sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

VALEU A PENA?

 Carlos Éden Meira*

Quando há uns trinta anos mais ou menos, Benito Grillo entregou a Luiz Amaral, então presidente da Associação Comercial e Industrial de Jequié, o acervo preservado por Braz Grillo, composto de diversos objetos, fotos, revistas e jornais antigos que pertenceram ao imigrante italiano Vicente Grillo, avô de Benito, Luiz Amaral fez questão de que o referido acervo ficasse sob a guarda do jornalista Raymundo Meira, presidente da Associação Jequieense de Imprensa na ocasião, e atual presidente da ASSAM, que juntamente com outros jornalistas como Euzínio Soares, Henrique Meira Magalhães, Leonel Ribeiro, Adauto Cidreira, Wilson Novaes, dentre outros, tinham como objetivo fundar o Museu Histórico de Jequié. Desde essa época, já sonhavam em instalar o futuro museu no prédio onde funciona atualmente.
Já disseram que a história de Jequié não tem importância suficiente, para que exista aqui um museu que preserve seu patrimônio histórico. Ora, é obvio que cada povo tem sua história, e sua importância é relativa, de acordo com os interesses históricos de quem a preserva. Uma jovem representante do museu da UESB de Vitória da Conquista, em certa ocasião, visitou o nosso acervo e ficou bastante impressionada. Na época, ainda lutávamos pelo espaço para implantação do nosso museu, e ela nos incentivou enfaticamente a continuar na luta.
Guardadas as enormes e devidas proporções, o Museu do Cairo é tão importante para o Egito quanto o nosso Museu Histórico é importante para nossa cidade. Não tivemos nem temos aqui, é claro, nenhum “faraó”, apesar de alguns figurões vaidosos sentirem-se como se o fossem. Não temos “múmias”, como as que existem no Museu do Cairo, mas, existem na cidade algumas “múmias andantes” ainda relativamente jovens, porém, de mentes retrógradas, cujos valores se resumem ao retrocesso cultural gerado pelos ridículos modismos impostos por uma mídia mercenária. Em contrapartida, temos aqui também, pessoas idosas de mente jovem, inteligentes, criativas e cultas, de quem muito devemos nos orgulhar, como também, felizmente, podemos contar no nosso meio com o valioso apoio de jovens inteligentes que sabem valorizar nossa história, e da importância de preservar nosso patrimônio histórico.
 Há quem diga que o Museu Histórico de Jequié está na iminência de cerrar suas portas definitivamente, e não provisoriamente para reforma, como dizem. Fica aqui a pergunta: será que não valeu a pena o sonho e a luta daqueles velhos jornalistas, e todo o empenho da ASSAM, mormente todo esforço de seu presidente Raymundo Meira, na implantação do Museu Histórico de Jequié? Está agora nas mãos da nova geração de escritores, historiadores, artistas e intelectuais de Jequié, a nova luta para que o nosso acervo histórico não se perca no “tsunami” das insensibilidades administrativas.
*Carlos Éden Meira – jornalista e cartunista



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