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| Randulfo Marques da Silva (Duca) |
Charles Meira
No povoado de Porto Alegre, na época
município de Boa Nova - BA tinha um lavrador chamado Artulino, filho de Manoel
Joaquim e da parteira Clementina que morava a 30 km do povoado, que vinha
sempre fazer compras na região. Ele e a maioria dos comerciantes atravessavam o
Rio das Contas num local mais raso e que tinha bastantes pedras, parte onde as
mulheres do povoado tinham o costume de lavar as roupas dos familiares. Entre
elas Laura a filha de Randulfo Marques da Silva (Duca), filho de Zezinho dos
Laços, que ficava bem próximo da passagem dos tropeiros. As roupas eram lavadas
semanalmente, de preferência nos domingos no horário das 09 às 11h e das 14 às
16h. Um dos que ali passavam era Artulino, conhecido freguês da família de Duca,
que tinha a mania de brincar com Laura dizendo: “Ô pernas bonitas, gosto de
passar neste local para vê-las”, porém foi sempre alertado por ela para deixar
de safadeza, entretanto os galanteios continuaram sendo feitos, mesmo
contrariando a linda mulher. Como Artulino não deixou de elogiá-la, Laura disse
para ele que se não parasse de importuná-la iria contar para seus irmãos. Certo
dia, depois de ouvir novamente as palavras rotineiras de Artulino, Laura deixou
o homem atravessar o rio, foi na sua casa e contou o ocorrido para os seus
irmãos. Depois de ficar informado do sucedido, Osmar e Candinho pegaram seus
facões e foram de pé até um local próximo da casa deles, onde tinha um
umbuzeiro branco, passagem obrigatória de Artulino no retorno para sua casa. Primeiro
os irmãos entraram no mato, tiraram dois cipós de pião branco e depois ficaram
sentados debaixo da árvore esperando o desafeto. Passados aproximadamente umas
duas horas, Artulino apareceu montado em um cavalo alto, amarronzado, muito
bonito. Osmar e Candinho pediram para ele parar e descer do animal, pois
desejavam saber das brincadeiras que andava fazendo com sua irmã. Artulino não atendeu
ao pedido dos irmãos e falou que não havia feito nenhuma brincadeira com ela. O
homem ficou muito nervoso e falava que queria ir embora, pois não devia nada.
Neste momento, apoderado dos cipós, puxaram o homem, o derrubaram no chão e sem
pena começaram a bater nele por quase trinta minutos e ao mesmo tempo falavam
que a surra era para ele respeitar irmã de homem, pois nunca brincaram com a
irmã dele. Já que Artulino não podia montar, eles colocaram o homem acordado atravessado
na sela e para que o mesmo não caísse o amarraram e penduraram a rédea na sela
e deram um tapa na anca do animal, que saiu apressadamente em direção da casa do
lavrador.
Depois da surra que levou Artulino
sempre passava distante de Laura e deixou de fazer as costumeiras brincadeiras.
Ele passou um tempo afastado da família, porém continuou comprando na venda de
seu Duca.
Alguns mêses após do fato acontecido com
Artulino, o seu irmão Vitoriano, que também era freguês de seu Duca, comprou
mercadorias na venda dele e não efetuou o pagamento na data marcada. Na mesma
semana, mandou uma pessoa comprar novamente alguns alimentos. Duca não vendeu e
mandou um recado pelo portador que somente o venderia quando efetuasse o
pagamento do débito. no próprio dia que recebeu o recado do dono da venda, Vitoriano foi
ao estabelecimento conversar com seu Duca. O homem ouviu do comerciante as
mesmas explicações anteriormente recebidas na sua casa. Vitoriano não gostou da
fala de Duca e puxou uma peixeira que estava na cintura e aproximou-se do
comerciante para furá-lo. No momento, o filho de Zezinho dos Laços estava
desarmado e em pé na porta da venda. Rapidamente pegou uma tranca que estava
próxima e levantou para bater em Vitoriano, porém a tranca bateu na parte de
cima da porta não acertando o homem. Ligeiro como um gato, seu Duca deu outro
golpe, acertando a barriga e mais um no ombro do freguês, que caiu no chão.
Neste momento, estava chegando o seu genro Almerindo e seu filho Osmar que
estavam cassando. Duca pediu para seu filho a espingarda para matar Vitoriano e
Osmar disse que a arma estava descarregada. Aconselhado por Almerindo, eles
pegaram Vitoriano, amarraram e colocaram num quarto onde guardavam bagulhos da
venda, para no outro dia leva-lo para a delegacia em Boa Nova. Quando Dona
Clementina mãe de Vitoriano parteira da família ficou sabendo do ocorrido,
pediu para seu Duca soltá-lo. Ele não atendeu ao pedido da parteira, que chorando
apelou para sua esposa Florinda para deixar o seu filho desamarrado.
Sensibilizado pelo pedido da sua amada, desta vez Duca atendeu a solicitação e
mandou Almerindo e Osmar desamarrá-lo. Quando amanheceu o dia, o homem enxergou
uma janelinha no alto do quarto, encontrou um martelo no meio dos bagulhos, conseguiu
despregá-la e fugiu. Correndo passou em frente ao curral, onde Osmar tirava
leite. Ele quando viu o homem fugindo, gritou: “Pai, pai o homem fugiu”. Seu
Duca acordou, pegou a espingarda e deu um tiro, porém não conseguiu acertar
Vitoriano, que desapareceu no meio do mato e nunca mais apareceu no povoado
Porto Alegre.


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