Nossa equipe liderada pelo radialista da 93 FM Wellington Ferreira, foi ao Restaurante Valdir Filho conversar com o jornalista Caco Barcellos, e na oportunidade fomos muito bem recebidos e solicitamos um pouco de sua atenção, na qual foi prontamente cedida para posterior publicação em nosso Blog e página do Facebook.
A entrevista:
- Caco Barcellos: Medo mesmo, somos um dos países mais violentos e complexos do mundo, e a violência faz parte de muitos temas das reportagens, mas não podemos sair do foco. A diferença entre nós e as outras pessoas é que vemos primeiro, e com isso agente sofre primeiro, se diverte primeiro, e às vezes sofre primeiro também, e sem falar que corremos risco primeiro. temos que conviver com isso, e isso faz parte do cotidiano do repórter, mas, na maioria das vezes que sou chamado aos lugares, sou bem recebido, me tratam bem, e se as pessoas são vítimas de violência, elas querem contar sua história e nos têm como aliados e parceiros, e nos buscam para reivindicar seus direitos.
- Caco Barcellos: Até que não, mas o Rota 66 publicado em 1992, foi sobre a identificação de 4.200 pessoas mortas pela polícia militar, isso incomodou algumas pessoas, mas depois que leram o livro e conheceram o conteúdo, pararam de me incomodar.
- Caco Barcellos: Esse é um projeto meu, e com esse tipo de reportagem eu sempre estive muito seguro dos impactos que poderiam ser manifestados pela sociedade, e seguro de que as pessoas gostam de assistir, reportagem é diferente de jornalismo, o jornalismo de opinião é feito por pessoas que não saem pra rua e ficam opinando sobre a vida das pessoas, julgando as pessoas sem tomar conhecimento das histórias, temos também o jornalismo de retaguarda, ou de internet, onde as pessoas não saem pra rua e ficam na frente de seus computadores, buscando informações por telefone ou redes sociais, enquanto a reportagem é sair pra rua, cara á cara com as pessoas, convivendo com elas, e eu sei que isso faz muita falta, porque antes de dar uma opinião você tem que contar uma história, e é muito complexo, e nossa tarefa é contar com todos os detalhes. A reportagem não tem opinião, ela conta a história, enquanto outros tipos de jornalismo às vezes contém opinião, e aí as pessoas podem gostar ou não da opinião do jornalista que está se expressando, no nosso caso não, ¨somos o contador de histórias¨, e é fundamental num país como o nosso que tenha alguém noite e dia que conte suas histórias com todas as suas circunstancias e detalhes, sobretudo com o contraditório como o nosso programa (Profissão Repórter), que mostra três ângulos diferentes sobre uma mesma história, e dificilmente alguém fica descontente, pois todos são entrevistados, são três olhares durante o programa¨, e essa terceira via é um diferencial. Em nossas matérias as divergências estão contidas, não precisa de nossa opinião, a gente oferece três ou quatro opiniões diferentes sobre a mesma história que mostramos.
Essa foi a transcrição do áudio da entrevista realizada com o jornalista Caco Barcellos no dia 29 de Junho de 2015, no Restaurante Valdir Filho, Inocoop, Jequié-BA.
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