quarta-feira, 31 de julho de 2013

Triste Realidade

                                                                      

Local onde funcionou o "Cine Auditório".
                                                                                                           
                                                                                                         Charles Meira


      O cinema, deixou marcantes lembranças na vida de crianças, adolescentes, jovens e adultos, que moravam na cidade de Jequié nas décadas de 40 a 70.
      O Cine Guarany, Cine Teatro Jequié, Cine Bomfim e o Cine Auditório foram responsáveis pelo encantamento proporcionado a todas as pessoas que frequentavam aqueles ambientes culturais, onde aconteciam as mostras da bela arte cinematográfica.
     As crianças assistiam aos filmes de desenho e outros produzidos especialmente para suas faixas de idade. As projeções ocorriam nos domingos pela manhã, e eram antecedidas de momentos de confraternização e lazer da meninada, que aproveitava para comer pipoca, algodão doce, chupar pirulito e tomar sorvete. Depois elas entravam e, sentados ficavam na expectativa de fecharem a cortina, apagarem as luzes e desligarem o som, e aí era somente gritos e assovios de alegria.
      Os Adolescentes eram assíduos nas seções programadas para as tardes dominicais. Chegavam sempre uma hora antes de iniciar o filme, espaço de tempo dedicado à troca de revistas dos super-heróis preferidos: Tarzan, Rim-Tin-Tin, Roy Roggers, Batmam, Homem Aranha, Super-Homem, Capitão América faziam parte do acervo cultural por eles comercializados na frente do cinema.
      Os jovens, na maioria, iam com o intuito principal de conquistar ou encontrar as namoradas. Chegaram a paquerar duas garotas em dias de exibição de dois filmes.
     Outro fato que merece destaque foram os constrangedores flagras dados pelos guardas nos casais, focalizando-os com suas lanternas, desaprovando o namoro por demais avançado.
     Os adultos, além de acompanhar os filhos nas matinês, frequentavam também as projeções da noite, quando passavam os melhores filmes de circulação nacional.
     Gostaria de continuar contando muitas outras coisas boas que aconteceram naquela época, mas tenho que infelizmente também relatar a nossa triste realidade vivida hoje no ano de 2003.
     Os cinemas fecharam-se, e os habitantes ficaram impossibilitados de assistir às produções cinematográficas. A cultura de Jequié ficou órfã de uma das mais ricas e significativas manifestações artísticas da história da humanidade. Pude confirmar esta realidade quando estive com minha família em Salvador e fui com minha filha Isabella, assistir um filme no Cine Iguatemi. Tive a felicidade de partilhar sua admiração com o tamanho do saco  de  pipoca, com a enorme tela, com o som digital; confesso que senti a mesma sensação. Quando saíamos extasiados daquele ambiente confortável, pensamentos mil surgiram na minha mente. Um deles relacionava-se com a possibilidade de um dia Jequié ter um cinema como aquele. Enquanto não é concretizado o meu desejo, ficamos somente na saudade.

* Texto publicado na Revista Cotoxó de 07/2013.



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