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O cinema, deixou marcantes lembranças na vida de crianças, adolescentes, jovens e adultos, que moravam na cidade de Jequié nas décadas de 40 a 70.
O Cine Guarany, Cine Teatro Jequié, Cine Bomfim e o Cine Auditório foram
responsáveis pelo encantamento proporcionado a todas as pessoas que frequentavam
aqueles ambientes culturais, onde aconteciam as mostras da bela arte
cinematográfica.
As crianças assistiam aos filmes de desenho e outros produzidos
especialmente para suas faixas de idade. As projeções ocorriam nos domingos
pela manhã, e eram antecedidas de momentos de confraternização e lazer da
meninada, que aproveitava para comer pipoca, algodão doce, chupar pirulito e
tomar sorvete. Depois elas entravam e, sentados ficavam na expectativa de
fecharem a cortina, apagarem as luzes e desligarem o som, e aí era somente
gritos e assovios de alegria.
Os Adolescentes eram assíduos nas seções programadas para as tardes
dominicais. Chegavam sempre uma hora antes de iniciar o filme, espaço de tempo
dedicado à troca de revistas dos super-heróis preferidos: Tarzan, Rim-Tin-Tin,
Roy Roggers, Batmam, Homem Aranha, Super-Homem, Capitão América faziam parte do
acervo cultural por eles comercializados na frente do cinema.
Os jovens, na maioria, iam com o intuito principal de conquistar ou
encontrar as namoradas. Chegaram a paquerar duas garotas em dias de exibição de
dois filmes.
Outro fato que merece destaque foram os constrangedores flagras dados
pelos guardas nos casais, focalizando-os com suas lanternas, desaprovando o
namoro por demais avançado.
Os adultos, além de acompanhar os filhos nas matinês, frequentavam
também as projeções da noite, quando passavam os melhores filmes de circulação
nacional.
Gostaria de continuar contando muitas outras coisas boas que aconteceram
naquela época, mas tenho que infelizmente também relatar a nossa triste
realidade vivida hoje no ano de 2003.
Os cinemas fecharam-se, e os
habitantes ficaram impossibilitados de assistir às produções cinematográficas.
A cultura de Jequié ficou órfã de uma das mais ricas e significativas
manifestações artísticas da história da humanidade. Pude confirmar esta realidade
quando estive com minha família em Salvador e fui com minha filha Isabella,
assistir um filme no Cine Iguatemi. Tive a felicidade de partilhar sua
admiração com o tamanho do saco de pipoca, com a enorme tela, com o som digital;
confesso que senti a mesma sensação. Quando saíamos extasiados daquele ambiente
confortável, pensamentos mil surgiram na minha mente. Um deles relacionava-se
com a possibilidade de um dia Jequié ter um cinema como aquele. Enquanto não é
concretizado o meu desejo, ficamos somente na saudade.
* Texto publicado na Revista Cotoxó de 07/2013.

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