então diante disso, assumi comigo mesmo um compromisso de fazer o levantamento da história ou do passado de Jequié. Devo dizer que encontrei uma dificuldade muito grande. Primeiro, porque a enchente de 1914 destruiu muita coisa da documentação que se possuía na época. Segundo, porque mais tarde o acervo do comércio italiano em Jequié, que começou justamente com Rotondano, que mais tarde tudo isso se perdeu, porque quem recebeu isso Benito Grillo passou para uma pessoa e essa pessoa jogou esse acervo num porão e muita coisa se perdeu, o que sobrou foi para a Associação Comercial e depois para Raimundo Meira e hoje está no Museu Histórico de Jequié. Outro aspecto também, quando o Eliezer Souza Santos foi prefeito de Jequié, a prefeitura ficava na Rua Mota Coelho, onde ficava o antigo quartel e ali foi colocado o arquivo morto da prefeitura, aquilo que sobrou da enchente de 1914 e o que veio depois, acontece que os cupins fizeram a festa e se perdeu muita coisa. Algumas famílias também não deram bola para documentação, para os jornais antigos, tudo isso foi rasgado jogado fora. Ouve uma diretora da biblioteca, que numa reforma ela queimou justamente aqueles jornais antigos que nós tínhamos ou deu fim, deu sumiço, dizendo que aquilo era velharia, então veja como a memória de Jequié foi deteriorando. Então aproveitava quando ia a Salvador, naquele tempo era solteiro tinha tempo à vontade, então nas férias ia correr justamente as bibliotecas, os jornais, à redação dos jornais antigos, o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia e assim fui coletando muita coisa que não tinha em Jequié, diante disso, comecei a escrever a História de Jequié. O primeiro livro sobre a da História de Jequié foi pra o alunado, bem resumido. O segundo, já foram aqueles outros subsídios que chegaram a minhas mãos e que fui colocando na imprensa e depois disso reunidos naquele livro Capítulos da História de Jequié que não segue uma ordem cronológica. Por último, conversando com Ivonildo Calheira, naquela ocasião presidente da Academia de Letras de Jequié, disse, olha Calheira, tenho aqui um livro quase pronto, falta editar e é um perfil de Jequié. Como já tinha abordado o problema da História Jequié em dois livros, esse livro tinha mais um cunho sociológico, falava sobre a evolução dos costumes, do início quando Jequié ainda era distrito de Maracás até os dias atuais. Ele abordava também a mudança na família, na crença, na religiosidade, tudo isso. Acontece que pouco depois, a agência do Banco do Nordeste em Jequié que iria completar quarenta e cinco anos, pretendia um livro mais abrangente sobre Jequié, era uma homenagem que iria prestar ao município. Os direitos autorais já tinha cedido, porque Reinaldo Pinheiro que era o prefeito na ocasião me procurou no meu apartamento em Salvador e entramos em entendimento. E ai tinha que correr contra o tempo, porque aquelas verbas mesmo no banco se não forem usadas em determinado período, elas caem em exercício findo ou ficam em resto a pagar para o próximo ano e interessava ao Banco do Nordeste coincidir a publicação do livro no ano dos quarenta e cinco anos da agência de Jequié. Esse trabalho devo dizer que às pressas, e você sabe que a pressa é inimiga da perfeição, então tive que pegar trechos de livros já publicados e arrumei aquilo da melhor maneira possível para sair à Nova História de Jequié. O livro foi datilografado por mim, então a prefeitura teve que adaptar justamente isso para fazer a digitação, infelizmente à digitação também correndo ouve vários erros. Eu fiz a primeira revisão e disse que antes da impressão mandasse para Salvador para fazer a revisão final. Mas o livro foi encaminhado para a editora sem a segunda revisão e saiu com um bocado de erros, até erros de concordância e várias outras coisas, em linhas gerais se resume nisso ai.

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