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Por Carlos Eden Meira |
Dentre
suas magistrais obras, o poeta, criminologista e escritor norte americano,
Edgar Allan Poe escreveu o conto “A Máscara da Morte Escarlate”, onde citava o
horror de uma epidemia medieval que vinha matando milhares de pessoas na Europa.
Neste conto, o autor relata a história de um nobre que estava promovendo um
baile de máscaras em seu castelo, ordenando que todos os portões fossem
fechados, e só fossem permitidas as presenças de seus nobres súditos,
acreditando que assim, evitaria a entrada de alguns pobres doentes contaminados
pela peste, que morriam às centenas do lado de fora das muralhas do castelo. À
meia noite, um dos mascarados usando um capuz, uma foice e uma máscara de
caveira, foi descoberto dançando no meio dos convidados, que repentinamente
começavam a passar mal, e acabavam morrendo fulminados, por uma insólita e fantasmagórica
virulência da peste, ali representada. De nada adiantaram os rígidos sistemas
de segurança impostos pelo nobre senhor, e a peste matou a todos.
Não é nada difícil comparar o desespero dos personagens
de Poe e das modernas organizações mundiais de saúde de primeiro mundo, com a
proliferação do vírus Ebola. Durante anos, já se sabia da virulência dessa
doença no continente africano, mas, quase nada foi feito para combatê-la. A
África tem sido há séculos, um dos continentes mais explorados e maltratados do
planeta, seu povo escravizado, e seus descendentes discriminados pelo mundo
afora. Guerras internas, fome e miséria absoluta obrigam estes povos a emigrarem
em busca de salvação em outras terras, legal ou ilegalmente. Raramente as
portas do Primeiro Mundo lhes são abertas. Agora, com o Ebola a dizimar
milhares de pessoas na África Ocidental, ameaçando se espalhar pelo resto do planeta,
é que os países ricos sentindo-se vulneráveis, certamente vão intensificar ainda mais, sua
discriminação.
Somente
agora, cientistas do mundo inteiro trabalham desesperadamente, em busca de uma
vacina ou medicamento para combater o vírus mortal, tentando inclusive,
mantê-lo fora dos “portais dos seus castelos”, mas o “encapuzado de máscara”,
assim como no clássico conto de Edgar Allan Poe, acabou entrando na “fortaleza
dos nobres”. Talvez ainda haja tempo para evitar que a epidemia africana se
espalhe em larga escala por outros países, se houver uma união entre as nações
que gastam milhões em suas caríssimas armas de guerra, convertendo o uso destas
fortunas em despesas para ajudar maciçamente os povos africanos não só em
pesquisas científicas na luta contra o Ebola, mas, em campanhas sociais,
educativas e desenvolvimentistas, que possam modificar radicalmente a triste
realidade daquele povo, salvando milhares e vidas.
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