segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Carta aberta direcionada a Prefeita Tânia Brito cobra a nomeação dos membros eleitos do Conselho de Cultura

Carta aberta à prefeita Tânia Britto

CULTURA!

Jequié, 05 de agosto de 2013.


Exma. Sra.
Drª Tânia Diniz Correia Leite de Britto
Prefeita do Município de Jequié
C/C: Eduardo Barbosa
Secretário Municipal de Governo (Interino da Cultura e Turismo)

Excelentíssima Senhora Prefeita,

Durante sete meses de seu governo, venho assistindo com atenção e certa indignação o declínio desenfreado na área cultural do nosso município. A falta de um Plano de Ação voltado para a classe artística, somada a total inoperância dos servidores nos faz acreditar que, como é passivo a qualquer ser humano, a senhora errou na escolha de Sérgio Mehlem para o cargo de diretor de Programas e Projetos vinculado a Secretaria de Cultura e Turismo, bem como de muitos dos seus colaboradores, a exemplo de Luciano dos Santos, cujo caráter e cordialidade são muito questionados no meio artístico local.
Sabemos que a Cultura tem tido pouco prestígio em governos passados, o que consideramos é uma grande ignorância atribuída especificamente e exclusivamente aos seus antecessores e não aos que conduziram a pasta da Cultura em outras gestões. Entretanto, prefeita, apesar de no seu governo o setor cultural encontrar-se totalmente fora dos trilhos, ainda acreditamos na sua sensibilidade para repensar o comando da pasta e alinhar a sua vontade aos anseios dos artistas e produtores locais. Ressaltamos, porém, que humildade e competência, definitivamente, não têm sido a tônica dos discursos e tampouco das práticas do seu diretor de Programas e Projetos da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.
Desde sua nomeação para o cargo, o Sr. Sergio Brito Mehlem vem se mostrando arredio ao diálogo com a comunidade artística, comportando-se de forma indiferente às questões ligadas à Cultura e jogando o setor ao caos. Em seus pronunciamentos, prefere desmoralizar as gestões passadas numa inadmissível falta de respeito às pessoas que colaboraram de alguma forma, para o desenvolvimento cultural da nossa cidade, de modo que já virou uma praxe do seu diretor.
O bem sucedido empresário do ramo da Iluminação Cênica parece não ter acompanhado os avanços na área cultural local, pois ele não reconhece e menospreza que houve vida cultural durante o tempo em que foi veranear por quase dez anos em Porto Seguro. Sem desmerecer, evidentemente, algumas de suas conquistas quando esteve à frente do órgão de cultura na gestão do ex-prefeito Roberto Britto.
O fato é que o tempo passou, a gestão pública avançou, democratizou, e não se tem notícia de nenhuma articulação do Senhor Sérgio Mehlem no sentido de consolidar o nosso Sistema Municipal de Cultura, deixando o município de Jequié aquém da sua capacidade de produzir cultura. Notadamente, não há na Secretaria de Cultura, técnicos em políticas e gestão cultural com competência/experiência suficientes para assessorar o diretor que pouco entende do assunto. 
Enquanto o diretor esteve fora de Jequié, foram muitas as conquistas para o setor cultural, a exemplo da criação do Conselho Municipal de Cultura, Fundo Municipal de Cultura, Secretaria de Cultura e Turismo, publicação de editais municipais de incentivo à Cultura, apoio a projetos da sociedade civil, reativação da grade fixa de projetos da Casa da Cultura, formação dos Núcleos de Teatro e Educação Musical, alguns projetos institucionais a exemplo do Sexta na Concha e Circundarte, criação do Coro Municipal e da Vila Junina, dentre outras ações que despertaram o interesse de dirigentes de cultura do Vale do Jiquiriça, motivando uma visita ao município de Jequié para conhecer o que estávamos implantando em nossa cidade, dado a repercussão positiva em todo o estado da Bahia.
Ainda sem prestação de contas do São João 2013, sabemos que a não nomeação dos novos membros eleitos em março para o Conselho Municipal de Cultura foi sugerida por Sérgio Mehlem auxiliado por seus colaboradores equivocados e sem qualquer experiência no assunto, já que é publico que Mehlem sempre foi contra o colegiado, embora desconheçamos, a fundo, quais os motivos mais particulares do diretor para não querer o controle social.
Importante salientar que, na ocasião da abertura da VI Conferência de Cultura, o diretor Sérgio Mehlem se referiu a uma comissão - eleita por uma plenária de artistas para tratar de assuntos pertinentes a área cultural - como um “grupinho de cinco pessoas” – e são sete. A postura de um agente público, com cargo referendado por vossa excelência, é no mínimo, uma atitude desrespeitosa para com pessoas íntegras preocupadas com a inércia e ineficiência de uma pasta que se mostra sem nenhum resultado de interesse público.
Para concluir, senhora Prefeita, a todo o tempo, especialmente durante a plenária VI Conferência de Cultura, o senhor Sérgio Mehlem aliado a alguns dos seus colaboradores mais próximos e partes interessadas, articulavam-se para que uma das propostas da Conferência fosse a sua nomeação para titular da pasta, da qual a classe artística é veementemente contra, por julgá-lo fora do perfil democrático e transparente, apesar de respeitar uma decisão que, em nosso entendimento, o bônus e o ônus cabem apenas a senhora.

Atenciosamente,

Wenceslau Braz Silveira. Nogueira Junior – Billaw
Músico, Produtor Cultural e ex-Presidente do Conselho Municipal de Cultura

Nenhum comentário:

Postar um comentário