quarta-feira, 13 de março de 2013

HAJA FÉ!



Por Carlos Éden Meira*


A História nos conta que os primeiros cristãos, motivados pela força da fé, enfrentaram sem medo, toda sorte de atrocidades que lhes eram impostas pelos romanos, senhores do mundo naquele tempo. Mesmo após a morte de seu líder maior, Jesus Cristo, os cristãos não se sentiam derrotados. Pelo contrário, animados pela ideia da ressurreição, continuaram a pregar o Evangelho em toda parte, mesmo com o risco da própria vida, pois, havia naquela pregação, uma proposta de transformação espiritual, moral e cultural, que mudava os velhos conceitos do conservadorismo político e religioso da época. Ao longo dos séculos, tais mudanças sofreram sérias distorções à medida que o Cristianismo passou a sofrer divisões causadas pelas diversas intepretações das Sagradas Escrituras, distorcidas conforme os interesses dos exploradores da fé e das classes dominantes, através dos tempos.
 Num mundo hostil, onde a luta pela sobrevivência mantém os mesmos padrões de violência e brutalidade dos tempos das cavernas, onde a lei do mais forte parece continuar a ser a lei maior, sobrepondo-se às convenções, aos códigos de ética, às instituições ditas livres, ainda que se tenha alcançado altos níveis de conhecimento científico, torna-se cada vez mais difícil para o cidadão comum acreditar que tenha havido algum progresso de aspecto religioso ou social, desenvolvido através das lutas, reformas e revoluções ocorridas ao longo da História. Em qualquer parte do mundo, seja no mundo ocidental ou oriental, as leis continuam sendo criadas pelos poderosos que delas se beneficiam, impondo seus conceitos de moral ou mesmo de fé religiosa, mantendo enorme parte da população “pacificada” e ignorante, obediente às leis debatidas e criadas em assembleias, compostas na sua maioria, por indivíduos inescrupulosos e pelos manipuladores da fé, em suas respectivas entidades. Incentiva-se assim, a intolerância religiosa e cultural, perseguindo e segregando quem não pertence aos padrões inseridos no contexto de alguns hipócritas “salvadores de almas” e dos poderosos conservadores radicais, gerando mais injustiça social.
É a injustiça social que leva o indivíduo à total descrença nas leis, nas instituições, e, consequentemente, à falta de fé nos políticos e governantes. Não se pode, entretanto, ser derrotista e aceitar a ideia do “cada um por si”, ou do “quem tem a unha maior que suba na parede”, pois aí, estaríamos nos deixando levar pelo instinto e não pela razão. As pessoas que creem na dignidade humana, que têm senso de justiça e respeito ao próximo, mesmo diante das derrotas e humilhações, devem se manter unidas para conservar viva a chama da esperança, e transmiti-la às futuras gerações. A luta secular do Homem pelo aperfeiçoamento da humanidade deve continuar ainda por muito tempo, enquanto houver a prepotência, a corrupção, o egoísmo e a sede de poder que transformam homens em seres irracionais.                                                               
                                                                        Carlos Éden Meira – jornalista e cartunista

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