Por
Carlos Éden Meira*
Acostumou-se ao longo dos anos, neste
País, a achar que burlar regras e leis para obter privilégios é coisa normal, principalmente
em se tratando de certas pessoas que se acham “melhores” do que a maioria. São
aquelas que não entram em filas, não respeitam regras de trânsito, não obedecem
horários, enfim, não admitem ser tratadas como pessoas comuns, às quais
desprezam. Daí, partem para o jogo sujo dos subornos e propinas para alcançar
seus objetivos muitas vezes escusos, valendo-se de meios absurdamente ilegais
viabilizando assim, seus sórdidos interesses, o que pode resultar, em alguns
casos, na perda de vidas, como se supõe que tenha ocorrido no trágico incêndio
da boate de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. É claro, no entanto, que existem
certas situações em que o excesso de burocracia e leis equivocadas força as
pessoas a apelarem para pequenas transgressões. É comum ouvir-se a frase: “é
melhor ter uma amigo na praça, do que dinheiro em caixa”.
Neste caso, menos mal. O “amigo na
praça” é aquele que, ocupando um cargo de determinada importância dentro de um
órgão público qualquer, vai “quebrar o galho” de um parente ou de um amigo,
livrando-o de certos entraves excessivamente burocráticos, muitas vezes
desnecessários, e que paralisam ou atrasam o andamento de um assunto urgente,
do qual às vezes, pode depender a vida de alguém. Ainda assim, é ilegal e, se
as entidades em questão funcionassem dentro de um sistema socialmente justo e
organizado, mesmo estas pequenas transgressões não seriam necessárias. Há uma
considerável diferença entre quem tem “um amigo na praça”, que lhe presta um
favor agilizando um assunto importante num momento de desespero e que pode até
salvar vidas, e aquele que compra através de suborno, os favores de um
funcionário corrupto, que não se preocupa com os riscos resultantes de uma
“vista grossa” sobre um inexistente alvará, ou licença para manter em
funcionamento uma obra, ou uma entidade irregular.
Entretanto, são duas formas do tal
“jeitinho brasileiro”, um vício a que se acostumou e que induz algumas pessoas
ao erro, já que passa por cima de normas e leis estabelecidas. Outra frase
frequentemente ouvida é: “o brasileiro só fecha a porta depois de roubado”.
Infelizmente, neste País, só depois que ocorrem tragédias é que as autoridades
começam a tomar providências nem sempre eficazes, se depender do jogo politico
que costuma nomear indivíduos inescrupulosos ou incompetentes, (salvo as raras
exceções) para os cargos responsáveis pela manutenção e segurança em locais de
risco.
Por falar em locais de risco, lembro-me de que
aqui em Jequié, no “Palácio das Artes”, na galeria que fica na parte superior
acima do auditório, se não me engano, não havia saída de emergência e a única
via de acesso era uma estreita escada, na parte interna. Espero que não esteja
mais assim ou que eu esteja enganado.
*Carlos Éden Meira – jornalista e cartunista
Nenhum comentário:
Postar um comentário