sábado, 3 de agosto de 2013

Apresentações artísticas, bate-boca e desabafos inflamados marcaram abertura da VI Conferência de Cultura em Jequié

Artistas locais querem a posse imediata dos conselheiros de Cultura, eleitos em março.

Aberta por volta das 20h de ontem (2), na Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, com apresentações de grupos de teatro e dança afro, a VI Conferência Municipal de Cultura de Jequié pretendia ser apenas uma noite dessas de celebrações artísticas e discursos políticos bem elaborados com palavras de efeito impressas em papel, mas não foi bem o que ocorreu. Na mesa, estiveram o atual secretário de Cultura e Turismo, Eduardo Barbosa, Antonio Augusto Leal – coordenador da Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, o vice-prefeito de Jequié, Sérgio da Gameleira (PT), José Luiz de Souza (Negão – ex-presidente do Conselho de Cultura) e o diretor de Programas e Projetos da SECUT, Sérgio Mehlem. O secretário Eduardo Barbosa, em seu discurso, disse que o governo está aberto ao diálogo e disposto a “retirar todos os entraves que porventura estiverem impedindo o desenvolvimento cultural do município”. Como convidado, Hugo Barbosa – Produtor Cultural, em sua fala, explanou rapidamente sobre os Sistemas de Cultura (nas três esferas). Mehlem, como sempre tem feito em seus discursos, preferiu atacar as gestões anteriores: “Quando fui embora de Jequié pra Porto Seguro, em 2005, deixei todos os espaços culturais funcionando, e quando volto a minha cidade encontro da forma como estão”, ainda segundo ele: “por ingerência dos governos anteriores”. Começava ali um grande bate-boca. Dirigindo-se a Mehlem, aos gritos de “Mentira”, é Mentira! – Wenceslau Júnior (Billaw) retrucou: “Os espaços estão fechados porque não tem planejamento dessa gestão. O Conselho de Cultura não está nomeado porque Sérgio Mehlem pediu à prefeita que não nomeasse, porque ele não quer Conselho de Cultura metendo o bedelho no que eles andam fazendo na secretaria. Respeite as pessoas que colaboraram muito com a cultura enquanto você passeava em Porto Seguro”. Em seguida, Astro Brayner pediu a palavra onde também lamentou a maneira deselegante como o diretor havia se referido à comissão que reivindica providências do governo municipal em relação ao setor cultural, chamando-os de “grupinho de cinco pessoas”: “Não é por mim, eu não preciso, já tenho meu trabalho e o meu nome reconhecido e realizo em 12 cidades vários projetos, não quero nada pra mim. Eu penso mesmo é nos novos, nas pessoas que estão chegando agora e estão encontrando esse caos na Cultura”, lamentou Brayner. Prevalecendo os desabafos dos artistas, Nuno Menezes orientou Sérgio Mehlem à preservação das tradições durante o São João de Jequié, citando o gasto público de R$ 265 mil na contratação da banda Aviões do Forró, bem como uma pesquisa feita pelo artista sobre o evento, objeto de tese de mestrado defendida por ele na capital baiana. O Jornalista e escritor Domingos Ailton, por sua vez, cobrou fiscalização da sociedade civil em relação à execução do orçamento de 3 milhões que é destinado ao órgão municipal da Cultura: “Será que esse recurso é gasto somente no São João e nada mais se faz o ano todo? Estamos há oito meses dessa administração e a secretaria ainda não apresentou um Plano de Ação. Nem sabemos ao certo a quem procurar na Secretaria de Cultura. E as propostas dessa conferência, vão ficar só no papel? Questionou Domingos. Já a queixa do jornalista e ex-membro do Conselho de Cultura, Wellington Nery, ficou mesmo por conta do que chamou de “arranjos” da administração Tânia Britto e Sérgio Gameleira, ressaltando que os profissionais devem ser nomeados seguindo critérios técnicos para as respectivas funções. “Não é possível que em uma cidade de 150 mil habitantes, não tenha aqui pessoas qualificadas para assumir as pastas, sendo nomeado uma pessoa da Administração para a Comunicação, por exemplo. Isso está errado, temos um jovem como Leandro Novaes que já está trabalhando como diretor na Comunicação Social da Prefeitura, porque não nomeá-lo para o cargo?”.
Outra curiosidade que também foi alvo de questionamento foi o fato do diretor de Promoção Cultural, Julio Fagundes (ex-assessor do vereador João Cunha) - que estava presente no evento, não ter tido o seu nome registrado em nenhum momento, tampouco ter sido convidado a compor a mesa.  Logo depois da execução do Hino Nacional, artistas e produtores exibiram uma faixa à mesa, com o dístico: “Prefeita, a Cultura precisa do Conselho. Posse Já!” O Encontro segue hoje, na Biblioteca Central, a partir das 8h. da manhã, onde serão discutidas as propostas que servirão de base para a formatação do Plano Municipal de Cultura. (Alysson Andrade http://enfoquecultural.blogspot.com.br/)


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