sábado, 16 de junho de 2018

O contador de histórias Osmar Marques da Silva, neto de Zezinho dos Laços.

                                   Charles Meira

Osmar Marques da Silva, neto de Zezinho dos Laços.



   Após a leitura de “Capítulos da História de Jequié”, livro do escritor Émerson Pinto de Araújo, Charles Meira ficou sabendo que era bisneto de José Marques da Silva, o famoso “Rabudo” Zezinho dos Laços.

José Marques da Silva (Zezinho dos Laços).

  A descoberta motivou Charles Meira a pesquisar sobre o assunto para conhecer profundamente a história da família do seu avô Randulfo Marques da Silva. Osmar Marques o filho mais achegado de seu Duca, como era mais conhecido, sabedor e exímio contador de histórias relacionadas aos acontecimentos da época de seu avô Zezinho dos Laços, foi o membro escolhido para representar a família e contar para o seu sobrinho a versão deles dos contagiantes fatos históricos ocorridos no século passado.
     Próximo do aniversário de Osmar Marques da Silva, Charles Meira presta uma homenagem ao contador de histórias, relatando nesta matéria a sua caminhada durante os seus 92 anos de vida.
    Osmar Marques da Silva nasceu em 13 de julho de 1925 em Porto Alegre, distrito de Maracás – BA. Filho de Randulfo Marques da Silva, nascido também no distrito de Porto Alegre – Maracás - BA e Florinda Meira da Silva, nascida na Fazenda Rochedo – Manoel Vitorino – BA e tiveram 08 filhos.

Randulfo Marques da Silva, filho de José Marques da Silva (Zezinho dos Laços).
Florinda Meira da Silva, esposa de Randulfo Marques da Silva.

    O menino foi criado pelos pais e familiares com muito carinho no pequeno lugarejo cortado pelo Rio de Contas.
    Quando completou 06 anos de idade iniciou os estudos e aprendeu a ler e escrever. As aulas aconteciam na casa da sua madrinha a professora Otília Silva, segunda esposa de José Marques da Silva (Zezinho dos Laços), ministrada para vários alunos nos períodos matutinos e vespertinos. 

Otília Silva, segunda esposa de Zezinho dos Laços.
Madrinha e primeira professora de Osmar Marques.

   Em seguida a família foi morar em Maracás. Com aproximadamente 10 anos de idade, Osmar que era torcedor do Flamengo continuou os estudos em uma escola particular daquele município, onde era muito estudioso, destaque na sala de aula, pois era sempre aprovado e o escolhido para recitar poesias em vários locais pela professora Carmélia Mariniello.
   A família morou pouco tempo em Maracás. No retorno para o distrito de Porto Alegre, o menino estudava pela manhã e começou a trabalhar no período da tarde na venda do seu pai. Nesta época às vezes Osmar também apanhava de palmatória, quando o desobedecia. Divertia tomando banho e pescando com vara de anzol no Rio de Contas, jogava bola á noite com os amigos e participava das festas no final de semana, onde tocava violão e namorava bastante.

Casa e venda de Randulfo Marques - no distrito de Porto Alegre - Maracás - BA 

   Osmar no mesmo período comprou uma canoa, embarcação que usava para transportar pessoas diariamente no Rio de Contas. O jovem apesar de ter aprendido a profissão, remava somente quando o canoeiro contratado faltava o serviço. Nesta mesma ocasião, com autorização do seu pai comprou um revolver 32, porém somente podia ir para as festas com a ordem do velho e acompanhado por Paulo, funcionário dele, devido à fama de brigão que tinha o seu filho.  

Osmar Marques com o revolver que pertenceu a Zezinho dos Laços.


   Com quase 20 anos de idade, Osmar resolveu trabalhar por conta própria. Montou uma venda de gêneros alimentícios e com o dinheiro que ganhava no negócio ele começou a comprar animais, os quais eram criados em terras alugadas e na propriedade do seu genitor.  Posteriormente fechou o comércio e voltou a trabalhar na venda do seu pai e a viajar para Jequié, onde vendia e comprava gêneros alimentícios e pele de couro de animais. A viagem era feita com uma tropa formada por 10 animais, guiada por Osmar, montado em uma mula ou cavalo e dois tropeiros andando, percurso realizado normalmente em três dias.

