Valeu a pena ter participado da décima primeira edição da Festa Literária Internacional de Paraty- Flip. Na abertura, dia 3, tive oportunidade de ouvi em uma conferência extraordinária o escritor Milton Hatoum falar sobre Graciliano Ramos:aspereza do mundo e concisão da linguagem. Foram informações valiosas sobre a vida e a produção literária do Velho Graça. Em seguida assisti os shows do cantor, compositor e poeta caiçara Luís Perequê (um talento artístico sensacional) e do cantor Gilberto Gil, que fez a platéia vibrar e revelou o quanto este baiano é aclamado por gente de todos os lugares do Brasil e do mundo. Essa sensação também foi vista na entrevista coletiva que ele concedeu a imprensa de várias partes do planeta Terra. Fiquei muito
feliz quando Gil, respondendo uma pergunta que fiz sobre a formação de leitores no Brasil, colocou a Revista COTOXÓ como exemplo de veículo de comunicação que contribui para formar leitores. Diante de tantos colegas jornalistas, representando grandes veículos de comunicação do mundo inteiro, ouvi palavras de elogio e incentivo do autor de Parabolicamará foi muito legal. Presenciei também a jornalista Ana Estela de Souza Pinto falar sobre os bastidores do Jornal A Folha de São Paulo na Casa Folha 1. Este ano a Flip ganhou mais interessante espaço, a Casa do Autor Roteirista, que teve a coordenação e curadoria da escritora e novelista Thelma Guedes (uma das autoras da novela Cordel Encantado) e do escritor Newton Cannito. Em decorrência de uma atraente programação, cobri uma boa parte das atividades da casa. Uma exposição com fotos históricas de telenovelas e do escritor Dias Gomes homenageou o autor de novelas inesquecíveis como Roque Santeiro e O Bem Amado. Tive o prazer de conhecer a roteirista Manuela Dias (que foi colaboradora na novela Cordel Encantado e está colaborando para a próxima novela das 18h, Jóia Rara). Manuela é baiana e é de um talento fascinante. Ela é roteirista do filme A hora e a vez de Augusto Matraga (baseado em um conto do genial escritor João Guimarães Rosa) . O filme, que estreia em setembro em circuito nacional, foi exibido na Casa do Autor Roteirista. Manuela Dias ficou muito interessada na saga de Anésia Cauaçu e autografei um exemplar do livro para ela. Fiquei contente também com elogio que a novelista Thelma Guedes fez em relação a Revista COTOXÓ diante do público presente na casa, afirmando que a publicação tem um ótimo conteúdo e vale a pena ler. Neste novo espaço tive oportunidade de assisti cenas do remake de Saramandaia e de acompanhar uma mesa de debate fantástica intitulada Dias Gomes e o Realismo Fantástico em Saramandaia com a participação do roteirista Ricardo Linhares (autor da reescrita da novela) e dos atores Lima Duarte e José Wilker. Foi um momento histórico onde informações preciosas sobre bastidores da televisão brasileira foram apresentadas. Lima Duarte, em conversa que teve comigo, afirmou que das 28 pessoas que estiveram no estúdio de inauguração da TV Tupi (primeira emissora de televisão no Brasil) apenas ele que está vivo. Ao ler a COTOXÓ teve curiosidade de saber sobre Jequié e ficou admirado pelo fato de Jequié ser quente, mesmo estando relativamente próxima a Vitória da Conquista. José Wilker em conversa também que teve comigo, lembrou de quando esteve em Jequié, em 1975, por ocasião da gravação da novela Gabriela e do filme Dona Flor e seus Dois Maridos, por conta de uma festa organizada por Maneca Sampaio para homenagear as “10 mais elegantes da cidade”. Na Casa do Autor roteirista tive oportunidade de ouvi textos lidos e declamados pelos atores José de Abreu, Ana Lúcia Torre, Ana Petta e Domingos Montagner dentre outros. Cobri também um importante debate sobre as recentes manifestações de rua e uma noite memorável com a leitura de poemas sobre Fernando Pessoa e depoimentos sobre o poeta português por parte da cantora baiana Maria Betânia e da professora carioca Cleonice Berardinelli, além da mesa sobre uma vida no cinema com o premiado cineasta Nelson Pereira dos Santos e a cantora Miúcha. Na edição de julho da COTOXÓ, os leitores irão ter oportunidade de verificar informações detalhadas dessas e de outras atividades da Flip na histórica Paraty, uma cidade calçada de pedras da época da escravidão e com p charme das igrejas e do casario do Brasil Colonial. (Domingos Ailton).
Nenhum comentário:
Postar um comentário