Com auditório lotado, professores criticam postura da prefeita e vereadores na questão das direções da escolas e atraso salarial. Foto: APLB
Na última sexta-feira (11), além das questões salariais – como o atraso de pagamento por parte da Prefeitura –, um dos assuntos discutido na assembleia geral dos professores, pela manhã, foi a visita de vereadores da base do governo nas escolas dizendo que os cargos de direção da sede e dos distritos pertencem a eles. Segundo os presentes, como eles estão fazendo isto, é porque a prefeita quebrou o acordo feito com os professores, via APLB-Sindicato, no qual a direção das unidades de ensino e coordenadores pedagógicos seriam ocupados por docentes do quadro efetivo, como já vem acontecendo há oito anos no município.
Muitos protestos aconteceram durante os pronunciamentos dos professores contra a forma como estão sendo encaminhadas as indicações dos diretores das escolas. “Vamos lutar contra esse retrocesso. A comunidade escolar vai tomar posição”, afirmou uma das docentes que se inscreveu para falar. Para o professor Lelito Caictano, da direção da APLB de Jequié, a prefeita cedeu à pressão dos vereadores e permitiu a implantação de um modelo atrasado de gestão semelhante à das capitanias hereditárias. “Se formos comparar, estamos voltando a algo parecido com século XVI, já que as escolas municipais estão sendo loteadas pelos membros do Legislativo com o apoio do poder central”, completou o dirigente sindical.
Porém, de todos os depoimentos de protesto na assembleia, o que mais chamou atenção foi o da professora Maria Nilza Teles Santos Brandim. Segundo esta educadora, o vereador Dorival Júnior (PRB) entrou em contato recentemente com ela e fez uma proposta indecente para ela assumir a direção da Escola Ademar Vieira, no bairro Joaquim Romão, perto da rodoviária. “Ele disse que eu assumiria o cargo se doasse 5% de meu salário para ele. Falou que iria usar para crescer seu o partido – que ainda é pequeno – e nas atividades políticas do mandato. Achei uma falta de respeito. Ele levou meu nome, mas não compactuo com isto”, declarou para a grande plateia que lotou o auditório da Terceira Visão. Vale lembrar que o vereador se elegeu com o apoio de grande parte dos integrantes da Igreja Universal, dizendo que faria um mandato com ética e sem apego às coisas materiais, mundanas.
A assembleia, que foi dirigida por Ângela Menezes (vice-presidente da APLB), terminou com a aprovação das propostas de se continuar na luta pelo recebimento do salário de dezembro ainda neste mês de janeiro e pela gestão democrática nas escolas, conforme orienta a LDB.
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