segunda-feira, 9 de setembro de 2013

As belas tardes de domingos em Jequié no romantismo do cinema

O antigo Cine Auditório, em Jequié, virou Palácio das Artes e agora Teatro Municipal. Foto: Gicult
O antigo Cine Auditório, em Jequié, virou Palácio das Artes e agora Teatro Municipal. Foto: Gicult
As cortinas eram abertas impreterivelmente às 15h15. O fundo musical era a sinfonia esperada desde os primeiros raios do sol do domingo. Nada poderia ser mais agradável para as centenas de crianças e adolescentes do que o aviso de inicio do filme. O cine Auditório, em Jequié, sempre estava lotado nas matinês de domingo. Os encontros eram marcados nos diversos pontos da cidade, mas todos os caminhos levavam para a Av. Rio Branco nas suas duas metades. O cine Auditório apresentava um “status” de Teatro de arena, enquanto o Cine Jequié tinha características de Teatro popular.
Os “namoricos” colegiais se completavam sempre com o encontro da matinê de domingo. A beleza e a ingenuidade eram laços profundos na identificação do verdadeiro namoro – aquele de mãos dadas e apenas beijos roubados - singelo. Os garotos e garotas do ginásio já apresentavam namoros mais “robustos”, com maiores e melhores atrevimentos. A festa começava nos primeiros raios solares de domingo, após a missa matinal e o almoço em família, todos os preparativos levavam para a matinê.
Jequié e suas tardes muito quentes deixavam um cheiro de excitação no ar e no “escurinho do cinema” mãos e bocas se completavam, mesmo com o calor ambiental. Nada era mais lúdico do que a conquista “daquele” ou “daquele” garota ou garoto que se tinha buscado paquerar durante muito tempo. Alguns alcançavam êxito; outros, decepções, mas na maioria das tardes de domingo eram festas para muitos corações e muitas investidas. As diferenças sociais não apareciam. A menina rica muita vezes gostava do garoto pobre e vice-versa e isso nunca foi impeditivo para a conquista e o namoro.
Das tardes de domingo muitas famílias foram formadas. Muitos casais, muitos amores e muitas saudades. Jequié deixou para nossos corações marcas que nenhum outro lugar no planeta conseguiu apagar. Mesmo em outros Países as lembranças sempre vinham e das belas tardes de domingo jamais me esquecerei. Aqueles que começaram seus primeiros amores nas tardes de domingo, rendo essa homenagem e deixo para que ao lerem esta crônica possam viajar no tempo e lembrar-se daquela tarde de domingo inesquecível.
- Por Adanilton Fonseca Santos - Administrador de Empresas, Teólogo, Consultor de Negócios Internacionais e colunista do Gicult.

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