quinta-feira, 7 de junho de 2018

Charles Meira, Artista Jequieense.

                               Entrevista concedida a Carlos Eden

Cantor evangélico Charles Meira.


O cantor evangélico, compositor, escritor, artesão, blogueiro, Charles Barros Meira, pessoa bastante conceituada nos meios em que atua, tem uma personalidade alegre, contagiante. Sempre sorridente, sua alegria de viver é assimilada e compartilhada pelos amigos que o cercam. Sendo assim, nesta entrevista buscamos conhecer mais profundamente a história e trajetória de vida desse interessante artista de Jequié.

C.Eden – Charles, você nasceu em Jequié?

Charles – Sim. 08/10/1954.

C. Eden - Seus pais são de outras localidades, ou são Jequieenses?

Charles – José Barros Meira meu pai nasceu em Livramento - BA e minha mãe Maria Letícia da Silva Meira nasceu no distrito de Porto Alegre que pertence ao município de Maracás - BA.

Maria Letícia da Silva Meira e Tomaz, José Barros Meira e Charles.

C. Eden – De onde veio essa sua tendência para o jornalismo voltado para a História e entrevistas biográficas?

Charles – Depois do lançamento do livro de Émerson Pinto de Araújo, ”Capítulos da História de Jequié” em 1997 passei a ler com mais assiduidade outros livros e comecei a escrever histórias contadas pelo meu tio Osmar Marques da Silva, neto de José Marques da Silva (Zezinho dos Laços) do tempo do banditismo em Jequié, e outras histórias fora do contexto de Jequié. Recebi do autor, com muita alegria, um volume do livro autografado especialmente para o “Rabudo” Charles Meira. Com o tempo, passei a fazer também, contos e entrevistas com pessoas ligadas ao nosso município, que venho publicando na revista Cotoxó. Estou sempre lendo, o que facilita escrever melhor.

Charles Meira e Émerson Pinto.

Livro "Capítulos da História de Jequié" - Émerson Pinto de Araújo.

C. Eden – Quantos são os irmãos na sua família?


Charles – Somente um: Tomaz Edson Barros Meira. Tenho hoje três filhos, dois homens e uma mulher: Thales Félix Meira, Franklin Félix Meira e Isabella. Minha esposa chama-se Maria José Félix Meira.

Tomaz Meira, Maria Letícia e Charles Meira.
Franklin Félix Meira, Maria José Félix Meira, Charles Meira, Thales Félix Meira e Isabella Félix Meira.

C.Eden – A opção religiosa em sua família é toda ligada à Igreja Batista?

Charles – Não. Praticamente Católica. Hoje o meu irmão Tomaz é pastor da Igreja Adventista, minha mãe e minha esposa são da Igreja Batista como eu.

C. Eden – Conte como foi sua ligação com a música, sua participação em festivais e outros eventos musicais, suas parcerias em grupos, composições e gravações.


Charles Meira com 12 anos cantando em Manoel Vitorino na residência do seu 
tio Hércules Meira.

Charles – A música entrou em minha vida desde a infância. Aos cinco anos já cantava com meu irmão Tomaz, nas casas de parentes e amigos, levados por nossa mãe. Nosso tio Hércules nos levava para cantar em Manoel Vitorino, num serviço de alto-falantes da cidade. Lembro-me de cantar “Meu Grito”, sucesso gravado por Agnaldo Timóteo. 


Programa "Festival dos Brotos" no Cine Jequié. Charles Meira com 13 anos bem na frente.

Nessa época, a Rádio Bahiana de Jequié criou um programa de auditório apresentado por Geraldo Teixeira nas manhãs de domingo, no Cine Teatro Jequié. Foi ali, no quadro de calouros infantis que comecei a cantar para um público maior. Na minha adolescência no IERP e no CETEJE, nos intervalos das aulas o professor Euclides Fernandes me incentivava a cantar para os alunos, sentado na carteira do professor. 

Charles Meira, cantando no 1º Festival de Música do IERP.

Os festivais de música estavam acontecendo, então, ganhei o prêmio de melhor intérprete cantando num festival no Cine Auditórium, uma canção de nome “Taninha” de autoria de Reinaldo Pinheiro. Num festival do IERP ganhei o segundo lugar com “Canto de um Hippie”, letra minha e música de Artiludo. Ganhou o primeiro lugar, Artiludo com “Paz e amor”, música que fui o interprete. 

Ingresso do Show Clarpt Nº Último.

Tomaz Meira, Charles Meira, Atiludo, Luiz Meira e Rafael Vieira, Grupo CLARPT, cantando no Show CLARPT Número Último, realizado  no auditório do IERP em 1974, acompanhado pelo conjunto Embalo 4.

Mais tarde, com um grupo de amigos formamos o “CLARPT” cujo nome era formado das iniciais de cada componente: Charles, Luiz Meira, Artiludo, Agenor Filho, Rafael Vieira, Pedro Nogueira e Tomaz Meira. Em 1974 o grupo realizou no auditório do IERP o Show CLARPT Número Último, acompanhado pelo conjunto Embalo 4. Em 1976 fui morar em Salvador para trabalhar e estudar. Com o passar do tempo, Tomaz, Luiz e Rafael formaram o grupo “Arpão”, bem aceito pelo meio artístico do interior e da capital. Chegaram a pensar em gravação.

Grupo ARPÃO, cantando no Show realizado no ICBA em Salvador - BA.

C. Eden – Fale sobre sua fase de cantor evangélico.

Charles – Antes dessa fase, quando trabalhava na COELBA, fiz parceria com o poeta Moga Neto (Moysés Elpídio), também “coelbano”, casado com nossa prima Darcy Nogueira. Pedi a ele algumas letras para colocar música e chegamos a ganhar um festival da CIPA. 

