sexta-feira, 26 de julho de 2013

NÃO DÁ MAIS PRA SEGURAR...

 Por Carlos Eden Meira*
                                                       

Numa matéria intitulada “POR QUE NOSSA POLÍTICA É TÃO BURRA”, publicada na revista “Superinteressante” de julho 2013, em um trecho na pag. 43, o autor diz : - “afinal como competir com um burocrata que tem a máquina pública a seu lado? Ou com um líder religioso que controla as almas do seu rebanho? Diante do moto-perpétuo político, não há espaço para pessoas com talento, nem para os interesses das pessoas comuns”.- A matéria na íntegra é bastante esclarecedora e estarrecedora, ao constatarmos ali tudo que já se sabe sobre as nefastas e odiosas práticas utilizadas nos meandros da política nacional, mas que apresentadas daquela forma detalhada, com infográficos práticos e de fácil assimilação aos leitores, o tema é chocante. Ali fica claro que o cidadão comum, talentoso, competente e bem intencionado é marginalizado. É peça fora do jogo político que só aceita quem entra no esquema através de conchavos, puxassaquismos e outras aberrações desse sistema viciado, que precisa urgentemente ser varrido pelo povo decepcionado, desiludido e revoltado.           
As manifestações não podem e não devem parar. Elas devem crescer e aumentar seu potencial de luta, direcionando as ações mais enérgicas não a estabelecimentos comerciais, ou a patrimônios públicos construídos com dinheiro dos impostos que pagamos. Devem ter como alvo, os organismos responsáveis diretos pelos escândalos administrativos que corroem as instituições públicas. Sem atos exagerados de violência que justifiquem repressão, mas, suficientemente enérgicos e objetivos, os movimentos devem insistir na reforma política, pedindo o fim dos privilégios absurdos dos políticos que ainda não entenderam que eles, por serem autoridades, não são os donos do País. Prefeitos são empregados do povo, assim como são os governadores e os presidentes da República. Obviamente, o mesmo vale para senadores , deputados e vereadores. Ainda não lhes “caiu a ficha”. Estes cidadãos, muitos deles arrogantes, autoritários e às vezes truculentos, ainda parecem pensar que o dinheiro que lhes chega às mãos não são verbas vindas através da arrecadação de impostos pagos pela população, e sim fortunas a que têm o divino e legítimo direito de gastar ao seu bel prazer. Falta-lhes maturidade política para compreender que não estamos mais nos tempos do feudalismo colonialista nem do “coronelismo”, ainda que muitos sociólogos e analistas políticos concluam que pouca coisa tenha mudado.
De agora em diante, políticos devem reavaliar sua conduta, devem repensar suas atitudes visando resgatar sua credibilidade perante os eleitores, ou correm o risco de ser considerados “inimigos do povo”, sofrendo descontroladas reações populares, o que prejudica bastante o desempenho e o exercício da democracia, já que são eles os legítimos representantes do regime. Nada é mais saudável para o aperfeiçoamento da democracia do que o direito de escolher em eleições livres, políticos dignos e honestos (ainda que sejam raríssimos). Entretanto, uma reforma  rigorosíssima tem que ser elaborada já, com profundas mudanças na forma como é conduzido o nosso sistema político, ou não dará mais pra segurar o “tsunami” que poderá resultar do clamor das multidões que marcham nas praças.
*Carlos Eden Meira – jornalista e cartunista


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