segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Um Momento de Inocência


                                                                                                          Charles Meira



Bartolomeu, irmão do pai de Joel Silva, era chefe de uma grande empresa do interior da Bahia. Devido à sua influência junto à direção, conseguiu que o seu sobrinho realizasse um teste para uma vaga de escriturário.
Joel foi aprovado e no ano seguinte admitido para trabalhar na diretoria econômica e financeira. O seu primeiro setor de trabalho cuidava das contas dos órgãos do governo do estado. Em pouco tempo já estava desempenhando com eficiência os serviços que cabia a ele executar e entrosado com todos os empregados daquela diretoria. O gerente financeiro da empresa era uma pessoa educada, compreensiva e muito eficiente na execução da sua função. Seus quase dois metros de altura, um andar desengonçado, eram características logo nele visualizadas.
Quando completou dois meses naquele setor, a empresa implantou um sistema de relógio de ponto para registrar a frequência dos seus empregados. Como todos estavam acostumados com o antigo, era costuma alguns colegas pedir para o outro bater o seu ponto quando assim necessitavam. Um dia estava sentado fazendo o seu trabalho, quando seu colega encostou bem perto da carteira e baixinho pediu para que ele batesse o seu ponto, pois necessitava sair mais cedo para fazer algumas compras. Como era novo na empresa e não sabia da transgressão que estava cometendo, aceitou a proposta do companheiro. Na hora de bater o ponto, rapidamente marcou sua frequência e foi embora. Perto da sua casa lembrou que não havia batido o ponto do seu colega. Ficou preocupado e quase não dormiu pensando como iria se desculpar com seu amigo.
No dia seguinte, bateu o seu ponto, pegou o do seu colega e foi rápido para a sala do gerente. Sentou na cadeira em frente dele e contou ao seu chefe que ficou de bater o ponto do colega, mas tinha esquecido. Sem saber do erro que estava cometendo, ainda pedia a ele que abonasse o cartão não registrado. O gerente olhou para Joel, deu uma risada e falou para ele da falta grave que iria cometer agindo daquela maneira e, se não fosse a sua visível inocência, seria naquele momento demitido da empresa.
Pediu a Joel que chamasse o empregado envolvido no caso e demoradamente passou um sermão nele, e os aconselhou a não repetir aquela transgressão.


* Texto publicado na Revista Cotoxó de setembro/2013.

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