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| Por Carlos Eden Meira* |
Numa matéria intitulada “POR QUE NOSSA POLÍTICA É TÃO BURRA”, publicada
na revista “Superinteressante” de julho 2013, em um trecho na pag. 43, o autor
diz : - “afinal como competir com um burocrata que tem a máquina pública a seu
lado? Ou com um líder religioso que controla as almas do seu rebanho? Diante do
moto-perpétuo político, não há espaço para pessoas com talento, nem para os
interesses das pessoas comuns”.- A matéria na íntegra é bastante esclarecedora
e estarrecedora, ao constatarmos ali tudo que já se sabe sobre as nefastas e
odiosas práticas utilizadas nos meandros da política nacional, mas que
apresentadas daquela forma detalhada, com infográficos práticos e de fácil
assimilação aos leitores, o tema é chocante. Ali fica claro que o cidadão
comum, talentoso, competente e bem intencionado é marginalizado. É peça fora do
jogo político que só aceita quem entra no esquema através de conchavos,
puxassaquismos e outras aberrações desse sistema viciado, que precisa
urgentemente ser varrido pelo povo decepcionado, desiludido e revoltado.
As manifestações não podem e não
devem parar. Elas devem crescer e aumentar seu potencial de luta, direcionando
as ações mais enérgicas não a estabelecimentos comerciais, ou a patrimônios
públicos construídos com dinheiro dos impostos que pagamos. Devem ter como alvo,
os organismos responsáveis diretos pelos escândalos administrativos que corroem
as instituições públicas. Sem atos exagerados de violência que justifiquem
repressão, mas, suficientemente enérgicos e objetivos, os movimentos devem
insistir na reforma política, pedindo o fim dos privilégios absurdos dos
políticos que ainda não entenderam que eles, por serem autoridades, não são os donos do País. Prefeitos são empregados do povo, assim como são os
governadores e os presidentes da República. Obviamente, o mesmo vale para
senadores , deputados e vereadores. Ainda não lhes “caiu a ficha”. Estes cidadãos,
muitos deles arrogantes, autoritários e às vezes truculentos, ainda parecem pensar
que o dinheiro que lhes chega às mãos não são verbas vindas através da
arrecadação de impostos pagos pela população, e sim fortunas a que têm o divino
e legítimo direito de gastar ao seu bel prazer. Falta-lhes maturidade política
para compreender que não estamos mais nos tempos do feudalismo colonialista nem
do “coronelismo”, ainda que muitos sociólogos e analistas políticos concluam
que pouca coisa tenha mudado.
De agora em diante, políticos
devem reavaliar sua conduta, devem repensar suas atitudes visando resgatar sua
credibilidade perante os eleitores, ou correm o risco de ser considerados
“inimigos do povo”, sofrendo descontroladas reações populares, o que prejudica
bastante o desempenho e o exercício da democracia, já que são eles os legítimos
representantes do regime. Nada é mais saudável para o aperfeiçoamento da democracia
do que o direito de escolher em eleições livres, políticos dignos e honestos (ainda
que sejam raríssimos). Entretanto, uma reforma
rigorosíssima tem que ser elaborada já, com profundas mudanças na forma
como é conduzido o nosso sistema político, ou não dará mais pra segurar o “tsunami” que poderá resultar do clamor das multidões que marcham nas praças.
*Carlos Eden Meira – jornalista e
cartunista

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