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| Por Carlos Eden Meira* |
Já
houve época, (l958 e 1962), em que torcer pela vitória do Brasil numa copa do
mundo de futebol era um ato esportivamente cívico, de um sincero patriotismo,
saudável. Hoje, entretanto, ao nos posicionarmos diante da realidade nacional e
da escolha deste País para sediar tal evento, gerando despesas absurdas para
criar as infra-estruturas necessárias exigidas pela FIFA, não se pode deixar de
perguntar: quem ganha o quê, com isso? Ora, sabemos perfeitamente que a grande
maioria de torcedores de futebol no Brasil é de representantes das classes de
menor poder aquisitivo. E o menor preço do ingresso para assistir aos jogos da copa
anunciado até o momento, é de dois mil reais! Neste País, onde a maioria dos
trabalhadores não ganha nem a metade desse valor! Onde um aposentado que recebe
uma micharia qualquer acima do
ridículo salário mínimo, tem taxa anual de reajuste sempre menor. Imagine que o
reajuste do salário mínimo ainda é aviltante. Hoje, o que se percebe é que quem
tira proveito, quem usufrui legal ou ilegalmente desses eventos, tem razões de
sobra para torcer, pouco importando se o Brasil vence ou não. São sempre
aqueles que ocupam altos cargos no setor esportivo, ricos empresários
patrocinadores, (honestos ou não), mas, que têm seus reais motivos para
comemorar.
Se
a realização dessa copa no Brasil, pelo menos ajudasse a melhorar o salário
mínimo e os benefícios dos aposentados de baixa renda, desse um impulso
significativo aos serviços sociais diversos, ligados à saúde, à educação ou à
segurança pública, valeria a pena acreditar e compreender a torcida do povo
pela vitória da seleção brasileira. Mas, digamos que o Brasil vença. E daí? O
povão, as massas iludidas, mal-assalariadas e desassistidas pelo poder público,
vão continuar no mesmo lixo de sempre. No entanto, mesmo no caso de uma derrota
da nossa seleção, podem ter a absoluta certeza de que alguém muito esperto vai
comemorar bastante, e meter muito dinheiro no bolso.
É como dizia o deputado corrupto, Justo Veríssimo, personagem de Chico
Anysio: “O povo que se exploda!” Não é o caso de afirmar, como querem alguns
mais extremistas: “Vou torcer contra o Brasil!”. Não é bem por aí. Assim como a
aqueles que vão usufruir com o evento, pouco importa quem vença ou perca a
copa, desde que engorde suas contas bancárias; aqueles que não têm nada a
ganhar a não ser a pobre e esperançosa ilusão de “vencedor da copa”, e que não
podem sequer pagar ingresso para ver os jogos, deveriam ficar indiferentes,
demonstrar pouco interesse pelo resultado final dos jogos, mesmo nas partidas
preliminares em que o Brasil vença, e não sair às ruas comemorando, como “bobos
alegres”.
*Carlos Eden Meira – jornalista e
cartunista

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