Rodolfino Marques da Silva, filho de Zezinho dos Laços e tio de Osmar.

     Nos finais de semana durante o período de descanso merecido do trabalho, Osmar às vezes ia passear na cidade de Maracás e ficava na residência do seu tio Rodolfino. Em uma destas viagens, ocasionalmente encontrou com seu primo José Marques, que morava em Feira de Santana – BA, onde trabalhava em uma loja de tecidos. Os jovens passaram os dois dias curtindo a bela e fria cidade, seus familiares, os amigos e as bonitas garotas maracaenses. Antes de retornar para Porto Alegre, Osmar foi convidado por José Marques para morar e trabalhar em Feira de Santana. Com aproximadamente 22 anos de idade, no final da década de 40, autorizado pelo seu pai foi com o primo morar em feira de Santana.
     Inicialmente trabalhou na loja de seu primo chamada “Flor de Liz”. Trabalhou a seguir no caminhão de José Marques como fiscal do motorista e pela tarefa realizada recebia uma gratificação. Depois optou em trabalhar de Balconista na Loja Santa Branca, ganhando salário mínimo e carteira assinada, durante o período de cinco anos.
   Na cidade de Feira de Santana, época que era solteiro, Osmar passou a torcer pelo Fluminense de Feira, era sócio do clube Feira Tênis Clube, visitava o meretrício e namorava muito, porém sem compromisso
     Posteriormente preferiu trabalhar de Balconista nas Lojas Pernambucanas, onde além do salário, recebia uma comissão de acordo o que vendia e alem disso o seu primo também era funcionário da empresa. Após este emprego, Osmar foi convidado e aceitou gerenciar a loja de Antônio Cabral na cidade de São Gonçalo dos Campos – BA e posteriormente em 1960, quando a empresa transferiu-se para a cidade de Tanquinho – BA.

Osmar Marques e Dagmar Brandão, quando namorados.

    Naquele local, sua nova morada, comia no hotel e dormia em uma república. A primeira pessoa que conheceu foi Alberto, filho de Edgar Brandão, apresentado pelo dono da loja. Em seguida conheceu todos os homens da família. Osmar havia deixado uma namorada em Feira de Santana, entretanto a distância encarregou-se de acabar com o namoro. Em Tanquinho levou quatro anos sem namorar. Certo dia conheceu na loja onde trabalhava uma jovem chamada Dagmar, filha de Edgar Brandão, levada ao local por algumas meninas conhecidas dele. Aconteceu nesta mesma ocasião uma festa na cidade e Osmar namorou uma enfermeira chamada Marcedes e ficou correspondendo com a moça que morava em Salvador. Como a sua namorada era amiga de Dagmar, pedia através de cartas para tomar conta de Osmar. O envolvimento de Dagmar com o recebimento destas correspondências da sua amiga Mercedes, contribuiu para começar o namoro com Osmar, mesmo escondido, pois o pai dela não permitia. Depois de um ano de namoro Osmar mandou uma carta para Edgar Brandão pedindo sua amada em casamento. O pedido foi negado e Osmar decidiu morar em Salvador na casa do seu tio Rodolfino Marques, entretanto continuou correspondendo com Dagmar.

Joel Marques da Silva, neto de Zezinho dos Laços e primo de Osmar.

     Na capital, o seu primo Joel Marques conseguiu de início para ele um emprego de Balconista na loja de tecidos Pirangi. Depois trabalhou na COTEL, outra loja de tecidos também como Balconista e em seguida como viajante.
     O divertimento dele nos finais de semana era nas praias, festas, futebol na Fonte Nova para torcer pelo time do Vitória e cinema sempre acompanhado por Joel, Juarez e Jurandir.
     Durante o tempo que passou em Salvador, continuou namorando escondido com Dagmar e aprontando para casar. No ano de 1961, com o consentimento de Edgar Brandão e de sua esposa Noélia, casou-se com sua amada Dagmar, foi novamente morar em Feira de Santana e tiveram três filhos. 

Osmar Marques e os filhos Osmarzinho, Adriano e Maurício.

       Hoje é viúvo, aposentado, tem seis netos, uma bisneta e continua contando histórias.

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