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| Artistas locais querem a posse imediata dos conselheiros de Cultura, eleitos em março. |
Aberta por volta das 20h de ontem (2), na Casa da Cultura Pacífico
Ribeiro, com apresentações de grupos de teatro e dança afro, a VI Conferência
Municipal de Cultura de Jequié pretendia ser apenas uma noite dessas de
celebrações artísticas e discursos políticos bem elaborados com palavras de
efeito impressas em papel, mas não foi bem o que ocorreu. Na mesa, estiveram o
atual secretário de Cultura e Turismo, Eduardo Barbosa, Antonio Augusto Leal –
coordenador da Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, o vice-prefeito de Jequié,
Sérgio da Gameleira (PT), José Luiz de Souza (Negão – ex-presidente do Conselho
de Cultura) e o diretor de Programas e Projetos da SECUT, Sérgio Mehlem. O
secretário Eduardo Barbosa, em seu discurso, disse que o governo está aberto ao
diálogo e disposto a “retirar todos os entraves que porventura estiverem
impedindo o desenvolvimento cultural do município”. Como convidado, Hugo
Barbosa – Produtor Cultural, em sua fala, explanou rapidamente sobre os
Sistemas de Cultura (nas três esferas). Mehlem, como sempre tem feito em seus
discursos, preferiu atacar as gestões anteriores: “Quando fui embora de Jequié
pra Porto Seguro, em 2005, deixei todos os espaços culturais funcionando, e
quando volto a minha cidade encontro da forma como estão”, ainda segundo ele:
“por ingerência dos governos anteriores”. Começava ali um grande bate-boca.
Dirigindo-se a Mehlem, aos gritos de “Mentira”, é Mentira! – Wenceslau Júnior
(Billaw) retrucou: “Os espaços estão fechados porque não tem planejamento dessa
gestão. O Conselho de Cultura não está nomeado porque Sérgio Mehlem pediu à
prefeita que não nomeasse, porque ele não quer Conselho de Cultura metendo o
bedelho no que eles andam fazendo na secretaria. Respeite as pessoas que
colaboraram muito com a cultura enquanto você passeava em Porto Seguro”. Em
seguida, Astro Brayner pediu a palavra onde também lamentou a maneira
deselegante como o diretor havia se referido à comissão que reivindica
providências do governo municipal em relação ao setor cultural, chamando-os de “grupinho
de cinco pessoas”: “Não é por mim, eu não preciso, já tenho meu trabalho e o
meu nome reconhecido e realizo em 12 cidades vários projetos, não quero nada
pra mim. Eu penso mesmo é nos novos, nas pessoas que estão chegando agora e
estão encontrando esse caos na Cultura”, lamentou Brayner. Prevalecendo os
desabafos dos artistas, Nuno Menezes orientou Sérgio Mehlem à preservação das
tradições durante o São João de Jequié, citando o gasto público de R$ 265 mil
na contratação da banda Aviões do Forró, bem como uma pesquisa feita pelo
artista sobre o evento, objeto de tese de mestrado defendida por ele na capital
baiana. O Jornalista e escritor Domingos Ailton, por sua vez, cobrou
fiscalização da sociedade civil em relação à execução do orçamento de 3 milhões
que é destinado ao órgão municipal da Cultura: “Será que esse recurso é gasto
somente no São João e nada mais se faz o ano todo? Estamos há oito meses dessa
administração e a secretaria ainda não apresentou um Plano de Ação. Nem sabemos
ao certo a quem procurar na Secretaria de Cultura. E as propostas dessa
conferência, vão ficar só no papel? Questionou Domingos. Já a queixa do
jornalista e ex-membro do Conselho de Cultura, Wellington Nery, ficou mesmo por
conta do que chamou de “arranjos” da administração Tânia Britto e Sérgio
Gameleira, ressaltando que os profissionais devem ser nomeados seguindo
critérios técnicos para as respectivas funções. “Não é possível que em uma
cidade de 150 mil habitantes, não tenha aqui pessoas qualificadas para assumir as
pastas, sendo nomeado uma pessoa da Administração para a Comunicação, por
exemplo. Isso está errado, temos um jovem como Leandro Novaes que já está
trabalhando como diretor na Comunicação Social da Prefeitura, porque não
nomeá-lo para o cargo?”.
Outra curiosidade que também foi alvo de questionamento foi o fato do
diretor de Promoção Cultural, Julio Fagundes (ex-assessor do vereador João
Cunha) - que estava presente no evento, não ter tido o seu nome registrado em
nenhum momento, tampouco ter sido convidado a compor a mesa. Logo depois
da execução do Hino Nacional, artistas e produtores exibiram uma faixa à mesa,
com o dístico: “Prefeita, a Cultura precisa do Conselho. Posse Já!” O
Encontro segue hoje, na Biblioteca Central, a partir das 8h. da manhã, onde
serão discutidas as propostas que servirão de base para a formatação do Plano
Municipal de Cultura. (Alysson Andrade - http://enfoquecultural.blogspot.com.br/)

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