quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Animais sinantrópicos: as pragas urbanas

                                         Oscar Vitorino Moreira Mendes

Ao longo da História, o homem desenvolveu técnicas de criação de animais, tanto para o fornecimento de alimentos e matéria-prima (bois, carneiros, porcos, galinhas, etc.) como para servir de transporte e companhia doméstica (cavalos, mulas, cães, gatos, aves ornamentais...). Por sua vez, o ambiente urbano em face o desenvolvimento humano em sociedades, acabou atraindo outro grupo de animais e novas espécies de pragas, e tem sido invadido permanentemente, e que embora também convivam com as pessoas, são indesejáveis e podem acarretar sérios problemas de saúde pública, por transmitir doenças, sujar as residências, causar acidentes e destruir alimentos. Essa condição é criada em função de uma alta proliferação, consequência da ação do próprio homem, que os alimenta e favorece seu potencial reprodutivo. São os chamados animais sinantrópicos, intitulados comumente como pragas.

Fauna sinantrópica é caracterizada pelos animais que vivem próximos às habitações humanas, e se adaptaram a viver junto ao homem, a despeito da vontade deste. Destacamos, dentre os animais sinantrópicos, aqueles que podem comprometer a saúde do homem ou de outros animais, transmitir doenças, inutilizar ou destruir alimentos, além de riscos de acidentes com picadas, mordeduras e outros, e que estão presentes nas cidades, no ambiente de trabalho, tais como: Abelha, Aranha, Barata, Carrapato, Escorpião, Rato, Formiga, Morcego, Mosca, Mosquito, Pombo, Pulga, Vespa etc.).

Mas o que atrai essas espécies para o convívio humano?

Todo ser vivo necessita de três fatores para sobreviver: água, alimento e abrigo. A água pode ser encontrada com facilidade em nosso meio, mas o alimento e o abrigo realmente fazem com que esses animais indesejáveis se instalem ao nosso redor. Portanto, esses animais, considerados como pragas são um produto do próprio homem, que adota hábitos incorretos de higiene, de armazenagem de alimentos e de limpeza de seus locais de residência e trabalho. Entretanto, não devemos encará-los como seres que precisam ser exterminados a qualquer custo, mas como uma ameaça à saúde pública que pode ser evitada se forem adotadas medidas de prevenção. Para tanto, é necessário conhecermos o que serve de alimento e abrigo para cada espécie que se pretende controlar e adotarmos as medidas preventivas, de forma a alcançar esse controle, mantendo os ambientes que frequentamos mais saudáveis e evitando o uso de produtos químicos (os quais poderão eliminar não somente espécies indesejáveis, como também espécies benéficas, além de contaminar a água e o solo), que por si só não evitarão novas infestações.

Dessa forma, alguns animais, como o morcego, que são grandes polinizadores naturais, podem adquirir a condição de sinantrópico, utilizando telhados e cantos escuros das casas como abrigo, quando seus ambientes naturais são destruídos. Com a chegada do verão as pragas urbanas começam a se proliferar, pois é na alta temperatura que elas aparecem. Por isso, segundo especialistas, a melhor forma é se prevenir no inverno, época que os filhotes são gerados. Limpeza e armazenamento dos alimentos são itens importantes para a definição. Por outro lado, para proceder à remoção de animais sinantrópicos das áreas de risco, exige a utilização de processos restritos e que deve ser realizado por profissionais capacitados e aparelhados. É comum que algumas espécies naturalmente transitem de um ecossistema a outro, sem causar danos aos ambientes em que se instalam, já que isso se dá de forma lenta e eventual.

E de que forma podemos combater esses animais?

No Brasil, país eminentemente tropical, as pragas urbanas proliferam de maneira assustadora. Como são animais que dividem conosco o mesmo ambiente, o natural seria que os conhecimentos de normas de higiene e maneiras corretas de armazenar alimentos para o controle permanente às pragas urbanas fossem disseminados por toda a sociedade por meio de campanhas educativas e ações de conscientização. Outra medida interessante é reunir informações básicas sobre as doenças que esses animais transmitem, de modo que se compreenda o perigo a que estamos submetidos e a importância de adotar medidas preventivas.

Para tanto, algumas cidades já dispõem de Centros de Controle de Zoonoses – CCZ, que oferecem alguns conhecimentos básicos sobre a vida desses animais, de modo que o leitor compreenda a importância de se adotar medidas preventivas no seu lar, no local de trabalho, ou mesmo transmitir a outras pessoas essas informações. Infelizmente, no nosso município ainda não dispomos desse Órgão tão importante para a Saúde Pública, não obstante as  constantes reivindicações por parte da Associação de Médicos Veterinários de Jequié - AMVEJ. Outro aspecto considerado muito importante é o desenvolvimento de projetos nas escolas sobre animais sinantrópicos, analisando o comportamento desses seres e as maneiras mais eficazes de prevenção. Vale ressaltar que é importante saber que não se trata de uma proposta de extermínio de animais, mas, sim, de Educação Ambiental com caráter preventivo. Entre seus objetivos está o desenvolvimento de programações educativas visando o esclarecimento da população com relação aos conteúdos necessários para a prevenção e controle de zoonoses, bem como a atuação consciente e competente nas transformações da realidade para a melhoria das condições e qualidade de vida.

O Centro de Controle de Zoonoses - CCZ é o órgão responsável pelo controle de agravos e doenças transmitidas por animais (zoonoses), através do controle de populações de animais domésticos (cães, gatos e animais de grande porte) e controle de populações de animais sinantrópicos. Ao poder público destinam-se as ações de controle dos animais errantes (vadios, soltos nas ruas), com vistas à proteção da saúde pública, porém, com posturas humanitárias em relação a eles.

Oscar Vitorino Moreira Mendes

(oscarvitorino@yahoo.com.br)

Méd. Vet. e Prof. Aposentado da UESB

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