quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dia do Livro. Escritor jequieense lança romance sobre religiosidade e cultura afrobrasileira

Domingos Ailton lança mais um romance rememorando personagem da memória de Jequié
 Por Valdeck Almeida de Jesus 
O escritor Domingos jequieense  Ailton  lança  o romance Antônio Burokô  nesta quinta-feira,   29 de outubro, Dia do Livro,  a partir das  19h na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro em Jequié.
Apresentações de integrantes do Terreiro de Mãe Nininha Preta,  grupos de samba como o Etc e Tal, cantores, a exemplo de Lino Santos e  Marcos Belchote,  grupos de capoeira como Raça Humana e os veteranos da Banda da Lua, dança  dos orixás do mestre Cacheado dentre outros celebrarão 
A mitologia popular afro-brasileira com o fascínio dos orixás,  as festas e a resistência do povo de santo à perseguição contra  a religiosidade  e cultura  de origem africana, os saberes e fazeres populares  de tradição oral, expressões culturais,  a exemplo  do grupo de capoeira  Banda da Lua e personagens envolventes como Antônio Burokô, Nininha Preta, Lubião,  Jerônimo Carvalho, Natur de Assis, Colombo de Novaes, Chico Rebouças,  Maria Megê, Irineu  Neves e Maria Xangô, compõem o universo deste romance.
Assim como fez  em    Anésia Cauaçu (outro romance histórico),  Domingos Ailton também   mistura ficção e fatos  reais  em Antônio Burokô,   que tem como cenário a histórica cidade de  Cachoeira, no Recôncavo Baiano, o sertão de Jequié e Salvador, a secular “cidade da Bahia”.
Na década de 1940 quando o delegado Anibal Cajaiba de Oliveira persegue em  Jequié  terreiros de Candomblé, afoxés, batucadas, grupos de capoeira e outras manifestações da religiosidade e  da cultura afro-brasileira, o  pai de santo Antônio Burokô, proveniente de Cachoeira, no Recôncavo Baiano,  chega na cidade e  com sua força espiritual  deixa confusa e faz até a polícia sambar; os capoeirista do Banda da Lua    enfrentam  a repressão policial com os golpes dinâmicos e criativos do   gingado da capoeira. O contexto político da época, com as discussões e atuações de intelectuais jequieenses  durante o período do  Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial,  também faz parte desta produção literária. 
 Baseado em fatos reais,  Antônio Burokô, de Domingos Ailton,  faz um passeio pelo universo da religiosidade e da cultura popular baiana. Descreve  de maneira etnográfica expressões  da religiosidade e das manifestações cultuais da Bahia como o caruru para os santos gêmeos Cosme e  Damião, a procissão marítima de Nosso Senhor dos Navegantes, a Lavagem do Bonfim, a Festa de Iemanjá, a Romaria de Bom Jesus da Lapa,  a  riqueza  cultural do bairro Joaquim Romão  e o  Carnaval em Jequié além de fazer referência  aos guardiões da memória, chamados  pelo autor de  museus vivos do povo, que contam  episódios da luta da população  pela independência  na Bahia.
O romancista revela   que a perseguição aos terreiros de Candomblé tem  como base  o racismo contra os negros e a intolerância religiosa.
A dupla pertença ou a prática do sincretismo religioso tão presente na Bahia onde pessoas frequentam o Candomblé e a Igreja Católica, aparece no romance como um acontecimento que está  no inconsciente da memória coletiva.
O  livro mostra ainda, misturando ficção com acontecimentos reais,  episódios da história de Jequié como o primeiro protesto ecológico que ocorreu na cidade por conta da derrubada de uma  gameleira e o toque das cornetas dos guardas municipais às 10 horas da noite, para que as tradicionais famílias se recolhessem e as prostitutas pudessem  sair às ruas, o que  serviu  inspiração para que  o consagrado poeta  Natur de Assis escrevesse um poema.
Antônio Burokô é uma obra que apresenta com lirismo  e habilidade literária  a força da resistência da religiosidade e cultura afro-brasileira. Uma história  que  revela mistério e encantamento,  luta e  criatividade  do saber afro-brasileiro. 

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