sábado, 26 de janeiro de 2013

UMA OBRA INACABADA


  

Carlos Éden Meira*

Em outubro de 1966, (quarenta e sete anos atrás), era inaugurado na Avenida Rio Branco, o Viaduto Daniel Andrade. A obra, entretanto, apesar de sua importância no sentido de facilitar o tráfego de veículos, já que antes havia ali uma íngreme ladeira, cuja parte mais alta era quase inacessível a veículos mais pesados, não foi construída dentro dos padrões de segurança necessários para um viaduto que passa dentro de uma área residencial. Suas proteções laterais são feitas com canos de ferro presos em pequenas colunas de cimento armado, cuja distância de um cano para outro deixa uma grande abertura, por onde uma criança pode passar facilmente, com enorme risco de cair.

 Mesmo uma pessoa adulta, no caso de uma queda na calçada lateral, se o corpo rolar, também passa por baixo do cano facilmente. A altura do parapeito da ponte também, não oferece segurança já que fica  abaixo da barriga de um adulto, quando deveria ser à altura do peito, pois, como o próprio nome já diz: “parapeito”. Dizem que esses complementos da obra eram provisórios, feitos para a inauguração em fim de mandato, e que o próximo prefeito concluiria a construção, mas, estão lá até hoje! As laterais do viaduto são verdadeiras pistas de rolagem de motos, desgastando e destruindo a calçada, cujos pedaços de cimento e pedras da pavimentação solta, resvalam nos pneus das motos quando passam, e se precipitam pelas aberturas, caindo perigosamente de uma altura de uns sete metros na parte de baixo da ponte, com enorme risco de atingir quem passa, conforme já pudemos observar inúmeras vezes.

 Além disso, o sistema de escoamento de águas pluviais em épocas de chuvas fortes, praticamente não funciona, formando uma verdadeira piscina sobre a ponte. Este acúmulo de água, dependendo do tempo de permanência, pode obviamente provocar a proliferação de mosquitos nocivos à saúde. Ao longo dos anos, fizemos diversas matérias sobre o assunto, as quais foram publicadas em vários jornais e revistas locais, inclusive, no jornal “A Tarde”.  

Felizmente, durante a administração de Reinaldo Pinheiro, foi feito um reparo nas rachaduras das pequenas colunas laterais, e colocados os ferros que faltavam. Depois disto, nada mais foi feito. Acreditamos que em regiões politicamente e socialmente mais evoluídas, uma construção irregular como esta não permaneceria desta forma. Confiamos na nova administração municipal, no sentido de que possa fazer algo para pelos menos diminuir os riscos aqui referidos, caso não haja condições para uma reforma completa na citada obra.



*Carlos Éden Meira – jornalista e cartunista

Nenhum comentário:

Postar um comentário