O título do programa era uma homenagem a Wally Salomão, referente ao seu livro “Armarinho de Miudezas”, entretanto, as músicas ali apresentadas eram verdadeiras “graudezas” dos clássicos da música sacra, erudita, jazz, chorinhos, bossa nova e MPB, que intercaladas da leitura de poesias de Drummond, Manoel Bandeira ou de Wally, enriqueciam o nível cultural do programa, buscando mostrar aos ouvintes outra vertente do mundo artístico.
Por motivos de ordem estrutural da emissora, o “Armarinho” saiu da programação, deixando o ar das manhãs de domingo vazio com a ausência dos belíssimos acordes de Haendel, Bach, Beethoven, Pixinguinha, Ernesto Nazaré, Tom Jobim e tantos outros. Desde a sua criação, o programa influenciou bastante muitos jovens de Jequié, que passaram a se dedicar à música, buscando evoluir seus conhecimentos musicais através do estudo de instrumentos diversos, mormente no que se refere ao estudo da teoria musical.
Esperamos que Bené consiga um meio de ter acesso a algum veículo radiofônico, que possa disponibilizar espaço em sua programação, brindando novamente seus ouvintes com um programa no mesmo nível do “Armarinho”. Houve quem dissesse que o programa era “elitista e sofisticado”, como se fosse impossível educar as pessoas para aprender a assimilar a boa música. Isto é conversa de quem quer impor na raça, os modismos consumistas forçados por uma indústria fonográfica mercenária, que está se lixando para quaisquer projetos culturais que não tragam lucro.
*Carlos Eden Meira – jornalista e cartunista
Nenhum comentário:
Postar um comentário