[...] Quando perco a esperança/ parece uma tentação/ me sento lá no terreiro/escoro o rosto com a mão./Sem planos, o pobre coitado, fazendo risco no chão [...]. (Luiz Gonzaga/Zé Marcolino)


Convivemos com a maior seca registrada na Bahia nos últimos 47 anos. São 259 municípios baianos em estado de emergência, atingindo cerca de 2,4 milhões de pessoas, segundo dados divulgados pela Coordenação Estadual de Defesa Civil – CORDEC.
Mr. Willis Carrier
A coluna de Ancelmo Goes, em O Globo deste domingo (6/01), lança a campanha de beatificação de Mr. Willis Carrier (na foto), o engenheiro norte-americano que, em 1902, inventou, em Nova York, o único aparelho que realmente nos salva do calor de rachar: o ar-condicionado.
Segundo o historiador carioca, Milton Teixeira, “A atividade solar cresceu uma média de 5% nos últimos dez anos. Com o desmatamento, a urbanização e a emissão de gases, como o metano, a sensação de calor aumenta ainda mais.” Na verdade, lembra Teixeira, no século XIX, “tomávamos banho uma vez por semana, o que já era um grande avanço, pois no século anterior era um a cada três meses”.
O calor de mais de 40º não interfere apenas no bem estar e na vida das pessoas. A economia sofre com essa estiagem, num processo vascularizado, atingindo a todos os segmentos.

A seca braba devora até a esperança do catingueiro

A pecuária é um dos principais vetores da economia regional. Este setor está sofrendo muito com a seca. A situação da região no entorno de Jequié, por exemplo, está ficando cada vez mais grave. Na Caatinga falta água e a vegetação secou. A maioria do gado está enfraquecida e muitos morrendo sob o sol inclemente. Na região da Mata, embora ainda haja água em abundância, o gado não tem o que comer. Os fazendeiros de todos os locais, impotentes, aguardam apenas o desfecho da natureza, rezando para que a acauã pare de cantar e as chuvas cheguem ao sertão.
Produtores que recolhiam diariamente 500 litros de leite, hoje não conseguem chegar a 50 litros. A economia está combalida, o Rio de Contas poluído a ponto de não permitir que suas águas aliviem o calor intenso e desconfortável da população regional. É o centenário e cíclico drama da seca do Nordeste. Será que não temos talento suficiente para encontrar soluções definitivas? Enquanto isso… Como acontece ao longo da história, só nos resta apelar para a providência divina.