segunda-feira, 20 de outubro de 2014

UMA PREVISÃO DE POE?

Por Carlos Eden Meira

  Dentre suas magistrais obras, o poeta, criminologista e escritor norte americano, Edgar Allan Poe escreveu o conto “A Máscara da Morte Escarlate”, onde citava o horror de uma epidemia medieval que vinha matando milhares de pessoas na Europa. Neste conto, o autor relata a história de um nobre que estava promovendo um baile de máscaras em seu castelo, ordenando que todos os portões fossem fechados, e só fossem permitidas as presenças de seus nobres súditos, acreditando que assim, evitaria a entrada de alguns pobres doentes contaminados pela peste, que morriam às centenas do lado de fora das muralhas do castelo. À meia noite, um dos mascarados usando um capuz, uma foice e uma máscara de caveira, foi descoberto dançando no meio dos convidados, que repentinamente começavam a passar mal, e acabavam morrendo fulminados, por uma insólita e fantasmagórica virulência da peste, ali representada. De nada adiantaram os rígidos sistemas de segurança impostos pelo nobre senhor, e a peste matou a todos.
          Não é nada difícil comparar o desespero dos personagens de Poe e das modernas organizações mundiais de saúde de primeiro mundo, com a proliferação do vírus Ebola. Durante anos, já se sabia da virulência dessa doença no continente africano, mas, quase nada foi feito para combatê-la. A África tem sido há séculos, um dos continentes mais explorados e maltratados do planeta, seu povo escravizado, e seus descendentes discriminados pelo mundo afora. Guerras internas, fome e miséria absoluta obrigam estes povos a emigrarem em busca de salvação em outras terras, legal ou ilegalmente. Raramente as portas do Primeiro Mundo lhes são abertas. Agora, com o Ebola a dizimar milhares de pessoas na África Ocidental, ameaçando se espalhar pelo resto do planeta, é que os países ricos sentindo-se vulneráveis,  certamente vão intensificar ainda mais, sua discriminação.
Somente agora, cientistas do mundo inteiro trabalham desesperadamente, em busca de uma vacina ou medicamento para combater o vírus mortal, tentando inclusive, mantê-lo fora dos “portais dos seus castelos”, mas o “encapuzado de máscara”, assim como no clássico conto de Edgar Allan Poe, acabou entrando na “fortaleza dos nobres”. Talvez ainda haja tempo para evitar que a epidemia africana se espalhe em larga escala por outros países, se houver uma união entre as nações que gastam milhões em suas caríssimas armas de guerra, convertendo o uso destas fortunas em despesas para ajudar maciçamente os povos africanos não só em pesquisas científicas na luta contra o Ebola, mas, em campanhas sociais, educativas e desenvolvimentistas, que possam modificar radicalmente a triste realidade daquele povo, salvando milhares e vidas.

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