Há algum tempo, publiquei um artigo no jornal “Outro Papo”, intitulado “Um Armarinho que Abre aos Domingos”, numa referência ao programa “Armarinho de Miudezas” da 105 FM nas manhãs de domingo, criado e apresentado pelo baterista Benedito Sena. No citado artigo fiz comparações entre a diferença do nível cultural do programa de Bené e a grande maioria das programações musicais de emissoras comprometidas em divulgar as “novas tendências” do mercado fonográfico, saturado de muito “lixo sonoro”.
   O título do programa era uma homenagem a Wally Salomão, referente ao seu livro “Armarinho de Miudezas”, entretanto, as músicas ali apresentadas eram verdadeiras “graudezas” dos clássicos da música sacra, erudita, jazz, chorinhos, bossa nova e MPB, que intercaladas da leitura de poesias de Drummond, Manoel Bandeira ou de Wally, enriqueciam o nível cultural do programa, buscando mostrar aos ouvintes outra vertente do mundo artístico.
   Por motivos de ordem estrutural da emissora, o “Armarinho” saiu da programação, deixando o ar das manhãs de domingo vazio com a ausência dos belíssimos acordes de Haendel, Bach, Beethoven, Pixinguinha, Ernesto Nazaré, Tom Jobim e tantos outros. Desde a sua criação, o programa influenciou bastante muitos jovens de Jequié, que passaram a se dedicar à música, buscando evoluir seus conhecimentos musicais através do estudo de instrumentos diversos, mormente no que se refere ao estudo da teoria musical.
   Esperamos que Bené consiga um meio de ter acesso a algum veículo radiofônico, que possa disponibilizar espaço em sua programação, brindando novamente seus ouvintes com um programa no mesmo nível do “Armarinho”. Houve quem dissesse que o programa era “elitista e sofisticado”, como se fosse impossível educar as pessoas para aprender a assimilar a boa música. Isto é conversa de quem quer impor na raça, os modismos consumistas forçados por uma indústria fonográfica mercenária, que está se lixando para quaisquer projetos culturais que não tragam lucro.

*Carlos Eden Meira – jornalista e cartunista