Fuad Maron em foto antiga do inicio dos anos 1960
Fuad Maron em foto antiga do inicio dos anos 1960
Aos 86 anos morreu na noite desta terça feira (24), em Vitória da Conquista, o poeta, escritor, cordelista e cantador de viola Fuad
Maron.

001Maron é um beduíno nascido à beira do Rio de Contas no então Rio Novo, hoje Ipiaú, em 10 de janeiro de 1927. Filho de Zé Maron e Benigna Brito Maron, criado na fazenda Babilônia, Fuad foi interno do Colégio Clemente Caldas em Nazaré e foi até o curso científico em Salvador. Segundo afirmava, não teve vocação nem persistência para colocar no dedo o anel de doutor. Depois das provas nos embates cotidianos, conseguiu graduar-se na universidade da vida. Do seu convívio com os cantadores de viola nasceu o interesse pela literatura de cordel, tornando-se um cultor inteligente desse gênero literário. Publicou cinco livros abordando o tema: “O Saara Remexido por Cascos de Dromedários”, “Na Vaquejada do Verso”, “Canoeiro do Rio de Contas”, “E não deram um livro ao menino” e “A Viola e Eu”.
Membro da Academia Conquistense de Letras, Casa da Cultura de Conquista, Associação dos Violeiros da Bahia, Associação de Repentistas e Poetas Nordestinos e da Casa da Poesia de Salvador, foi como conhecedor e teórico da Literatura de Cordel e ativista na cantoria de viola que presidiu corpo de jurados de inúmeros festivais e congressos de cantadores de viola, notadamente em Campinalivro maron4 001 Grande e Feira de Santana.
Como poeta, Fuad Maron exauriu todas as fontes de pesquisas da poesia sertaneja de São José do Egito a Campina Grande e de Caruaru ao Crato, encontrando na influência da música árabe, da melodia espanhola e do fado português a origem da cantoria sertaneja e do aboio dos vaqueiros na caatinga e nos sertões brasileiros.
livro maron3 001Entre tantos versos e poemas dirigidos a  Marilia sua musa constante, a Eva e Átila, seus filhos queridos, a Euclides Neto entre tantos outros poetas, destaco um especial para homenageá-lo, ressaltando o seu talento que por certo vai embalar criaturas em outras dimensões,  fazendo-as enxergar “as nuve lá no céu, fazendo as pirueta, as nuve branca c’as preta, qui nem duas cascavél”. Primo querido, grande poeta. Receba de volta o seu verso predileto: (Bahia em Foco)


“Esta viola que é minha
livro maron1 001
Tem uma frente amarela
Ela se abraça comigo
Eu me abraço com ela
Ela senta no meu colo
Eu coço a barriga dela”