[A]sete
ano eu ritirei de Porto Alegre a Arião,
Porque matei uma onça
que estragava o sertão,
Cujo foi Zezim dos
Laços o primeiro meu patrão.
Bernardino da caraíba
coroné Moura na Ladeira,
Mandou que eu matasse
Zezim e cumprisse minha cegueira,
Foi bem recomendado
até o Bom Jesus dos Meiras.
Cassiano do Arião é
quem mais me prisiguia,
Neste alto sertão na
comarca da Bahia,
Vivi muito e passei
bem gozei muita simpatia.
Dissi para o Jequié
levei a recomendação,
De Neco e seus amigos
e quem tinha a proteção,
Visitado de Antoim
Missias me trazia um requeijão.
Estava eu no Jequié as
onze hora do dia,
Me chamou particular:
Guena, Timótio e Missias,
Se eu matasse a
Gabriele não reparava a quantia.
Fichamo nosso contrato
considerado por ganhado,
Quando foi no outro
dia Siliveira foi delegado,
Por que matou um
jagunço, logo saiu processado.
Guena, Timótio e
Missias já me chamava irmão,
Se eu matasse
Gabriele tinha onze contos na mão,
Que eles era delegado
aproveitasse a ocasião.
Há nove anos eu sou
jagunço vivendo e passando bem,
Eu matava e disonrava
sem temere e a ninguém,
Quanto mais male eu
procedo mais o povo me quer bem.
Indo eu para o Maracás
convidado de Zé Antoim,
Zé Antoim de Bento
Juca reborto de tiotoim,
Foi morar na boa
Vista por tentação do demoim.
José Antoim do Maracás
me prometeu de fazer autoridade
Que o governo é seus
amigos pra satisfazer sua vontade,
Que matasse
Macionillo e roubasse a humanidade.
[K]açomo ocasião de
satisfazer seus pidido,
Recebemos carta de
aviso que nós era prisiguido
Logo Tiotoim e Taquim
esses foi logo recuido.
Logo que recibi carta
ritirei com minha bagage,
Encontrei com
Cassiano aprovei minha corage,
Troquei tiro eles
correu. Fazia por fabulage.
Munido de muita bala
moça bonita e dinheiro,
Viajava sempre alegre
trazia bons companheiro,
Chegando na Volta dos
Meiras ricibir um tiroteio.
Num pudendo fazer
viagem eu fiquei disincalmado,
Deixei as moça no
Anjico e meu povo separado.
Voltei para Boa Vista
para vê se discansava.
Olimpo desceu pro Sul
deu parte de Ismulicido,
Tenente Simões
preguntou onde está os abandidos,
Na fazenda larga nova
onde estava escondido.
Pidindo perdão a Deus
disejava ser menino
A dizenove de maio me
pareceu Intervino,
Troquei tiro eles
correu fiquei quase sem distino.
Quando foi no outro
dia tratei de arretirar
Só via tiro e gritos
sem corneta abradado
Que Tervino e Glado
fez só quem vê pode contar.
Ritirei para o São
Migué fui me areunir de novo
Pensei que tinha
morrido maior parte do povo
Aí dexei a minha
gente como a cocar dexa o ovo.
Siente estava eu,
Coroné Paulo me matava
Quando eu chequei na
estrada a polícia também chegava
Voltei para a Boa
Vista para vê se discansava
Tando eu no Curral
Novo mandei um próprio na Quixaba
Neco mando me dizer
não quero que o povo sabe
Eu mandei no Jequié o
Coroné quase nos acaba
Utima vez que fui no
Jequié para vê se visse meus parentes
Não puderam me matar,
pois mataram minha gente
Prendendo meus
camarada me fizero correr direpente.
Voltei para a Boa
Vista, conhecir que estava prissiguido
Lá tinha um sargento
que era Ismulicido
Quando eu quis
conhecer ele, ele já tinha fugido.
[X]egando no pai Mane aí
tomei uma escalda
Onde fui baliado na
costa de uma amiga
Donde eu fui
carregado
Ypsilone é uma letra
que compõe o ABC,
Me leva para cima de
uma serra mode o povo não me vê,
Interra numa toca
mode o povo não sabe.
Zumbando a dor da
morte no dia trinta as onze hora
Meu pai disse a meus
irmão nosso chefe morre agora
Vocês vê que eu morro
me interra e vão imbora.
TILE é a letra do
fim a donde ele findaliza
Dispede de Zeca
Cauaçu até dia de juízo,
Na hora que ele
dispede José Antoim de aviso.
AUTOR: DESCONHECIDO
DATA: CERCA DE 100 ANOS
FONTE: JASON DE BRITO MEIRA (IN MEMORIAM)
DATA DA GRAVAÇÃO ÁUDIO: 23/03/2004
TRANSCRIÇÃO
GRAFEMÁTICA: MARCOS BRITO
ORGANIZAÇÃO DA
ESTROFES: MARCOS BRITO
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