“Anésia, usando um termo bem baiano, era muito
retada! Caso contrário, não teria guiado mais de 100 homens sob seu comando. Os
Cauaçus entraram no cangaço por vingança, mas Anésia não era mulher de
Cangaceiro. Ela era líder do Cangaço”. Domingos Ailton
Apresentado
pelo diretor de Cultura do Gabinete Português de Leitura, Antony Arroyo,
Domingos Ailton leu trechos do romance: “Anésia Cauaçu” na VII Leitura Pública
de Livros, desta quarta-feira (14). Primeira mulher no sertão baiano de Jequié
a ingressar no Cangaço, não se sabe ao certo com que idade ela foi integrada à
vida de cangaceira. Contudo, além da vida de Anésia, o livro é rico em descrições
sobre a Caatinga e as manifestações culturais da época. “Gosto muito dos
trechos que descrevo as romarias e procissões em homenagem à São José, quando a
população pedia para chover. Essas andanças refletem costumes herdados das
terras ibéricas por aqui’, relata o autor.
Trechos
citam a fauna e flora da região da Caatinga, e características do município de
Monte Branco, pertencente ao Sertão Baiano. A obra mescla ficção com fatos
reais vividos por Anésia, que realmente circulou na região de Jequié-Ba, no
início do século XX. Contudo, outros personagens fazem parte do imaginário de
Ailton, já que para compor cenários ou explicar determinados contextos, o mesmo
criou alguns figuras importantes da trama, a exemplo de Caetano, uma amiga de
Anésia e o tropeiro Raimundo. “Achei importante a criação da figura de
Raimundo, pois os tropeiros na época eram uma espécie de repórter. Eram eles
que, por viajar de região para outra região, levavam os fatos e acontecimentos
vivenciados nas cidades que visitavam, junto com os produtos que eram
comercializados: carne de sertão, rapadura, farinha, dentre outras iguarias
daquelas terras”, justifica, Domingos. “Mas para saber dessas e outras
personagens, ou o que aconteceu com Anésia, vocês irão precisar ler o livro”, brincou
o autor, que encerrou a noite respondendo várias perguntas dos presentes sobre
a protagonista.
Estiveram na
VII Leitura Pública de Livros no Gabinete: o presidente Manoel Bernardino,
diretores, amigos, familiares e os escritores: Araken Vaz Galvão, Miriam Sales
e João Camilo Hernandes. (Clip assessoria de Comunicação).

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