Coral da Coelba. 

Participei também do coral da COELBA e de um festival organizado pela instituição. Numa viagem a Jaguaquara a serviço da COELBA, na fazenda Taylor Egidio, conheci o casal Jerry e France Smith que me impressionaram com a oração feita antes do almoço e com a linda melodia executada ao piano pela senhora France Smith. Esse encontro mudou minha maneira de entender Deus. Com Edelicio Ribeiro, outro colega de trabalho, também compositor, comecei a frequentar igrejas evangélicas e fizemos uma parceria musical. O dia oito de junho de 1985 marcou o começo da minha carreira como cantor evangélico. Nesse dia ganhamos o terceiro lugar num festival organizado pela Primeira Igreja do Evangelho Quadrangular, com a música “Uma Viagem”. Daí em diante toda minha vida musical foi voltada para a música evangélica, inclusive cantei também no coral da Igreja Batista do Jequiezinho. Entretanto, foram muitas as dificuldades que enfrentei para conseguir gravar meus discos. Mas com fé em Deus, ultrapassei essas barreiras, inclusive uma cirurgia no coração, e aqui estou vivo, há 32 anos dedicado à obra de Jesus Cristo, livre para voar cantando em quase todas as igrejas de Jequié, em mais de 60 cidades da Bahia e vários estados do Brasil.

Capas cds, dvds do cantor evangélico Charles Meira
Capa de todos os trabalhos realizados por Charles Meira.
 "Atmosfera Divina". Capa do primeiro LP gravado.

C.Eden – Quantos e quais os títulos dos discos que você gravou?


Charles – Aqui vai uma lista dos trabalhos que gravei:
LP - Atmosfera Divina: 09/05/87, gravado em Recife - PE.
LP - Missões Secretas: 27/02/88, gravado em Recife - PE.
LP - Brilho Celeste: 17/05/89, gravado em Recife - PE.
LP - Encontro: 27/04/90, gravado em Recife - PE.
LP - Súplica: 25/05/94, gravado em Recife - PE.
CD - Os Melhores de Charles: 28/03/95, feito em São Paulo - SP.
CD - Viva Por Fé: 22/07/97, gravado em São Paulo – SP.
CD - Preciso de Ti: 19/11/00, gravado em Belo Horizonte – MG.
CD e DVD - Quem Manda é Jesus: 24/10/03, gravado em Jequié – BA.
CD - Certeza da Vitória: 08/08/11, gravado em Jequié – BA.
CD - Milagre de Deus: 15/09/13, gravado em Jequié – BA.

Charles Meira estudou o 3º ano no Centro Educacional Ministro Spinola - CEMES.

C.Eden – No meio educacional, como foi sua trajetória da infância à idade adulta? Você fez faculdade?

Charles – Sem precisar datas: SESC (Infantil), Centro Educacional Ministro Spínola – CEMES - (Primário), IERP (Ginasial e Científico) Técnico em Eletricidade: (1981) Escola de Engenharia Eletromecânica da Bahia (Salvador).

Artesão Charles Meira fazendo arte com Cartão Telefônico.

Arte feita com Cartão Telefônico pelo artesão Charles Meira.

C.Eden – Tenho visto trabalhos artísticos interessantes que você faz, utilizando recortes de cartões telefônicos. Como você aprendeu essa arte?

Charles – Na adolescência fiz um curso de desenho artístico. Sempre gostei de arte, chegando a pintar alguma coisa. Lembro de um blusão que pintei uma águia, ficou muito bonito. Copiava desenhos infantis, e fiz desenhos para anúncio de filmes do Cine Auditórium. Depois da aposentadoria em 1997, comecei a fazer artes com papelão. Não deu certo. Mudei para palitos de fósforo. Não ficou bom. Como minha filha tinha coleção de cartão telefônico, fiz uma tentativa e deu certo fazer artes com este material. Hoje é o meu passatempo predileto. Tem tido uma boa aceitação dos Jequieenses e da região e de outros estados.

Capa do livro "Cantar,Cantar,Cantar" do cantor Charles Meira
Livro "Cantar, Cantar, Cantar", lançado  em 1983.
C.Eden – E o livro? Quando é que sai? O conteúdo será uma coletânea de suas histórias e entrevistas, ou é um romance de estilo autobiográfico?

Charles – Em 21/08/1988 lancei o livro “Cantar, Cantar, Cantar” um livro contando a minha caminhada musical. Atualmente aguardo resultado de um projeto de leitura da prefeitura de Jequié que estou concorrendo com um livro, coletânea de entrevistas, contos, crônicas e poesias. No Baú encontram-se 03 livros esperando a parte financeira.

C.Eden – Fale sobre sua qualificação profissional.

Charles – Minha qualificação profissional é a seguinte:
Bradesco S/A – Banco Brasileiro de Descontos - 1973 – 1975.
Coelba – Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia- 1976 – 1997.
Cantor e compositor evangélico - 32 anos de carreira.
Escritor – Publiquei o livro “Cantar, Cantar, Cantar” e escrevo para a Revista Cotoxó que circula mensalmente em Jequié e região.
Artesão – Arte com Cartão Telefônico e Pintura em Tecido - Membro da Associação do Artesão de Jequié e do Instituto Mauá da Bahia.


Um comentário:

  1. Charles foi morador da av Rio Branco por muito tempo, meu vizinho, mas somente agora na terceira idade nos aproximamos mais. Admiro sua arte, sua personalidade e curto nossa amizade.Grande amigo e filho de Maria, nossa vizinha admirável.

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