Por Carlos Eden Meira
Em um programa de televisão vi uma
reportagem sobre Itacaré. Ali, o repórter além de mostrar a beleza da cidade,
seus lugares pitorescos e suas lindas praias, navegou pelo Rio das Contas que
despeja suas águas no oceano, justamente ali em Itacaré. Como não conheço o
local, fiquei impressionado em ver a beleza do rio naquele trecho, largo,
caudaloso, onde pescadores capturavam grandes peixes.
Não pude deixar de me lembrar do Rio
das Contas da minha infância, com suas claras areias em suas margens, onde os
meninos ou mesmo os adultos jogavam futebol, e as lavadeiras estendiam suas
roupas lavadas para secar. Em épocas de cheias, o rio tornava-se bastante
volumoso, canoeiros navegavam em suas canoas abarrotadas de melancias e umbus
que vendiam, ou levavam pessoas que queriam atravessar de uma margem à outra. Lavadeiras,
pescadores e canoeiros sustentavam suas famílias dos serviços que o rio lhes
proporcionava.
E o Rio das Contas era bonito e
limpo. Da nossa casa, víamos o rio em toda sua exuberância, “um lençol de
prata”, como dizia o poeta e jornalista Wilson Novais. Ao pôr do sol, suas
águas refletiam toda a beleza crepuscular que se formava no céu, como num
quadro bem executado. Durante anos, ecologistas alertavam para o risco da
destruição das matas ciliares, da retirada desastrada de areia, do despejo
descontrolado de esgotos sem o devido tratamento, além de dejetos químicos de
indústrias que resultaram na intensa poluição do rio.
Hoje, o trecho que atravessa Jequié,
assemelha-se a um imenso esgoto a céu aberto, sujo, mal-cheiroso, cheio de mato,
e suas areias nas margens, praticamente sumiram. A previsão dos ecologistas
estava correta, mas, houve quem dissesse que nada disso aconteceria. Isto,
obviamente, não é uma calamidade que vem ocorrendo apenas aqui. Rios e
florestas em diversas partes do Brasil e do mundo vêm sofrendo ação irresponsável do capitalismo cruel que
desmata, que polui o ar, os rios, o lençol freático, em nome do que acreditam
ser o avanço do “progresso”. Hoje, a
ciência já assinala com novas formas de produzir e construir sem agredir o meio
ambiente, de maneira equilibrada. Mas, é preciso uma reforma política que acabe
com os privilégios dos obtusos imediatistas que se acham “donos do mundo”, e
que pelo mero interesse de lucrar e engordar suas já gordas contas bancárias,
pouco se importam com a degradação do meio ambiente.
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